Fé Sem Intimidade Não É Fé

Fé Sem Intimidade Não É Fé
(Faith Without Intimacy is no Faith at All)

Por David Wilkerson
25 de junho de 2001

Sempre pensei na pergunta que Jesus faz em Lucas 18:8: “Contudo, quando vier o Filho do homem, achará, porventura, fé na terra?” O que o Senhor poderia estar dizendo com isso? Olhando para a igreja de Jesus Cristo atualmente, entendo que nenhuma outra geração tem se concentrado tanto na fé quanto a nossa.

Parece que todos estão falando sobre fé. Sermões sobre este tópico abundam. Cursos e conferências sobre a fé são organizados pelo país. Livros sobre o assunto cobrem as prateleiras das livrarias cristãs. Multidões de cristãos se reunem para ganharem apoio e encorajamento através de uma mensagem sobre fé.

Hoje há pastores da fé, mestres da fé, movimentos da fé, até igrejas da fé. Claramente, se há um tipo de especialização ocorrendo na igreja nos dias de hoje, é sobre esta área da fé.

Contudo, tristemente, aquilo que a maioria das pessoas considera ser fé hoje, não é fé em absoluto. Na verdade, Deus rejeitará muito do que está sendo chamado e praticado como fé. Ele simplesmente não aceitará isso. Por que? Porque é fé corrompida.

Muitos pregadores atualmente humanizam totalmente o tópico da fé. Eles descrevem a fé como se ela existisse só para ganho pessoal, ou para atender à necessidades pessoais. Ouvi alguns pastores declarando: “Fé não é pedir a Deus o que você precisa. É perguntar a Ele o que sonhar: se você consegue sonhar uma coisa, então pode tê-la”.

A fé que estes homens pregam é material, arraigada neste mundo, materialista. Ela motiva os crentes a orarem assim: “Senhor, me abençoe, me faça prosperar, me dê”. As necessidades de um mundo perdido não são consideradas. Eu não consigo dar a ênfase necessária: este tipo de fé não é o que Deus deseja de nós. Ela não pode ser para ganho desprovido de piedade.

Há uma doutrina de fé particularmente perigosa sendo esposada hoje em dia. Ela sustenta que os crentes mais piedosos são os que “aplicaram a fé” para ganhar uma vida confortável para si. De acordo com esta doutrina, as pessoas que devemos imitar são aquelas que dirigem os carros maiores e mais caros, e possuem as casas maiores e mais lindas.

Isso é heresia total. Se assim fosse, então os crentes mais santificados seriam aqueles que ludibriam financeiramente. Significaria que nosso objetivo diário é agir por todas as maneiras em favor de ganho próprio. Esse simplesmente não é o evangelho de Jesus Cristo.

Porém nesta mensagem não estou focalizando os pregadores da prosperidade, ou doutrinas de ganho pessoal. Quero me concentrar naqueles que verdadeiramente amam Jesus, e que desejam viver pela fé de um modo que O agrade. A minha mensagem para cada um destes crentes é a seguinte: toda fé verdadeira nasce da intimidade com Cristo. O fato é que, se a sua fé não vem a partir desta intimidade, ela não é fé aos Seus olhos.


Hebreus 11 Fala de Um Padrão Bíblico de Intimidade


Quando lemos Hebreus 11, encontramos um denominador comum na vida das pessoas mencionadas. Cada uma tinha uma característica pessoal que denota o tipo de fé que Deus ama. Qual era esse elemento? Era: sua fé havia nascido da profunda intimidade com o Senhor.

O fato é que é impossível possuir uma fé que agrade a Deus sem compartilhar intimidade com Ele. O quê quero dizer com intimidade? Estou falando da proximidade com o Senhor que vem de se desejá-Lo ardentemente. Este tipo de intimidade é um laço de união, comunhão. Vem quando desejamos o Senhor mais do que qualquer coisa na vida.

Vejamos apenas quatro exemplos de servos cheios de fé, que andaram perto de Deus, como mencionado em Hebreus 11:

1. O nosso primeiro exemplo é Abel. As escrituras declaram: “Pela fé, Abel ofereceu a Deus mais excelente sacrifício do que Caim; pelo qual obteve testemunho de ser justo, tendo a aprovação de Deus quanto às suas ofertas. Por meio dela, também mesmo depois de morto, ainda fala” (Hebreus 11:4).

Quero observar várias coisas significativas neste versículo. Primeiro, o próprio Deus testificou quanto às ofertas de Abel. (Note que havia mais do que uma oferta. Abel claramente oferecia sacrifícios ao Senhor com freqüência).

Segundo, Abel tinha de edificar um altar ao Senhor, para onde trouxesse os sacrifícios. E ele oferecia não apenas cordeiros sem mácula para o sacrifício, mas também a gordura desses cordeiros. As escrituras nos dizem: “Abel, por sua vez, trouxe das primícias do seu rebanho e da gordura deste” (Gênesis 4:4).

Qual o significado da gordura aqui? O livro de Levíticos diz; “é manjar da oferta queimada, de aroma agradável. Toda a gordura será do Senhor” (Levit. 3:16). Em resumo, a gordura é alimento para Deus.

Veja, a gordura era a parte do sacrifício que fazia levantar o doce aroma. Essa parte do animal pegava fogo rapidamente e era consumida, produzindo em torno o doce perfume. O Senhor diz o seguinte em relação à gordura: “Estatuto perpétuo será durante as vossas gerações, em todas as vossas moradas; gordura nenhuma nem sangue jamais comereis” (3:17). A gordura é do Senhor.

A gordura aqui serve como tipo de oração ou comunhão aceitável a Deus. Ela representa nosso ministério junto ao Senhor no lugar secreto de oração. E o próprio Senhor declara que esta adoração íntima sobe a Ele como doce perfume.

A primeira menção na Bíblia quanto a este tipo de adoração é por Abel. Abel permitiu que o sacrifício e a gordura fossem consumidos no altar do Senhor. Isso quer dizer que ele aguardou na presença de Deus até que o sacrifício subisse aos céus.

