O Implacável Amor de Deus

O Implacável Amor de Deus
(The Unreleting Love of God)

Por David Wilkerson
7 de abril de 2003

Quero lhe falar a respeito da palavra implacável. Significa: não diminuido em intensidade ou empenho - sem concessões, indefectível, imperecível, incapaz de ser mudado ou persuadido por argumentos. Ser implacável é estar fixado em um determinado curso.

Que maravilhosa descrição do amor de Deus. O amor de nosso Senhor é absolutamente implacável. Nada pode impedir ou diminuir sua amorosa perseguição em busca tanto de pecadores, quanto dos santos. Davi, o salmista, o expressa dessa maneira: "Tu me cercas por trás e por diante...Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também" (Salmo 139: 5,7-8).

Davi está falando dos grandes altos e baixos que enfrentamos na vida. Está dizendo: "Há épocas em que sou tão abençoado, que me sinto nas alturas com tanta alegria. Outras vezes, parece que estou dentro do inferno, condenado e indigno. Mas não importa onde eu esteja, ó Senhor - não importa o quão abençoado me sinta, ou qual seja a minha situação - Tu lá estás. E não consigo fugir do Teu implacável amor. E não consigo afastá-lo. Tu nunca aceitas os meus argumentos relacionados à minha indignidade. Até mesmo quando desobedeço - pecando contra a Tua verdade, assumindo que Tua graça já me é garantida - Tu nunca cessas Teu amor por mim. O Teu amor por mim é implacável!".

Num momento em que sentia-se derrubado, Davi ora: "Senhor, Tu assentastes minha alma em lugares celestiais. Me destes luz para compreender Tua palavra. Tu a tornastes lâmpada para os meus pés. Mas caí tanto, que não vejo como me recuperar. Fiz minha cama no inferno. E mereço ira, punição. És demasiadamente alto e santo para me amar na situação que estou".

Davi havia pecado seriamente. Este é o mesmo homem que desfrutava da retaguarda espiritual dada por conselheiros piedosos; era monitorado por homens justos da parte de Deus; era ministrado pelo Espírito Santo. Ele recebia revelações da palavra de Deus. Mesmo assim, a despeito de tantas bênçãos e de sua vida consagrada, Davi desobedeceu completamente a lei de Deus.

Tenho certeza que você conhece a história do pecado de Davi. Ele cobiçou a esposa de um homem, e a engravidou. A seguir tentou cobrir seu pecado embriagando o esposo, na esperança de que este iria dormir com a esposa grávida. Quando isso não deu certo, Davi assassinou o marido. Combinou enviar este homem à uma batalha perdida, sabendo que este morreria.

As escrituras dizem: "isto que Davi fizera foi mal aos olhos do Senhor" (2 Samuel 11:27). Deus chamou os atos de Davi de "grande mal". E enviou o profeta Natã para lhe dizer: "deste motivo a que blasfemassem os inimigos do Senhor" (12:14).

O Senhor então disciplinou Davi, dizendo que ele sofreria graves conseqüências. Natã profetiza: "também o filho que te nasceu morrerá" (12:14). Davi orou dia e noite pela saúde de seu bebê. Mas a criança morreu, e Davi sofreu profundamente pelas terríveis coisas que havia causado.

No entanto, a despeito do pecado de Davi, Deus manteve-se perseguindo-o em amor. Enquanto o mundo zombava da fé deste homem caído, Deus deu a Davi um sinal de Seu implacável amor. Bate-Seba agora era esposa de Davi, e ela deu à luz outra criança. Davi "deu o nome de Salomão; e o Senhor o amou" (12:24). O nascimento e a vida de Salomão foram uma bênção para Davi, algo totalmente imerecido. Mas o amor de Deus por Davi jamais se reduziu, até mesmo na hora de sua maior vergonha. Ele buscou Davi implacavelmente.

Considere também o testemunho do apóstolo Paulo. Quando lemos a vida de Paulo, vemos um homem disposto a destruir a igreja de Deus. Paulo era como um louco em seu ódio pelos cristãos. Ele respirava ameaças de morte contra todos os que seguissem Jesus. Ele buscou autorização do sumo sacerdote para caçar os crentes, poder atacar suas casas, e arrastá-los à prisão.

Após se converter, Paulo testifica que mesmo durante aqueles anos cheios de ódio - enquanto estava cheio de preconceitos, matando cegamente os discípulos de Cristo - Deus o amava. O apóstolo registra: "Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores" (Romanos 5:8). Ele diz basicamente: "Mesmo eu não tendo consciência disso, Deus estava me buscando. Ele continuou me perseguindo em amor, até o dia em que literalmente me fez cair do cavalo. Esse é o implacável amor de Deus".

Ao longo dos anos, Paulo foi se tornando cada vez mais convencido de que Deus o amaria fervorosamente até o fim, em meio a todos seus altos e baixos. Ele declara: "Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as cousas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor" (8:38-39). Ele estava declarando: "Agora que estou em Deus, nada pode me separar do Seu amor. Nenhum diabo, nenhum demônio, nenhum principado, nenhum homem, nenhum anjo - nada pode fazer Deus parar de me amar".

A maioria dos crentes lê esta passagem vez após outra. Ouviram-na sendo pregada há anos. Contudo acredito que a maioria dos cristãos acha que as palavras de Paulo são impossíveis de serem cridas. Toda vez que a maioria de nós peca e falha com Deus, perdemos todo o senso da verdade do Seu amor por nós. Então, quando algo de mal nos acontece, pensamos: "Deus está me chicoteando". Acabamos pondo a culpa em Deus por qualquer problema, luta, doença e dificuldade.

