
Por David Wilkerson
25 de junho de 2001
Sempre
pensei na pergunta que Jesus faz em Lucas 18:8: “Contudo, quando vier o Filho
do homem, achará, porventura, fé na terra?” O que o Senhor poderia estar
dizendo com isso? Olhando para a igreja de Jesus Cristo atualmente, entendo que
nenhuma outra geração tem se concentrado tanto na fé quanto a nossa.
Parece
que todos estão falando sobre fé. Sermões sobre este tópico abundam. Cursos
e conferências sobre a fé são organizados pelo país. Livros sobre o assunto
cobrem as prateleiras das livrarias cristãs. Multidões de cristãos se reunem
para ganharem apoio e encorajamento através de uma mensagem sobre fé.
Hoje
há pastores da fé, mestres da fé, movimentos da fé, até igrejas da fé.
Claramente, se há um tipo de especialização ocorrendo na igreja nos dias de
hoje, é sobre esta área da fé.
Contudo,
tristemente, aquilo que a maioria das pessoas considera ser fé hoje, não é fé
em absoluto. Na verdade, Deus rejeitará muito do que está sendo chamado e
praticado como fé. Ele simplesmente não aceitará isso. Por que? Porque é fé
corrompida.
Muitos
pregadores atualmente humanizam totalmente o tópico da fé. Eles descrevem a fé
como se ela existisse só para ganho pessoal, ou para atender à necessidades
pessoais. Ouvi alguns pastores declarando: “Fé não é pedir a Deus o que você
precisa. É perguntar a Ele o que sonhar: se você consegue sonhar uma coisa,
então pode tê-la”.
A
fé que estes homens pregam é material, arraigada neste mundo, materialista.
Ela motiva os crentes a orarem assim: “Senhor, me abençoe, me faça
prosperar, me dê”. As necessidades de um mundo perdido não são
consideradas. Eu não consigo dar a ênfase necessária: este tipo de fé não
é o que Deus deseja de nós. Ela não pode ser para ganho desprovido de
piedade.
Há
uma doutrina de fé particularmente perigosa sendo esposada hoje em dia. Ela
sustenta que os crentes mais piedosos são os que “aplicaram a fé” para
ganhar uma vida confortável para si. De acordo com esta doutrina, as pessoas
que devemos imitar são aquelas que dirigem os carros maiores e mais caros, e
possuem as casas maiores e mais lindas.
Isso
é heresia total. Se assim fosse, então os crentes mais santificados seriam
aqueles que ludibriam financeiramente. Significaria que nosso objetivo diário
é agir por todas as maneiras em favor de ganho próprio. Esse simplesmente não
é o evangelho de Jesus Cristo.
Porém
nesta mensagem não estou focalizando os pregadores da prosperidade, ou
doutrinas de ganho pessoal. Quero me concentrar naqueles que verdadeiramente
amam Jesus, e que desejam viver pela fé de um modo que O agrade. A minha
mensagem para cada um destes crentes é a seguinte: toda fé verdadeira nasce da
intimidade com Cristo. O fato é que, se a sua fé não vem a partir desta
intimidade, ela não é fé aos Seus olhos.
Hebreus 11 Fala de Um Padrão Bíblico de Intimidade
Quando
lemos Hebreus 11, encontramos um denominador comum na vida das pessoas
mencionadas. Cada uma tinha uma característica pessoal que denota o tipo de fé
que Deus ama. Qual era esse elemento? Era: sua fé havia nascido da profunda
intimidade com o Senhor.
O
fato é que é impossível possuir uma fé que agrade a Deus sem compartilhar
intimidade com Ele. O quê quero dizer com intimidade? Estou falando da
proximidade com o Senhor que vem de se desejá-Lo ardentemente. Este tipo de
intimidade é um laço de união, comunhão. Vem quando desejamos o Senhor mais
do que qualquer coisa na vida.
Vejamos
apenas quatro exemplos de servos cheios de fé, que andaram perto de Deus, como
mencionado em Hebreus 11:
1.
O nosso primeiro exemplo é Abel. As escrituras declaram: “Pela fé, Abel
ofereceu a Deus mais excelente sacrifício do que Caim; pelo qual obteve
testemunho de ser justo, tendo a aprovação de Deus quanto às suas ofertas.
Por meio dela, também mesmo depois de morto, ainda fala” (Hebreus 11:4).
Quero
observar várias coisas significativas neste versículo. Primeiro, o próprio
Deus testificou quanto às ofertas de Abel. (Note que havia mais do que uma
oferta. Abel claramente oferecia sacrifícios ao Senhor com freqüência).
Segundo,
Abel tinha de edificar um altar ao Senhor, para onde trouxesse os sacrifícios.
E ele oferecia não apenas cordeiros sem mácula para o sacrifício, mas também
a gordura desses cordeiros. As escrituras nos dizem: “Abel, por sua vez,
trouxe das primícias do seu rebanho e da gordura deste” (Gênesis 4:4).
Qual
o significado da gordura aqui? O livro de Levíticos diz; “é manjar da oferta
queimada, de aroma agradável. Toda a gordura será do Senhor” (Levit. 3:16).
Em resumo, a gordura é alimento para Deus.
Veja,
a gordura era a parte do sacrifício que fazia levantar o doce aroma. Essa parte
do animal pegava fogo rapidamente e era consumida, produzindo em torno o doce
perfume. O Senhor diz o seguinte em relação à gordura: “Estatuto perpétuo
será durante as vossas gerações, em todas as vossas moradas; gordura nenhuma
nem sangue jamais comereis” (3:17). A gordura é do Senhor.
A
gordura aqui serve como tipo de oração ou comunhão aceitável a Deus. Ela
representa nosso ministério junto ao Senhor no lugar secreto de oração. E o
próprio Senhor declara que esta adoração íntima sobe a Ele como doce
perfume.
A
primeira menção na Bíblia quanto a este tipo de adoração é por Abel. Abel
permitiu que o sacrifício e a gordura fossem consumidos no altar do Senhor.
Isso quer dizer que ele aguardou na presença de Deus até que o sacrifício
subisse aos céus.
É
por isso que Abel é listado no hall da fama de Hebreus 11. Ele é um tipo do
servo em comunhão com o Senhor, oferecendo-Lhe o melhor que possuía. Como
Hebreus declara, o exemplo de Abel permanece hoje como testemunho de fé real e
viva: “mesmo depois de morto, ainda fala” (Hebreus 11:4).