É por isso que Abel é listado no hall da fama de Hebreus 11. Ele é um tipo do servo em comunhão com o Senhor, oferecendo-Lhe o melhor que possuía. Como Hebreus declara, o exemplo de Abel permanece hoje como testemunho de fé real e viva: “mesmo depois de morto, ainda fala” (Hebreus 11:4).

Como Abel obteve tal fé? Imagine as tremendas conversas que este jovem deve ter ouvido de seus pais, Adão e Eva. O casal obviamente falava dos antigos dias no jardim com o Senhor. Sem dúvida mencionaram os grandes momentos de comunhão com Deus, caminhando e conversando com Ele no frescor do dia.

Imagine o que passava pela cabeça de Abel ao ouvir estas histórias. Ele provavelmente pensava: “Como deve ter sido maravilhoso. Meu pai e minha mãe tinham uma relação viva com o próprio Criador”.

Ao refletir sobre isso, Abel deve ter tomado uma decisão em seu coração: ele resolveu que não iria viver fora deste histórico de seus pais. Ele não iria querer se adaptar à uma mera tradição passada a ele. Ele teria de receber o seu próprio toque vindo de Deus.

Pode ser que Abel tenha se dito: “Não quero ficar ouvindo de experiências antigas com o Senhor. Quero conhecê-Lo agora, para mim próprio, hoje. Quero um relacionamento com Ele, ter comunhão com Ele”.

Este é exatamente o tipo de “gordura” que devemos oferecer a Deus hoje. Como Abel, devemos Lhe dar o nosso melhor horário, em nosso lugar secreto de oração. E devemos gastar tempo suficiente lá, em Sua presença, permitindo que Ele consuma as nossas oferendas de adoração e comunhão íntimas.

Agora, compare as ofertas de Abel com as de seu irmão, Caim. Caim trouxe frutas ao Senhor, uma oferta que não exigia altar. Não havia gordura, óleo, nada para ser consumido. Como resultado, não havia doce aroma para subir aos céus.

Em outras palavras, não havia intimidade envolvida, não havia trocas pessoais entre Caim e o Senhor. Veja, Caim trouxe um sacrifício que não exigia que ele permanecesse na presença de Deus, buscando Sua comunhão. É por isso que as escrituras dizem que a oferta de Abel era “mais excelente” que a de Caim.

Agora, não se engane: Deus honrou o sacrifício que Caim Lhe trouxe. Mas o Senhor olha o coração, e Ele sabia que Caim não ansiava estar em Sua presença. Isso ficou claro no sacrifício que Caim escolheu ofertar.

Em minha opinião, Caim representa muitos cristãos de hoje em dia. Estes crentes vão à igreja toda semana, adorando a Deus e pedindo que os abençoe e faça prosperar. Mas não têm o desejo de intimidade com o Senhor. Querem que o Pai celestial responda suas orações, mas não desejam relacionamento com Ele. Eles não buscam Sua face, não desejam ardentemente Sua proximidade, não anseiam por Sua comunhão. Como Caim, eles simplesmente não têm vontade de permanecer em Sua presença.

Em contraste, o servo fiel busca o toque de Deus em sua vida. Como Abel, ele não vai se prender a algo menor do que isso. Este servo diz a si próprio: “Estou resolvido a dar ao Senhor todo o tempo que Ele quer de mim em comunhão. Anseio ouvir Sua voz suave e terna falando comigo. Então vou ficar em Sua presença até que me diga que está satisfeito”.

2. Enoque também desfrutou de íntima comunhão com o Senhor. Em verdade, sua comunhão com Deus era tão íntima, que o Senhor o trasladou para a glória muito antes do que poderia ter sido o fim de sua vida terrena. “Pela fé, Enoque foi trasladado para não ver a morte; não foi achado, porque Deus o trasladara. Pois, antes da sua trasladação, obteve testemunho de haver agradado a Deus” (Hebreus 11:5).

Por que o Senhor optou por trasladar Enoque? As palavras iniciais deste verso nos dizem claramente: foi por causa de sua fé. Além disso, a frase final diz que a fé de Enoque agradava a Deus.

A Bíblia diz que Enoque começou a andar com o Senhor depois de ter gerado seu filho, Matusalém. Enoque tinha sessenta e cinco anos nesta época. Ele então passou os próximos 300 anos em comunhão íntima com Deus. Hebreus deixa claro que Enoque estava tão ligado ao Pai, tão próximo dEle em comunhão à toda hora, que Deus optou por levá-lo para Si. O Senhor disse a Enoque, basicamente: “Não dá para progredir mais contigo dentro dos limites da carne. Para aumentar minha intimidade contigo, tenho de te trazer para o meu lado”. Então Ele rapidamente arrebatou Enoque para a glória.

Segundo as escrituras, foi a intimidade de Enoque que agradou tanto ao Senhor. Tanto quanto sabemos, este homem nunca realizou um milagre, nunca desenvolveu uma teologia profunda, nunca fez grandes obras que merecessem menção nas escrituras. Em vez disso, lemos esta descrição simples da vida deste homem simples: “Andou Enoque com Deus”.

Enoque tinha comunhão íntima com o Pai. E sua vida ainda é um outro testemunho do que significa verdadeiramente andar em fé.

3. O nosso próximo exemplo de um caminhar íntimo de fé com Deus é Noé. Hebreus diz: “Pela fé, Noé, divinamente instruído acerca de acontecimentos que ainda não se viam e sendo temente a Deus, aparelhou uma arca para a salvação de sua casa; pela qual condenou o mundo e se tornou herdeiro da justiça que vem da fé” (Hebreus 11:7).

Quando lemos a história deste homem em Gênesis, descobrimos que “Noé achou graça diante do Senhor” (Gênesis 6:8). O verso seguinte diz como ele achou essa graça: “Noé andava com Deus” (6:9). Noé conhecia claramente a voz de Deus. Toda vez que o Senhor lhe falava, ele obedecia. Repetidas vezes lemos: “disse Deus a Noé...Assim fez Noé, consoante a tudo o que Deus lhe ordenara” (v. 6:13,22; 7:1,5; 8:15, 18).

Tente imaginar o quanto de tempo Noé deve ter passado a sós com Deus. Afinal de contas, ele tinha de receber instruções detalhadas do Senhor quanto a como construir a arca. Porém a intimidade de Noé com Deus foi além da orientação que recebeu. As escrituras dizem que o Senhor compartilhou Seu coração com Noé, mostrando-lhe o mal do coração humano. E revelou a Noé os Seus planos para o futuro da humanidade.