Na realidade, estamos dizendo que "Deus parou de me amar, porque falhei com Ele. Eu O desagradei, e Ele está zangado comigo". De repente nós paramos de compreender o implacável amor de Deus por nós. Esquecemos que Ele está continuamente indo em busca de nós o tempo todo, não importanto qual seja a nossa condição. Contudo, a verdade é que não podemos enfrentar a vida com todos os seus terrores e sofrimentos, sem nos agarramos à essa verdade. Temos de estar convencidos do amor de Deus por nós.

Conheço muitos ministros que falam muito do amor de Deus, e livremente o oferecem aos outros. Mas quando o inimigo chega bramindo como uma inundação para dentro de suas próprias vidas, eles são levados. Caem numa poça de desespero, incapazes de confiar na palavra de Deus. Eles não conseguem acreditar que Deus ainda os aceite, por estarem convencidos de que Ele desistiu deles.

Paulo chega a esse assunto crucial a todos nós, através de um único versículo. Ele havia escrito duas cartas aos coríntios. E escolheu terminar a última com essa prece: "A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós" (2 Coríntios 13:14).

Talvez você reconheça esse versículo. Ele é muitas vezes usado nos cultos da igreja como bênção. Geralmente é dito como hábito pelo pastor, e poucos ouvintes alcançam o seu enorme significado. No entanto esse verso não é só uma bênção. É o resumo de tudo que Paulo ensina aos coríntios quanto ao amor de Deus.

Esse versículo trata com três questões divinas: a graça de Cristo, o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo. Paulo estava orando para que os coríntios se apossassem destas verdades. Creio que se nós também compreendermos estas três questões, nunca mais duvidaremos do implacável amor de Deus por nós:


1. Primeiro, Paulo Considera a Graça de Jesus Cristo


O quê exatamente é graça? Quanto a isso sabemos o seguinte: seja a graça o quê for, Paulo diz que ela nos educa para que, "renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente" (Tito 2:12).

Como chegar a esse ponto, onde poderemos ser ensinados pela graça? E qual o ensino que a graça oferece? De acordo com Paulo, a graça nos educa a renegar a impiedade e as paixões mundanas, e a ter vidas puras e santas. Se é assim, então necessitamos que o Espírito Santo faça brilhar em nossas almas a verdade fundamental desta doutrina.

Encontramos o segredo da declaração de Paulo quanto à graça em 2 Coríntios 8:9. Ele afirma: "Pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos". Paulo não está falando de riqueza material aqui, mas de riquezas espirituais. (Inúmeras passagens provam isso. Em todas as suas cartas, Paulo fala das riquezas da glória de Cristo, riquezas de sabedoria, riquezas de graça, de ser rico em misericórdia, fé e boas obras. Igualmente, o Novo Testamento se refere à riquezas espirituais como opostas à enganosa riqueza do mundo.)

Paulo está nos dizendo: "Aqui está tudo que você precisa saber quanto ao significado da graça. Chega a nós através do exemplo do Senhor. Em termos simples, Jesus veio abençoar e edificar os outros às Suas próprias custas. Essa é a graça de Cristo. Apesar de ser rico - em nosso favor se tornou pobre, para que através de Sua pobreza nos pudéssemos tornar ricos".

Jesus não veio para se mostrar grande ou para trazer glória para Si mesmo. Ele abriu mão de todos os direitos em relação à palavra "eu", objetivando toda ênfase sobre "os meus". Cristo deixou passar todas as oportunidades para ser o maior dentre os homens do Seu tempo. Pense nisso: Ele nunca orou pedindo bênçãos para Si próprio, para que fosse conhecido ou aceito pelos outros. Ele não ficou mostrando o Seu peso divino para ganhar poder ou reconhecimento. Ele não se exaltou às custas dos pobres, ou dos menos capazes. E não se glorificou em Seu próprio poder, habilidade ou resultados. Não, Jesus veio para edificar o corpo. E provou isso glorificando-se nas bênçãos de Deus para com os outros.

Quando Cristo andou pela terra, Ele não competia com ninguém. Certamente ouvia Seus discípulos glorificando os Seus poderosos feitos. No entanto, em toda humildade, Jesus respondia: "Voces farão mais do que Eu. Acreditem: vocês realizarão obras maiores do que as Minhas". Posteriormente, quando Lhe chegaram notícias de que os discípulos estavam operando exatamente estas obras, expulsando demônios e curando pessoas, Ele dançou de alegria.

Quantos de nós podem declarar tal tipo de graça? Segundo vejo, isso dolorosamente falta em muito da igreja. Poucos cristãos verdadeiramente se rejubilam quando vêem seus irmãos ou irmãs sendo abençoados por Deus. Isso é especialmente verdadeiro quanto a pastores. Quando vêem um outro ministro colhendo as bênçãos de Deus, eles pensam unicamente na situação deles mesmos. Eles dizem: "Há anos que luto em oração. Mas agora esse pastor jovem chega na cidade, e Deus começa a derramar bênçãos sobre ele. E eu?".

Cá esta o implacável amor de Deus: alegrar-se ao ver outros abençoados mais do que nós mesmos. Paulo escreve: "O amor seja sem hipocrisia (dissimulação)...Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros" (Rom. 12: 9-10). Eis uma graça que deseja se conservar humilde, mesmo quando se alegra nas bençãos dos outros.


Na Primeira Carta de Paulo aos Coríntios,
Ele Descreve Ter Visto Muito Pouco Desse Tipo de Graça


Paulo encontrou os cristãos coríntios em competição entre si. A igreja estava cheia de auto-exaltação, auto-promoção. Homens e mulheres se glorificavam em seus dons espirituais, se chocando em busca de status e posições. Eles competiam ate à mesa de comunhão. Crentes importantes desfilavam seus alimentos exóticos, enquanto os pobres não tinham o que trazer. Outros eram tão orgulhosos, que não achavam nada de mais processar judicialmente o outro para resolver as disputas.

