
Por David Wilkerson
19 de agosto de 2002
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Em Marcos 7, vemos
Jesus realizando um grande milagre. Toda a dramática cena ocorre em apenas
cinco versículos:
“De novo, se retirou das terras de Tiro e foi por Sidom até ao mar da Galiléia,
através do território de Decápolis. Então, lhe trouxeram um surdo e gago e
lhe suplicaram que impusesse as mãos sobre ele. Jesus, tirando-o da multidão,
à parte, pôs-lhe os dedos nos ouvidos e lhe tocou a língua com saliva;
depois, erguendo os olhos ao céu, suspirou e disse: Efatá!, que quer dizer:
Abre-te! Abriram-se-lhe os ouvidos, e logo se lhe soltou o empecilho da língua,
e falava desembaraçadamente” (Marcos 7.31-35).
Imagine a cena. Quando Jesus chegou aos termos de Decápolis, encontrou um homem
que era ao mesmo tempo surdo e gago. O homem conseguia falar, mas suas palavras
não eram compreensíveis. Cristo levou o homem à parte, separado da multidão.
Ali diante daquele homem, Jesus colocou os dedos nos próprios ouvidos. Depois
cuspiu, e tocou em Sua própria língua. Falou duas palavras: “Abre-te”. No
mesmo instante, o homem conseguiu ouvir e falar claramente.
Pouco antes desta cena, Jesus havia libertado a filha endemoninhada de uma
mulher. Simplesmente proferindo uma palavra, Ele expulsou o espírito maligno da
moça. Pergunto: por que estes dois milagres estão registrados nas Escrituras?
Foram incluídos como apenas mais duas cenas da vida do Senhor na terra?
A grande maioria dos cristãos acredita que tais histórias foram preservadas
nas Escrituras porque nos revelam muitas coisas - seu propósito é revelar o
poder de Deus sobre Satanás e a doença; são prova da divindade de Jesus, para
estabelecer o fato de que Ele era Deus em carne; e têm a finalidade de
encorajar nossa fé, e mostrar-nos que Deus pode operar milagres.
Eu acredito que estas histórias foram registradas por todos estes motivos, e
muito mais. Jesus nos diz que cada palavra que Ele profere veio do Pai. Ele não
dizia nem fazia algo por conta própria, mas por orientação do Pai. Além
disso, cada evento da vida de Jesus contém uma lição para nós, sobre quem
“os fins dos séculos têm chegado” (vide 1 Coríntios 10.11).
Este milagre de Marcos 7 não é só sobre a cura de um homem que viveu há
muitos séculos. Como cada evento registrado da vida de Jesus, isto tem um
significado especial para nós hoje. E, como a parábola de Jesus sobre o
tesouro escondido no campo, a nossa tarefa é cavar até encontrar este
significado.
Creio Que Este Milagre Revela
a Misericórdia e a Compaixão Insondáveis de Cristo
Pela Geração Atual
Já há algum tempo,
tenho ficado perplexo com questões sobre a atual geração de jovens. Essas
perguntas ardem dentro de mim, e me deixam confuso. Mas creio que a história
desse milagre contém uma revelação que responde a muitas destas perguntas.
Primeiro, quero perguntar quem era este homem que levaram a Jesus: “um surdo e
gago” (Marcos 7:32). Não sabemos o seu nome. Mas creio que sabemos quem ele
representa para nós hoje. Ele é um exemplo daqueles que “têm ouvidos e não
ouvem” (Salmo 115.6). Evidentemente, este versículo refere-se à uma condição
espiritual. Descreve um estado de surdez espiritual, uma incapacidade de ouvir e
compreender a verdade de Deus.
Estou profundamente impressionado achando que este homem surdo e gago é como a
grande maioria dos jovens de hoje. Creio que isto se aplica especialmente aos
filhos de lares cristãos. Muitos simplesmente não parecem ter a capacidade de
ouvir e assimilar a Palavra de Deus.
Estou falando dos bons garotos: os que são respeitosos, obedientes, não
farristas. Não estão envolvidos com drogas, bebida, sexo ou imoralidade. Mas são
extremamente passivos em relação a Deus. Em todos os meus anos de ministério,
nunca vi tanta ausência de envolvimento com as coisas de Deus como nesta geração.
