
Por David Wilkerson
sem data
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“...Corramos
com perseverança a carreira que nos está proposta...” (Hebreus 12:1).
A
própria palavra carreira sugere competição. O povo de Deus é comparado a
corredores numa corrida de longa distância competindo por um prêmio. E o prêmio
é uma gloriosa revelação do conhecimento de Jesus Cristo.
Mas
estamos corrompendo esta corrida para a eternidade, e a substituímos por um prêmio
falso e carnal. A competição está ficando muito intensa, mas agora é o povo
de Deus que compete um contra o outro. E o prêmio agora é o sucesso,
prosperidade, aplauso, e aclamação. Cristo se tornou nada além de um
patrocinador, visto que todos os corredores se declaram estar competindo em Seu
nome. Um número grande de competidores veste camisetas escritas “Sou Número
Um.” Outros são mais ousados e ostentam as palavras “Recuso-Me Perder”.
Virou uma corrida fatal.
Houve
um tempo em que a corrida não era para os rápidos, para os prósperos, ou para
os ambiciosos - mas sim para os humildes e fracos. Houve um tempo em que a
corrida levava à perseguição, privação, perda dos bens, lutas e ao martírio.
Alguns competidores vestiam-se só de pele de cabras, alguns foram torturados,
serrados ao meio, outros foram espancados, marcados no corpo. Foram
interrompidos no meio da corrida para serem queimados vivos; outros foram lançados
na prisão e à calabouços imundos. Alguns tiveram os olhos arrancados, e
outros foram forçados a assistir seus filhos sendo torturados diante de si. E
diga-me por favor, por que todos estes corredores exauridos passaram por tanta
agitação e sofrimento? Por que não pularam fora? Simplesmente porque o prêmio
para eles valia a pena. Eles não queriam nada além de Cristo! Eles achavam,
assim como Paulo, que as coisas deste mundo eram nada senão estrume. Não
amavam suas vidas, mas só Cristo. Eram peregrinos aqui na terra - e corriam com
toda sua força em direção à cidade cujo construtor e criador é Deus. Eles
zombariam se você tentasse substituir isso por prêmios carnais. Teriam
gritado: “Pode ficar com o mundo inteiro, mas dê-me Jesus.”
Veja
o contraste deste tipo de corrida, com o que vemos se desenvolvendo na casa de
Deus atualmente. Ontem, fui informado que um famoso pregador havia abalado os
outros evangelistas de TV, porque ofereceu ainda mais dinheiro às estações de
televisão para ocupar os melhores horários. Ele “aumentou o valor do prêmio”.
Outro, se gabava por estar em busca de mais estações retransmissoras, em número
suficiente para lhe assegurar a ocupação de mais emissoras do que qualquer
outro evangelista dos tempos modernos.
Pastores
e evangelistas estão competindo para construir as maiores e mais singulares
igrejas e sedes. Um ministro confidenciou-me, todo sério: “O pastor J___ está
construindo uma igreja de 39.270 metros quadrados; então fiz com que o nosso
arquiteto refizesse a planta e aumentasse a nossa nova igreja para 39.930
metros. Quero a igreja com o maior número de metros quadrados do estado.”
E
as multidões de crentes que agora estão presas à corrida por coisas
materiais? Agora eles querem dois de tudo. Uma reserva para tudo que possuem. É
quase como se estivessem tentando transformar esta carreira numa maratona de prêmios.
Meus
queridos filhos de Deus: esta corrida não é uma loteria para a eternidade. Não
é uma competição para prosperidade, saúde, e sucesso. Se nossa fé for
recompensada por qualquer coisa menor que o prêmio do alto chamamento em Cristo
Jesus, então não valerá a pena se competir. Só ganha este prêmio, o filho
de Deus que desejar obter nada senão mais de Jesus; é aquele que lança as
coisas deste mundo aos pés da cruz, como sendo lixo sem valor - para que possa
ganhar a alegria e a paz gloriosas do Salvador.
O
Caminho Para a Perfeita Felicidade Aqui na Terra
é Abrir Mão da Corrida Fatal da Competição Humana.
Se
o cristão conseguir abrir mão de toda competição pelas coisas do mundo, se
conseguir se manter afastado da corrida maluca que tantos estão correndo agora
- então poderá descobrir o que significa estar totalmente satisfeito.
