
Um clamor contra a alarmante
disseminação da bebida entre os cristãos
Por David Wilkerson
sem data
__________
“O
vinho é
escarnecedor, e a bebida forte, alvoroçadora; todo aquele que por eles é
vencido não é sábio” (Provérbios 20:1).
O
país está rapidamente se tornando uma sociedade encharcada de álcool e com
muita gente intoxicada. O álcool agora é o bezerro de ouro moderno, e milhões
de pessoas jovens ou velhas, homens ou mulheres, foram seduzidas por ele.
Os
abstêmios, os que apoiam a lei proibindo a venda de bebidas alcoólicas, e
todos os demais que durante anos combateram este dilúvio de bebedeira se
tornaram objeto incomparável de riso. Rimos com desdém das antigas senhoras
que saiam quebrando barris de uísque, fechando bares e botecos e recolhendo
garantias de abstinência.
Nós,
modernos e liberais resolvemos que beber está na moda. Agora, beber socialmente
é considerado sofisticado, urbano, pra frente. Experimente dizer “Não” à
aeromoça que fica forçando drinks desde que você entra até que desça do avião.
“O que o senhor quer dizer, não aceita drinks?” Ela olha como se você
fosse um maluco por recusar bebidas grátis.
Hoje
em dia as pessoas se ofendem quando você recusa seu convite para um gole. Elas
tentam lhe deixar com a impressão de ser inamistoso por não acompanhá-las, ou
que você está querendo se mostrar “santinho”. Nem o presidente Carter
conseguiu tirar as bebidas da Casa Branca.
“Não
estejas entre os bebedores de vinho...” (Prov. 23:20).
Para
mim, a tragédia maior é que tantos assim chamados “cristãos” agora estão
bebendo. Eu os chamo de “santos que bebem um golinho”, porque é assim que
começa - um gole de cada vez.
Recente
pesquisa revela que 81% dos católicos e 64% dos protestantes bebem. Estes números
chocantes crescem cada mês. A atitude permissiva para com o beber socialmente
está rapidamente se infiltrando até mesmo dentro dos círculos mais
conservadores das igrejas evangélicas.
Tenho
pregado em convenções carismáticas onde milhares de santos “cheios do Espírito”
levantam as mãos em louvor e adoração a Deus - e após serem dispensados, um
monte deles sai para o estacionamento, abre os porta-malas e pega embalagens de
seis latas e as passa para os companheiros de adoração. Outros pedem coquetéis
às refeições nos restaurantes, no intervalo do louvor. Voltam “falando em línguas”
enroladas.
“Liras
e harpas, tamboris e flautas e vinho há nos seus banquetes; porém não
consideram os feitos do Senhor, nem olham para as obras das suas mãos” (Isaías
5:12).
O
profeta Isaías tem uma mensagem para todo o movimento carismático - seja nos círculos
católicos ou protestantes.
“...o
meu povo será levado cativo, por falta de entendimento...Mas o Senhor dos Exércitos
é exaltado em juízo; e Deus, o Santo, é santificado em justiça” (Isaías
5:13,16).
O
profeta Oséias diz: “...o vinho e o mosto tiram o entendimento” (Oséias
4:11).
Isto
sugere que os santos que bebem um gole têm corações divididos.
As
pessoas cheias do Espírito reivindicam “sacerdócio real” junto ao Senhor.
A Bíblia enfaticamente declara: “Não é próprio dos reis beber vinho, nem
dos príncipes desejar bebida forte. Para que não bebam, e se esqueçam da
lei...” (Provérbios 31:6).
Uma
admirável senhora cristã me escreveu dizendo:
“Somos
cristãos que freqüentam muito a igreja. Amamos o Senhor e não vemos
absolutamente nada de mal em servir vinho em casa. Bebemos com moderação, e
nossos filhos estão aprendendo a beber sob nossa supervisão. Eles não
exageram. Nunca vimos ninguém bêbado em casa.”
“O
senhor está simplesmente nos fazendo sentir culpados, empurrando essa sua ética
fundamentalista para cima da gente. Não fomos educados em baixo de tabus
legalistas como o senhor certamente foi. Francamente, senhor, os nossos hábitos
de bebida não lhe interessam.”
Que
Deus abençoe esta prezada senhora - mas um dia desses o problema vai ser meu.
Começa a ser problema meu quando estes adolescentes saem com os amigos e ficam
bêbados.
