Eu recomendo muito o uso
do dinheiro, pois é um bem sem o qual é muito difícil viver! E, ao contrário
do que muitos cristãos acreditam, o dinheiro não é absolutamente a raiz de
todos os males. "Mas pastor Ron, a Bíblia diz que o dinheiro é a raíz de
todos os males!" Você está enganado. Em 1 Timóteo 6:10, a Bíblia diz:
"Porque o amor do
dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da
fé, e a si mesmos se atormentaram com muitas dores."
Veja, o dinheiro é uma
parte necessária a vida e certamente não é intrinsicamente mau nem bom. Ele
é uma das muitas "coisas" na vida de um cristão das quais o Senhor,
na verdade, é o dono, mas permite que usemos como seus mordomos. Quando
utilizamos corretamente as "coisas" que ele coloca ao nosso dispor, e
mantemos uma atitude correta com relação a elas, ele freqüentemente as
multiplica. Quando adotamos a atitude errada com relação às
"coisas" é que entramos em problemas. Se devenvolvermos um amor, um
desejo desordenado, por essas "coisas", isso torna-se um pecado em
nossas vidas. Novamente, o dinheiro e os outros bens materiais não são
pecaminosos em si mesmos. Na verdade, são muito bons e, se nos comportarmos e
praticarmos a boa mordomia, Deus pode achar adequado permitir que usemos parte
deles! No entanto, deixe-me dizer logo que não existem garantias. O
"evangelho da prosperidade" que alguns estão pregando é tão falso e
vazio quanto uma nota de três reais. É um fato que Deus prometeu no
prosperidade espiritual e financeira aos israelitas no Antigo Testamento, mas
ambas eram condicionadas à obediência a ele. Em nenhum lugar você encontrará
uma promessa semelhante para os cristãos no Novo Testamento. Na verdade, a Bíblia
nos diz que nosso caminhar com Cristo será duro e quanto mais perto procurarmos
estar dele, mais difícil ficará essa caminhada. Neste aspecto, o cristianismo
é absolutamente diferente em comparação com todas as religiões do mundo.
Em 2 Timóteo 3:12, a Bíblia
diz, "Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão
perseguidos."
Embora seja verdade que a
riqueza seja uma bênção de Deus, a pobreza não deve ser vista como desfavor,
pois, em certo sentido, liberta o indivíduo de tremendas responsabilidades e
tentações. Lucas 12:48b, diz: "...Mas àquele a quem muito foi dado,
muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão."
O ensino do Novo Testamento tem muito a dizer sobre qual deve ser nossa atitude
com relação às coisas que Deus confiou aos nossos cuidados. Vejamos:
Na parábola do Semeador,
em Lucas 8:14, o Senhor diz isto sobre a semente que cai entre espinhos:
"A que caiu entre
espinhos são os que ouviram e, no decorrer dos dias, foram sufocados com os
cuidados, riquezas e deleites da vida; os seus frutos não chegam a
amadurecer."
Nesse verso, o Senhor nos
diz que a semente é a Palavra de Deus e quando as pessoas a ouvem e permitem
que as ansiedades, cuidados, riquezas e deleites desta vida diluam a mensagem,
eles deixam de amadurecer na fé. Como cristãos, se quisermos fazer progressos
no nosso caminhar com Cristo, a Palavra de Deus precisa ser mais preciosa para nós
do que qualquer coisa que o mundo tenha para nos oferecer.
Em Mateus 6:19-21, o
Senhor disse isto sobre os "tesouros" terreais: "Não acumuleis
para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e
onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu,
onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam nem roubam;
porque onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração."
A eternidade é para
sempre (!) e é tolice demais sacrificar os tesouros do céu pelas riquezas
deste mundo. No entanto, é exatamente isso que muitos cristãos fazem
rotineiramente quando ficam enamorados com os bens materiais. Estou convencido
que nosso Deus atribui soberanamente a cada um de nós uma posição relativa na
vida - nosso status financeiro e material, juntamente com as capacidades
co-relacionadas (ou a falta de capacidades) pertinentes a essa posição.
Sejamos francos, nem todos têm o intelecto ou a capacidade de acumular riqueza
e lidar com ela da forma correta. Alguns têm essa capacidade e graças a Deus
por eles poderem gozar os frutos de seu trabalho. Outros irmãos fazem o melhor
que podem, mas passam a vida inteira lutando apenas para satisfazerem suas
necessidades básicas de alimentação e vestuário. Experimentamos a verdadeira
felicidade e o contentamento espiritual quando descobrimos qual é nosso nicho
respectivo na vida e então fazemos o melhor que pudermos, enquanto pudermos!
Entramos em problemas quando não estamos satisfeitos com a provisão de Deus e
cobiçamos mais do que ele sabe que é melhor para nós. Ambição e desejo de
progresso material somente são naturais e corretos quando não forçamos a
coisa. Se Deus quiser que prosperemos em nossos empregos e ganhemos mais
dinheiro, ele fará isso acontecer.
Quando ele abrir as
portas, poderemos passar por elas. Infelizmente, muitos cristãos não
compreendem isso e quebram a cara ao tentarem passar por portas que estão
fechadas! Isso é enfatizado pelas palavras de Cristo em Lucas 12:15: "Então
lhes recomendou: Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque
a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui."
O perigo espiritual
subjacente que está associado com o dinheiro e com os bens materiais é que
eles podem facilmente se transformar em ídolos em nossas vidas. Muitas pessoas
acham que um ídolo é somente uma figura feita de madeira ou de pedra que é
colocada em um templo e que é adorada. Não, um ídolo é qualquer coisa que
fique entre nós e Deus! Deus quer nossa total fidelidade a ele, exatamente como
marido e mulher requerem um do outro. Ele fica ofendido quando desviamos nosso
amor e atenção dele para qualquer outra coisa.
Esse conceito é
delineado em Mateus 6:24: "Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou
há de aborrecer-se de um, e amar ao outro; ou se devotará a um e desprezará
ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas."