Tudo isso era contrário à graça que Paulo pregava. Esses coríntios tinham um imenso "Eu" carimbado sobre si. Com eles a coisa era ganhar e pegar, em vez de dar. Ainda hoje a palavra "coríntio" traz a conotação da carnalidade e do mundanismo deles.

Paulo diz a estes crentes: "Eu, porém, irmãos, nao vos pude falar como a espirituais e sim como a carnais, como a crianças em Cristo...não é assim que sois carnais e andais segundo o homem?" (I Coríntios 3:1,3). Pense no que Paulo está dizendo. Crianças buscam satisfazer unicamente as suas necessidades. Eles choram para se trocar as fraldas. E os coríntios eram infantis exatamente assim. Eram pessoas tolerantes com o pecado, alguns se entregando a fornicação e até ao incesto.

Ao pensarmos nestes crentes, a palavra "santamente" não nos vem a mente. Contudo, apesar de toda carnalidade, Deus direcionou Paulo a escrever à essas pessoas como "igreja de Deus...aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos...graças a vos outros e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo" (1:2.3).

Isso foi um erro? Será que Deus estava fazendo vistas grossas diante da permissividade da igreja? Nao, nunca. Deus sabia tudo que se referia à situação dos coríntios. E Ele nunca fingiu não ver esses pecados. Não, esse endereçamento cheio de graça que Paulo traz à essas pessoas é um retrato do implacável amor de Deus. Tente imaginar o quanto os coríntios ficaram atônitos ao ouvirem a carta de Paulo sendo lida na igreja. Cá estavam crentes cheios de si, tentando ser o número um do grupo. Ainda assim, escrevendo sob inspiração divina, Paulo se dirige a eles como "santos" e "santificados em Cristo". Por que? Deus estava protegendo essas pessoas. Eu explico.

Se Deus nos julgasse segundo a nossa condição, seríamos salvos num minuto e condenados no outro. Seríamos convertidos dez vezes no dia, e nos desviaríamos dez vezes diariamente. Todo cristão honesto tem de admitir que a sua condição, na melhor das hipoteses, é de luta. Todos nós ainda estamos lutando, ainda tendo de depender da fé nas promessas de misericórdia de Deus. Isso porque ainda temos fraquezas e fragilidades em nossa carne.

Graças a Deus, Ele não nos julga segundo a nossa situação. Em vez disso, Ele nos julga segundo a nossa posição. Veja, mesmo sendo fracos e pecaminosos, demos os nossos corações a Jesus, e pela fé o Pai nos assentou com Cristo no celestial. Esta é a nossa posição. Portanto, quando Deus olha para nós, Ele nos vê não segundo a nossa condição pecaminosa, mas segundo nossa posição celestial em Cristo.

Por favor não entenda mal. Quando digo que Deus dá segurança ou protege o Seu povo em graça, não estou falando de uma doutrina que permite que os crentes continuem na promiscuidade pecaminosa. A Bíblia deixa claro que é possivel a qualquer crente se afastar de Deus e rejeitar o Seu amor. Tal pessoa pode endurecer o coração tão repetidamente, e com tanta rigidez, que o amor de Deus não penetrará mais nas muralhas que ela erigiu.

Neste instante, você pode estar numa condição como a dos coríntios. Mas Deus vê a sua posição como estando unicamente em Cristo. Foi assim que Ele tratou com os coríntios. Quando Deus olhou para eles, Ele sabia que não tinham recursos para mudar. Eles não tinham nenhum poder em si próprios para subitamente se tornarem piedosos. É por isso que Ele inspirou a se dirigir a eles como santos santificados. O Senhor desejava que eles conhecessem a segurança da sua posição em Cristo.

Você luta contra uma fraqueza? Se é assim, saiba que Deus nunca será impedido em Seu amor por você. Ouça-O lhe chamando "santo", "santificado", "aceito". E apodere-se da verdade que Paulo descreve: "Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou da parte de Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção" (I Coríntios 1:30).


2. Paulo a Seguir Fala do Amor de Deus


Na primeira epístola de Paulo ao coríntios, ele dirige-se à necessidade da graça de Deus. Isso devido às quedas desse povo. Mas em sua segunda carta, Paulo se concentra no amor de Deus. Ele sabia que o implacável amor de Deus era o único poder capaz de transformar o coração de alguém. E a segunda carta de Paulo prova que Deus escolhe usar o Seu amor, como maneira de mostrar o Seu poder.

Primeiro Coríntios 13:4-8 nos dá uma poderosa verdade quanto ao implacável amor de Deus. Sem dúvida, você ouviu essa passagem muitas vezes, tanto em sermões como em casamentos: "A caridade [amor] é sofredora, é benigna; a caridade não é invejosa; a caridade não trata com leviandade, nao se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. A caridade nunca falha".

A maioria de nós pensa: "Esse é o tipo de amor que Deus espera de nós". É verdade, de certa maneira. Mas o fato é que ninguém pode corresponder a essa definição de amor. Não, essa passagem é toda relacionada ao amor de Deus. O verso 8 prova isso: "A caridade [amor] nunca falha". O amor humano falha. Mas aqui está um amor que é incondicional, que nunca desiste. Ele opõe-se e resiste à qualquer falta, a qualquer desapontamento. Ele não exulta com os pecados dos filhos de Deus; pelo contrário, sofre com estes pecados. E ele resiste a todos os argumentos de que somos mui pecadores e indignos para sermos amados. Em resumo, esse tipo de amor é implacável, e nunca pára em sua perseguição ao amado. Isso só pode descrever o amor do Deus Todo-Poderoso.