O
cristão que se retira da corrida da carnalidade pode dizer aos competidores:
“Dividam o prêmio; podem ficar com ele; eu saio da corrida.” Poderá dizer
para um: “Você fica com a ambição.” Para o outro, pode dizer: “Você
fica com o aplauso.” Ao outro, “fique com o dinheiro e com o
materialismo”. Ele poderá deixá-los competindo entre si pelos prêmios
mundanos, e correrá sua própria carreira solitária, uma corrida diferente,
uma corrida para um só prêmio: a glória de Deus em Cristo Jesus.
Mas
hoje é quase impossível fazer os cristãos renunciarem à corrida fatal, sem
cortar suas pernas. Há tantos na corrida fatal da carnalidade, e tão poucos na
corrida por valores eternos.
Em
toda a história, só aqueles que aprenderam a renunciar ao mundo e a tudo que
nele há, descobriram a verdadeira felicidade. Um grande sacerdote disse:
“Nunca soube o que era ser feliz enquanto não parei de me esforçar para ser
grande.”
Se
conseguirmos cessar de lutar por ambições mundanas, e desejarmos nos tornar
nada, avançaremos em direção à um mundo novo de paz e alegria.
Payson,
Homem de Oração
O
Dr. Edward Payson, conhecido pela maioria como “Payson, homem de oração”,
pastoreou em Portland há quase 175 anos atrás. Em 1806, poucos anos após a
declaração de independência, o país foi devastado por grave recessão. Foi o
período mais negro desde a independência, e o Dr. Payson registrou de maneira
vívida a tragédia em sua região. Escreveu:
“Os
negócios estagnaram, muitos entraram em falência. Centenas de portuários,
marinheiros e outras classes perderam o emprego, e ficaram pobres. Tremo pelo
meu pobre país. Temo que os nossos pecados tenham ajudado a trazer julgamento
sobre nós. Se escaparmos de uma guerra civil, já estará bom.”
“Alguns
de nossos maravilhosos jovens que se converteram perderam tudo, e tiveram seus
lares saqueados; mas faz bem ao coração vê-los animados e tranqüilos em tudo
isto. Outros, que não têm Deus, perderam o juízo, se preocupam o tempo todo,
e
aparentemente
estão morrendo de angústia...” O Dr. Payson e a sua dedicada congregação
sofreram o confisco de todos os bens. O próprio Dr. Payson viveu de tostões
durante aqueles tempos difíceis. Em 28 de dezembro de 1807, numa carta à sua mãe,
o Dr. Payson escreveu:
“A
situação piorou. Uma grande parte dos negociantes prósperos vive agora na
pobreza. Os negócios estão caindo diariamente, e então agora somos ameaçados
por uma bancarrota generalizada. Os asilos já estão cheios, e ainda há
centenas que não têm onde ficar. Muitos que foram criados na abundância,
agora dependem dos outros para o pão de cada dia. Se estas dificuldades
continuarem, nove décimos das pessoas daqui se espalharão pelos quatro ventos.
Eu mesmo mal tenho o suficiente para me abrigar e comer.”
“Talvez,
mãe, a senhora vá se entristecer por mim e dizer: Pobre Edward! Mas a senhora
nunca teve mais motivos do que agora para se alegrar por mim, e gritar: Rico
Edward! Bendito seja Deus, minha fé não se assenta sobre alicerces tão instáveis,
para se abalar por estas perturbações. Deus tem me mantido tranqüilo,
resignado, e até feliz em meio a todos estes problemas. Isto não quer dizer
que não sinta a dor - eu sinto. Todas as minhas esperanças quanto ao mundo
foram destruídas. Meus amigos estão prestes a ser lançados à rua, e muitos
poderão morrer de fome. Nestas circunstâncias é impossível não sentir dor.
Antes eu pensava já saber que o mundo é traidor, e que seus prazeres duram um
só instante; mas as dificuldades de agora ensinaram a me desvincular das coisas
criadas, e aspirar às coisas de Deus.”
“A
minha oração é que, se Deus tiver bênçãos deste mundo guardadas para mim,
que seja do Seu agrado me conceder da Sua graça em lugar delas, ou transformá-las
em prosperidade espiritual.”
Edward
Payson e seu grupo de crentes haviam aberto mão da corrida fatal. Eles poderiam
alegremente aceitar que todos seus bens fossem tomados, porque estavam no mundo
- mas não eram dele. O mundo não era digno deles.