O apóstolo Paulo também
falou sobre o dinheiro e os bens materiais e, em sua primeira carta a Timóteo,
adverte os cristãos, particularmente os pregadores, sobre o uso incorreto do
dinheiro. Em 1 Timóteo 6, começamos nossa leitura no meio do verso 5 e
continuamos até o verso 9, depois no verso 17:
"...homens cuja
mente é pervertida, e privados da verdade, supondo que a piedade é fonte de
lucro. De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento. Porque
nada temos trazido para o mundo, nem cousa alguma podemos levar dele; tendo
sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar
ricos caem em tentação e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e
perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do
dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé,
e a si mesmos se atormentaram com muitas dores."
"Exorta aos ricos do
presente século, que não sejam orgulhosos, nem depositem a sua esperança na
instabilidade da riqueza, mas em Deus, que tudo nos proporciona ricamente para
nosso aprazimento."
Nossa sociedade valoriza
excessivamente a riqueza e os bens materiais. As pessoas são classificadas de
acordo com a renda: classe baixa, classe média e classe alta, ou, às vezes, em
classes A, B, C, D e E. Somos constantemente bombardeados com propagandas que
procuram despertar o desejo da pessoa de "subir na escala social".
Isso tornou-se parte da realidade cotidiana. Algumas propagandas recorrem ao
tema: "Você merece...." ou "Você deve isso a si mesmo..."
As agências de propaganda conhecem bem a natureza humana e a exploram
habilmente para promover os produtos e serviços. Nós, criaturas pecadoras,
temos uma fraqueza natural com relação aos prazeres e aos bens materiais e
eles a exploram para seu ganho financeiro! Como cristãos, precisamos estar
vigilantes contra esses estímulos.
É também triste
observar cristãos que não têm a força de vontade para praticar a mordomia
correta daquilo que Deus lhes deu. O desejo de ter, de obter e de usar cresceu
até um ponto em que milhões de pessoas encontram-se endividadas, e alguns
cristãos certamente também se enquadram nessa situação. Satanás fez com que
o crédito facilitado arruinasse o testemunho de inúmeros cristãos. Ninguém
deveria se endividar além da sua capacidade financeira de pagar, especialmente
aqueles que professam o nome de Jesus Cristo. Fazer isso é trazer reprovação
sobre si mesmo e sobre seu Salvador. Aqueles pequenos cartões de plástico são
muito fáceis de se obter, mas certamente atuam como um narcótico para algumas
pessoas e, sem que percebam, as dívidas e os juros começam a se acumular.
Pessoas que nunca jogariam em um cassino contraem dívidas com seus cartões de
crédito e isso nos faz perguntar qual é a diferença essencial? Saber que você
não poderá pagar depois e precisará rolar a dívida, pagando juros
extorsivos, é pecaminoso se foi por falta de autocontrole que você contraiu
aquela dívida. Quando considerarmos o fato que somos mordomos do Senhor e que
estamos fazendo mal uso do dinheiro dele, isso deve colocar as coisas sob a
perspectiva correta.
Meu conselho a você que
está em dívidas é sair dessa situação o mais rápido que puder - mesmo que
para isso precise se desfazer de algumas coisas que o levaram a essa situação.
(Não estamos falando aqui de financiamentos imobiliários e outras dívidas
dessa natureza, pois elas têm a garantia do próprio imóvel). Ao enfrentar uma
situação de dívida além da capacidade financeira, o modo mais fácil de sair
é declarar falência pessoal e deixar os credores a ver navios. No entanto,
Deus não permite que um de seus filhos faça uma coisas dessas! Sim, pode ser
legal juridicamente, mas certamente não é ético para o cristão. Se você
estiver enfrentando uma situação dessas, faça a coisa certa e procure
renegociar a dívida com os credores, alargando os prazos ou reduzindo os juros
- mesmo que você precise passar o resto da vida trabalhando em dois empregos
para corrigir a situação! Eles não torceram seu braço, obrigando-o a
contrair as dívidas; a culpa pelos gastos excessivos foi sua. Agora, o mínimo
que você pode fazer é um esforço honesto para pagar o que deve. Agir de forma
contrária é arruinar completamente seu testemunho e envergonhar o nome do
Senhor Jesus Cristo.
O Espírito Santo,
falando por intermédio do apóstolo Paulo, tem este maravilhoso conselho para nós:
"De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento. Porque
nada temos trazido para o mundo, nem cousa alguma podemos levar dele; tendo
sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar
ricos caem em tentação e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e
perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do
dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé,
e a si mesmos se atormentaram com muitas dores." [1 Timóteo 6:6-10]
Quando a ênfase em nossa
vida for colocada corretamente na piedade, obteremos o contentamento pessoal
como resultado. Afinal, o que pode ser melhor que ter nossas necessidades
atendidas e dormir com uma consciência tranquila? Pense sobre isto.
No capítulo dezesseis do
Evangelho Segundo Lucas, encontramos o Senhor Jesus Cristo encerrando uma série
de seis parábolas - pequenas estórias que ensinam verdades espirituais. A última
estória que ele contou é similar às parábolas, mas um ponto principal de
distinção alerta-nos para o fato que não é uma parábola. Nas parábolas,
nenhum nome é citado, mas nesta história, há um mendigo chamado Lázaro. É
perfeitamente concebível que esse pobre homem tenha sido alguém que
encontrou-se com o Senhor durante suas andanças e cuja vida e morte ele usou
para fazer uma ilustração às pessoas. Começando com o verso 19 do capítulo
16, temos:
"Ora, havia certo
homem rico, que se vestia de púrpura e de linho finíssimo, e que todos os dias
se regalava esplendidamente. Havia também certo mendigo, chamado Lázaro,
coberto de chagas, que jazia à porta daquele; e desejava alimentar-se das
migalhas que caiam da mesa do rico; e até os cães vinham lamber-lhe as úlceras.
Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão;
morreu também o rico, e foi sepultado. No inferno, estando em tormentos,
levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio. Então,
clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim! e manda a Lázaro que
molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou
atormentado nesta chama. Disse, porém Abraão: Filho, lembra-te de que
recebeste os teus bens em tua vida; e Lázaro igualmente os males; agora, porém,
aqui ele está consolado; tu, em tormentos. E além de tudo, está posto um
grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que querem passar daqui para vós
outros não podem, nem os de lá passar para nós. Então replicou: Pai, eu te
imploro que o mandes à minha casa paterna, porque tenho cinco irmãos; para que
lhes dê testemunho a fim de não virem também para este lugar de tormento.
Respondeu Abraão: Eles têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. Mas ele
insistiu: Não, pai Abraão; se alguém dentre os mortos for ter com eles,
arrepender-se-ão. Abraão, porém lhe respondeu: Se não ouvem a Moisés e os
profetas, tão pouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre
os mortos."
Este é um comentário
muito interessante feito pelos próprios lábios do Senhor e contém muitas
coisas que devemos considerar com atenção. Suponho que a primeira coisa que
devamos observar é que as vidas terreais de dois homens estão sendo
comparadas. Por um lado, somos apresentados a um homem rico, um indivíduo não
nomeado, mas que certamente é representativo dos homens ricos e influentes
daqueles tempos. Ele pode ter sido um membro da realeza, pois o texto diz que
vestia-se de púrpura, uma cor que tradicional e historicamente esteve associada
com a realeza. Seus mantos e as outras vestes eram de linho finíssimo, um
tecido muito caro e usado somente por pessoas importantes. Seu estilo de vida
incluia tudo que um homem mundano poderia querer - festas, banquetes e diversões
em lugares sofisticados - todos os dias.
A mansão onde morava o
homem rico tinha um muro alto que oferecia proteção contra os visitantes
indesejados - e o acesso à rua era por meio de um portão de ferro todo
ornamentado e vigiado por seguranças. Era nesse portão que alguns amigos de Lázaro
o deixavam, talvez com a idéia que ele pudesse conseguir alguns restos de
comida da mesa ou receber algumas moedas. Lázaro era um homem doente, faminto,
desempregado e tinha poucas chances de sobrevivência - e menos ainda de
melhorar sua situação. Seu corpo estava coberto por feridas que possivelmente
eram decorrentes da deficiência de vitaminas provocadas pela desnutrição. E,
para piorar as coisas, os cães eram atraídos pelo cheiro das feridas abertas
que Lázaro tinha em seu corpo. Esses cães não eram animais de estimação!
Eram cães ferozes que perambulavam pelas ruas procurando comida. Provavelmente
eles tentavam lamber o sangue das feridas abertas, de modo que Lázaro corria o
risco de até ser devorado por eles. Pelo que sabemos, ele até pode ter sido
morto e devorado pelos cães, pois o texto diz que ele morreu de repente. Nossa
reação natural é de tristeza diante desse quadro lamentável, mas a tristeza
rapidamente transforma-se em alegria quando lemos que os anjos o carregaram para
o "seio de Abraão" - uma expressão hebraica para o Paraiso. Lázaro
era um dos filhos eleitos de Deus e, quando deixou as tribulações deste mundo,
entrou imediatamente no reino glorioso dos redimidos.
Aqui, é adequado
falarmos rapidamente sobre o conceito de "Seol" (hebraico), ou
"Hades" (grego) - o "túmulo" ou morada dos mortos.
Acredita-se que esteja localizado no centro da terra e que todos os que morriam
(justos ou não) iam para lá após a morte. Alguns teólogos conservadores
concluiram que o Seol, ou Hades, era formado de dois "compartimentos"
- um era o "Paraiso", a morada dos redimidos e o outro o Seol ou o
Hades propriamente - o raciocínio deles baseia-se grandemente nessa passagem bíblica.
Em seguida, vemos a curta
afirmação que o rico também morreu e que foi sepultado. Não há dúvida que
ele teve um funeral magnífico, condizente com seu nível social e meios
financeiros. Provavelmente algumas carpideiras profissionais foram contratadas
para chorarem durante o velório e um orador discursou, exaltando suas realizações
mundanas. O corpo foi colocado em um túmulo caro e bem ornamentado. Nenhum
gasto foi poupado e o funeral foi realmente magnífico. No entanto, o rico não
era um filho de Deus e, após a morte, encontrou-se em circunstâncias
totalmente diferentes das de Lázaro! Estando em tormentos entre as chamas,
olhou para cima e viu Abraão e Lázaro ao longe - no Paraiso. Acho muito
interessante que o rico conhecia a Lázaro - ele o reconheceu e o referenciou
pelo nome! Podemos especular sobre a interação que eles tiveram em vida, mas
acho que é seguro dizer que o rico não se preocupou nem ajudou Lázaro, como
deveria ter feito. Esses dois homens eram irmãos na fé judaica - um deles era
rico e o outro era pobre - e a Lei de Moisés mandava os ricos socorrerem os
pobres em suas necessidades. Obviamente, o rico falhara completamente nessa sua
responsabilidade (e podemos imaginar em quantas outras). Durante sua vida, ele
sempre viveu na sombra e água fresca, mas agora a situação era totalmente
diferente, ele não tinha mais seus cartões de crédito para comprar o que
quisesse, nem tinha mais seus empregados para servi-lo. As chamas do fogo o
queimavam e ele queria encontrar um pouco do vinho, da champanhe e da água
mineral importada que ele sempre tinha na geladeira para se refrescar, mas também
não encontrava isso. "Onde estão minhas moedas de ouro e de prata? Talvez
eu possa subornar alguém para que me deixe sair daqui - todos gostam de
dinheiro, não é mesmo?"
Mas as chamas são implacáveis.
Em desespero, ele grita a Abraão que está ao longe. "Tem misericórdia de
mim! e manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua,
porque estou atormentado nesta chama."
Neste ponto, não posso
deixar de fazer uma observação: Estas palavras que encontramos no evangelho de
Lucas foram ditas pelo próprio Senhor Jesus Cristo e ele diz que o Hades (o
inferno) é um lugar de tormentos para aqueles que passarão a eternidade ali!!