Como
Abel obteve tal fé? Imagine as tremendas conversas que este jovem deve ter
ouvido de seus pais, Adão e Eva. O casal obviamente falava dos antigos dias no
jardim com o Senhor. Sem dúvida mencionaram os grandes momentos de comunhão
com Deus, caminhando e conversando com Ele no frescor do dia.
Imagine
o que passava pela cabeça de Abel ao ouvir estas histórias. Ele provavelmente
pensava: “Como deve ter sido maravilhoso. Meu pai e minha mãe tinham uma relação
viva com o próprio Criador”.
Ao
refletir sobre isso, Abel deve ter tomado uma decisão em seu coração: ele
resolveu que não iria viver fora deste histórico de seus pais. Ele não iria
querer se adaptar à uma mera tradição passada a ele. Ele teria de receber o
seu próprio toque vindo de Deus.
Pode
ser que Abel tenha se dito: “Não quero ficar ouvindo de experiências antigas
com o Senhor. Quero conhecê-Lo agora, para mim próprio, hoje. Quero um
relacionamento com Ele, ter comunhão com Ele”.
Este
é exatamente o tipo de “gordura” que devemos oferecer a Deus hoje. Como
Abel, devemos Lhe dar o nosso melhor horário, em nosso lugar secreto de oração.
E devemos gastar tempo suficiente lá, em Sua presença, permitindo que Ele
consuma as nossas oferendas de adoração e comunhão íntimas.
Agora,
compare as ofertas de Abel com as de seu irmão, Caim. Caim trouxe frutas ao
Senhor, uma oferta que não exigia altar. Não havia gordura, óleo, nada para
ser consumido. Como resultado, não havia doce aroma para subir aos céus.
Em
outras palavras, não havia intimidade envolvida, não havia trocas pessoais
entre Caim e o Senhor. Veja, Caim trouxe um sacrifício que não exigia que ele
permanecesse na presença de Deus, buscando Sua comunhão. É por isso que as
escrituras dizem que a oferta de Abel era “mais excelente” que a de Caim.
Agora,
não se engane: Deus honrou o sacrifício que Caim Lhe trouxe. Mas o Senhor olha
o coração, e Ele sabia que Caim não ansiava estar em Sua presença. Isso
ficou claro no sacrifício que Caim escolheu ofertar.
Em
minha opinião, Caim representa muitos cristãos de hoje em dia. Estes crentes vão
à igreja toda semana, adorando a Deus e pedindo que os abençoe e faça
prosperar. Mas não têm o desejo de intimidade com o Senhor. Querem que o Pai
celestial responda suas orações, mas não desejam relacionamento com Ele. Eles
não buscam Sua face, não desejam ardentemente Sua proximidade, não anseiam
por Sua comunhão. Como Caim, eles simplesmente não têm vontade de permanecer
em Sua presença.
Em
contraste, o servo fiel busca o toque de Deus em sua vida. Como Abel, ele não
vai se prender a algo menor do que isso. Este servo diz a si próprio: “Estou
resolvido a dar ao Senhor todo o tempo que Ele quer de mim em comunhão. Anseio
ouvir Sua voz suave e terna falando comigo. Então vou ficar em Sua presença até
que me diga que está satisfeito”.
2.
Enoque também desfrutou de íntima comunhão com o Senhor. Em verdade, sua
comunhão com Deus era tão íntima, que o Senhor o trasladou para a glória
muito antes do que poderia ter sido o fim de sua vida terrena. “Pela fé,
Enoque foi trasladado para não ver a morte; não foi achado, porque Deus o
trasladara. Pois, antes da sua trasladação, obteve testemunho de haver
agradado a Deus” (Hebreus 11:5).
Por
que o Senhor optou por trasladar Enoque? As palavras iniciais deste verso nos
dizem claramente: foi por causa de sua fé. Além disso, a frase final diz que a
fé de Enoque agradava a Deus.
A
Bíblia diz que Enoque começou a andar com o Senhor depois de ter gerado seu
filho, Matusalém. Enoque tinha sessenta e cinco anos nesta época. Ele então
passou os próximos 300 anos em comunhão íntima com Deus. Hebreus deixa claro
que Enoque estava tão ligado ao Pai, tão próximo dEle em comunhão à toda
hora, que Deus optou por levá-lo para Si. O Senhor disse a Enoque, basicamente:
“Não dá para progredir mais contigo dentro dos limites da carne. Para
aumentar minha intimidade contigo, tenho de te trazer para o meu lado”. Então
Ele rapidamente arrebatou Enoque para a glória.
Segundo
as escrituras, foi a intimidade de Enoque que agradou tanto ao Senhor. Tanto
quanto sabemos, este homem nunca realizou um milagre, nunca desenvolveu uma
teologia profunda, nunca fez grandes obras que merecessem menção nas
escrituras. Em vez disso, lemos esta descrição simples da vida deste homem
simples: “Andou Enoque com Deus”.
Enoque
tinha comunhão íntima com o Pai. E sua vida ainda é um outro testemunho do
que significa verdadeiramente andar em fé.
3.
O nosso próximo exemplo de um caminhar íntimo de fé com Deus é Noé. Hebreus
diz: “Pela fé, Noé, divinamente instruído acerca de acontecimentos que
ainda não se viam e sendo temente a Deus, aparelhou uma arca para a salvação
de sua casa; pela qual condenou o mundo e se tornou herdeiro da justiça que vem
da fé” (Hebreus 11:7).
Quando
lemos a história deste homem em Gênesis, descobrimos que “Noé achou graça
diante do Senhor” (Gênesis 6:8). O verso seguinte diz como ele achou essa graça:
“Noé andava com Deus” (6:9). Noé conhecia claramente a voz de Deus. Toda
vez que o Senhor lhe falava, ele obedecia. Repetidas vezes lemos: “disse Deus
a Noé...Assim fez Noé, consoante a tudo o que Deus lhe ordenara” (v.
6:13,22; 7:1,5; 8:15, 18).
Tente
imaginar o quanto de tempo Noé deve ter passado a sós com Deus. Afinal de
contas, ele tinha de receber instruções detalhadas do Senhor quanto a como
construir a arca. Porém a intimidade de Noé com Deus foi além da orientação
que recebeu. As escrituras dizem que o Senhor compartilhou Seu coração com Noé,
mostrando-lhe o mal do coração humano. E revelou a Noé os Seus planos para o
futuro da humanidade.