Veja como esse poderoso amor afetou Paulo. Em sua primeira carta aos coríntios, o apóstolo tinha todas as razões para desistir da igreja. Ele tinha vários motivos para estar zangado com eles. E ele poderia facilmente tê-los excluido, no desespero devido à infantilidade e à pecaminosidade deles. Ele poderia ter iniciado a carta desta maneira: "Lavo as mãos com vocês. Vocês são totalmente incorrigíveis. Esse tempo todo eu me desmanchei em favor de vocês; porém, quanto mais os amo, menos vocês me amam. Então é isso: eu os deixo a vontade. Vão em frente e briguem entre si. O meu trabalho com vocês está acabado".

Paulo nunca poderia ter escrito isso. Por que? Porque ele havia sido cooptado pelo amor de Deus. Em I Coríntios, lemos de ele entregar um homem a Satanas, para a destruição da carne desse homem. Isso soa áspero. Mas qual era o propósito de Paulo? Era que a alma desse homem pudesse ser salva (v. I Coríntios 5:5). Tambem vemos Paulo reprovando, corrigindo e admoestando duramente. Mas ele fez tudo isso em meio à lagrimas, com a ternura de uma ama.

Como os coríntios carnais reagiram à mensagem de Paulo que falava do amor triunfante de Deus? Eles se derreteram diante de suas palavras. Paulo posteriormente lhes disse: "vós...segundo Deus, fostes contristados!...agora, me alegro não porque fostes contristados, mas porque fostes contristados para arrependimento; pois fostes contristados segundo Deus, para que, de nossa parte, nenhum dano sofresseis. Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação" (2 Corintios 7:11, 9-10). Paulo estava dizendo: "Vocês se purificaram, ficaram indignados com seus pecados, e agora estão plenos do zelo e temor de Deus. Vocês se mostraram puros e limpos".

Digo-lhe o seguinte: esses coríntios foram transformados pelo poder do implacável amor de Deus. Ao lermos a segunda carta de Paulo para eles, descobrimos que o grande "Eu" nessa igreja havia desaparecido. O poder do pecado havia sido rompido, e o egoísmo tinha sido digerido pelo pesar piedoso. As pessoas não estavam mais amarradas em dons, sinais e maravilhas. A ênfase delas agora era dar em vez de receber. Elas juntaram ofertas para serem enviadas a crentes que haviam sido atacados por uma grande fome. E a mudança veio pela pregação do amor de Deus.

Eu pessoalmente me vejo convencido por essa verdade. Quando era mais jovem, eu pregava mensagens sobre o mal nas igrejas. Eu me desesperava diante do estado deplorável de tantos dentro o povo de Deus. E me dispus a corrigir essas coisas com uma espada e um martelo. Eu atacava as concessões e contemporizações, e esmagava tudo à vista. E no processo, coloquei sob condenação pessoas que nunca deveriam estar lá.

Se Paulo tivesse pregado desse jeito em Corinto, ele certamente teria esmagado a carnalidade, derrubado os fornicadores, e parado com o hábito de processarem uns aos outros na justiça. Mas aquela igreja teria se dissolvido. Não sobraria gente para Paulo reprovar. Uma pregação assim "na cara" é má direcionada pelo zelo humano. Freqüentemente é resultado de um pastor não ter tido íntima revelação pessoal do amor de Deus por ele.


3. Finalmente, Paulo se Concentra na Comunhão do Espírito Santo


A frase em grego que Paulo usa se traduz: "a comunhão do Espírito Santo". Inicialmente, os coríntios nada conheciam quanto à essa comunhão. O corpo da igreja explodia em individualismo. Paulo diz o seguinte deles: "Refiro-me ao fato de cada um de vós dizer: Eu sou de Paulo, e eu, de Apolo, e eu, de Cefas, e eu, de Cristo" (I Coríntios 1:12).

Esse individualismo caminhava com os dons espirituais das pessoas. Aparentemente, os coríntios vinham à igreja só para se edificarem a si próprios. Um vinha com o dom de línguas, outro com uma profecia, um outro com uma palavra de sabedoria - contudo estavam usando seus dons para servirem a si próprios. Todo mundo queria ir embora dizendo: "Dei uma palavra de profecia hoje", ou, "Falei poderosamente no Espírito". E isso estava causando desordem total. Paulo faz um chamado explícito à ordem, instruindo-os: "Aprendam a manter a paz. Deixem os outros falarem. Busquem edificar o corpo, e não só a vocês próprios".

A obra mais profunda do Espírito Santo trata com mais do que dons espirituais. Sinais, maravilhas e milagres são necessários, e têm o seu lugar. Mas a obra mais preciosa do Espírito de Deus é unir o corpo de Cristo. Ele procura estabelecer comunhão entre o povo de Deus, pelo Seu poder unificador. Contudo, freqüentemente hoje em dia, quando falamos da comunhão do Espírito Santo, ainda tendemos a pensar individualmente. Pensamos em termos de "eu e o Espírito Santo", dizendo, "O Espírito e eu desfrutamos intimidade em Cristo".

Paulo junta comunhão e unidade aos dois pontos que já mencionamos: a graça de Cristo e o amor de Deus. Ele diz, basicamente: "Para entender verdadeiramente estes dois pontos, eles têm de juntar essas partes na sua vida. É assim que você pode medir a graça de Cristo e o amor de Deus em sua vida. É determinado pela sua vontade de estar em plena unidade e unicidade com todo o corpo de Cristo".