4. Abraão também compartilhou de íntima comunhão com o Senhor. Pense na maneira pela qual o próprio Deus descreveu o relacionamento com esse homem: “Abraão, meu amigo” (Isaías 41:8). Igualmente, o Novo Testamento nos diz: “Abraão creu em Deus...e: foi chamado amigo de Deus” (Tiago 2:23).

Que incrível recomendação, ser chamado amigo de Deus. A maioria dos cristãos tem cantado o conhecido hino “Em Jesus Amigo Temos”. Estas passagens bíblicas nos trazem esta verdade com poder. Ter o Criador do universo chamando um homem de Seu amigo parece além da compreensão humana. Porém isso aconteceu com Abraão. É um sinal da grande intimidade deste homem com Deus.

Em hebraico a palavra aqui usada por Isaías para amigo quer dizer afeição e proximidade. E em grego, a palavra que Tiago usa para amigo quer dizer aliado querido e próximo. Ambas implicam em intimidade profunda.


O Resultado da Proximidade com Deus
Não É Só Uma Afeição Íntima pelo Senhor,
Mas Também um Desapego Progressivo Por Este Mundo


Quanto mais nos aproximamos de Cristo, maior se torna nosso desejo de viver inteiramente em Sua presença. E mais, começamos a ver mais claramente que Jesus é o nosso único fundamento real.

A Bíblia diz que Abraão “aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador” (Hebreus 11:10). Para Abraão, nada nesta vida era permanente. As escrituras dizem que o mundo era um “lugar estranho” para ele. Não era um lugar para se fincar raízes.

Contudo Abraão não era nenhum místico. Ele não era um ascético que adotava um aspecto beatificado e vivia confuso espiritualmente. Era um homem com vida terrena, profundamente envolvido em negócios. Afinal de contas, era o proprietário de milhares de cabeças de gado. E tinha servos em número suficiente para formar uma pequena milícia. Abraão devia ser um homem ocupado, dirigindo os servos e comprando e vendendo gado, ovelhas e bodes.

Porém ainda assim, a despeito de seus tantos negócios e responsabilidades, Abraão achava tempo para intimidade com o Senhor. E porque andava perto de Deus, ele ia ficando cada vez mais insatisfeito com esse mundo. Abraão era rico, próspero, com muitas coisas boas para mantê-lo ocupado. Porém, nada nesta vida conseguia desviar a atenção dele do anseio pela pátria celestial no porvir. Cada dia, ele mais e mais ansiava se aproximar deste lugar melhor.

A pátria celestial pela qual Abraão ansiava não é literalmente um lugar. Antes, trata-se de estar no recôndito do Pai. Veja, no original, a palavra para esta expressão “pátria celestial”, é Pater. Vem de uma raíz significando Pai. Então, a pátria celestial que Abraão buscava era, literalmente, um lugar com o Pai.

O que isso significa para nós hoje? Significa que mudar para esta pátria celestial não é só chegar ao céu um dia no futuro. Trata-se de, a cada dia, desejar ardentemente experimentar a presença do Pai agora mesmo.

Hebreus diz que os quatro homens mencionados - Abel, Enoque, Noé e Abraão - morreram na fé (v. Hebreus 11). Cada um deles se desapegou do espírito do seu tempo. E cada um buscava uma nova pátria. O mundo simplesmente não era o seu lar.

Porém, isso não quer dizer que eles ficaram esperando até chegar ao céu para desfrutar da proximidade com o Pai. Pelo contrário, como peregrinos passando por essa vida, eles continuamente buscavam a presença de Deus. Nada no mundo conseguia fazê-los parar de se mover à frente, buscando um caminhar mais profundo e íntimo com o Pai.

Através de seus fiéis exemplos, estes homens diziam: “Busco um lugar mais próximo do Pai. E este lugar está além do que este mundo tem a oferecer. Vejo com carinho as tantas e abençoadas dádivas que Deus tem me dado em meus familiares, e amigos piedosos; nada no mundo poderia substituir o amor que tenho por eles. Mas sei que há um amor ainda maior, a ser experimentado com o Pai”.

Hebreus 11 fala de muitos outros cujo caminhar íntimo de fé agradou ao Senhor. Pela fé, estes servos forjaram grandes milagres, e fizeram muitas coisas impressionantes. E ao examinarmos suas vidas, vemos que eles também compartilharam de um mesmo denominador comum: todos abandonaram este mundo e seus prazeres, para andar intimamente com Deus.

Será que você pode fazer a mesma reivindicação? Será que o seu coração anseia por andar mais próximo do Senhor? Será que está havendo uma insatisfação crescente em você com as coisas deste mundo? Ou, está o seu coração preso à coisas temporais?


Sem Intimidade,
A Sua Fé Não é Verdadeira aos Olhos de Deus


Marcos 4 relata uma história com Jesus e os discípulos, num barco que estava sendo agitado em meio à tempestade no mar. Ao chegarmos à cena, Jesus acaba de acalmar as ondas com uma única ordem. Agora Ele se volta aos discípulos e pergunta: “Como é que não tendes fé?” (Marcos 4:40).

Isso pode soar áspero. É humanamente normal ter medo numa tempestade destas. Mas Jesus não estava os estava desaprovando por essa razão. Não, Ele estava lhes dizendo, “Depois de todo este tempo comigo, vocês ainda não sabem quem Sou. Como é possível vocês terem andado comigo por tanto tempo, e não Me conhecerem intimamente?”

Na verdade, os discípulos estavam atônitos pelo incrível milagre que Jesus havia acabado de operar. As escrituras dizem: “E eles, possuídos de grande temor, diziam uns aos outros: Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?” (4: 41).

Dá para você imaginar isso? Os próprios discípulos de Jesus não O conheciam. Ele havia chamado pessoalmente cada um destes homens para segui-Lo. E eles haviam ministrado ao Seu lado, á multidões de pessoas. Haviam operado milagres de cura, e alimentado grande quantidade de gente faminta. Mas eles eram ainda estranhos em relação a quem seu Mestre realmente era.