4.
Abraão também compartilhou de íntima comunhão com o Senhor. Pense na maneira
pela qual o próprio Deus descreveu o relacionamento com esse homem: “Abraão,
meu amigo” (Isaías 41:8). Igualmente, o Novo Testamento nos diz: “Abraão
creu em Deus...e: foi chamado amigo de Deus” (Tiago 2:23).
Que
incrível recomendação, ser chamado amigo de Deus. A maioria dos cristãos tem
cantado o conhecido hino “Em Jesus Amigo Temos”. Estas passagens bíblicas
nos trazem esta verdade com poder. Ter o Criador do universo chamando um homem
de Seu amigo parece além da compreensão humana. Porém isso aconteceu com Abraão.
É um sinal da grande intimidade deste homem com Deus.
Em
hebraico a palavra aqui usada por Isaías para amigo quer dizer afeição e
proximidade. E em grego, a palavra que Tiago usa para amigo quer dizer aliado
querido e próximo. Ambas implicam em intimidade profunda.
O
Resultado da Proximidade com Deus
Não É Só Uma Afeição Íntima pelo Senhor,
Mas Também um Desapego Progressivo Por Este Mundo
Quanto
mais nos aproximamos de Cristo, maior se torna nosso desejo de viver
inteiramente em Sua presença. E mais, começamos a ver mais claramente que
Jesus é o nosso único fundamento real.
A
Bíblia diz que Abraão “aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus
é o arquiteto e edificador” (Hebreus 11:10). Para Abraão, nada nesta vida
era permanente. As escrituras dizem que o mundo era um “lugar estranho” para
ele. Não era um lugar para se fincar raízes.
Contudo
Abraão não era nenhum místico. Ele não era um ascético que adotava um
aspecto beatificado e vivia confuso espiritualmente. Era um homem com vida
terrena, profundamente envolvido em negócios. Afinal de contas, era o proprietário
de milhares de cabeças de gado. E tinha servos em número suficiente para
formar uma pequena milícia. Abraão devia ser um homem ocupado, dirigindo os
servos e comprando e vendendo gado, ovelhas e bodes.
Porém
ainda assim, a despeito de seus tantos negócios e responsabilidades, Abraão
achava tempo para intimidade com o Senhor. E porque andava perto de Deus, ele ia
ficando cada vez mais insatisfeito com esse mundo. Abraão era rico, próspero,
com muitas coisas boas para mantê-lo ocupado. Porém, nada nesta vida conseguia
desviar a atenção dele do anseio pela pátria celestial no porvir. Cada dia,
ele mais e mais ansiava se aproximar deste lugar melhor.
A
pátria celestial pela qual Abraão ansiava não é literalmente um lugar.
Antes, trata-se de estar no recôndito do Pai. Veja, no original, a palavra para
esta expressão “pátria celestial”, é Pater. Vem de uma raíz significando
Pai. Então, a pátria celestial que Abraão buscava era, literalmente, um lugar
com o Pai.
O
que isso significa para nós hoje? Significa que mudar para esta pátria
celestial não é só chegar ao céu um dia no futuro. Trata-se de, a cada dia,
desejar ardentemente experimentar a presença do Pai agora mesmo.
Hebreus
diz que os quatro homens mencionados - Abel, Enoque, Noé e Abraão - morreram
na fé (v. Hebreus 11). Cada um deles se desapegou do espírito do seu tempo. E
cada um buscava uma nova pátria. O mundo simplesmente não era o seu lar.
Porém,
isso não quer dizer que eles ficaram esperando até chegar ao céu para
desfrutar da proximidade com o Pai. Pelo contrário, como peregrinos passando
por essa vida, eles continuamente buscavam a presença de Deus. Nada no mundo
conseguia fazê-los parar de se mover à frente, buscando um caminhar mais
profundo e íntimo com o Pai.
Através
de seus fiéis exemplos, estes homens diziam: “Busco um lugar mais próximo do
Pai. E este lugar está além do que este mundo tem a oferecer. Vejo com carinho
as tantas e abençoadas dádivas que Deus tem me dado em meus familiares, e
amigos piedosos; nada no mundo poderia substituir o amor que tenho por eles. Mas
sei que há um amor ainda maior, a ser experimentado com o Pai”.
Hebreus
11 fala de muitos outros cujo caminhar íntimo de fé agradou ao Senhor. Pela fé,
estes servos forjaram grandes milagres, e fizeram muitas coisas impressionantes.
E ao examinarmos suas vidas, vemos que eles também compartilharam de um mesmo
denominador comum: todos abandonaram este mundo e seus prazeres, para andar
intimamente com Deus.
Será
que você pode fazer a mesma reivindicação? Será que o seu coração anseia
por andar mais próximo do Senhor? Será que está havendo uma insatisfação
crescente em você com as coisas deste mundo? Ou, está o seu coração preso à
coisas temporais?
Sem
Intimidade,
A Sua Fé Não é Verdadeira aos Olhos de Deus
Marcos
4 relata uma história com Jesus e os discípulos, num barco que estava sendo
agitado em meio à tempestade no mar. Ao chegarmos à cena, Jesus acaba de
acalmar as ondas com uma única ordem. Agora Ele se volta aos discípulos e
pergunta: “Como é que não tendes fé?” (Marcos 4:40).
Isso
pode soar áspero. É humanamente normal ter medo numa tempestade destas. Mas
Jesus não estava os estava desaprovando por essa razão. Não, Ele estava lhes
dizendo, “Depois de todo este tempo comigo, vocês ainda não sabem quem Sou.
Como é possível vocês terem andado comigo por tanto tempo, e não Me
conhecerem intimamente?”
Na
verdade, os discípulos estavam atônitos pelo incrível milagre que Jesus havia
acabado de operar. As escrituras dizem: “E eles, possuídos de grande temor,
diziam uns aos outros: Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?”
(4: 41).
Dá
para você imaginar isso? Os próprios discípulos de Jesus não O conheciam.
Ele havia chamado pessoalmente cada um destes homens para segui-Lo. E eles
haviam ministrado ao Seu lado, á multidões de pessoas. Haviam operado milagres
de cura, e alimentado grande quantidade de gente faminta. Mas eles eram ainda
estranhos em relação a quem seu Mestre realmente era.