O que quer dizer ter unidade e unicidade? Quer dizer remover toda inveja e competição, e deixar de se comparar aos outros. Em vez disso, cada um se alegrar quando o irmão ou irmã é abençoado. E todos estarem ansiosos para dar em vez de receber. Unicamente esse tipo de comunhão verdadeiramente revela a graça de Cristo e o amor de Deus.


Essa Mensagem Reduz-se a Um Ponto:
Eu Estou Querendo Mudar ?


A pergunta é: "Eu realmente quero deixar o Espírito Santo me mostrar onde preciso mudar?". Veja, há um propósito por trás do amor implacável de Deus. É esse: há poder no amor de Deus para solucionar todos os problemas através de sua transformação.

Se você me diz que é uma pessoa de bem - boa, caridosa, perdoadora, lavada no sangue de Cristo - eu respondo: o amor de Deus concede mais do que perdão. Você pode ser uma pessoa boa e perdoada, mas continuar governada e escravizada por sua natureza pecaminosa. Todos nascemos com a natureza de Adão, a tendência para o pecado. Em verdade, é essa natureza em nós que nos torna facilmente provocáveis, invejosos, lascivos, zangados, não perdoadores. Essa mesma natureza em nós é que ama o dinheiro, planta sementes de destruição, e não consegue se alegrar quando os outros são abençoados.

Se você tem lutado contra a sua natureza de pecado, está travando uma batalha perdida. Tal natureza não pode ser mudada. Ela sempre será carne e sempre resistirá ao Espírito Santo. A nossa natureza carnal está além da redenção, e portanto ela precisa ser crucificada. Isso significa admitir o seguinte: "Jamais conseguirei agradar a Deus por mim mesmo. Sei que a minha carne nunca poderá me auxiliar".

Todos temos de receber uma natureza nova, e essa natureza é exatamente a natureza de Cristo. Não se trata de refazer a nossa velha natureza, ou de uma re-elaboração da nossa carne. O que é velho tem de partir. Estou falando é do nascimento de uma natureza totalmente nova. E a Nova Aliança concede recursos para isso: "Pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis co-participantes da natureza divina" (2 Pedro 1:4).

O amor de Deus nos diz: "Quero lhe assegurar de sua posição em Cristo. Você precisa desistir de tentar mudar a natureza da sua carne, e me deixar lhe dar a natureza do meu Filho. Há senão uma condição para que isso ocorra: simplesmente crer. Essa transformação na natureza vem unicamente pela fé. Você precisa crer que serei Deus para você".

Amado, todo crente pode se tornar como Jesus tanto quanto ele ou ela deseje. Se você pode simplesmente dizer: "Creio que Deus me ama de verdade", está confessando que Ele lhe ofereceu poder para ser transformado.

Torne sua essa oração hoje: "Santo Espírito, sei que não tenho muito da graça sobre a qual Paulo fala. Mostre onde preciso mudar. Creio que o meu Pai me ama implacavelmente. E esse amor me deu recursos para que eu assuma a natureza dEle . Sei que me foi concedido o poder para ser transformado por Ti. Dê-me a Tua natureza, Jesus".


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A Sua Fé Vai Passar Pelo Fogo!
(Your Faith is Going into the Fire!)


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Por David Wilkerson
5 de fevereiro de 1990


__________

“Para que a prova da vossa fé, mais preciosa do que o ouro que perece, embora provado pelo fogo, redunde para louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo” (1 Pedro 1:7).

Um jovem pastor muito confuso, cuja fé foi destroçada, me ligou na semana passada pedindo oração e aconselhamento. Ele foi salvo durante o reavivamento hippie no final dos anos 60 e está no ministério há mais de 15 anos. Com o passar dos anos ele ficou profundamente impressionado com os evangelistas de TV e com o seu sucesso em alcançar as massas. Usando métodos semelhantes ele havia levantado uma igreja de aproximadamente 300 membros.

Quando alguns evangelistas da televisão passaram por um exame minucioso e foram descobertos em pecado, sua fé ficou abalada. Simultaneamente a doutrina da prosperidade começou a desiludi-lo e à sua igreja, e mais dúvidas foram se instalando.

Então ele se envolveu com um grupo independente que acreditava representar um novo mover de Deus na terra - profetas! Todos estavam profetizando para todos. A maioria das profecias não se realizavam, mas algumas significativas se realizaram, e isso o impressionou. Como isso poderia estar errado se algumas profecias se cumpriam? Mas havia algo que perturbava sua alma, e que aumentou quando eles introduziram uma coreografia com balé nas convenções e igrejas associadas.

Recentemente ele compareceu à uma dessas convenções, e teve que abandonar a reunião porque era um circo de adulação pessoal em nome da profecia. Os líderes se levantavam, e profetizavam grandes coisas uns para os outros como se fossem guiados por um espírito invisível que dizia: “Você faz boas profecias para mim e eu profetizo coisas boas para você”. Era carnalidade, auto-exaltação e frivolidade. Ele abandonou o local com a fé completamente abalada. Outro suposto mover de Deus nada mais era que um desapontamento.

Ele disse: “Minha igreja ficava comigo por horas trovejando em línguas sobre nossa cidade: amarrando fortalezas, principados e potestades. Nós amarramos o inimigo do leste, oeste, norte e sul, mas a cidade ficava pior. Não há evidência de mudança!”.

"Tenho ouvido muitas vozes. No mês passado escutei uma suave voz me dizendo: 'Meu filho, a partir de hoje libero todos os fundos financeiros que você precisa. Você nunca mais terá falta de recursos!' Isso não aconteceu e a situação financeira piorou. Agora estou com medo de ouvir qualquer voz; estou duvidando da validade das línguas e não quero nunca mais ouvir falsas profecias."