Tragicamente, o mesmo é verdade hoje. Multidões de cristãos têm andado de barco com Jesus, ministrado ao Seu lado, alcançado multidões em Seu nome. Mas realmente não conhecem Seu mestre. Não passam tempo trancados em intimidade com Ele. Nunca se assentaram em quietude em Sua presença, Lhe abrindo o coração, esperando e ouvindo para compreender o que Ele quer lhes dizer.

Vemos outra cena relacionada à fé dos discípulos em Lucas 17. Eles foram até Jesus pedindo: “Aumenta-nos a fé” (Lucas 17:5).

Muitos cristãos hoje fazem a mesma pergunta: “Como vou obter fé?” Mas eles não buscam o Senhor em pessoa para a resposta. Em vez disso, saem correndo para cursos que proclamam ensinar aos crentes como aumentar a fé. Ou, compram pilhas de livros que oferecem dez passos rápidos para aumentar a fé. Ou, viajam centenas de quilômetros para ouvir conferências sobre a fé, feitas por proeminentes evangelistas e mestres.

Posso lhe dizer desprovido de qualquer dúvida: você jamais aumentará de verdade sua fé por nenhuma dessas maneiras. Se você quer aumentar a fé, terá de fazer a mesma coisa que Jesus mandou os discípulos fazerem nesta passagem. Como Ele respondeu aos pedidos por fé? “cinge-te e serve-me, enquanto eu como e bebo” (Lucas 17: 8).

Jesus estava dizendo, em essência: “Ponha o seu traje de paciência. Então venha à minha mesa e ceie comigo. Quero que me alimente aí. Você trabalha feliz para Mim o dia todo; agora quero que tenha comunhão comigo. Sente-se comigo, abra seu coração, e aprenda de Mim. Há tantas coisas que quero falar para a sua vida”.

Não arrume mais explicações teológicas para a fé. Não procure mais passos para tentar obtê-la. Simplesmente fique a sós com Jesus, e deixe que Ele passe Seu coração para você. Fé real nasce no lugar secreto da oração íntima. Então, vá a Jesus e aprenda dEle. Se você passar um período de qualidade em Sua presença, a fé certamente virá. Ele fará nascer fé em seu coração como você nunca conheceu. Acredite, quando ouvir Sua voz suave e terna, a fé explodirá dentro de você.


A Pátria Celestial --
a Cidade Com Fundamentos,
Buscada por Gerações Antes de Nós --
É o Lugar em Que Vivemos Agora


Aquele lugar, aquela cidade, está em Cristo pela fé. O descanso pelo qual os antigos ansiavam, é encontrado nEle. Recebemos hoje a promessa que eles só podiam antever e abraçar pela fé.

Jesus disse: “Abraão, vosso pai, alegrou-se por ver o meu dia, viu-o e regozijou-se” (João 8:56). Abraão anteviu um dia quando Cristo viria à terra e edificaria o fundamento que previu. E o patriarca se alegrou em conhecer um povo abençoado vivendo neste dia. Ele sabia que viveriam desfrutando de acesso ininterrupto à conversação celestial, e de comunhão com Deus.

Hoje, porém, muitos cristãos estão perdendo totalmente esta promessa. Pelo contrário, vivem em agitação desnecessária. Eles se apressam de lá para cá, tentando produzir uma fé “de resultados”. Estão constantemente presos á uma correria de atividades, fazendo coisas para Deus, que no fim viram apenas fadiga. Eles jamais ficam totalmente descansados em Cristo. Por que? Porque eles simplesmente não se fecham com o Senhor, para ficar horas silenciosas a sós com Ele.

Se está apaixonado por uma pessoa, você quer ficar na presença dessa pessoa. Os dois querem compartilhar a vida, abrindo o coração, e se tornando íntimos. A mesma coisa se aplica a nosso relacionamento com Jesus. Se O amamos, deveríamos constantemente estar pensando: “Quero ficar com o meu Senhor. Quero desfrutar da Sua presença. Então vou me aproximar dEle, e esperar em Sua presença até eu saber que Ele está satisfeito. Vou ficar até ouvi-Lo dizer: ‘Pode ir agora, e alegre-se no Meu amor”’.

Há poucos dias, ouvi a suave e terna voz do Senhor me cochichando algo após minhas orações com Ele. Ele disse: “David, por favor não se vá já. Fique comigo. Há tão poucos que mantém comunhão comigo, tão poucos que Me amam, tão poucos que permanecem para ouvir o Meu coração. E tenho tanto a compartilhar”. É quase um choro, um pedido para que eu ouça Sua voz.

E aí o Senhor me diz: “Quero lhe mostrar aonde vejo sua fé, David. Ela está em você vir até Mim. Está em você Me servir (à mesa), está em você ministrar para Mim, até ouvir e saber o que está no Meu coração”.

“A sua fé está em seu desejo crescente de vir à Minha presença. Está em você ficar ansioso pela próxima vez em que estaremos juntos. Está naquela consciência que você desenvolveu, de que estar a sós comigo é a alegria de sua vida.”

“Já não é trabalho, para você, se aproximar de Mim, não é mais uma coisa trabalhosa. Agora você fica aguardando isso o dia todo. Você sabe que quando sua obra estiver finda, você virá para Mim, para me alimentar e comunicar-se intimamente comigo”.

Isso é verdadeira fé.

 

Com Deus Nada É Impossível
(With God Nothing is Impossible)

Por David Wilkerson
25 de junho de 2001

Conheço um jovem que vive com medo e em terror contínuos. Essa sensação terrível começou para ele no dia em que se afastou do Senhor.

O jovem tinha sido gloriosamente salvo, e cheio do Espírito de Deus. Ele havia testificado do poder da graça de Deus em sua vida, e sido uma testemunha efetiva do evangelho; havia aconselhado a muitos de sua igreja, ministrando-lhes o amor de Cristo. Até que um dia, em meio a dissabores, disse: “Chega. Não quero mais esta vida”.

Ele disse a todos que estava enjoado dos cristãos; e estava bravo com Deus por não lhe responder as preces. Disse ao pastor: “A sua pregação põe um peso de culpa em cima de mim. Quero gozar a vida. Você sabe, beber um pouco, me divertir, uma festa de vez em quando. Não quero ir longe demais. Só quero um pouco de diversão”. Então, abandonou sua fé.