Tenho encontrado vários destes jovens espiritualmente surdos em muitos lugares
do mundo. E durante anos tenho perguntado por que tantos jovens bons,
especialmente aqueles criados por amorosos pais cristãos, podem ficar passivos
em relação a Jesus. Ouvem mensagens ungidas, receberam um evangelho de amor,
mas continuam não respondendo.
Tenho sofrido muito por ver esta situação com alguns dos meus próprios netos.
Eles têm ouvido meus sermões, me ouviram pregar com lágrimas nos olhos e com
a autoridade do Espírito. Mas não demonstram qualquer reação visível. Às
vezes penso: “Talvez hoje seja o dia que o Espírito Santo vai derreter essa
mornidão, essa passividade. Talvez verei uma lágrima para dar uma evidência
de que Deus está tocando este coração jovem”.
Fico me perguntando: “Será que são inteiramente surdos? Ou será que
rejeitaram a Deus? Será que fecharam os ouvidos para que não ouçam?”. Luto
com estes pensamentos, porque sei que são garotos bons, que não rejeitaram
Jesus. Mas simplesmente não possuem paixão. E Cristo mesmo adverte que pessoas
boas acabarão no inferno, se forem mornos (ver Apoc. 3:16).
Vejo a mesma situação com muitos maridos cristãos. São homens bons, maridos
fiéis, pais amorosos, provedores responsáveis. Quando vêm à igreja com as
esposas, eu sei que elas estão orando: “Talvez hoje Deus tocará o coração
do meu marido”. Mas no fim, ele apenas dá um sorriso e diz: “Gostei do
culto de hoje. Volto com você qualquer dia desses”. Estes homens não
rejeitaram Jesus. Não são ímpios, sensuais ou imorais. Mas se continuarem
apenas admirando Cristo, estarão perdidos.
Tenho vários amigos que são assim também. Gostam muito de mim, e fariam
qualquer coisa em meu benefício; de vez em quando, vêm à Igreja de Times
Square e sempre elogiam minha pregação. Mas a Palavra de Deus nunca os alcança,
nunca faz efeito. Eles sabem falar sobre a morte de Cristo, Seu sepultamento e
ressurreição, porque já ouviram pregações sobre isto inúmeras vezes. Mas são
passivos. Saem da presença de Deus da mesma forma como entraram: sem transformação.
Estou dizendo: todos eles têm ouvidos, no entanto não ouvem. São
espiritualmente surdos.
Há Uma Única Esperança na Terra
Para Uma Pessoa Assim Ouvir e Falar
A única esperança
do homem surdo e gago era chegar a Jesus. Precisava de um encontro pessoal com
Ele.
Quero destacar que este homem não era como aqueles que Paulo descreve: “como
que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade” (2
Timóteo 4:3,4). Ele também não tinha “espírito de entorpecimento...
ouvidos para não ouvir” (Rom. 11:8). Não era como aqueles descritos em Atos
28:27: “com os ouvidos ouviram tardiamente e fecharam os olhos, para que
jamais vejam com os olhos, nem ouçam com os ouvidos”. E também não era como
os que estavam presentes no apedrejamento de Estêvão, pessoas que “taparam
os ouvidos” (Atos 7:57).
O fato é que este homem queria ouvir. Ele queria desesperadamente ser curado.
Entretanto, lemos no texto que “lhe trouxeram um surdo e gago” (Marcos 7:32,
ênfase minha). Este homem não chegou a Jesus por conta própria. Teve de ser
levado a Ele. Sem dúvida, deve ter ouvido falar sobre Jesus, e sobre o Seu
poder de curar; além disso, sabia como se comunicar, através de gestos ou pela
escrita. E conseguia andar por aí sozinho. Mesmo assim, nunca fez o esforço de
chegar a Jesus por si mesmo. “Eles” tiveram de trazê-lo.
Quem eram “eles” neste versículo? Só posso especular: podem ter sido os
familiares do homem, ou seus amigos, pessoas que se importavam o suficiente para
levá-lo a Jesus. Creio que esta cena tem tanto a ver com a situação dos
nossos jovens hoje. Eles não vão a Jesus por conta própria. É preciso que
sejam levados pelos pais, amigos, pessoas da família da fé. Como os pais do
surdo, nós também precisamos levar nossos filhos e queridos a Cristo.