Ele prossegue: “Minha fé está se abalando. Amo ao Senhor, mas não sei mais no que acreditar. Sinto-me tão deslocado. Às vezes, penso que isso vai ter de ser apenas entre Jesus e eu, porque estou muito cauteloso para não cair em outro engano”.

O teste de fé desse pastor não é uma experiência isolada. Agora mesmo multidões dos filhos de Deus estão agüentando as mais duras provas de fé desde que vieram a Cristo. Sua fé tem sido lançada no teste de fogo. Satanás tem enviado um ataque poderoso na fé dos escolhidos. Isso se tornará mais quente e mais intenso nos dias de tribulação que virão. Pedro previne sobre “...tempo ...sejais contristados por várias provações” (1 Pedro 1.6).

Paulo, escrevendo a Timóteo, diz: “Esta instrução te dou, meu filho Timóteo...combatas o bom combate, conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns, havendo rejeitado, vieram a naufragar na fé" (1 Timóteo 1:18 e 19). Devemos lutar para manter a nossa fé. Não podemos ceder quando vier o ardente teste, ou isso nos levará certamente ao naufrágio.


Os Filhos de Israel Não Passaram na "Prova da Fé"


Quando o fogo foi aplicado e a prova se tornou intensa, os israelitas se dobraram, sucumbindo a um espírito de descrença.

“Por isso me indignei contra essa geração, e disse: Estes sempre erram em seu coração, e não conheceram os meus caminhos. Assim jurei na minha ira: Não entrarão no meu descanso. Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo. Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado. Temo-nos tornado participantes de Cristo, se é que guardamos firmes até o fim a confiança que desde o princípio tivemos. Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações, como na provocação. Ora, quais os que, tendo-a ouvido, o provocaram? Não foram todos os que saíram do Egito por meio de Moisés? E contra quem se indignou por quarenta anos? Não foi contra os que pecaram, cujos corpos caíram no deserto? E a quem jurou que não entrariam no seu descanso, senão aos que foram desobedientes? E vemos que não puderam entrar por causa da incredulidade" (Hebreus 3: 10-19).

A fé deles não se tornou "mais preciosa do que o ouro" mas, antes, o fogo da provação os endureceu na incredulidade. Os corpos de uma geração inteira caíram no deserto. Acabaram como um povo abandonado por Deus, cegos, amargos, cheios de incredulidade. "E vemos que não puderam entrar por causa da incredulidade".


Fé Não É Ausência de Aflição e Sofrimento!


Não é expressão de dúvida chorar ou ser esmagado por um problema. Oh, quantos jogos mentais fazemos cada vez que enfrentamos grandes testes ou provações. Nós negamos nossos sentimentos, e tentamos apagar todos os pensamentos de aflição. Alguns cerram os dentes, respiram fundo e permanecem imóveis, imperturbáveis; e dizem com um sorriso: "Meu coração está tranqüilo; eu creio; estou bem, está tudo bem”. Mas o tempo todo seus corações os condenam, porque na realidade estão pesados e aflitos. Pedro falava a cristãos que eram “pelo poder de Deus...guardados, mediante a fé”. Eles se alegravam no Senhor, "ainda que no presente...sejais contristados por várias provações".

Estar "contristado" significa grande tristeza, pesar ou sofrimento. Jesus, no Getsêmani, demonstrou sofrimento e contristamento. "...(Jesus) começou a entristecer-se e a angustiar-se muito...Então lhes disse: A minha alma está cheia de tristeza até a morte" (Mateus 26:37-38).

Aflição e dúvida não são a mesma coisa. Dúvida é a crença ou o medo de que a aflição vencerá, que irá esmagar e destruir - que a provação o derrubará.

Fé é o meio pelo qual nos livramos da aflição. É a firme crença de que o "tempo" de pesar ou da tentação não irá ferir, superar ou destruir você. A fé descansa na promessa de que Deus dará o escape.

Aflição pode cair subitamente sobre mim na forma de imprevisíveis ataques demoníacos, tempestades que agitam as ondas e batem no meu barco, provocando em mim um período de peso no coração, ou momentos de pânico. Mas eu olho para Jesus e a fé diz: “Eu não estou em perigo porque Jesus está comigo no barco!”.


A Fé Não Pode Se Divorciar do Eterno Propósito de Deus


Canaã era o tipo de representação do propósito eterno de Deus. Desde o início Deus tem procurado um povo que Ele pudesse trazer para o Seu descanso, para a plenitude em Jesus.

“Ora, se Josué lhes houvesse dado descanso, não falaria, posteriormente, a respeito de outro dia. Portanto, resta um repouso para o povo de Deus” (Hebreus 4:8-9). O que Deus prometeu, na maioria das vezes, ainda não foi reclamado.

O propósito de Deus não é simplesmente livrar as pessoas de seus pecados e tirá-las do Egito, nem testar sua lealdade no deserto - isso não é nem a metade. Deus está interessado em muito mais do que livrá-lo de alguma crise atual, após a qual você testificará: "Ele me salvou! Ele me livrou! Eu estava numa situação desesperadora e Deus abriu um caminho!". Não, não é só isso! Há uma glória maior. O propósito eternal de Deus é trazer a Cristo um povo que O considere como sendo tudo aquilo que alguma vez necessitarão. Ele deve ser o fim da fé. Ele é um Pai amoroso e não o deixará sofrer além do que você possa suportar, mas dará o escape em qualquer tentação; mas isso não é o suficiente! Simplesmente escapar das provações não é triunfar na fé.

Em dez crises isoladas, os israelitas provaram a fidelidade do Senhor em livrá-los; mesmo que ainda não estivessem “na terra”. Eles não O conheciam ou entendiam Seus caminhos.