O evangelista mais famoso do mundo declarou recentemente que não sabe
exatamente se as chamas existem e que, portanto, não prega sobre o assunto. O
conceito dele sobre o inferno é somente a separação de Deus. Será que ele não
sabe ler? Confira em qualquer tradução ou versão da Bíblia que quiser e verá
que elas falam claramente de chamas nesta passagem. Se ele está errado neste
ponto sobre o inferno, no que mais pode estar se afastando das doutrinas
fundamentais da fé cristã?
Abraão, então, é forçado
a dar as más notícias para o ricaço: "Filho, lembre-se que você teve
muitos bens na sua vida; mas Lázaro só teve males; agora, porém, aqui ele está
consolado; e você, em tormentos. E além de tudo, há um grande abismo nos
separando e Lázaro não pode ir até você, nem você pode vir até nós."
Quando as palavras de Abraão fazem o homem rico reconhecer a realidade da sua
situação, pela primeira vez ele pensa nas outras pessoas e diz: "Então
envia Lázaro aos meus cinco irmãos, porque não quero que venham para este
lugar de tormentos!" Entretanto, mesmo essa solicitação altruista não
pode ser atendida, pois Abraão diz que os irmãos têm os livros de Moisés e
dos profetas - as Escrituras do Antigo Testamento - que os advertem. Mas o homem
rico retruca, "Não, pai Abraão. Se alguém dentre os mortos for ter com
eles, arrepender-se-ão". Mas Abraão lhe diz a dura verdade: "Se não
ouvem a Moisés e os profetas, tão pouco se deixarão persuadir, ainda que
ressuscite alguém dentre os mortos."
Logicamente, sabemos que
esse fato aconteceu, possivelmente pouco tempo antes de Jesus contar a história.
Naquela cruz no Calvário, o Filho de Deus e o Filho do Homem morreu pelos seus
pecados e pelos meus, para que não tenhamos que passar nossa eternidade no
Inferno. Depois, após três dias no túmulo, Jesus Cristo ressuscitou, e
apareceu a mais de 500 pessoas diferentes durante um período de 40 dias! No
entanto, até mesmo o retorno de Jesus Cristo do túmulo não convenceu a maior
parte do povo judeu, e virtualmente a nenhum dos fariseus e saduceus. Assim, não
pense que uma pessoa hoje tenha mais dificuldade de crer, pois a crença é uma
questão de fé, não de vista. O povo nos dias de Jesus pode realmente ver seus
milagres, e mesmo assim não creu. Não compreendo esse aspecto da natureza
humana, mas ele é verdadeiro. As pessoas podem ver um milagre sobrenatural e não
acreditar, nem mesmo se alguém voltar dentre os mortos.
Como mais uma ilustração
desse fenômeno, chamo sua atenção ao capítulo 11 do Evangelho Segundo João.
Neste capítulo, encontramos a ressurreição de outro Lázaro dentre os mortos!
Este Lázaro, juntamente com suas irmãs, Marta e Maria, eram amigos pessoais do
Senhor. Quando Lázaro morreu, o Senhor o trouxe de volta à vida de uma maneira
calculada, para provar, sem margem para dúvidas, que era uma ressurreição
sobrenatural. Lázaro já estava morto há quatro dias e o Senhor esperou
intencionalmente esse tempo. Segundo alguns comentaristas, ele esperou esse
tempo devido a uma superstição que havia entre os judeus, que dizia que o espírito
pairava sobre o corpo por dois ou três dias após a morte. Após quatro dias,
até essa esperança de o espírito voltar desaparecia. Portanto, quando o
Senhor chamou Lázaro para fora do túmulo, o corpo dele já tinha entrado em
processo de decomposição e começava a cheirar mal. No entanto, quando o
Senhor chamou "Lázaro, vem para fora!", Lázaro veio caminhando para
fora do túmulo, todo enfaixado, como se fosse uma múmia! O método judaico de
sepultamento incluia o enfaixamento de todo o corpo com tiras de um lençol de
algodão e a utilização de especiarias embalsamadoras. Quanto mais rico fosse
o indivíduo, mais especiarias eram utilizadas. A regra de ouro era
"nenhuma carne deve tocar outra carne", de modo que cada dedo, cada
braço e cada perna eram enfaixados individualmente. O corpo era então
enfaixado até o pescoço e o rosto e cabeça era cobertos por um lenço
especial. Esse enfaixamento era tão grande que Lázaro certamente precisou de
ajuda para se livrar de tudo aquilo!
Pouco tempo após esse
maravilhoso acontecimento - que levou muitos judeus a crerem em Jesus, vemos no
capítulo 12 de João que o Senhor participou de uma ceia oferecida por Maria,
Marta e Lázaro. O verso 9 diz que muitas pessoas vieram sem serem convidadas e
que não queriam ver o Senhor, mas queriam ver a Lázaro, que ressuscitara! A
natureza humana não é interessante? Em vez de honrar o seu Messias, que
realizara o milagre, eles estavam meramente curiosos a respeito do homem que
ressuscitara! Depois, nos versos 10 e 11, encontramos ações que validam a
afirmação de Abraão feita ao homem rico que mesmo se alguém voltasse dentre
os mortos, ainda assim alguns não acreditariam:
"Mas os principais
sacerdotes resolveram matar também a Lázaro; porque muitos dos judeus, por
causa dele voltavam crendo em Jesus." O verso 53 do capítulo 11 revela que
eles já estavam planejando como matariam Jesus.
Esses homens ímpios
sabiam que a ressurreição era sobrenatural e que somente Deus poderia realizar
uma coisa dessas, mas o coração deles estava tão endurecido que eles
desconsideravam totalmente o testemunho das Escrituras sobre o Messias, e não o
aceitavam. Com diz o velho adágio, "O pior cego é aquele que não quer
ver!" E você? Já é um filho de Deus, ou precisa admitir que ainda não
nasceu na família dele? Recusar-se a crer em Jesus Cristo e arrepender-se dos
seus pecados (não apenas estar estristecido pelos pecados praticados, mas estar
disposto a fazer uma mudança de rumo correspondente em sua vida, em direção
àquilo que é reto) de acordo com a Bíblia fará com que você faça companhia
ao homem rico por toda a eternidade! Aconselho-o a examinar os fatos descritos
na Bíblia, a Palavra de Deus, e então orar e pedir o perdão e a salvação
que há em Jesus Cristo.