Se
Pudéssemos Passar Só Cinco Minutos
no Céu ou no Inferno,
Disputaríamos Uma Corrida Diferente
Se
pudéssemos passar só uns minutos no céu, nunca mais iríamos competir numa
carreira carnal. Se pudéssemos experimentar um breve caminhar por dentro dos
portões daquela cidade de Deus; beber da paz, da beleza, dos esplendores
celestiais; ouvir o grande coro de anjos e serafins entoando as glórias do
Senhor; misturar-nos aos patriarcas, aos mártires, aos apóstolos, àqueles
vestidos de túnicas brancas que vieram de grandes tribulações; outra vez
termos a visitação dos amados que já se foram e ouvirmos seus extasiantes
relatos de como são as felicidades eternas; se pudéssemos nos sentar junto às
águas cristalinas, desfrutar do radiante brilho da luz santa de Deus;
maravilhar-nos pelas resplandecentes luzes, pelas árvores, flores e plantas
perfeitas desconhecidas pelo olho humano; e mais do que tudo, termos um
vislumbre, só um, da face do ressurrecto Cordeiro de Deus; sentir a glória e o
calor, e o sentimento de segurança que se irradiam da Sua presença; finalmente
contemplar Aquele que era desde o princípio, nosso santo, santo, Deus
Onipotente!
Você
voltaria à terra e entraria outra vez na corrida fatal? Nunca. Você e eu viveríamos
somente para o Senhor, rejeitando o mundo e todos seus prazeres e coisas
carnais. Iríamos disputar a Sua corrida! Não mais nos desviaríamos, nos
esfriaríamos, ou ficaríamos divididos ao servir ao Senhor.
Se
pudéssemos passar só uns minutos no inferno, nunca mais seríamos os mesmos.
Sermos puxados para aquela fornalha negra de fogo e de trevas eternas;
subitamente sermos lançados dentro de um mundo de impiedade, maldições, ódio,
luxúria, e corrupção; ouvirmos os gemidos dos que foram condenados
eternamente, testemunharmos seu terror, seu ranger de dentes; juntarmos ombros
aos obreiros da iniquidade, aos estupradores, aos assassinos, aos tiranos e
ditadores do mundo, aos que crucificaram o Senhor Jesus; ouvirmos o incessante
som das preces desesperançadas e inúteis dos condenados; que levantam os
punhos contra o Deus da justiça, amaldiçoando o dia em que nasceram; sentirmos
o que significa perdição, arrancados da presença de Deus, da verdade, do
amor, da paz e de qualquer consolação; testemunharmos incríveis imagens e
cenas, acima de todas atrocidades do mundo juntas; e pior do que tudo, ficarmos
face a face com o sanguinário assassino do inferno, Satanás em pessoa;
sentirmos um perverso e escravizante medo quando o pai da mentira tentar
agarrar-lhe pela garganta, para você esganiçar uma confissão de que ele é o
senhor de tudo; sairmos das portas do inferno com os gritos dos que foram amaldiçoados
para a eternidade zunindo em nossos ouvidos, vozes dos ímpios de todos os
tempos, berrando gritos de dor: “Estamos perdidos! Condenados! Condenados para
sempre! Presos á escuridão e às torturas eternas!”
Como
é que você poderia retornar à terra depois de sua breve visita ao inferno e
ser o mesmo de novo? Você voltaria a negligenciar a Palavra de Deus, a Sua
casa, o Seu amor? Você continuaria com sua egoísta busca por acumular coisas,
amontoar ouro e prata, e orar por mais? Acho que dificilmente. Não - você e eu
viveríamos cada hora como se fosse a última. Oh, como iríamos orar,
trabalhar, e estudar, e vender em vez de comprar; iríamos jejuar, testemunhar e
ajudar os pobres, e ficar constantemente pedindo a volta de Cristo.
Eu
costumava dizer à congregação: “Não venha à frente para ser salvo só
porque está com medo do inferno. Venha apenas pela fé simples.” Mas eu
estava errado - com um erro mortal. O apóstolo diz: “Sabendo o temor que se
deve ao Senhor, persuadimos os homens”. Há um temor piedoso que leva ao
arrependimento.
É
verdade que o inferno foi preparado para o diabo e seus anjos. É também
verdade que o cristão é salvo pela graça não merecida, e que a fé em Cristo
é a segurança do crente. Além disso, o cristão não deve duvidar do poder
que Cristo possui de salvar e guardar.
Mas
- há um gigantesco problema. Uma fé passiva, do tipo transitório que vem e
vai, em alguns momentos e durante altos e baixos emocionais - este tipo de fé não
vai salvar a alma. Só a fé salvadora - aquela nascida da profunda contrição
pelo pecado; nascida de um coração que repudiou a iniquidade e os pecados que
assediam; de um coração total e diariamente submisso ao senhorio de Cristo - só
este tipo de fé garante a graça.