Muitos de nós, como os filhos de Israel, temos sido livrados vez após outra de um problema atrás do outro, nos vendo “fora” de perigo, mas não “no" descanso. - Nós não temos aprendido de Jesus e como descansar n’Ele porque falhamos em ver o propósito eterno de Deus nessas coisas. Nossas lutas não são acidentes, elas são permitidas por Deus porque Ele está tentando produzir algo em nós. Ele tem um plano e um propósito para nos levar a algum lugar.

Quando caímos em provações ou problemas, a nossa reação é: “Ai! Eu devo ter entristecido a Deus. Eu fiz alguma coisa errada e agora estou pagando pelo pecado ou falha cometida, seja qual ela for". No entanto, mais importante do que o motivo pelo qual veio a provação, é como nós reagimos em meio à ela.

Os gigantes da Terra Prometida não eram resultado do pecado de Israel, nem as cidades muradas ou as carruagens de ferro. Eles eram oportunidades para se contemplar o poder de Deus triunfando sobre o inimigo. Muitas de nossas aflições não são resultado de queda pessoal - mas, como os gigantes, são poderes opositores do diabo para nos conservar fora do lugar de descanso em Cristo.

A razão pela qual tenho me oposto tão veementemente ao evangelho da prosperidade dos dias modernos, é porque muito dele tem sido divorciado do propósito eterno de Deus, o qual é ser moldado em santidade à imagem de Cristo. Você não consegue tomar o leite e o mel, as coisas boas prometidas, enquanto não estiver “na terra”. Muitos desejam todas as bênçãos sem entrarem lá, sem guerra espiritual e vitória sobre a carne, o que é exigido de nós para entrarmos em Sua vida!

Todas as riquezas estão em Cristo Jesus. N'Ele reside toda a plenitude da Divindade; e quando você verdadeiramente entra em Cristo, descobre então verdadeiras riquezas. Nós perdemos totalmente o fio da meada se pensamos que a herança de Israel era terra, propriedades. Foi muito, muito mais. O Senhor mesmo devia ser a herança deles.

Ele os trouxe a um lugar onde teriam oportunidade para viver inteiramente consagrados ao Senhor, sem nenhuma outra fonte para suprir todas as suas necessidade. Era um lugar onde Deus poderia revelar-se como Todo Suficiente. “Resta entrarem alguns nele" (Hebreus 4.6). Esse ainda é o propósito de Deus para nós - nos fazer ingressar: em Jesus e à uma total dependência d’Ele, sem nenhuma confiança firmada na carne.


O Grupo de Calebe


Em Números 13 e 14 encontramos a linguagem e definições de descrença e verdadeira fé. Os dez espias que entraram na Terra voltaram com o relato do que tinham visto. "Fomos à terra a que nos enviaste; e, verdadeiramente, mana leite e mel...O povo, porém, que habita nessa terra é poderoso, e as cidades, mui grandes e fortificadas" (Números 13:27-28).

Calebe, a voz da fé, disse para o povo: "Subamos e possuamos a terra, porque, certamente, prevaleceremos contra ela".

O povo gritou, com medo e incredulidade: “Não poderemos subir contra aquele povo, porque é mais forte do que nós. E, diante dos filhos de Israel, infamaram a terra que haviam espiado, dizendo: A terra pelo meio da qual passamos a espiar é terra que devora os seus moradores; e todo o povo que vimos nela são homens de grande estatura. Também vimos ali gigantes" (Números 13:3l-33).

Essa é a linguagem da descrença. "Nós não estamos aptos para enfrentá-los desta vez! Esta crise é diferente. Ela vai nos devorar! Não há como nos levantarmos contra esse inimigo. Já experimentamos outras vitórias, mas essa situação é pior, e muito acima de nós!".

Conseqüentemente um choro de incredulidade elevou-se de toda a congregação. “Vamos voltar, não podemos com eles. Há muitos inimigos fortes; não dá pra continuar”(v. Números 14:1-4).

E novamente - a fé fala: "A terra pelo meio da qual passamos a espiar é terra muitíssimo boa...o Senhor...nos fará entrar nessa terra e no-la dará, terra que mana leite e mel" (Números 14:7-8). Apesar de que os filhos dessa geração incrédula mais tarde tenham entrado - eles nunca possuíram plenamente a terra. Se eles tivessem ido ao descanso verdadeiro, o Senhor não estaria falando ainda de um descanso não reclamado.

Ainda permanece para nós um lugar em Cristo onde interrompemos todo nosso trabalho e esforço próprio: deixamos de confiar no homem; paramos com as manipulações, com a luta e o empenho para que as coisas aconteçam. Antes que o Senhor venha, Ele tem que ter um povo que entre, um povo que usará a fé para derrubar tudo que os mantém longe da plenitude de Jesus.

É para isso que serve a provação. Deus quer saber o que está no seu coração. É o medo dos gigantes e o desejo de voltar ao Egito ou um abandono do Senhor e do cuidado que Ele tem com você. Satanás não quer um povo que cesse suas obras e dependa totalmente de Jesus como Senhor.

Calebe compreendeu os propósitos de Deus. Ele sabia que o inimigo não tinha poder para impedir o povo de Deus de entrar se eles avançassem em fé. “Tão-somente não sejais rebeldes contra o Senhor e não temais o povo dessa terra, porquanto, como pão, os podemos devorar; retirou-se deles o seu amparo; o Senhor é conosco; não os temais" (Números 14:9).