Tragicamente,
o mesmo é verdade hoje. Multidões de cristãos têm andado de barco com Jesus,
ministrado ao Seu lado, alcançado multidões em Seu nome. Mas realmente não
conhecem Seu mestre. Não passam tempo trancados em intimidade com Ele. Nunca se
assentaram em quietude em Sua presença, Lhe abrindo o coração, esperando e
ouvindo para compreender o que Ele quer lhes dizer.
Vemos
outra cena relacionada à fé dos discípulos em Lucas 17. Eles foram até Jesus
pedindo: “Aumenta-nos a fé” (Lucas 17:5).
Muitos
cristãos hoje fazem a mesma pergunta: “Como vou obter fé?” Mas eles não
buscam o Senhor em pessoa para a resposta. Em vez disso, saem correndo para
cursos que proclamam ensinar aos crentes como aumentar a fé. Ou, compram pilhas
de livros que oferecem dez passos rápidos para aumentar a fé. Ou, viajam
centenas de quilômetros para ouvir conferências sobre a fé, feitas por
proeminentes evangelistas e mestres.
Posso
lhe dizer desprovido de qualquer dúvida: você jamais aumentará de verdade sua
fé por nenhuma dessas maneiras. Se você quer aumentar a fé, terá de fazer a
mesma coisa que Jesus mandou os discípulos fazerem nesta passagem. Como Ele
respondeu aos pedidos por fé? “cinge-te e serve-me, enquanto eu como e
bebo” (Lucas 17: 8).
Jesus
estava dizendo, em essência: “Ponha o seu traje de paciência. Então venha
à minha mesa e ceie comigo. Quero que me alimente aí. Você trabalha feliz
para Mim o dia todo; agora quero que tenha comunhão comigo. Sente-se comigo,
abra seu coração, e aprenda de Mim. Há tantas coisas que quero falar para a
sua vida”.
Não
arrume mais explicações teológicas para a fé. Não procure mais passos para
tentar obtê-la. Simplesmente fique a sós com Jesus, e deixe que Ele passe Seu
coração para você. Fé real nasce no lugar secreto da oração íntima. Então,
vá a Jesus e aprenda dEle. Se você passar um período de qualidade em Sua
presença, a fé certamente virá. Ele fará nascer fé em seu coração como
você nunca conheceu. Acredite, quando ouvir Sua voz suave e terna, a fé
explodirá dentro de você.
A
Pátria Celestial --
a Cidade Com Fundamentos,
Buscada por Gerações Antes de Nós --
É o Lugar em Que Vivemos Agora
Aquele
lugar, aquela cidade, está em Cristo pela fé. O descanso pelo qual os antigos
ansiavam, é encontrado nEle. Recebemos hoje a promessa que eles só podiam
antever e abraçar pela fé.
Jesus
disse: “Abraão, vosso pai, alegrou-se por ver o meu dia, viu-o e
regozijou-se” (João 8:56). Abraão anteviu um dia quando Cristo viria à
terra e edificaria o fundamento que previu. E o patriarca se alegrou em conhecer
um povo abençoado vivendo neste dia. Ele sabia que viveriam desfrutando de
acesso ininterrupto à conversação celestial, e de comunhão com Deus.
Hoje,
porém, muitos cristãos estão perdendo totalmente esta promessa. Pelo contrário,
vivem em agitação desnecessária. Eles se apressam de lá para cá, tentando
produzir uma fé “de resultados”. Estão constantemente presos á uma
correria de atividades, fazendo coisas para Deus, que no fim viram apenas
fadiga. Eles jamais ficam totalmente descansados em Cristo. Por que? Porque eles
simplesmente não se fecham com o Senhor, para ficar horas silenciosas a sós
com Ele.
Se
está apaixonado por uma pessoa, você quer ficar na presença dessa pessoa. Os
dois querem compartilhar a vida, abrindo o coração, e se tornando íntimos. A
mesma coisa se aplica a nosso relacionamento com Jesus. Se O amamos, deveríamos
constantemente estar pensando: “Quero ficar com o meu Senhor. Quero desfrutar
da Sua presença. Então vou me aproximar dEle, e esperar em Sua presença até
eu saber que Ele está satisfeito. Vou ficar até ouvi-Lo dizer: ‘Pode ir
agora, e alegre-se no Meu amor”’.
Há
poucos dias, ouvi a suave e terna voz do Senhor me cochichando algo após minhas
orações com Ele. Ele disse: “David, por favor não se vá já. Fique comigo.
Há tão poucos que mantém comunhão comigo, tão poucos que Me amam, tão
poucos que permanecem para ouvir o Meu coração. E tenho tanto a
compartilhar”. É quase um choro, um pedido para que eu ouça Sua voz.
E
aí o Senhor me diz: “Quero lhe mostrar aonde vejo sua fé, David. Ela está
em você vir até Mim. Está em você Me servir (à mesa), está em você
ministrar para Mim, até ouvir e saber o que está no Meu coração”.
“A
sua fé está em seu desejo crescente de vir à Minha presença. Está em você
ficar ansioso pela próxima vez em que estaremos juntos. Está naquela consciência
que você desenvolveu, de que estar a sós comigo é a alegria de sua vida.”
“Já
não é trabalho, para você, se aproximar de Mim, não é mais uma coisa
trabalhosa. Agora você fica aguardando isso o dia todo. Você sabe que quando
sua obra estiver finda, você virá para Mim, para me alimentar e comunicar-se
intimamente comigo”.
Isso é verdadeira fé.
Por David Wilkerson
25 de junho de 2001
Conheço um jovem que vive com
medo e em terror contínuos. Essa sensação terrível começou para ele no dia
em que se afastou do Senhor.
O
jovem tinha sido gloriosamente salvo, e cheio do Espírito de Deus. Ele havia
testificado do poder da graça de Deus em sua vida, e sido uma testemunha
efetiva do evangelho; havia aconselhado a muitos de sua igreja, ministrando-lhes
o amor de Cristo. Até que um dia, em meio a dissabores, disse: “Chega. Não
quero mais esta vida”.
Ele
disse a todos que estava enjoado dos cristãos; e estava bravo com Deus por não
lhe responder as preces. Disse ao pastor: “A sua pregação põe um peso de
culpa em cima de mim. Quero gozar a vida. Você sabe, beber um pouco, me
divertir, uma festa de vez em quando. Não quero ir longe demais. Só quero um
pouco de diversão”. Então, abandonou sua fé.