Por favor, note o seguinte: este jovem não era nenhum pagão cego espiritualmente. Tinha uma base bíblica forte. Fora equipado com a verdade do evangelho; havia permitido que o Santo Espírito se movesse nele, e o convencesse. E experimentou alegria no servir ao Senhor.

Mas agora, este mesmo jovem é o total oposto do cristão. Ele caiu de maneira total e absoluta no pecado; carrega dolorosa tristeza no coração, que tenta afogar com a bebida. Ele participa de festas para encontrar alegria, mas isso só o deixa vazio. Tem sexo com diferentes mulheres, mas depois fica mais solitário e desesperado do que nunca.

Este, que no passado era um vibrante crente, está numa espiral profunda para baixo, e sabe disso. Lentamente está se tornando alcoólatra. Ele chora quando pensa no que se tornou sua vida. E tem um terrível medo de Deus ter desistido dele. Se convenceu de que agora atravessou uma linha, e não pode mais voltar. A última vez que falei com ele, me disse: “O meu pecado afastou tantas bênçãos. Agora, não consigo deixar de pensar que o pecado afastou qualquer esperança”. Ele se vê afastado demais, preso demais ao pecado, para poder algum dia voltar para Deus.

Certa época, me escreveu uma carta dizendo que se via perseguido por todos os sermões que tinha ouvido. Viu a si próprio na advertência de Paulo: “Para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado” (I Coríntios 9:27).

Finalmente, em total desespero, resolveu voltar para a igreja uma última vez, em busca de esperança. Porém o sermão que ouviu aquele dia abalou suas profundezas. Foi tirado de Hebreus 6:4-6: “É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro, e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia”.

Na mente do jovem, esta descrição cabia perfeitamente nele. Ele havia sido iluminado pela palavra de Deus; havia provado a dádiva celeste do perdão; havia experimentado o toque do Espírito Santo. Mas agora, raciocinava ele, “expus Jesus à ignomínia. Minha vida cheia de pecado O crucifica diariamente”. Estas palavras ficaram soando em seus ouvidos: “É impossível para estes que caíram, serem renovados”.

Este sermão apagou seu último raio de esperança. Agora, ao sair pelas portas da igreja, ele sentia-se condenado à maldição eterna. Ele não podia discutir com as Escrituras. Ele cria estar destinado a passar seus dias em sofrimento desesperador.

Hoje, milhares de pessoas que no passado foram crentes fiéis, estão na mesma situação deste jovem. À certa altura, saíram da presença de Deus, pecaram de modo repulsivo, e caíram da graça. Agora estão vivendo em oposição direta à incrivel luz que um dia receberam. E estão convencidos de que inexiste qualquer esperança de algum dia serem salvos.

Isso descreve você, ou alguém que conheça? Se é assim, quero lhe dar a mesma mensagem que dei por escrito a este jovem:


Nos Últimos Quarenta Anos Tenho
Visto Multidões de Pessoas
Perdidas Vindo a Cristo


Como fundador do ministério do Desafio Jovem, tenho testemunhado milhares e milhares de pessoas chegarem à salvação em Jesus. Muitas destas haviam sido consideradas casos totalmente desesperadores. Entre elas se incluíam viciados em drogas e no álcool, traficantes de drogas e ladrões, homossexuais e prostitutas, ateus e adoradores do diabo, criminosos embrutecidos e membros de gangues. Observei aterrado estas pessoas sendo maravilhosamente transformadas pelo poder de Cristo. Elas recebiam cura, renovação, libertação completa da escravidão. E cresciam poderosamente na palavra e na graça de Deus.

Mesmo assim, às vezes Satanás seduzia alguns destes convertidos a voltarem à vida antiga. Uma vez caídos, ele berrava em seus ouvidos: “Você está amarrado demais para algum dia ficar livre. Você está amaldiçoado, é fraco, e não tem condições de se libertar. Agora você nunca mais pode voltar para Jesus”.

Fico pensando em um jovem casal que chegou ao nosso ministério, vindo das ruas, alguns anos atrás, James e Mary Thomas. Esses dois eram sem-teto errantes, que roubavam para manter o vício da heroína. Quando entraram por nossas portas, eram como mortos, totalmente pirados. James estava em torpor mental, tão entupido de drogas que mal conseguia proferir o nome. Mary era alcoólatra, uma imagem deprimente de pele e osso.

Porém Deus operou uma obra milagrosa neste casal. Ambos foram maravilhosamente salvos. O Senhor então os restaurou fisicamente, trazendo cor aos seus rostos, e o peso de volta aos seus corpos. Ele também restaurou suas faculdades mentais. James, em particular, tinha uma mente brilhante. Em pouco tempo, se tornou autodidata em grego e hebraico. Enviamos os dois para um instituto bíblico, onde James assombrava os professores. Seu instrutor de hebraico lhe disse: “Não posso lhe ensinar mais nada. Você já sabe mais do que eu”.

Quando se formaram, James e Mary foram para a Califórnia, onde iniciaram um ministério em prisões. Trabalharam juntos por cerca de doze anos, ministrando a centenas de presos. James pregava e ensinava a Bíblia, enquanto Mary trabalhava e fazia aconselhamento com as mulheres problemáticas. Aos nossos olhos, este lindo casal era um troféu da graça de Deus. Eram exemplos cintilantes do poder de Jesus para tranformar as mais desesperadas das vidas.

De algum modo, porém, após anos de serem tão abençoados por Deus, Mary ficou desencorajada. Satanás conseguiu seduzí-la de volta para o álcool. Os dias que se seguiram foram um inferno vivo para ambos. Enquanto Thomas ministrava nas cadeias, Mary escapulia para os bares. Às vezes ficava fora a noite toda. James tinha de sair procurando por ela, e muitas vezes a encontrava caída na sarjeta, desmaiada. Ao ficar sóbria, ela dizia a ele: “Não sei o que aconteceu. Voltei para o álcool de novo. Simplesmente não consigo acabar com este hábito”.