“Como?”, você pergunta. Através de oração confiante e diária.
Pense sobre isto. Suponha que foram os pais do homem surdo que o levaram a
Jesus. Eles sabiam o quanto seu filho precisava de um encontro pessoal. Afinal,
não podiam suplicar que rapaz ouvisse. Seria tolice insistir com ele, ou ficar
bravo. E seria cruel fazê-lo sentir-se condenado por não conseguir verbalizar
os pensamentos do coração.
No entanto, muitos pais cristãos, incluindo a mim mesmo, conseguem ser muito
cruéis com seus próprios filhos exatamente desta forma. Como? Ficamos
aborrecidos com eles porque não conseguem nos dizer por que ainda não vieram a
Jesus. Não conseguimos entender por que não são capazes de colocar em
palavras os pensamentos do coração. A verdade é que são espiritualmente
gagos.
Não dá nem para começar a imaginar como o mundo está afetando a geração
atual. Os jovens de hoje têm suportado mais do que qualquer geração anterior.
Experimentaram o terror do dia 11 de setembro de 2001; viram chacinas em
escolas; ouviram de escândalos sexuais na presidência do país; viram
evangelistas conhecidos sendo expostos como pecadores pervertidos. E agora estão
acompanhando presidentes e diretores de grandes empresas sendo flagrados por
terem trapaceado para satisfazer sua ganância egoísta. Seria de se admirar que
estejam confusos sobre quem Deus é, e onde Ele situa-se nas suas vidas?
De fato, não importa por que nossos filhos chegaram à esta situação. É inútil
tentar descobrir por que estão tão surdos à Palavra de Deus, tão incapazes
de expressar o clamor de seu coração. Afinal, as escrituras não dizem como
este homem surdo e gago chegou à esta situação. Nenhuma palavra menciona se
nasceu assim. Isto simplesmente não importa. Da mesma forma, não há propósito
algum em os pais cristãos investigarem o que podem ter dito ou feito de maneira
errada na criação dos filhos. Não devemos ficar olhando para o passado,
fazendo suposições, levantando culpas.
A verdade é que nenhum pai ou amigo íntimo pode levar um jovem surdo a ouvir -
por meio de aconselhamento. Você não pode fazer um gago falar claramente,
simplesmente por amá-lo. Não vai funcionar. E não há pastor, conselheiro, ou
líder da mocidade que possa convencer o jovem a ouvir a verdade. Isto não
acontece pelo amor, por condenação, ou aconselhamento. Eles simplesmente são
surdos.
Só há uma cura, uma esperança, para nossos filhos e queridos poderem ouvir a
verdade. E isto é um encontro pessoal com o próprio Jesus. “E lhe suplicaram
que impusesse as mãos sobre ele” (Marcos 7.32). Em grego a palavra que foi
traduzida “suplicaram” aqui, significa imploraram, clamaram. Estes pais
imploraram a Jesus: “Por favor, Senhor, toca o nosso filho. Coloca Tua mão
sobre ele”.
Qual Foi a Primeira Coisa que Jesus Fez
Quando o Homem Foi Levado a Ele?
“Jesus, tirando-o
da multidão, à parte...” (Mc 7.33). Jesus soube imediatamente o que o homem
surdo queria. Ele ansiava por seu próprio toque pessoal, sua própria experiência.
Não dava para se contentar com algo que “eles” tinham encontrado. Tinha de
ser real para ele. O homem queria que Jesus abrisse os ouvidos e soltasse sua língua.
E tinha de acontecer entre ele e Jesus.
Você pode estar dizendo: “Você não está entendendo. Eu vi meu filho
entregar o coração a Jesus há alguns anos. Ele se ajoelhou diante do Senhor e
orou. Depois disso, afastou-se, mas já voltou correndo para Jesus arrependido.
Ainda é um moço correto, sem imoralidade e bondoso, mas agora ficou morno.
Parece não se importar com as coisas de Deus. O que aconteceu? Por que não se
entrega completamente? O que o impede de se comprometer por completo?”.
A resposta é: ele ainda não teve seu próprio encontro com Jesus. Ele foi a
Cristo baseado na experiência do pai, da mãe, ou do amigo. Entregou sua vida
por causa da insistência de outra pessoa. Ou, talvez, tenha ouvido uma mensagem
tão forte sobre o inferno que ficou com medo e correu para Jesus.