Por
favor, note o seguinte: este jovem não era nenhum pagão cego espiritualmente.
Tinha uma base bíblica forte. Fora equipado com a verdade do evangelho; havia
permitido que o Santo Espírito se movesse nele, e o convencesse. E experimentou
alegria no servir ao Senhor.
Mas
agora, este mesmo jovem é o total oposto do cristão. Ele caiu de maneira total
e absoluta no pecado; carrega dolorosa tristeza no coração, que tenta afogar
com a bebida. Ele participa de festas para encontrar alegria, mas isso só o
deixa vazio. Tem sexo com diferentes mulheres, mas depois fica mais solitário e
desesperado do que nunca.
Este,
que no passado era um vibrante crente, está numa espiral profunda para baixo, e
sabe disso. Lentamente está se tornando alcoólatra. Ele chora quando pensa no
que se tornou sua vida. E tem um terrível medo de Deus ter desistido dele. Se
convenceu de que agora atravessou uma linha, e não pode mais voltar. A última
vez que falei com ele, me disse: “O meu pecado afastou tantas bênçãos.
Agora, não consigo deixar de pensar que o pecado afastou qualquer esperança”.
Ele se vê afastado demais, preso demais ao pecado, para poder algum dia voltar
para Deus.
Certa
época, me escreveu uma carta dizendo que se via perseguido por todos os sermões
que tinha ouvido. Viu a si próprio na advertência de Paulo: “Para que, tendo
pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado” (I Coríntios
9:27).
Finalmente,
em total desespero, resolveu voltar para a igreja uma última vez, em busca de
esperança. Porém o sermão que ouviu aquele dia abalou suas profundezas. Foi
tirado de Hebreus 6:4-6: “É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram
iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito
Santo, e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro, e caíram,
sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de
novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia”.
Na
mente do jovem, esta descrição cabia perfeitamente nele. Ele havia sido
iluminado pela palavra de Deus; havia provado a dádiva celeste do perdão;
havia experimentado o toque do Espírito Santo. Mas agora, raciocinava ele,
“expus Jesus à ignomínia. Minha vida cheia de pecado O crucifica
diariamente”. Estas palavras ficaram soando em seus ouvidos: “É impossível
para estes que caíram, serem renovados”.
Este
sermão apagou seu último raio de esperança. Agora, ao sair pelas portas da
igreja, ele sentia-se condenado à maldição eterna. Ele não podia discutir
com as Escrituras. Ele cria estar destinado a passar seus dias em sofrimento
desesperador.
Hoje,
milhares de pessoas que no passado foram crentes fiéis, estão na mesma situação
deste jovem. À certa altura, saíram da presença de Deus, pecaram de modo
repulsivo, e caíram da graça. Agora estão vivendo em oposição direta à
incrivel luz que um dia receberam. E estão convencidos de que inexiste qualquer
esperança de algum dia serem salvos.
Isso
descreve você, ou alguém que conheça? Se é assim, quero lhe dar a mesma
mensagem que dei por escrito a este jovem:
Nos
Últimos Quarenta Anos Tenho
Visto Multidões de Pessoas
Perdidas Vindo a Cristo
Como
fundador do ministério do Desafio Jovem, tenho testemunhado milhares e milhares
de pessoas chegarem à salvação em Jesus. Muitas destas haviam sido
consideradas casos totalmente desesperadores. Entre elas se incluíam viciados
em drogas e no álcool, traficantes de drogas e ladrões, homossexuais e
prostitutas, ateus e adoradores do diabo, criminosos embrutecidos e membros de
gangues. Observei aterrado estas pessoas sendo maravilhosamente transformadas
pelo poder de Cristo. Elas recebiam cura, renovação, libertação completa da
escravidão. E cresciam poderosamente na palavra e na graça de Deus.
Mesmo
assim, às vezes Satanás seduzia alguns destes convertidos a voltarem à vida
antiga. Uma vez caídos, ele berrava em seus ouvidos: “Você está amarrado
demais para algum dia ficar livre. Você está amaldiçoado, é fraco, e não
tem condições de se libertar. Agora você nunca mais pode voltar para
Jesus”.
Fico
pensando em um jovem casal que chegou ao nosso ministério, vindo das ruas,
alguns anos atrás, James e Mary Thomas. Esses dois eram sem-teto errantes, que
roubavam para manter o vício da heroína. Quando entraram por nossas portas,
eram como mortos, totalmente pirados. James estava em torpor mental, tão
entupido de drogas que mal conseguia proferir o nome. Mary era alcoólatra, uma
imagem deprimente de pele e osso.
Porém
Deus operou uma obra milagrosa neste casal. Ambos foram maravilhosamente salvos.
O Senhor então os restaurou fisicamente, trazendo cor aos seus rostos, e o peso
de volta aos seus corpos. Ele também restaurou suas faculdades mentais. James,
em particular, tinha uma mente brilhante. Em pouco tempo, se tornou autodidata
em grego e hebraico. Enviamos os dois para um instituto bíblico, onde James
assombrava os professores. Seu instrutor de hebraico lhe disse: “Não posso
lhe ensinar mais nada. Você já sabe mais do que eu”.
Quando
se formaram, James e Mary foram para a Califórnia, onde iniciaram um ministério
em prisões. Trabalharam juntos por cerca de doze anos, ministrando a centenas
de presos. James pregava e ensinava a Bíblia, enquanto Mary trabalhava e fazia
aconselhamento com as mulheres problemáticas. Aos nossos olhos, este lindo
casal era um troféu da graça de Deus. Eram exemplos cintilantes do poder de
Jesus para tranformar as mais desesperadas das vidas.
De
algum modo, porém, após anos de serem tão abençoados por Deus, Mary ficou
desencorajada. Satanás conseguiu seduzí-la de volta para o álcool. Os dias
que se seguiram foram um inferno vivo para ambos. Enquanto Thomas ministrava nas
cadeias, Mary escapulia para os bares. Às vezes ficava fora a noite toda. James
tinha de sair procurando por ela, e muitas vezes a encontrava caída na sarjeta,
desmaiada. Ao ficar sóbria, ela dizia a ele: “Não sei o que aconteceu.
Voltei para o álcool de novo. Simplesmente não consigo acabar com este hábito”.