Então uma noite Mary desapareceu, e James não conseguiu encontrá-la. Várias semanas se passaram. James ficou tão perturbado na época, que o convidamos para vir à sede de nosso ministério, no Texas. Eu nunca havia visto um homem tão machucado. Mas, ele me disse: “Não vou desistir dela. Sei o que Deus fez por nós”.

Três dias mais tarde, Mary telefonou de um hospital. A polícia a havia encontrada meio morta no meio da rua. Ela havia se prostituído, e tinha sido muito espancada. James pegou um avião para buscá-la, e a trouxe ao nosso rancho para se recuperar. Ao entrarem, ninguém reconhecia Mary. Seu rosto estava desfigurado, os lábios inchados, e a pele preta e azulada.

Após Mary ter repousado, e começado a se curar, todos começamos a ministrar o amor de Deus à ela. Mas ela não conseguia aceitá-lo. Ela sabia Hebreus 6: 4-6 de cor, e o citava para nós: “É impossível renová-los, se caíram”. Ela sabia que havia provado o dom celestial, e se tornado participante da palavra de Deus. Agora, estava abalada pelo fato de estar crucificando o Salvador de novo. Ela só conseguia dizer: “Para mim acabou. Já preguei para os outros, mas veja no que me tornei. Rejeitei o amor de Jesus. Pequei contra a luz. Ele não pode me pegar de volta agora”. Ela achava que estava destinada a cair de novo nos velhos costumes, e acabar seus dias na rua. Agora só queria morrer.

Voltarei à história de Mary. Mas por enquanto, quero examinar o significado da passagem “É impossível...renová-los”. Para quem, exatamente, isso é impossível?


1. É Impossível Para Qualquer Pastor ou Para
Qualquer Leigo Alcançar Alguém Nessa Situação


Mary Thomas sabia que eu a amava. Ela também me respeitava como ministro da palavra de Deus. Porém, mesmo assim, Mary não queria ser alcançada. Nenhuma promessa da palavra de Deus conseguia tocá-la. Nem mesmo o amor cheio de compaixão, vindo de seu piedoso marido, conseguia movê-la. Seus ouvidos pareciam trancados, o coração endurecido, a alma inatingível por convencimento (da parte de Deus).

Assusta tentar ministrar a um crente que tenha caído tão fundo no pecado. Parece que quanto mais espiritual a pessoa era, mais difícil é alcançá-la quando cai. Você pode falar a ela como oráculo de Deus, viver a emoção da cruz na frente dela, passar-lhe a intimidade do coração de Jesus - porém mesmo assim, seu coração continua uma pedra. A pessoa diz: “Me sinto na beira de um buraco negro. Se cair, nunca mais vou sair. Porém, apesar disso, não tenho a mínima força para me afastar. O meu medo é perder tudo, e acabar no inferno”.

Jeremias profetiza sobre esta situação: “Dir-lhe-ás, pois, todas estas palavras, mas não te darão ouvidos; chamá-los-ás, mas não te responderão” (Jeremias 7:27). Igualmente, Jesus diz o seguinte em relação àqueles que endureceram o coração para a Sua palavra: “O coração deste povo está endurecido, de mau grado ouviram com os ouvidos e fecharam os olhos” (Mateus 13:15).

Já vi multidões de perdidos responderem á minha pregação. Estes incluíam os mais vis pecadores: terríveis chefes de gangues, líderes de bruxaria, estupradores em série, até assassinos. Antes de estas pessoas virem a Jesus, eram insensíveis no pecado. Porém não eram insensíveis ao evangelho, como os crentes descritos em Hebreus 6: 4-6. Pode crer: é impossível para qualquer ministro alcançar e renovar estes crentes que caíram. Por que? Eles permitiram que o diabo lhes convencesse: “Você pecou em demasia contra a luz. Agora é tarde demais. Simplesmente não dá para você ser alcançado”.


2. É Impossível Que os Entes Queridos
e os Amigos Os Renovem


Nenhum esposo amou a esposa mais do que James Thomas. Este homem nunca deixou de amar Mary, mesmo ela tendo agido como meretriz. Eu ficava impressionado vendo-o cuidando dela naqueles dias dolorosos e difíceis. Esta mulher havia sido usada e surrada por outros homens. Mas agora o esposo sentava-se pacientemente cuidando dos machucados, lavando seu rosto, e chorando por ela.

Contudo, ainda mais incrível era que o grande amor de James e sua compaixão não derretiam o coração de Mary. Ela simplesmente não se comovia, nem por lágrimas e nem pela ternura. Ela parecia estar totalmente fora do alcance de qualquer gesto ou poder humano.

Vi o mesmo tipo de distanciamento em esposos rebeldes e enganosos, que deixam a família. As esposas suplicam: “Amor, eu lhe perdôo. Não importa o que você fez. Estou casada há vinte e cinco anos, e quero que nosso casamento funcione. Eu o amo, e preciso de você”. Os filhos agarram as pernas do pai e choramingam: “Papai, por que o senhor está indo embora? Não vá. Não deixe a mamãe e nós”. Mas nada pode mover estes homens. Já se prenderam à outra mulher, e estão prontos para jogar fora a vida e a família. Não há amor humano que os possa alcançar.

Uma vez conheci um jovem pastor, uma ótima pessoa casado com uma bela jovem. Este ministro era testemunha eficiente aqui nas ruas de Nova York. Sua pregação ganhou muitos viciados para Jesus. E era dedicado mestre, instruindo nos caminhos do Senhor os viciados e os alcoólatras em recuperação.

Aí, à uma certa altura, o pastor começou a brincar com pornografia. Aos poucos, tornou-se dependente, e isso literalmente assumiu o controle de sua vida. Quando a esposa descobriu, ele se zangou com ela, e disse: “Não vou parar com isso”. Pelo contrário, disse, ele queria que ela se involvesse também. Ela ficou horrorizada. Quando recusou, ele ficou bravo e começou a sair com outra mulher.

Por semanas, esta esposa implorou: “Você sabe que está abrindo a alma para o diabo. Se não parar, o diabo vai lhe possuir”. Mas ele não quis ouvir. Finalmente, sua esposa pediu que eu falasse com ele. Eu o fiz, lembrando o jovem ministro da obra do Senhor em sua vida, das claras advertências da Bíblia, e do nosso amor por ele.