Satanás está usando aquele gigantesco problema que você enfrenta não para lhe conservar rasteiro, mas para deixá-lo de fora! Não é um julgamento isolado; é o inferno inteiro se enfurecendo contra você para impedi-lo de ingressar na plenitude de Cristo, a um lugar de descanso, à uma vida de confiança, e a um caminhar de paz sob o Seu senhorio.

Todo o céu e o inferno lhe observam quando você se coloca às margens do Jordão. Como lhe verão olhando para o futuro? Você parecerá descrente e dirá: “Se ir com Jesus até o fim significa uma grande batalha de sofrimento, o coração ardendo e tantos problemas gigantescos... eu vou voltar! Ao menos eu posso farrear, beber, ficar dopado e encontrar um pouco de paz”. Ou, a fé prevalecerá e você diz: “Não me rebelarei! Não temerei o que me possa fazer o homem. Meus inimigos não têm poder, porque o seu poder foi esvaziado! Pela fé meu Deus irá devorá-los, pois Ele está comigo. Vou entrar!”.


Caminhar com Jesus é um Assunto Muito Importante para Deus


"Apesar disso, toda a congregação disse que os apedrejassem; porém a glória do Senhor apareceu na tenda da congregação a todos os filhos de Israel. Disse o Senhor a Moisés: Até quando me provocará este povo e até quando não crerá em mim, a despeito de todos os sinais que fiz no meio dele? Com pestilência o ferirei e o deserdarei; e farei de ti povo maior e mais forte do que este" (Números 4: 10-12).

Moisés apelou para a longanimidade e grande misericórdia de Deus orando: “Perdoa, pois, a iniqüidade deste povo, segundo a grandeza da tua misericórdia...Tornou-lhe o Senhor: Segundo a tua palavra, eu lhe perdoei. Porém..." (Números 14:19-21).

Que tragédia! Serem perdoados, e mesmo assim serem deixados para morrer num deserto árido e desesperante, impedidos de entrar na terra da promessa.

Você tem ouvido a respeito da doutrina da segurança eterna: “Uma vez perdoado, sempre perdoado". Essa não é a questão. A questão aqui não é o perdão, mas entrar na herança de Cristo. Aqueles filhos de Deus foram totalmente perdoados mas - por causa de sua incredulidade, de sua má vontade em prosseguir, entrar - eles passaram o resto da vida perdoados, mas desprovidos da intimidade com Deus. Eles tinham somente uma religião morta, uma forma de piedade sem poder. Era um povo perdoado, mas sem ter para onde ir.

Eles nunca verão a glória do Capitão do exército do Senhor derrubando muralhas. Eles nunca irão desfrutar do frescor dos rios, dos pastos verdejantes ou das vitórias “na terra”. O leite e o mel da plenitude nunca serão deles.

Há literalmente milhões de cristãos exatamente neste lugar hoje. Deus os trouxe a um lugar de decisão, chamando-os para um caminhar mais profundo, um andar de fé completa, deixando para trás a morte do deserto. É um chamado para a obediência, devoção e dependência -através da submissão ao Senhor como capitão.

Eles ouviram um “Calebe” em algum lugar chamando-os para continuar a confiar em Deus para a vitória sobre o eu e a carne. Deus está trabalhando em suas vidas, mas eles se fixaram no perdão sem crescimento. Continuam vivendo vidas rasas - na infelicidade, desligados da real obra do Espírito Santo. São deixados para uma vida de tédio espiritual, aridez e morte!

"Nenhum dos homens que, tendo visto a minha glória e os prodígios que fiz no Egito e no deserto...nenhum deles verá a terra que, com juramento, prometi a seus pais, sim, nenhum daqueles que me desprezaram a verá. Porém o meu servo Calebe...eu o farei entrar a terra" (Números 14:21-24).

Deus está sempre “se movendo” com um povo, o grupo de Calebe. Mas estes que continuam são aqueles cuja fé suporta o fogo. Eles se mantêm firmes quando o quadro é desesperador.


Fé Após O Fato Consumado Não É Aceitável


Depois de ouvirem a advertência sobre seus cadáveres que seriam abandonados no deserto, os israelitas foram dormir. “E na madrugada seguinte subiram para o alto da região montanhosa, e disseram: Subiremos ao lugar que o Senhor prometeu, pois cometemos pecado” (Números 14:39-40).

Mas o teste havia acabado, o fogo estava morto. Eles tinham fracassado em face das pequenas chances. Era tarde demais.

O Senhor terá um povo que confia nEle em meio ao fogo, e que O glorificará quando testado. Não é fé obedecer quando a provação já acabou - isto é presunção. Fé depois do fato consumado não existe.

Em Lucas 18:8 Jesus pergunta: "Quando...vier o Filho do homem, achará fé na terra?".

Ele encontrará fé em favor de direitos, fé para bênçãos, fé para prosperidade - mas o que Jesus está realmente perguntando é isso: Acharei Eu fé que leve as pessoas dos últimos dias a se renderem inteiramente a Mim? Quantos irão comigo para um caminhar submisso à vontade de Deus? Haverá pessoas como Paulo que considerou tudo esterco para ganhar a Cristo? Terão fé para continuar numa vida de dependência exclusiva de Mim?

Finalmente, em Hebreus 11:1 nós lemos: “Fé é a certeza das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem”. Esta certeza, esta prova é a Palavra de Deus! Jesus é a Palavra. A palavra escrita segura e registra toda a prova de que iremos necessitar. Descanse na certeza! Conte com a prova ! Ninguém entra sem conhecer a Palavra.

"Temamos, portanto, que, tendo-nos sido deixada a promessa de entrar no seu descanso, suceda parecer que algum de vós tenha falhado...Ora, nós, os que temos crido, entramos no descanso" (Hebreus 4:1-3).