É triste observar que,
conforme a época da graça se prolonga, o povo de Deus parece mais determinado
do que nunca a adotar as atitudes e ações do mundo. As modas vêm e vão, mas
uma coisa continua constante - cada uma delas consegue deixar sua marca indelével
sobre certos segmentos da cristandade professante. Para aqueles de nós que já
acumularam uma certa "quilometragem", vemos esse fenômeno a partir da
perspectiva de ter passado por grande parte dele. Eu realmente gostaria de poder
expressar com palavras adequadas uma explicação aos jovens sobre o quanto a
sociedade mudou nos últimos quarenta ou cincoenta anos. Isso nos faz pensar em
quanto mais o Senhor permitirá que esse processo continue antes de vir buscar
sua igreja.
Como podemos esperar, a
Palavra de Deus tem muito a dizer sobre os assuntos mundanismo e separação.
Com a ajuda de Deus, gostaria de explorar ambos os tópicos em profundidade.
Começaremos tentando definir a palavra "mundanismo". É o substantivo
do adjetivo "mundano" e o Dicionário Aurélio define assim:
"Vida mundana; hábito daqueles que só procuram gozos materiais.". A
partir dessa definição, vemos que não é absolutamente uma palavra que seria
usada para descrever um cristão. Ser mundano é aderir e seguir aquilo que
caracteriza as atitudes e ações das massas; dos não-convertidos - aqueles que
estão perdidos. Além disso, precisamos compreender que é uma coisa
extremamente fácil de fazer. Tudo o que precisamos é "seguir as
massas", seguir o caminho da mínima resistência. A natureza humana nos
predispõe para o mundanismo. Antes de sermos salvos, o mundanismo era um modo
de vida. Após a salvação, ganhamos uma nova natureza, mas a velha natureza
pecaminosa não foi erradicada. Por isso, estamos em uma situação que
garante uma vida de conflito contínuo!
Talvez você já tenha
ouvido a estória sobre um velho chefe indígena que se converteu a Cristo.
Certa vez, dois de seus irmãos "caras pálidas" foram visitá-lo e um
deles perguntou como estava indo sua vida espiritual. O velho chefe respondeu
que era como se ele tivesse dois cachorros vivendo dentro dele - um branco e um
preto e eles brigavam constantemente! Após conversarem um pouco, um daqueles
homens perguntou: 'Afinal, quem ganha a luta?' A resposta do chefe foi clássica:
"Aquele que eu alimento mais." Embora seja uma ilustração simples,
ela nos dá um quadro vívido da batalha que ocorre todos os dias dentro de nós.
Se alimentarmos nossa nova natureza por meio do estudo da Palavra de Deus e da
oração, crescemos "na graça e no conhecimento do Senhor". No
entanto, se continuarmos a festejar "com as bolotas que os porcos
comem", não devemos esperar muito progresso na vida espiritual.
O apóstolo Paulo
menciona essa luta em Romanos 7:15-25. O que ele diz é vital para nossa
compreensão do problema, de modo que incluimos todo o texto aqui:
"Porque nem mesmo
compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e, sim, o
que detesto. Ora se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa.
Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim.
Porque eu sei que em mim, isto é, na minha própria carne, não habita bem
nenhum; pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não
faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço
o que não quero, já não sou eu quem o faz, e, sim, o pecado que habita em
mim. Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim.
Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo nos
meus membros outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz
prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. Desventurado homem que
sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus, por Jesus Cristo
nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente sou escravo da lei de
Deus, mas, segundo a carne da lei do pecado.
Essa luta interior, que
Paulo descreve tão bem, deve ser igual a que experimentamos. Sabemos o que é
melhor, mas nem sempre fazemos o que é melhor! Certo? Bem, preciso me apressar
em dizer que só porque essa é uma aflição comum, não quer dizer que
tenhamos uma desculpa para nossas ações. Permitir que ações e atitudes
pecaminosas e mundanas continuem em nossas vidas, sem serem enfrentadas, é
convidar problemas maiores. O apóstolo João admoesta-nos em 1 João 2:15-17:
"Não ameis o mundo
nem as cousas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está
nele; porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência
dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo. Ora, o
mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade
de Deus permanece eternamente."
Creio que cada um de nós
pode ver nesses versos que o amor ao mundo é um perigo muito real para o cristão.
Nossa natureza caída, que está conosco desde o nascimento, está naturalmente
inclinada e preparada para as atrações que nos rodeiam. Nunca antes em toda a
história humana isso foi mais problemático do que atualmente e está ficando
cada vez pior! Os historiadores dizem que uma das principais razões para a
queda do Império Romano foi que a maior parte da população desenvolveu um
apetite insaciável por prazeres e divertimentos. Enquanto as pessoas se
divertem, esquecem-se das coisas que realmente são importantes na vida. Esse
tipo de comportamento é uma forma de fuga, para não enfrentar as realidades da
vida diária. Como os cristãos não são imunes à doença do mundanismo,
precisamos reconhecê-la como sendo uma lepra espiritual e evitá-la. (A lepra,
freqüentemente mencionada na Bíblia, sempre é retratada como sendo típica do
pecado.)
Em toda a Bíblia, os
cristãos são constantemente exortados a buscar sabedoria - a pensar, a agir de
uma maneira responsável o tempo todo - para nosso próprio bem e para o bem dos
outros. Uma das tragédias da vida cristã é ver aqueles que professam o nome
de Cristo chafurdarem na imundície deste mundo e depois tentarem
"testemunhar" para ele! As atitudes falam mais alto que as palavras e
cada um de nós precisa entender que estamos em cena, e nossas ações estão
sendo observadas o tempo todo. Depois que tomamos o primeiro passo de identificação
com Cristo (o batismo), tornamos-nos homens e mulheres, meninos e menimas
marcados - pois o mundo está apenas aguardando a primeira oportunidade para nos
chamar de hipócritas! Satanás é o deus deste mundo e tenta explorar cada
deslize nosso. Amar as atitudes e filosofias tão prevalentes na nossa cultura
é garantia de ruína para nosso testemunho como filhos de Deus.