“É tarde demais”, me disse. “Fiquei viciado. Abandonei o ministério, e não amo mais a minha esposa. Agora não dá para voltar”. Ele então me explicou que pecando, estava expondo Jesus à ignomínia. Portanto, lhe era impossível ser renovado.

Eu contrapus: “Não importa o que você fez. Jesus tem todo o poder necessário para lhe libertar. Podemos assumir autoridade contra esta escravidão em Seu nome, e Deus o libertará agora mesmo”. Mas ele abanou a cabeça e recusou. Ele não conseguia ser persuadido. Hoje, ele está casado com uma feiticeira, e está envolvido profundamente com ocultismo. Está totalmente perdido.

O amor humano e os argumentos simplesmente não conseguem romper o domínio deste tipo de pecado.


3. Nem Mesmo o Medo do Inferno ou
do Juízo Consegue Tocá-los


Mary Thomas sabia muito bem que o salário do pecado é a morte. Ela também sabia que todo pecado que cometia estava sendo registrado, acrescentando à ela o peso da culpa. Poucos meses antes, esta mesma mulher exortava os outros a fugirem do pecado, e a evitarem a ira de Deus. Mas estas coisas não significavam nada para ela agora.

Testemunhei este mesmo tipo de endurecimento numa enfermaria de AIDS recentemente. Um jovem de nossa igreja pediu que eu orasse com seu irmão que estava à morte, e que só tinha poucas horas de vida. Quando entramos no quarto no hospital, o paciente moribundo estava assistindo um filme na TV. Cheguei perto dele, e disse: “Filho, daqui a pouco você estará na eternidade. Você está me entendendo?” Ele não piscou um olho. Ele continuou assistindo o filme. Aí perguntei: “Posso orar com você?” Ele respondeu: “Tanto faz”. Acabei fazendo uma oração simples por ele. Ao abrir meus olhos, ele continuava fitando a TV. Que cegueira Satanás produz, mesmo diante da eternidade.

Muitos cristãos que caíram me disseram: “Por que pensar no inferno iria me incomodar? Eu já estou no inferno”. De certa maneira, estão certos: é um inferno levantar todo dia com uma nuvem escura em cima da cabeça. É um inferno ser controlado por um hábito que você não consegue controlar, vivendo como animal, buscando só prazer. Depois de um tempo, até a satisfação sexual se torna vazia: drogas, sexo, festas não significam mais nada; elas não trazem mais alegria ou felicidade. Em vez disso, lhe deixam doente, só, e chorando: “Vivo num inferno”.

É inferno perder a fé, perder a esperança, perder a família e os entes queridos. No fim, você fica sozinho unicamente com o seu eu pecador. Você foi alijado de Deus, totalmente consciente do fato de ter cuspido em Sua face. Então você passa todo o dia ansiando pela noite, e toda a noite ansiando pelo dia.

Sim - você pecou contra a incrível luz. Você experimentou a maravilhosa palavra de Deus. E sim, você está crucificando Jesus diariamente, expondo-O abertamente à ignomínia. Você está se afastando da cruz, se aprofundando no pecado. Sim, é impossível para qualquer pastor, ou ente querido, ou à qualquer advertência quanto ao julgamento de Deus, levá-lo ao arrependimento.

Porém, nenhum lugar das escrituras diz que é impossível para Deus operar essa obra em você. Jesus nos diz que com Deus nada é impossível: “Os impossíveis dos homens são possíveis para Deus” (Lucas 18:27).

Em verdade, nenhuma pessoa se afastou tanto a ponto de o Senhor não poder salvá-la, com uma exceção: a pessoa que comete o pecado imperdoável. Este pecado ocorre quando o antigo crente zomba da obra do Espírito Santo, considerando-a obra do diabo. Tal pessoa eliminou Cristo inteiramente do coração. Com efeito, ela encenou a cena da crucificação só para si, matando propositalmente todo o amor e o desejo por Jesus. Essa pessoa jamais poderá ser restaurada.

É claro que aqueles que temem ter cometido o pecado sem perdão, na verdade não o cometeram. Como sei disso? A prova está no fato de estarem preocupados com isso. Veja, cometer o pecado imperdoável exige uma consciência totalmente cauterizada. Nesse caso, o amor que a pessoa tem por Jesus é substituído por ódio absoluto por Deus. Essa pessoa cerra os punhos contra Deus e diz: “Nunca mais quero ouvir falar de Ti”. Ele até desafia Deus a mandá-lo para o inferno. Uma pessoa assim odeia tudo que é santo e puro. E busca oportunidade para crucificar Jesus de novo. Zomba de tudo que tem a ver com Deus, afirmando por exemplo, “Jesus é gay”.

Se você acha que cometeu o pecado imperdoável, estude Jeremias 30. O capítulo inteiro consiste na acusação de Deus contra Israel. O Senhor diz ao Seu povo: “Vocês receberam tanta luz. Eu os abençoei, e lhes ofereci incríveis promessas de aliança. Mas responderam virando as costas para Mim”.

Jeremias profetiza a eles: “Porque assim diz o Senhor: Teu mal é incurável, a tua chaga é dolorosa. Não há quem defenda a tua causa; para a tua ferida não tens remédios nem emplasto. Todos os teus amantes se esqueceram de ti, já não perguntam por ti; porque te feri com ferida de inimigo e com castigo de cruel, por causa da grandeza da tua maldade e da multidão de teus pecados...Tua dor é incurável. Por causa da grandeza de tua maldade e da multidão de teus pecados é que eu fiz estas cousas” (Jeremias 30: 12-15).

O Senhor está dizendo em essência: “Os seus terríveis pecados lhe deixaram doente e enfermo. Você se tornou completamente depravado. E agora a ferida está tão profunda, que não pode ser curada. Você não tem remédio”.

Contudo, a palavra de Deus aqui se refere à cura humana. Não há poder na terra que possa curar uma ferida destas. Seria uma impossibilidade absoluta. Mas nunca é impossível para Deus. Apenas dois versículos adiante, o Senhor diz à estas mesmas pessoas incuráveis: “Porque te restaurarei a saúde e curarei as tuas chagas...pois te chamaram a repudiada, dizendo: É Sião, já ninguém pergunta por ela” (30:17).