Com
a ajuda de Deus - de uma vez por todas abandonei a corrida fatal da carnalidade
e da inclinação para as coisas do mundo! Saí da corrida da competição! Não
vou mais disputar carreiras movidas à carne, egoismos, para agradar aos homens.
Desejo
mais do que simplesmente abandonar meus vínculos mentais com coisas, casas,
carros, terras, propriedades. Desejo que o poder e a graça freiem os meus
apetites, para deixar de lado todo o lixo, para vender o que não necessito,
para parar de comprar, construir e adquirir coisas desnecessárias, e ter os
meus olhos tão concentrados em Cristo e na eternidade, que as coisas deste
mundo percam toda força que têm sobre mim, e o materialismo deixe de ser o meu
senhor.
Amado
- se esta mensagem lhe choca, se ela lhe irrita ou perturba o mínimo que seja -
talvez você deva fazer o que tenho feito ultimamente. Feche-se com o Senhor,
dia após dia, e peça que o Espírito Santo lance o holofote santo de Deus
sobre a sua alma. Seja mortalmente honesto com Deus. Peça que Ele revele seu
pecado. Ganhe fome por Deus, e convencimento da parte do Espírito. Como eu, você
logo descobrirá quanto tempo tem desperdiçado, quantos desejos e vontades
tolos estão lhe enfraquecendo - e você prostrará o rosto diante do Espírito
Santo, e confessará a frieza e o vazio do seu coração.
E
se fizer isso com honestidade no coração, você começará a agradecer a Deus
por Ele ficar afligindo sua consciência, fazendo-o se movimentar para disputar
uma corrida diferente. Você agradecerá a Deus por mensagens como esta.
Santos
de Deus: a trombeta de Deus está prestes a soar. O nosso Senhor está chegando
em nuvens de glória para levar Sua noiva. Uma noiva sem mácula ou ruga. Uma
noiva que foi purificada da ambição, do orgulho e dos desejos mundanos. Será
que vamos gastar nossas horas finais sobre a terra pondo dinheiro em sacos
furados?
Não,
obrigado! Estou só de passagem. Não quero mais raízes para me prender. Agradeço
a Deus pelas coisas boas que me deu, minha família, uma boa casa, transporte
moderno - mas agora a cada dia preparo meu coração para sair de tudo isto,
para ser abraçado pelos braços do Salvador! Não quero ser um fanático ou
fazer qualquer tipo de voto de pobreza, ou negligenciar minha família e o seu
futuro. Simplesmente quero ficar liberto de qualquer cobiça.
Você
quer parar de correr e de ficar esmurrando o ar? Então abandone a corrida
fatal. Determine que sua face e seu coração busquem ao Senhor como nunca
fizeram antes.
As
mudanças estão chegando! Para você - para mim! Você está pronto?
“A
minha oração é que, se Deus tiver bênçãos deste mundo guardadas para mim,
que seja do Seu agrado me conceder da Sua graça em lugar delas, ou transformá-las
em prosperidade espiritual” - (Edward Payson)
PARTE
DOIS
Como Discernir o Falso Ensino e o Erro
Ulrich
Zuínglio, o grande reformador suíço, nos deixou um conselho muito bom sobre
como julgar doutrinas e ensinos. Apesar de escrito há mais de 450 anos, seu
aconselhamento é tremendamente necessário hoje em dia. Estou incluindo esta
mensagem porque sinto que todo crente agora precisa testar inteiramente o ensino
e a pregação de todos evangelistas e mestres. Há uma Palavra de Deus segura
para nos livrar do erro e do falso ensino.
“...não
nos desviaremos se buscarmos unicamene a mente do Espírito. Se não fizermos
isso, se gastarmos nossa energia para achar base bíblica para sustentar nossas
próprias opiniões, apesar de elas serem apenas folhas e ervas, estaremos
constantemente em erro. A vontade de Deus é que Ele apenas seja o mestre. Deveríamos
ser ensinados por Ele, e não pelo homem. Não devemos julgar as Escrituras e a
Verdade divina, mas permitir que Deus faça Sua obra nela e através dela, pois
é algo que podemos aprender só por Deus...”
“As
Escrituras vieram de Deus, e não dos homens. Como então pode o homem ser juiz?
Ver II Pedro 1.”
“Pode-se
perguntar: quem vai me dizer se ele é divinamente iluminado ou não? O Deus que
ilumina o mestre lhe capacitará a entender que o que ele diz é de Deus, ou não.