O que quero dizer com a
palavra "testemunho"? Houve uma época quando a terminologia da fé
era tão largamente compreendida que podia-se assumir que todos a
compreendessem, mas esse não é o caso hoje. É por isto que normalmente
procuro definir certos termos. Seu testemunho cristão é similar à sua
personalidade, pois é "você" - o que você realmente é - como
aparece aos outros em relação a sua profissão de fé. Você pratica aquilo
que prega? Se pratica, pode-se dizer que mantém um bom testemunho de Cristo.
Depois da salvação, o testemunho é o que de mais valioso você tem. Portanto,
mantenha-o limpo e não permita que a sujeira deste mundo se agarre nele.
O melhor testemunho para
Cristo é uma vida que está cheia e que é controlada pelo Espírito Santo.
Muitos cristãos têm hoje a idéia errada que testemunhar consiste unicamente
em "dar-lhes o evangelho". Embora compreendemos e concordemos que o
aspecto sobrenatural da salvação definitivamente envolve a mensagem do
evangelho, nosso testemunho de modo algum é limitado a isso. Independente se
você percebe isso ou não, a maioria das pessoas presta muito mais atenção àquilo
que você faz e como reage do que com o que diz. Como diz o velho adágio,
"Falar é fácil!" Algumas pessoas que falam muito bem acabam ficando
constrangidas após serem desafiadas com o "mostre-me ou cale-se". A
atitude que a maioria de nós terá é, "Não fale somente, mostre-me também!"
As ações falam muito mais alto que as palavras. Quando vivenciamos aquilo que
falamos, nossas palavras terão uma força muito maior. Se as pessoas virem que
somos genuínos e que nossas vidas irradiam a realidade daquilo que professamos,
eles estarão muito mais abertos à mensagem que anunciarmos. Os hipócritas são
alvo de escárnio em toda a parte, e não é para se admirar! O mundanismo e a
piedade são totalmente incompatíveis - como óleo e água, que não se
misturam. Mas, apesar das admoestações da Bíblia sobre o mundanismo e suas
conseqüências, muitos cristãos insistem em tentar "ficar com as pernas
uma de cada lado da cerca". (Para aqueles que sempre viveram na área
urbana, essa expressão pode não fazer muito sentido - mas para aqueles que já
tentaram saltar uma cerca de arame farpado - certamente faz!) Tentar ficar com
as pernas uma de cada lado, uma no mundo e outra nos céus provavelmente o
deixará com as calças rasgadas!
Outro modo de ilustrar o
ponto é com uma estória sobre o velho oeste americano. Um homem proprietário
de uma empresa transportadora estava entrevistando os candidatos a condutores de
diligências. O trecho da estrada que ele selecionou para o teste estava em uma
montanha que tinha um barranco em uma das laterais, com uma queda de centenas de
metros. As instruções que ele dava a cada candidato eram simples: "Veja o
quanto você consegue chegar perto do barranco, mas sem cair!" Primeiro,
um, depois outro candidato tentaram, levando os cavalos bem para perto do
barranco. Finalmente, quando um terceiro homem se apresentou e recebeu as instruções,
ele disse, "O senhor está louco? Vou conduzir os cavalos pelo outro lado
da estrada, ficando longe do barranco!" "O emprego é seu",
exclamou o chefe. O risco era grande demais e este é exatamente o ponto que
quero deixar claro sobre o envolvimento com o mundanismo. Se você parecer como
o mundo, agir como o mundo, e cheirar como o mundo - como o mundo verá a
diferença em você? Por que devemos achar que eles serão atraídos a Cristo
por meio do nosso testemunho quando parecemos ser virtualmente iguais a todas as
outras pessoas? Como diriam alguns garotos hoje: "E aí?"
Outro aspecto muito
importante do nosso testemunho envolve a doutrina bíblica da separação. Creio
com todo meu coração que isso é uma das menos compreendidas e menos ensinadas
doutrinas na Palavra de Deus hoje. Quando é mencionada, é geralmente com
generalidades e clichês, mas a Bíblia é tanto explícita e implícita com
relação a esse ensino. É explícita porque o assunto é tratado claramente e
é implícita porque está ele contido em princípio em toda ela. Vamos saltar
para o meio desse assunto e ver se tocamos em alguns nervos expostos:
Em 2 Coríntios 6:14-18,
lemos:
"Não vos ponhais em
jugo desigual com os incrédulos; porquanto, que sociedade pode haver entre a
justiça e a iniquidade? Ou que comunhão da luz com as trevas? Que harmonia
entre Cristo e o Maligno? Ou que união do crente com o incrédulo? Que ligação
há entre o santuário de Deus e os ídolos? Porque nós somos santuário do
Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles; serei o
seu Deus e eles serão o meu povo. Por isso, retirai-vos do meio deles,
separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em cousas impuras; e eu vos receberei,
serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor
Todo-Poderoso."
Paulo, escrevendo sob a
influência e inspiração do Espírito Santo, diz que precisamos nos separar
dos incrédulos e não nos envolvermos em alianças ou sociedades com eles. A
palavra "jugo" refere-se à canga, um implemento de madeira, utilizado
para prender uma junta de bois pelo pescoço e ligá-los à carroça ou ao
arado. Se alguém tentasse prender um boi com uma mula por meio do jugo, o
resultado seria desastroso, pois eles não trabalhariam bem em conjunto. Dois
bois ou duas mulas seriam bons, mas as diferenças de temperamento e de tamanho
entre bois e mulas não permite combinar os dois. O ponto aqui é que os crentes
precisam evitar qualquer situação em que fiquem em jugo desigual com um incrédulo.
Isso inclui exemplos como namoro, casamento, sociedades nos negócios, associações
voluntárias (clubes, etc.) por meio das quais aqueles que não têm os mesmos
valores espirituais possam exercer pressão sobre você. As amizades íntimas
com as pessoas erradas também devem ser evitadas.