Há inúmeras razões por que a experiência não durou para seu filho. O que
quero dizer é que ele não encontrou Jesus por si próprio. Pode ser que conheça
a verdade por observar Cristo na vida dos outros. Mas não experimentou Jesus de
forma pessoal. Ainda não foi tirado da multidão, e levado à parte, para
receber seu próprio toque individual. A revelação precisa vir quando ele está
a sós com o Senhor.
Se você já serviu a Deus durante muitos anos, quero lhe fazer uma pergunta: não
é fato que você pode voltar ao passado e lembrar do dia ou do momento quando
teve um encontro sobrenatural com Jesus? Ele o tocou, e você soube disso. Não
foi uma experiência que recebeu por causa de outra pessoa. Não foi implantada
em sua vida porque ouviu alguém pregar sobre isso. Você experimentou Jesus por
si mesmo. É por isto que está confiante no que tem com Ele.
Jesus sabia que o homem surdo precisava deste tipo de encontro. Por isto
comunicou-se com ele na sua própria linguagem: a linguagem dos sinais. “Pôs-lhe
os dedos nos (próprios) ouvidos e lhe tocou a língua com saliva” (Marcos
7:33). Vejo Jesus colocando os dedos nos próprios ouvidos, apontando ao surdo e
fazendo sinais com a boca. “Vou abrir teus ouvidos”. Então, pôs Sua língua
para fora, tocou nela e cuspiu (provavelmente porque o gago não conseguia
cuspir). Estava querendo mostrar: “Vou soltar os laços que amarram sua língua.
E você será como todos os outros homens”.
Você consegue imaginar o que passava pela mente do homem surdo? Ele deve ter
pensado: “Ele está falando a minha linguagem. Ele não está pedindo que eu O
compreenda. Ele quer mostrar que me compreende! E levou-me à parte para não me
envergonhar. Ele sabe como sou acanhado, e não quer fazer uma demonstração pública".
“Ele não está me questionando, nem me acusando. Sabe exatamente o que tenho
passado. Sabe que não O rejeitei. Sabe que quero ouvir Sua voz, e falar com
Ele. Sabe que meu coração deseja louvá-Lo. Mas não consigo fazer nenhuma
dessas coisas, se não receber Seu toque sobrenatural. Ele deve saber que é
isso que quero”.
Nosso Salvador demonstra o mesmo tipo de compaixão aos nossos queridos não
salvos. Ele não fará espetáculo público com ninguém. Pense de como foi
paciente e compassivo para com Saulo de Tarso. Este homem muito conhecido teria
um encontro milagroso com Jesus. E Cristo poderia ter chegado a ele a qualquer
momento. Ele poderia tê-lo derrubado enquanto Estêvão estava sendo
apedrejado, diante das multidões. Poderia ter feito da conversão de Saulo um
exemplo público. Mas não o fez.
Ao invés disso, Jesus esperou que Saulo estivesse praticamente sozinho no
deserto, montado no seu cavalo, “à parte da multidão”. Foi lá que Jesus
chegou a Saulo, tocando-o de modo sobrenatural. E durante anos Saulo, que depois
foi chamado Paulo, recontava a história daquele dia. Jesus lhe deu seu próprio
toque sobrenatural, abrindo seus olhos cegos.
Você não precisa ir à frente numa igreja para ter um encontro com Jesus. A
melhor obra dEle é feita em secreto. É por isto que ele nos diz: “Quando você
for orar, vá para seu quarto, em secreto, longe da multidão. Então, busque-Me
em particular. Eu o recompensarei em público”.
À Sós com Este Homem, Jesus Faz Algo Extremamente Incomum
“Erguendo os olhos
ao céu, suspirou” (Marcos 7.34). A palavra “suspirar” aqui significa um
gemido audível. Aparentemente, Jesus fez uma expressão de dor e um gemido saiu
do Seu coração. É claro que o homem não ouviu, porque era surdo. Mas por que
este gemido?
Já li vários comentários sobre esta cena. Mas nenhum menciona nada a respeito
do que o Espírito Santo está falando comigo através deste texto. Estou
convencido de que Jesus estava olhando para o céu e comunicando-se com o Pai.