Hoje
mesmo uma de nossas estudantes, uma alcoólatra convertida me disse como virou
beberrona. Os pais lhe ensinaram como beber com moderação. Em festas, aniversários,
e quando chegava visita, todo mundo tomava um drink social. Era servido às
refeições. Ela admirava e amava os pais. Eles rejeitavam as bebedeiras, porém
tinham um bar em casa.
Esta
jovem começou a ir às festinhas de adolescentes e a beber socialmente com a
turma. Isso a levou a beber nos clubes.Por fim, com o acúmulo dos problemas,
passou a depender violentamente do vinho. Ela acabou numa instituição mental,
como alcoólatra consumada.
Esta
mesma história me é repetida toda hora de norte à sul do país. Quantas,
quantas vezes ouvi isso: “Meus pais eram considerados bons cristãos. Iam à
igreja. Mas sempre servimos vinho ou cerveja em casa. Meu irmão mais velho
bebia moderadamente e era o meu herói. Eu bebia para ser igual aos meus pais e
ao meu irmão mais velho, mas não conseguia. Mas me fizeram achar que bebida
era uma coisa que as pessoas de bem usam.”
Será
que sou preconceituoso? Cabeça muito pequena nesta área? Claro que sim! E
tenho motivo para isso. O meu próprio irmão, filho de pastor, começou a beber
cerveja com moderação - só para se sociabilizar com os amigos. Ele acabou
virando alcoólatra, levando a esposa e os adoráveis filhos a continuarem seu hábito.
Graças a Deus ele hoje está salvo e de volta à família.
Mas
enviei meu irmão Jerry com um grupo de convertidos à Europa para testemunharem
sobre o que Cristo fez na sua libertação do poder do álcool. Os cristãos na
Europa com júbilo se alegraram com os testemunhos de libertação das drogas e
da prostituição - mas não quiseram ouvir uma palavra sobre a libertação de
Jerry em relação ao álcool. Por que? Porque os cristãos europeus engolem
vinho e cerveja como água. Isto partiu o coração dele.
Já
ouvi todas as desculpas para a bebida entre os europeus - e não posso aceitar
nenhuma delas. Põem a culpa na água impura. Dizem que é algo arraigado na
cultura e nos seus costumes. Bebem porque “sempre beberam”.
Como
ficaram profundamente ofendidos alguns pastores em Paris na França, quando
recusei beber vinho. Missionários americanos, que facilmente adotaram os
costumes europeus, me disseram que eu deveria “em Paris, ser igual aos
parisienses!” E então, como fiquei eu profundamente ofendido quando alguns
destes mesmos ministros ficaram tão bêbados, que não agüentavam ficar
acordados durante a minha crusada.
Há
uma incidência alarmante de alcoolismo e bebedeira nos círculos cristãos na
Europa. Eles ficam bêbados mesmo! Não são nem um pouco moderados! Nenhuma das
desculpas convence. E que falsidade os cristãos americanos beberem “só na
Europa”. Nem chegam perto do álcool nos Estados Unidos, mas acham “legal”
se juntarem aos irmãos de lá bebendo uns golinhos!
Fico
profundamente irritado com os cristãos que bebem, devido ao terrível exemplo
que dão para os jovens! O país agora enfrenta uma praga de bebida no meio dos
jovens. Hoje as duas palavras mais populares na escola são “zoar e beber.”
O álcool está se disseminando em nossas escolas como um incêndio sem
controle. Os garotos me dizem que 80% da classe não só bebem, como ficam bêbados.
Estamos diante da possibilidade de termos mais de um milhão de jovens alcoólatras
no próximo ano.
Tenho
ajudado viciados em drogas há 20 anos. Mas esta explosão de bebida que assola
o país me dá medo. Eles agora bebem porque acham que o álcool não os vai
“enterrar” como as drogas! A bebida agora é a “maconha líquida”
preferida. Em toda parte onde se vêem os adolescentes se embriagando, eles
dizem: “Agora não tem polícia, pais ou políticos que possam encrencar com a
gente - porque todos também estão fazendo isso. Finalmente achamos uma coisa
legal que não leva a gente pra cadeia!”
Não
quero entrar naquela velha discussão em relação à Bíblia e o vinho
fermentado em contraposição ao suco de uva. Mas quanto mais vejo estes jovens
estourados, arrebentados, desesperadamente afundados na bebida - mais fico
convencido que Jesus não enganou aquela multidão nas bodas de Canaã, servindo
a mesma coisa que está destruindo os nossos jovens hoje.