Abordo este tópico com
"temor e tremor", pois sei, a partir de experiências dolorosas, que
muitos crentes reagem de maneira emocional ao que caracterizam como
"legalismo". Em primeiro lugar, não é legalismo, pois não estou
tentando impor a lei do Antigo Testamento sobre os cristãos. É uma proibição
muito sã e sensata que objetiva manter a pureza da nossa caminhada com Cristo.
Ninguém consegue brincar com um amontoado de carvão sem se sujar todo. É
realmente simples assim. "Não procure sarna para se coçar", diz o
ditado. Logicamente, aqueles que já estão casados com incrédulos, ou já
comprometidos em relacionamentos que são inevitáveis, não devem tornar uma
situação má pior! Esse ensino objetiva principalmente a prevenção, mas em
alguns casos o incrédulo em questão está arruinando a vida espiritual do
cristão e, por essa razão, o relacionamento deve ser rompido. Se você acha
isso drástico demais, leia então o capítulo 10 de Esdras, e veja o que Deus
exigiu dos sacerdotes e levitas que tinham mulheres estrangeiras. Servimos ao
mesmo Deus hoje! A separação é ensinada em toda a Bíblia, do Gênesis até o
Apocalipse, mas não é um assunto que as pessoas gostem de ouvir.
Não somente devemos
manter a separação pessoal, mas também somos instruídos a manter a separação
"eclesiástica". Este é um ensino implícito e requer maturidade
espiritual para compreender toda sua implicação. A palavra grega
"ekklesia", freqüentemente traduzida como "igreja", é a
palavra-raiz de "eclesiástica" - referindo-se às igrejas e/ou
congregações. O que significa manter separação eclesiástica? Detesto ser
extremamente direto, mas significa ficar longe de qualquer pessoa que afirme ser
cristã, mas que obviamente não adere ao ensino de Cristo! A palavra de Deus
nos recomenda não julgar os outros - condená-los injustamente e lavrar sentença
sobre eles na forma que um juiz faz - mas também somos exortados a "provar
(testar) todas as coisas". Deus espera que mantenhamos nossa guarda
espiritual e não creiamos nas aparências. É claro que você sabe que nem tudo
o que reluz é ouro. As igrejas e os membros que envergonham os ensinos de
Cristo e negam as doutrinas essenciais da fé devem ser evitados. Afirmar ser um
cristão só por causa da participação em uma igreja é como afirmar ser um
carro ficando em uma garagem.
Estamos vivendo nos últimos
dias da igreja e creio que o joio exceda grandemente o trigo. Muitos, se não
todos, dos mais respeitados e renomados pregadores e evangelistas atuais estão
flertando com a Igreja Católica Romana e com seu programa ecumênico mundial. A
enganação demoníaca cresce a cada dia. Meu trabalho é dizer a verdade, não
importando se isso o deixa contente ou não. Esse conceito de separação é um
assunto importante e somente arranhei a superfície, por assim dizer. É de
vital importância que o povo de Deus saiba e compreenda os princípios e
preceitos da sua Palavra, de modo que iremos, com a ajuda de Deus, continuar
batendo nessas "vacas sagradas" para ajudá-lo a amadurecer na fé.
Finalmente, há um
assunto de separação que ainda causa furor em alguns círculos. Isso tem a ver
com a questão se a Bíblia ensina ou não a separação dos crentes genuínos.
É uma questão emocional para alguns, mas precisamos determinar primeiro e
antes de tudo se tem base nas Escrituras - e, em caso afirmativo, o que
precisamos fazer para conformar nossas vidas com esse ensino. Novamente, quero
lembrá-lo da terrível visão que Deus tem do pecado. Ele odeia o pecado com
todo seu ser e para nos redimir das garras do pecado ele deu o seu Filho unigênito.
Não existe "pecado pequeno" - um conceito de origem humana no qual
temos tendência para acreditar. Deus quer que fiquemos longe do pecado, de
todas as formas de pecado, e qualquer ensino que enfatize esse princípio
precisa ser considerado, gostemos dele ou não. Este é o caso que está diante
de nós. Há um tempo em que devemos nos distanciar de outros crentes?
Francamente, a maioria dos pregadores conservadores e fundamentalistas
provavelmente vai gritar, "Nunca!" Creio que eles estão enganados e
espero poder mostrar porque estão enganados. A unidade entre os irmãos é algo
que precisa ser preservada, se possível - mas existem momentos em que as
atitudes pecaminosas por parte de alguns indivíduos requer ação rápida e
decisiva do corpo de Cristo.
Em 1 Coríntios, capítulo
5, temos uma situação em que um dos irmãos estava vivendo em clara
imoralidade com sua madrasta. Aparentemente, o homem era rico e influente na
comunidade, e, por causa do seu nível social, a igreja "estava vendo o
outro lado". Quando Paulo soube do assunto, escreveu a epístola para
instrui-los a corrigir o problema. No verso 13, ele ordena que o homem seja
excluído da igreja. "Mas pastor Ron, isso não é ser excessivamente
severo?" Algumas vezes, medidas drásticas são necessárias para corrigir
aquilo que é visto como de pequena importância. A imoralidade entre os irmãos
na igreja não pode ser tolerada. Ponto final! Quando uma pessoa é tratada da
forma como o próprio Senhor especificou em Mateus 18:15-17, e não ouve ao
ensino e as admoestações da igreja, precisa então ser excluída da comunhão.
Observe que o verso 17, diz "... se recusar ouvir também a igreja,
considera-o como gentio e publicano."
Os três passos para
lidar com o pecado evidente são: (1) admoestação em particular - de irmão
para irmão; (2) Admoestação testemunhada por mais um ou dois irmãos; e (3)
Admoestação pela igreja toda reunida. Se a pessoa não ouvir a admoestação
da igreja, então deverá ser desligada do rol de membros e tratada como fosse
um incrédulo (alguém ainda perdido em seus pecados). Espera-se que esse passo
drástico nunca precise ser dado, mas se for necessário, precisamos orar para
que o indivíduo (se verdadeiramente salvo) fique envergonhado, arrependa-se e
busque o perdão e reconciliação com a igreja. Graças a Deus, o homem em
Corinto veio a arrepender-se e foi reconduzido à comunhão com a igreja.