Pode-se dizer: não tenho tido esta experiência, mas se ocorrer, que nos
guardemos para que não sejamos daqueles que têm ouvidos para ouvir e não
ouvem, como Cristo mostra em Isaías”
“A
palavra de Deus ensina sua própria verdade...Não ousemos modelar o divino
‘Quem lhe declarou a mente de Deus, para que declare coisas que o próprio
Deus não disse, que você afirma que recebeu de Deus, mas mente. Você chegaria
até mesmo a tentar ensinar a Deus, e a Lhe forçar a aceitar os seus pontos de
vista...’”
“Se
você necessitar emitir julgamento sobre qualquer assunto, deve pensar assim:
antes de dizer qualquer coisa, ou de ouvir os ensinamentos do homem, preciso
primeiro consultar a mente do Espírito de Deus. (Salmo 85:1: ‘Escutarei o que
Deus, o Senhor, disser.’)
“Então,
com reverência deve pedir a Deus por Sua graça; que Ele possa lhe conceder da
Sua mente e do Seu Espírito, tal que a opinião não seja sua, mas dEle. Tenha
uma firme confiança que Ele lhe ensinará o entendimento certo, pois toda
sabedoria é de Deus, que dá liberalmente a todo que crê.”
“A
seguir vá à Palavra do Evangelho escrita, sem crer em nada que seja contrário
à Palavra revelada. As doutrinas de Deus nunca são ordenadas de modo mais
claro do que através do próprio Deus e pelas palavras de Deus. Os homens
buscam torcer e forçar as Escrituras segundo sua própria estupidez.”
“Deixe
de lado aquele seu ponto de vista que você deseja ler nas Escrituras. Sei que
alguns dizem que buscaram as Escrituras e descobriram textos que sustentam suas
próprias opiniões. Ah! Chegamos ao câncer que está no coração de todos os
métodos humanos. É o seguinte: os homens só querem achar sustentação nas
Escrituras para suas próprias concepções; então pegam um ponto em particular
e relacionam todos os textos à esta concepção, não importando se isso é
artificial - e desta maneira os homens torcem a Escritura a fim de fazê-la
dizer o que querem que ela diga...”
“Os
falsos mestres nos dizem: ‘Nem tudo nos é dito através dos evangelhos. Há
muitas coisas boas das quais nem se fala no evangelho.’ Aí eles pinçam versículos
sem respeitar o contexto, e os torcem segundo seus próprios desígnios... estão
tão fixados em sua compreensão humana, que têm certeza que não há
possibilidade de haver outra...”
“Quando
era jovem, me entreguei exageradamente aos ensinos humanos. Há cerca de sete ou
oito anos atrás decidi me dedicar inteiramente às Escrituras. Cheguei ao ponto
em que, guiado pela Palavra e pelo Espírito de Deus, vi a necessidade de pôr
de lado todas estas coisas, e de aprender a doutrina de Deus diretamente de Sua
própria Palavra. Então comecei a pedir luz a Deus, e as Escrituras se tornaram
muito mais claras para mim - mesmo quando eu não havia lido nada além delas -
do que se houvera estudado muitos comentários e exposições. A minha frágil
compreensão própria jamais poderia me levar até este ponto.”
Conclusão
Zuínglio
não era contra os ensinos bíblicos. Ele cria, como eu, que Deus levanta
mestres na igreja. Mas ele insistia em que não se deveria crer em nada enquanto
o Espírito de Deus não o revelasse à pessoa, depois de muita oração e busca
nas Escrituras. Além disso, ele cria que o menor dos cristãos, mesmo o sem
instrução, tinha o direito de questionar qualquer ensino até que isto ficasse
provado pela Palavra, e pelo Espírito de Deus. Ele apontava I Coríntios 14
como prova de que os crentes iletrados podem orar e ganhar percepção da
verdade, o que poderia revelar até os falsos mestres mais eruditos.
Portanto,
ore por compreensão. Teste tudo que você ouvir, pela oração e pela Palavra
escrita. Não aceite a vanglória de ninguém que diz possuir revelação
especial, que vá além daquelas que os apóstolos receberam. Mais importante do
que tudo: ore em favor daqueles que você acha que estão em erro, e jamais
discuta com eles.
Há
um propósito na existência dos falsos mestres, que é o de nos deixar tão
desesperados para conhecer a verdade, que buscamos então as Escrituras para
ouvirmos de Deus por nós mesmos.
“E
a unção, que vós recebestes dele, fica em vós, e não tendes necessidade de
que alguém vos ensine. Mas como a sua unção vos ensina todas as coisas, e é
verdadeira, e não é mentira, como ela vos ensinou, assim nele permanecei” (I
João 2:27).