Estava chorando baixinho em Sua alma em relação à duas coisas. Primeiro,
chorava em relação à algo que só Ele podia ver neste homem. E segundo,
chorava por algo que vê ainda hoje, trancado no coração de tantas pessoas,
especialmente nos jovens.
O que Jesus viu, tanto naquele dia como hoje? O que Ele estava ouvindo, tanto no
coração do homem surdo, como no coração de tantas multidões hoje? ELE
ESTAVA OUVINDO UM CLAMOR SEM VOZ. Era um clamor de coração, abafado, incapaz
de ser expresso. Agora o próprio Jesus gemia com um clamor que não conseguia
ser expresso. Ele estava dando voz aos clamores de todos aqueles que não
conseguem se fazer ouvir.
Pense quantas noites este homem chorou até pegar no sono, porque ninguém o
entendia; nem mesmo sua mãe ou seu pai podiam compreender o que falava. Quantas
vezes quis explicar o que estava sentindo, mas tudo que saía eram sons doídos,
desajeitados. Ele deve ter pensado: “Se eu conseguisse falar, pelo menos uma
vez. Se minha língua ficasse solta por um minuto; eu diria aos outros o que se
passa na minha alma. Eu gritaria: ‘Não sou um idiota. Não estou debaixo de
maldição. E não estou fugindo de Deus. Só estou confuso. Tenho problemas,
mas ninguém consegue me ouvir’”.
Mesmo assim, Jesus ouviu os pensamentos do coração deste homem frustrado. Ele
compreende cada gemido interior que não consegue sair para fora. A Bíblia diz
que nosso Senhor se comove com os sentimentos das nossas enfermidades. E Ele
sentiu a dor da surdez deste homem, e da sua incapacidade de falar.
Creio que Jesus estava expressando a dor do Pai sobre cada clamor inaudível do
coração. Era Deus encarnado, gemendo por todo clamor que provém do coração
e não consegue achar uma voz: “O que está errado comigo? Eu não estou com
raiva de Deus. E sei que Jesus é real. Eu O amo e quero servi-Lo. Mas estou
confuso. Por que não consigo falar tudo isso que está abafado no meu coração?”.
Tenho onze netos, e todos os dias oro por cada um deles. Nestes dias estou
orando diligentemente por alguns em especial, levando-os a Jesus através da oração
intercessória. São garotos bons, obedientes, com pais amorosos. Todos
confessam sua fé em Jesus, e têm corações sensíveis. Porém, vejo
passividade neles.
Recentemente, tenho procurado encontrar tempo para falar com cada um em
particular. Falo com eles: “Você sabe que estou orando por você; você sabe
que seus pais estão orando por você, também. Sabemos o quanto você ama ao
Senhor, lá no íntimo do seu coração. Mas por que está tão passivo? Nunca
vejo você falar sobre as coisas de Deus. Não sei se você lê sua Bíblia ou
se ora. Por favor, fale comigo sobre o que se passa no seu coração. Há alguma
coisa atrapalhando?".
A princípio, apenas dão com os ombros. Depois me dizem: “Vovô, não sei. Não
estou bravo com Deus. Só estou confuso. Acho que não sei explicar”.
E aí fico perplexo. Tenho que perguntar para Deus. “O que está acontecendo?
Ouço um clamor, um som meio confuso, um anseio. Mas não conseguem colocar isso
em palavras para mim. Parece que querem me dizer algo, mas não conseguem”.
Estou convencido que multidões de outros jovens estão na mesma situação. Se
pudessem explicar seu clamor, seria mais ou menos assim: “Já vi tanta
hipocrisia na igreja. Agora estou vendo isso também no mundo dos negócios, na
escola, em todo lugar. Tenho problemas sentimentais, problemas com os amigos. Tá
tudo acumulando em cima de mim. Mas não consigo falar com ninguém. Meus pais são
abertos, mas parece que não consigo tirar para fora".
Não ouvimos este clamor. Nenhum ser humano consegue ouvi-lo; nem podemos
esperar compreendê-lo. Então, o que devemos fazer? Sabemos que conversas a sós
não abrem ouvidos surdos. Creio que só temos uma opção
Temos de Levar os Nossos Amados à Jesus, de Joelhos