Para enfatizar o ponto
que a separação é necessária nesse tipo de situação, veja novamente 1 Coríntios
5:9 em diante:
"Já em carta vos
escrevi que não vos associásseis com os impuros; refiro-me com isto não
propriamente aos impuros deste mundo, ou aos avarentos, ou roubadores, ou idólatras;
pois neste caso teríeis de sair do mundo. Mas agora vos escrevo que não vos
associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra,
ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal nem ainda comais."
Isso deve deixar claro
que devemos evitar os irmãos professantes sob certas condições. O
"porque" desse evitar é deixado claro no livro de 2 Tessalonicenses.
No capítulo 3, versos 6, 14 e 15 lemos: (Verso 6) "Nós vos ordenamos, irmãos,
em nome do Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo irmão que ande
desordenadamente, e não segundo a tradição que de nós recebestes; pois vós
mesmos estais cientes do modo por que vos convém imitar-nos, visto que nunca
nos portamos desordenadamente entre vós".
(Versos 14 e 15)
"Caso alguém não preste obediência à nossa palavra dada por esta epístola,
notai-o; nem vos associeis com ele, para que fique envergonhado. Todavia, não o
considereis por inimigo, mas adverti-o como irmão."
Aqueles que discordam
desse ensino - insistindo que a unidade precisa ser mantida a todo o custo -
fazem isso, creio, a despeito da clareza do texto. A maioria dos que têm essa
posição insiste que o ensino (2 Tessalonicenses 3) é pertinente àquela situação
somente. Em outras palavras, Paulo está admoestando algumas daquelas pessoas
porque acreditavam que o arrebatamento ocorreria a qualquer momento e tinham
abandonado seus empregos, vendido suas propriedades, e estavam sentados,
ociosos, só aguardando! Eles se recusavam a fazer qualquer trabalho para se
manter e tinham se tornado um peso para a igreja. Embora seja verdade que Paulo
esteja falando sobre uma situação particular, seu ensino em 1 Coríntios deve
deixar claro que o princípio é o mesmo. Os pecados específicos são
totalmente diferentes, mas são pecados também! O senso comum diz que Deus
odeia o pecado e está ordenando que nos separemos dele - mesmo se isso
significar evitar alguns irmãos. Observe as razões para essa atitude - a
separação - é que o irmão malfeitor possa se envergonhar. A idéia é tentar
levá-lo ao arrependimento e fazê-lo voltar para o caminho certo. Se não
formos cuidadosos, podemos concluir erroneamente que aquele que pratica a separação
está exibindo uma atitude "sou mais santo do que você". Embora isso
sempre seja uma possibilidade, simplesmente porque pode ser visto como tal, não
significa que devamos desconsiderar totalmente o ensino. Isso seria como jogar
fora o bebê junto com a água da banheira!
O próximo passo lógico
de separação é também muito controverso. E o irmão que se recusa a dar
ouvidos a esse ensino e continua a associar-se com aqueles que deveriam ser
evitados? Chamo sua atenção de volta ao verso 14 do nosso último texto:
"Caso alguém [na igreja] não preste obediência à nossa palavra dada por
esta epístola, notai-o; nem vos associeis com ele, para que fique envergonhado.
Certamente devemos ver que a eficácia do ensino dependerá do grau em que for
praticado. Caso alguém na igreja ignore a admoestação de Paulo, o efeito
desejado de fazer o membro malfeitor sentir-se envergonhado é diminuido. Evitar
aqueles que ignoram esse ensino - aqueles que continuam a se associar e ter
comunhão com indivíduos que, por suas atitudes e ações, merecem ser postos
para escanteio - é chamado de "separação em segundo grau". O
argumento deles é: "Onde você traça a linha?" "Voltamos ao
'terceiro grau' e 'quarto grau', etc?" Esse tipo de raciocínio é
infantil, pois obscurece a questão recorrendo a extremos ridículos.
Obviamente, sempre haverá um ponto de "retornos decrescentes" - além
do que seria inútil continuar a separação. No entanto, para ser fiel ao
intento original das instruções de Paulo, precisamos nos forçar a encarar o
fato que os irmãos podem se desviar, e isso acontece. É papel do cristão
maduro reconhecer a importância de manter a pureza no andar; uma separação de
todo o pecado e obediência ao ensino bíblico.
Mencionei anteriormente
um desejo de poder comunicar aos cristãos mais jovens as vastas mudanças na
sociedade que ocorreram durantes os últimos quarenta ou cincoenta anos. Essas
mudanças, com a degradação resultante dos valores espirituais, são de partir
o coração.
Para tornar as coisas
ainda piores, os valores daqueles tempos antigos já não eram nada de que se
possa orgulhar! Santidade e piedade pessoal são termos praticamente extintos -
remanescentes arcaicos de uma época que já passou. A história praticamente já
deu uma volta completa no círculo e voltamos à condição descrita nos livros
do Antigo Testamento, Deuteronômio 12:8 e Juízes 17:6 e 21:25: "Cada qual
fazia o que achava mais reto." A Bíblia - a literal Palavra de Deus - é
ignorada pela maioria daqueles para a qual foi dada como padrão absoluto de fé
e de prática. Como resultado direto disso, a igreja perdeu a capacidade de ser
o sal da terra e a sociedade está nos últimos estágios da podridão moral. O
que podemos fazer? A não ser que o Senhor decida operar um milagre de não
pouca magnitude, a situação não será corrigida. No entanto, como diz aquele
antigo hino, "Brilha no meio do teu viver!" Não importa se o resto do
mundo esteja determinado a seguir no caminho errado; cada um de nós deve fazer
o melhor que puder para caminhar na luz da Palavra de Deus e buscar a santificação.
Todos estaremos diante do Tribunal de Cristo, como indivíduos, para prestar
contas pelas "obras feitas no corpo". Nosso galardão eterno será
determinado pela nossa obediência aos mandamentos do Senhor.