Cristo
veio para cumprir a lei! A lei diz: “O vinho é escarnecedor...todo aquele que
por ele é vencido não é sábio”. Cristo foi ludibriado? Será que Ele
serviria uma bebida que levaria um homem saído da festa a bater na esposa? E no
tribunal seria perguntado a este homem: “Como você ficou tão embriagado?”
E o condenado responderia: “Fui à uma festa de casamento. Jesus de Nazaré
serviu uma bebida muito forte. Ele me deixou bêbado.”
Não
consigo conceber a idéia de que Jesus decepcionaria aquela multidão, e
serviria uma bebida que poderia levar ao mau se tomada em exagero. Creio que o
elixir que Jesus serviu foi o puro suco da vinha - um ponche sobrenatural tão
cheio da combinação genuína da natureza, que foi uma transformação única e
recebida com prazer! Será que Jesus adicionaria conteúdo alcoólico à Sua
bebida sobrenatural e a tornaria a “número um” quando a lei diz: “Não
olhes para o vinho, quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se
escoa suavemente” (Prov. 23:31)?
Isso
foi escrito por um rei que “se deu ao vinho” (v. Eclesiastes 2:3). E Jesus não
iria nunca, nunca fazer com que os convidados se dessem ao vinho embriagante.
Paulo
também conhecia a lei. Ele respeitava a sabedoria de Salomão. Suco puro da uva
é bom para a saúde! É nutriente. Mas o vinho fermentado não é mais
nutritivo, segundo um médico amigo meu que já leu muito sobre o assunto. Como
Paulo poderia recomendar a bebida de vinho alcoólico quando a lei que
respeitava exortava: “Não estejas entre os bebedores de vinho...” ?
Mas
a questão real não é se o Novo Testamento se refere ou não a vinho
fermentado ou a suco de uva. A questão real é o abuso que hoje prevalece
tanto.
Salomão
tinha três mil esposas; uma vez Moisés autorizou o divórcio. Deus permitiu!
Mas Deus não permite que Suas leis se tornem tão desmoralizadas e insultadas.
Veja onde nossa permissividade nos levou: danceterias assim chamadas cristãs,
servindo cerveja com dança de músicas cristãs. “Cristãos” rolando no
rock, bebendo.
“Para
que não bebam, e se esqueçam da lei...”
Estamos
esquecendo as leis de Deus, as próprias leis que Jesus disse ter vindo cumprir.
Agora deixamos que uma sacerdotisa lésbica seja ordenada na igreja Episcopal.
Os homossexuais não só exibem seu pecado, como ousadamente buscam
reconhecimento e força dentro da igreja.
Um
milhão de divórcios novos este ano. Dez milhões de garotos vítimas de lares
desfeitos. Danças com nus no santuário da igreja. Ministros liberais zombando
dos antigos padrões sexuais bíblicos. Agora eles ensinam assim aos meninos:
“A masturbação é um presente de Deus para aliviar a tensão.”
E
para completar toda a desobediência, algumas agências de nossa igreja têm
servido como fachadas para anarquistas comunistas anti-Deus, que procuram
destruir a democracia - usando o dinheiro de missões das igrejas para contratar
ações secretas de violência.
Os
cristãos bebem por causa da ignorância? Ninguém os confrontou com a Palavra
de Deus? Será que estes novos convertidos do movimento de Jesus bebem para
provar que são liberados e não estão sob a lei?
Uma
jovem senhora, membro de uma comunidade cristã de amor, me escreveu
recentemente e disse: “Claro, nós todos bebemos. Jesus bebeu; Paulo bebeu! A
Bíblia não deixa o assunto claro. Nossos líderes bebem com moderação. Todos
são bons mestres bíblicos e viajam, falando nas reuniões dos jovens.” Sim -
e sei que alguns deles também fumam. Eles misturam Jesus com rock pesado, e só
Deus sabe até onde vão as concessões.
Eles
parecem achar que acrescentando a palavra “Jesus” à alguma coisa, a torna
santificada e tudo bem.
Você
diz: “Não julgue, David! E a trave no seu olho?”
Não
sou o juiz de ninguém. Não me coloco como porta voz de nenhum grupo. Mas Paulo
diz: “nós julgamos os aqui de dentro - Deus julga os lá de fora.”
É
hora de julgamento! É hora de todos os cristãos que bebem serem desafiados! É
hora do Espírito Santo expor esta atitude frouxa e despreocupada de “liberou
geral”. Se é errado para os meus queridos alcoólatras, viciados e
prostitutas convertidos beberem mesmo que moderadamente, então é mortalmente
errado que os cristãos amadurecidos bebam e lhes dêem um mau exemplo.