Então
uma noite Mary desapareceu, e James não conseguiu encontrá-la. Várias semanas
se passaram. James ficou tão perturbado na época, que o convidamos para vir à
sede de nosso ministério, no Texas. Eu nunca havia visto um homem tão
machucado. Mas, ele me disse: “Não vou desistir dela. Sei o que Deus fez por
nós”.
Três
dias mais tarde, Mary telefonou de um hospital. A polícia a havia encontrada
meio morta no meio da rua. Ela havia se prostituído, e tinha sido muito
espancada. James pegou um avião para buscá-la, e a trouxe ao nosso rancho para
se recuperar. Ao entrarem, ninguém reconhecia Mary. Seu rosto estava
desfigurado, os lábios inchados, e a pele preta e azulada.
Após
Mary ter repousado, e começado a se curar, todos começamos a ministrar o amor
de Deus à ela. Mas ela não conseguia aceitá-lo. Ela sabia Hebreus 6: 4-6 de
cor, e o citava para nós: “É impossível renová-los, se caíram”. Ela
sabia que havia provado o dom celestial, e se tornado participante da palavra de
Deus. Agora, estava abalada pelo fato de estar crucificando o Salvador de novo.
Ela só conseguia dizer: “Para mim acabou. Já preguei para os outros, mas
veja no que me tornei. Rejeitei o amor de Jesus. Pequei contra a luz. Ele não
pode me pegar de volta agora”. Ela achava que estava destinada a cair de novo
nos velhos costumes, e acabar seus dias na rua. Agora só queria morrer.
Voltarei
à história de Mary. Mas por enquanto, quero examinar o significado da passagem
“É impossível...renová-los”. Para quem, exatamente, isso é impossível?
1.
É Impossível Para Qualquer Pastor ou Para
Qualquer Leigo Alcançar Alguém Nessa Situação
Mary
Thomas sabia que eu a amava. Ela também me respeitava como ministro da palavra
de Deus. Porém, mesmo assim, Mary não queria ser alcançada. Nenhuma promessa
da palavra de Deus conseguia tocá-la. Nem mesmo o amor cheio de compaixão,
vindo de seu piedoso marido, conseguia movê-la. Seus ouvidos pareciam
trancados, o coração endurecido, a alma inatingível por convencimento (da
parte de Deus).
Assusta
tentar ministrar a um crente que tenha caído tão fundo no pecado. Parece que
quanto mais espiritual a pessoa era, mais difícil é alcançá-la quando cai.
Você pode falar a ela como oráculo de Deus, viver a emoção da cruz na frente
dela, passar-lhe a intimidade do coração de Jesus - porém mesmo assim, seu
coração continua uma pedra. A pessoa diz: “Me sinto na beira de um buraco
negro. Se cair, nunca mais vou sair. Porém, apesar disso, não tenho a mínima
força para me afastar. O meu medo é perder tudo, e acabar no inferno”.
Jeremias
profetiza sobre esta situação: “Dir-lhe-ás, pois, todas estas palavras, mas
não te darão ouvidos; chamá-los-ás, mas não te responderão” (Jeremias
7:27). Igualmente, Jesus diz o seguinte em relação àqueles que endureceram o
coração para a Sua palavra: “O coração deste povo está endurecido, de mau
grado ouviram com os ouvidos e fecharam os olhos” (Mateus 13:15).
Já
vi multidões de perdidos responderem á minha pregação. Estes incluíam os
mais vis pecadores: terríveis chefes de gangues, líderes de bruxaria,
estupradores em série, até assassinos. Antes de estas pessoas virem a Jesus,
eram insensíveis no pecado. Porém não eram insensíveis ao evangelho, como os
crentes descritos em Hebreus 6: 4-6. Pode crer: é impossível para qualquer
ministro alcançar e renovar estes crentes que caíram. Por que? Eles permitiram
que o diabo lhes convencesse: “Você pecou em demasia contra a luz. Agora é
tarde demais. Simplesmente não dá para você ser alcançado”.
2.
É Impossível Que os Entes Queridos
e os Amigos Os Renovem
Nenhum
esposo amou a esposa mais do que James Thomas. Este homem nunca deixou de amar
Mary, mesmo ela tendo agido como meretriz. Eu ficava impressionado vendo-o
cuidando dela naqueles dias dolorosos e difíceis. Esta mulher havia sido usada
e surrada por outros homens. Mas agora o esposo sentava-se pacientemente
cuidando dos machucados, lavando seu rosto, e chorando por ela.
Contudo,
ainda mais incrível era que o grande amor de James e sua compaixão não
derretiam o coração de Mary. Ela simplesmente não se comovia, nem por lágrimas
e nem pela ternura. Ela parecia estar totalmente fora do alcance de qualquer
gesto ou poder humano.
Vi
o mesmo tipo de distanciamento em esposos rebeldes e enganosos, que deixam a família.
As esposas suplicam: “Amor, eu lhe perdôo. Não importa o que você fez.
Estou casada há vinte e cinco anos, e quero que nosso casamento funcione. Eu o
amo, e preciso de você”. Os filhos agarram as pernas do pai e choramingam:
“Papai, por que o senhor está indo embora? Não vá. Não deixe a mamãe e nós”.
Mas nada pode mover estes homens. Já se prenderam à outra mulher, e estão
prontos para jogar fora a vida e a família. Não há amor humano que os possa
alcançar.
Uma
vez conheci um jovem pastor, uma ótima pessoa casado com uma bela jovem. Este
ministro era testemunha eficiente aqui nas ruas de Nova York. Sua pregação
ganhou muitos viciados para Jesus. E era dedicado mestre, instruindo nos
caminhos do Senhor os viciados e os alcoólatras em recuperação.
Aí,
à uma certa altura, o pastor começou a brincar com pornografia. Aos poucos,
tornou-se dependente, e isso literalmente assumiu o controle de sua vida. Quando
a esposa descobriu, ele se zangou com ela, e disse: “Não vou parar com
isso”. Pelo contrário, disse, ele queria que ela se involvesse também. Ela
ficou horrorizada. Quando recusou, ele ficou bravo e começou a sair com outra
mulher.
Por
semanas, esta esposa implorou: “Você sabe que está abrindo a alma para o
diabo. Se não parar, o diabo vai lhe possuir”. Mas ele não quis ouvir.
Finalmente, sua esposa pediu que eu falasse com ele. Eu o fiz, lembrando o jovem
ministro da obra do Senhor em sua vida, das claras advertências da Bíblia, e
do nosso amor por ele.