Deus estava dizendo ao povo: “Todos desistiram de vocês, dizendo que tinham ido longe demais. Eles os vêem como crianças perdidas, sem esperança e abandonadas. Mas, por causa disto, vou lhes curar. Todos dizem que vocês são párias, beberrões, derrotados, e que não prestam. Mas vou lhes restaurar. Terei misericórida de vocês, e curarei todas as suas feridas”.

É exatamente isso que o Senhor fez por Mary Thomas. As pessoas tinham desistido dela, inclusive os amigos que a amavam; eles simplesmente não conseguiam dar jeito numa situação tão desesperadora. Eles a viam como não arrependida, como meretriz alcoólatra, e achavam que Deus a havia entregue ao pecado. Diziam: “James deveria se divorciar dela, e colocá-la numa instituição”. Até mesmo o tão dedicado James perdeu um pouco de sua esperança sem limites. Certa hora, ele confidenciou para mim: “Me sinto fraco. Não sei se ela algum dia vai conseguir”.

Amado, o mundo pode lhe descartar. Mesmo sua família, e seus amigos podem desistir de você. Mas Deus promete: “Nunca te deixarei. Vou te resgatar, e curar todas as feridas de teu corpo e de tua alma”.

Nada que as pessoas dissessem conseguia chegar até Mary. Ela não era tocada pelo amor, pela compaixão, ou pelo medo. Mas um milagre se iniciou para essa mulher perdida quando ela expressou um clamor profundo e íntimo. O clamor consistiu de só três palavras: “Me ajude, Deus”. Nesta hora, Mary não conseguia nem orar. Ela não conseguia se dirigir a Deus. Mesmo assim, repetidas vezes, no fundo do coração, ela gritava: “Jesus, me ajude”. Finalmente, ela começou a realmente verbalizar as palavras: “Senhor, estou arrasada, tão afundada no pecado. Por favor, me ajude”.

As palavras de Mary repetiam os pedidos de Davi ao Senhor: “Das profundezas clamo a ti, Senhor” (Salmo 130:1). “Na minha angústia, clamo ao Senhor, e ele me ouve” (Salmo 120:1). Como Davi, Mary fez ressoar seu grito. E Deus a ouviu.

Um dia, sem mais nem menos, lágrimas começaram a fluir dos olhos de Mary. O Espírito Santo havia enchido a sala, e todos os medos e as desesperanças reprimidos foram se derramando. O poder do perdão de Cristo inundou sua alma, e a lavou da imundície, da raiva e da culpa. Logo, a alegria encheu sua alma, e ela começou a rir e a se rejubilar. Todos ficamos observando espantados esta mulher restaurada e renovada elevando as mãos, e começando a adorar o Senhor. Todos os que estavam presentes naquele dia sabiam que o Senhor havia iniciado uma nova operação incrível em Mary, santificando-a e transformando sua vida.

James e Mary acabaram voltando para a Califórnia, onde reassumiram o ministério junto aos presos. Seu casamento e sua família foram gloriosamente restaurados. E eles experimentaram a plenitude das bênçãos de Deus em suas vidas.

James Thomas morreu o ano passado. Este homem foi para o Salvador como servo amoroso e fiel. E posteriormente, Mary fielmente assumiu o ministério nas prisões. Então, em março passado, Mary morreu. Pela graça e pelo poder de Deus, Mary Thomas foi para a glória como uma poderosa combatente a favor de Jesus. A sua vida e o seu testemunho provam Lucas 18:27: com Deus, nada é impossível.


Talvez Satanás Tenha Lhe Convencido
Que Deus Desistiu de Você


Talvez, como Mary, de alguma maneira você caiu da graça. Você acha que os outros lhe descartaram, e sente-se perdido e abandonado.

Davi diz que as pessoas o descartaram, também: “dizendo: Deus o desamparou...pois não há quem o livre” (Salmo 71:11). Então, o quê fez Davi? Ele fez o que Mary Thomas fez. Das profundezas do desespero ele clamou: “Deus, me ajude” (ver 71:12). O Senhor ouviu o grito de Davi e o restaurou: “Tu, que me tens feito ver muitas angústias e males, me restaurarás ainda a vida e de novo me tirarás dos abismos da terra. Aumenta a minha grandeza, conforta-me novamente” (Salmo 71: 20-21).

Talvez Hebreus 6:4-6 tenha lhe convencido que você não possa ser renovado para o arrependimento. Simplesmente você não consegue crer que Deus lhe perdoará por crucificar Jesus diariamente, e O expor abertamente à ignomínia. Você acha que seu pecado é profundo demais, e lhe amarra demais, para ser curado.

Quero lhe dizer o seguinte: você não entristeceu a Deus mais do que Israel. Deus chamou-os de povo de dura cerviz, e idólatra, declarando: “Minha ira vai ferver contra vocês. Vou lhes consumir por causa do pecado” (ver Êxodo 32: 9-10). Porém, as escrituras dizem: Deus se arrependeu da ira contra o Seu povo. Em vez disso, Ele diz: “Por que hão de dizer os egípcios: Com maus intentos os tirou, para matá-los...se arrependeu o Senhor do mal que dissera havia de fazer ao povo” (32: 12, 14).

O fato é: toda vez que Deus ouve o nosso grito profundo e arrependido, o Seu coração é movido. E Ele fielmente responde ao nosso clamor, nos restaurando, nos curando, e nos renovando para o arrependimento.

Você pode ser tentado a adiar seu clamor para Ele; pode pensar: “Se Deus pode me tirar deste poço, com certeza posso esperar um pouco e me entregar mais um tanto ao pecado”. Mas a Bíblia nos diz: “Eis, agora, o dia da salvação” (2 Coríntios 6:2). Não pense que você pode esperar chegar outra hora para invocar ao Senhor. A hora para a sua renovação é agora.

Então, clame a Ele hoje. Ele é fiel para lhe livrar, e restaurar tudo que o gafanhoto devorou. Ele deseja ardentemente lhe dar um coração novo, e um novo começo. Nada é impossível com Ele!

Amém!