E
fico muito aborrecido e espiritualmente indignado quando os cristãos que bebem
chegam para mim dizendo: “Ah, você é bem um santinho fundamentalista
bitolado. Nós, cristãos modernos e liberais somos livres em Cristo. Não
estamos embaixo da lei. Não vamos ficar presos por seus ataques à nossa
liberdade.”
Isso
é uma ofensa à tudo em mim que aspira à piedade e à santidade. Isso é uma
ofensa à todo recem-convertido a quem Deus trouxe convencimento a respeito do
antigo hábito da bebida. E a Bíblia diz:
“Qualquer,
porém, que fizer tropeçar a um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe
fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse
afogado na profundeza do mar. Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é
inevitável que venham escândalos, mas ai do homem pelo qual vem o escândalo!”
(Mateus 18:6-7).
Recuso-me
a ceder à crescente pressão do mundo - disfarçada de liberdade espiritual! O
que aconteceu conosco, santos de Deus - que conseguimos ficar sentados sem tomar
uma atitude, e não repreender estes princípios que corroem a moral tão
depressa na casa de Deus?
Creio
na gratuidade da graça, mas não na licenciosidade. Creio na justiça imputada
de Cristo, pela fé. Mas também creio que a santidade de Deus requer que “não
toquemos o que é impuro.”
Creio
também que os pastores que fumam não estão sendo honestos com Deus. Estes
“profetas da fumaça” recusam-se a praticar o que pregam. E pastores que
bebem são uma acusação contra o nome e o poder de Deus.
Não
se trata de um esforço para condenar os verdadeiros ministros do evangelho. Mas
como podemos nós, como ministros e pais pedir aos nossos filhos que parem de
usar drogas e álcool, se não queremos limpar nossas próprias vidas - e dar o
exemplo tornando-nos semelhantes a Cristo?
Às
vezes, só por um instante, fico pensando: “Talvez o errado seja eu. Talvez
estes novos cristãos que se enfiam no rock, fumam, bebem, e que voltam aos seus
antigos buracos para cantar, entreter, e representar - talvez eles tenham visto
algo em Deus que eu ainda não vi. Talvez estas mudanças tão bruscas não
sejam concessões, mas um sinal de maturidade e crescimento. Pode ser que eu
seja muito antiquado, esteja muito por fora para reconhecer alguma coisa nova
que Deus esteja fazendo.”
Mas
então começo a comparar o som estridente e agitado da música deles com
antigos hinos como “Rocha Eterna” e “Santo, Santo, Santo.” E tenho
vontade de chorar! Vejo-os voltando àqueles clubes enfumaçados para entreter a
multidão de beberrões na pretensão de levá-los a Jesus, e aí os comparo aos
milhões do povo de Deus ao longo dos séculos, desde os mártires até os
viciados e bandidos de hoje, que se converteram e que abandonaram o mundo e tudo
que está ligado a ele, para levar adiante a repreensão de Cristo. Começo a
chorar pelos cristãos que fazem concessões. Sei que não estou errado.
Por
favor, não fique bravo comigo! Se você é um dos santos que bebem um golinho,
não permita que sua mágoa ou raiva lhe roubem a verdade. Se você ficou
ressentido por esta mensagem que prega a separação, é provavelmente porque
Deus já lhe convenceu - e Ele agora está querendo que você desfrute de
liberdade completa.
Ore
também para que Deus coloque no coração dos ministros por todo o país - se
levantarem firmemente nos púlpitos contra esta insidiosa tendência.
Ore
por nossos adolescentes! As pressões que recebem para beber com a turma
aumentam todo dia. Eles precisam ser encorajados a se levantar e resistir, para
que não sejam atraídos para este rodamoinho da bebida.
Mesmo
que você não “sinta-se convencido” - abstenha-se pela simples mas poderosa
razão de dar um exemplo para a juventude!
“Para
quem são os ais? Para quem os pesares? Para quem, as rixas? Para quem, as
queixas? Para quem, as feridas sem causa? E para quem, os olhos vermelhos? Para
os que se demoram em beber vinho, para os que andam buscando bebida misturada. Não
olhes para o vinho, quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se
escoa suavemente. Pois ao cabo morderá como a cobra e picará como o basilisco.
Os teus olhos verão cousas esquisitas, e o teu coração falará
perversidades” (Provérbios 23:29-33).