“É
tarde demais”, me disse. “Fiquei viciado. Abandonei o ministério, e não
amo mais a minha esposa. Agora não dá para voltar”. Ele então me explicou
que pecando, estava expondo Jesus à ignomínia. Portanto, lhe era impossível
ser renovado.
Eu
contrapus: “Não importa o que você fez. Jesus tem todo o poder necessário
para lhe libertar. Podemos assumir autoridade contra esta escravidão em Seu
nome, e Deus o libertará agora mesmo”. Mas ele abanou a cabeça e recusou.
Ele não conseguia ser persuadido. Hoje, ele está casado com uma feiticeira, e
está envolvido profundamente com ocultismo. Está totalmente perdido.
O
amor humano e os argumentos simplesmente não conseguem romper o domínio deste
tipo de pecado.
3.
Nem Mesmo o Medo do Inferno ou
do Juízo Consegue Tocá-los
Mary
Thomas sabia muito bem que o salário do pecado é a morte. Ela também sabia
que todo pecado que cometia estava sendo registrado, acrescentando à ela o peso
da culpa. Poucos meses antes, esta mesma mulher exortava os outros a fugirem do
pecado, e a evitarem a ira de Deus. Mas estas coisas não significavam nada para
ela agora.
Testemunhei
este mesmo tipo de endurecimento numa enfermaria de AIDS recentemente. Um jovem
de nossa igreja pediu que eu orasse com seu irmão que estava à morte, e que só
tinha poucas horas de vida. Quando entramos no quarto no hospital, o paciente
moribundo estava assistindo um filme na TV. Cheguei perto dele, e disse:
“Filho, daqui a pouco você estará na eternidade. Você está me
entendendo?” Ele não piscou um olho. Ele continuou assistindo o filme. Aí
perguntei: “Posso orar com você?” Ele respondeu: “Tanto faz”. Acabei
fazendo uma oração simples por ele. Ao abrir meus olhos, ele continuava
fitando a TV. Que cegueira Satanás produz, mesmo diante da eternidade.
Muitos
cristãos que caíram me disseram: “Por que pensar no inferno iria me
incomodar? Eu já estou no inferno”. De certa maneira, estão certos: é um
inferno levantar todo dia com uma nuvem escura em cima da cabeça. É um inferno
ser controlado por um hábito que você não consegue controlar, vivendo como
animal, buscando só prazer. Depois de um tempo, até a satisfação sexual se
torna vazia: drogas, sexo, festas não significam mais nada; elas não trazem
mais alegria ou felicidade. Em vez disso, lhe deixam doente, só, e chorando:
“Vivo num inferno”.
É
inferno perder a fé, perder a esperança, perder a família e os entes
queridos. No fim, você fica sozinho unicamente com o seu eu pecador. Você foi
alijado de Deus, totalmente consciente do fato de ter cuspido em Sua face. Então
você passa todo o dia ansiando pela noite, e toda a noite ansiando pelo dia.
Sim
- você pecou contra a incrível luz. Você experimentou a maravilhosa palavra
de Deus. E sim, você está crucificando Jesus diariamente, expondo-O
abertamente à ignomínia. Você está se afastando da cruz, se aprofundando no
pecado. Sim, é impossível para qualquer pastor, ou ente querido, ou à
qualquer advertência quanto ao julgamento de Deus, levá-lo ao arrependimento.
Porém,
nenhum lugar das escrituras diz que é impossível para Deus operar essa obra em
você. Jesus nos diz que com Deus nada é impossível: “Os impossíveis dos
homens são possíveis para Deus” (Lucas 18:27).
Em
verdade, nenhuma pessoa se afastou tanto a ponto de o Senhor não poder salvá-la,
com uma exceção: a pessoa que comete o pecado imperdoável. Este pecado ocorre
quando o antigo crente zomba da obra do Espírito Santo, considerando-a obra do
diabo. Tal pessoa eliminou Cristo inteiramente do coração. Com efeito, ela
encenou a cena da crucificação só para si, matando propositalmente todo o
amor e o desejo por Jesus. Essa pessoa jamais poderá ser restaurada.
É
claro que aqueles que temem ter cometido o pecado sem perdão, na verdade não o
cometeram. Como sei disso? A prova está no fato de estarem preocupados com
isso. Veja, cometer o pecado imperdoável exige uma consciência totalmente
cauterizada. Nesse caso, o amor que a pessoa tem por Jesus é substituído por
ódio absoluto por Deus. Essa pessoa cerra os punhos contra Deus e diz: “Nunca
mais quero ouvir falar de Ti”. Ele até desafia Deus a mandá-lo para o
inferno. Uma pessoa assim odeia tudo que é santo e puro. E busca oportunidade
para crucificar Jesus de novo. Zomba de tudo que tem a ver com Deus, afirmando
por exemplo, “Jesus é gay”.
Se
você acha que cometeu o pecado imperdoável, estude Jeremias 30. O capítulo
inteiro consiste na acusação de Deus contra Israel. O Senhor diz ao Seu povo:
“Vocês receberam tanta luz. Eu os abençoei, e lhes ofereci incríveis
promessas de aliança. Mas responderam virando as costas para Mim”.
Jeremias
profetiza a eles: “Porque assim diz o Senhor: Teu mal é incurável, a tua
chaga é dolorosa. Não há quem defenda a tua causa; para a tua ferida não
tens remédios nem emplasto. Todos os teus amantes se esqueceram de ti, já não
perguntam por ti; porque te feri com ferida de inimigo e com castigo de cruel,
por causa da grandeza da tua maldade e da multidão de teus pecados...Tua dor é
incurável. Por causa da grandeza de tua maldade e da multidão de teus pecados
é que eu fiz estas cousas” (Jeremias 30: 12-15).
O
Senhor está dizendo em essência: “Os seus terríveis pecados lhe deixaram
doente e enfermo. Você se tornou completamente depravado. E agora a ferida está
tão profunda, que não pode ser curada. Você não tem remédio”.
Contudo,
a palavra de Deus aqui se refere à cura humana. Não há poder na terra que
possa curar uma ferida destas. Seria uma impossibilidade absoluta. Mas nunca é
impossível para Deus. Apenas dois versículos adiante, o Senhor diz à estas
mesmas pessoas incuráveis: “Porque te restaurarei a saúde e curarei as tuas
chagas...pois te chamaram a repudiada, dizendo: É Sião, já ninguém pergunta
por ela” (30:17).
Deus
estava dizendo ao povo: “Todos desistiram de vocês, dizendo que tinham ido
longe demais. Eles os vêem como crianças perdidas, sem esperança e
abandonadas. Mas, por causa disto, vou lhes curar. Todos dizem que vocês são párias,
beberrões, derrotados, e que não prestam. Mas vou lhes restaurar. Terei
misericórida de vocês, e curarei todas as suas feridas”.
É
exatamente isso que o Senhor fez por Mary Thomas. As pessoas tinham desistido
dela, inclusive os amigos que a amavam; eles simplesmente não conseguiam dar
jeito numa situação tão desesperadora. Eles a viam como não arrependida,
como meretriz alcoólatra, e achavam que Deus a havia entregue ao pecado.
Diziam: “James deveria se divorciar dela, e colocá-la numa instituição”.
Até mesmo o tão dedicado James perdeu um pouco de sua esperança sem limites.
Certa hora, ele confidenciou para mim: “Me sinto fraco. Não sei se ela algum
dia vai conseguir”.
Amado,
o mundo pode lhe descartar. Mesmo sua família, e seus amigos podem desistir de
você. Mas Deus promete: “Nunca te deixarei. Vou te resgatar, e curar todas as
feridas de teu corpo e de tua alma”.
Nada
que as pessoas dissessem conseguia chegar até Mary. Ela não era tocada pelo
amor, pela compaixão, ou pelo medo. Mas um milagre se iniciou para essa mulher
perdida quando ela expressou um clamor profundo e íntimo. O clamor consistiu de
só três palavras: “Me ajude, Deus”. Nesta hora, Mary não conseguia nem
orar. Ela não conseguia se dirigir a Deus. Mesmo assim, repetidas vezes, no
fundo do coração, ela gritava: “Jesus, me ajude”. Finalmente, ela começou
a realmente verbalizar as palavras: “Senhor, estou arrasada, tão afundada no
pecado. Por favor, me ajude”.
As
palavras de Mary repetiam os pedidos de Davi ao Senhor: “Das profundezas clamo
a ti, Senhor” (Salmo 130:1). “Na minha angústia, clamo ao Senhor, e ele me
ouve” (Salmo 120:1). Como Davi, Mary fez ressoar seu grito. E Deus a ouviu.
Um
dia, sem mais nem menos, lágrimas começaram a fluir dos olhos de Mary. O Espírito
Santo havia enchido a sala, e todos os medos e as desesperanças reprimidos
foram se derramando. O poder do perdão de Cristo inundou sua alma, e a lavou da
imundície, da raiva e da culpa. Logo, a alegria encheu sua alma, e ela começou
a rir e a se rejubilar. Todos ficamos observando espantados esta mulher
restaurada e renovada elevando as mãos, e começando a adorar o Senhor. Todos
os que estavam presentes naquele dia sabiam que o Senhor havia iniciado uma nova
operação incrível em Mary, santificando-a e transformando sua vida.
James
e Mary acabaram voltando para a Califórnia, onde reassumiram o ministério
junto aos presos. Seu casamento e sua família foram gloriosamente restaurados.
E eles experimentaram a plenitude das bênçãos de Deus em suas vidas.
James
Thomas morreu o ano passado. Este homem foi para o Salvador como servo amoroso e
fiel. E posteriormente, Mary fielmente assumiu o ministério nas prisões. Então,
em março passado, Mary morreu. Pela graça e pelo poder de Deus, Mary Thomas
foi para a glória como uma poderosa combatente a favor de Jesus. A sua vida e o
seu testemunho provam Lucas 18:27: com Deus, nada é impossível.
Talvez
Satanás Tenha Lhe Convencido
Que Deus Desistiu de Você
Talvez,
como Mary, de alguma maneira você caiu da graça. Você acha que os outros lhe
descartaram, e sente-se perdido e abandonado.
Davi
diz que as pessoas o descartaram, também: “dizendo: Deus o desamparou...pois
não há quem o livre” (Salmo 71:11). Então, o quê fez Davi? Ele fez o que
Mary Thomas fez. Das profundezas do desespero ele clamou: “Deus, me ajude”
(ver 71:12). O Senhor ouviu o grito de Davi e o restaurou: “Tu, que me tens
feito ver muitas angústias e males, me restaurarás ainda a vida e de novo me
tirarás dos abismos da terra. Aumenta a minha grandeza, conforta-me
novamente” (Salmo 71: 20-21).
Talvez
Hebreus 6:4-6 tenha lhe convencido que você não possa ser renovado para o
arrependimento. Simplesmente você não consegue crer que Deus lhe perdoará por
crucificar Jesus diariamente, e O expor abertamente à ignomínia. Você acha
que seu pecado é profundo demais, e lhe amarra demais, para ser curado.
Quero
lhe dizer o seguinte: você não entristeceu a Deus mais do que Israel. Deus
chamou-os de povo de dura cerviz, e idólatra, declarando: “Minha ira vai
ferver contra vocês. Vou lhes consumir por causa do pecado” (ver Êxodo 32:
9-10). Porém, as escrituras dizem: Deus se arrependeu da ira contra o Seu povo.
Em vez disso, Ele diz: “Por que hão de dizer os egípcios: Com maus intentos
os tirou, para matá-los...se arrependeu o Senhor do mal que dissera havia de
fazer ao povo” (32: 12, 14).
O
fato é: toda vez que Deus ouve o nosso grito profundo e arrependido, o Seu coração
é movido. E Ele fielmente responde ao nosso clamor, nos restaurando, nos
curando, e nos renovando para o arrependimento.
Você
pode ser tentado a adiar seu clamor para Ele; pode pensar: “Se Deus pode me
tirar deste poço, com certeza posso esperar um pouco e me entregar mais um
tanto ao pecado”. Mas a Bíblia nos diz: “Eis, agora, o dia da salvação”
(2 Coríntios 6:2). Não pense que você pode esperar chegar outra hora para
invocar ao Senhor. A hora para a sua renovação é agora.
Então,
clame a Ele hoje. Ele é fiel para lhe livrar, e restaurar tudo que o gafanhoto
devorou. Ele deseja ardentemente lhe dar um coração novo, e um novo começo.
Nada é impossível com Ele!
Amém!