
O Toque de Deus - Moisés
(The Touch of God - Moses)
Por David Wilkerson
8 de julho de 2002
__________
Enquanto escrevo esta mensagem, outra
bomba explodiu em Israel, matando catorze pessoas. Milhares de islâmicos têm
se alinhado para se explodirem para a eternidade, só para molestar os
israelitas. Contudo o Islamismo tem declarado guerra não só contra Israel, mas
contra o Cristianismo. Os Estados Unidos agora vivem em temor absoluto. Tememos
mais suicidas com bombas, guerra biológica, e até ataque nuclear. Uma mortalha
funérea se mantém sobre a nação.
Onde está a igreja em meio a este
caos? A maior parte da cristandade está mortificada. A igreja está cheia de
atividades religiosas, em sua maioria da carne. A presença de Deus está sendo
aflitivamente necessária durante esse tempo de crises.
Isso é trágico, pois o nosso Senhor
sempre tem um remédio para um mundo em caos. É um remédio testado pelo tempo,
e que Ele tem usado geração após geração, para despertar Sua igreja
amortecida e desviada. Esse remédio não mudou desde a criação do mundo. É
simplesmente esse: Deus levanta homens e mulheres escolhidos.
Em épocas como essa, o nosso Senhor
usa indivíduos para responder a um mundo em crise. Ele toca Seus servos de modo
sobrenatural. Primeiro, Ele os transforma. A seguir, os chama para uma vida de
submissão total à Sua vontade. Tais servos tocados por Deus são melhor
descritos no Salmo 65:4: "Bem-aventurado aquele a quem escolhes e aproximas
de ti, para que assista nos teus átrios".
Em resumo, Deus chama esse servo à
parte. Seu Espírito o persuade à comunhão íntima. E lá, diante da terrível
presença do Senhor, ao servo é concedida a mente de Deus. Ele recebe um
chamamento divino. Subitamente, sua vida é preenchida com sentido de urgência.
Ele emerge desta comunhão com uma palavra dada por Deus. E começa a andar com
autoridade espiritual.
A história bíblica revela esse padrão
várias ocasiões. Vez após vez, o povo de Deus O rejeita e volta-se para os ídolos.
Adota práticas pagãs, e cada geração se torna mais vil e corrupta que a
anterior. Essa pecaminosidade entristece e zanga o Senhor. Então, como o povo
foi restaurado? Em cada caso, Deus levantou um servo piedoso: um juíz, um
profeta, um rei justo.
Samuel é um exemplo desses. Ele
repreende Israel: "Esqueceram-se do Senhor, seu Deus; então, os entregou
nas mãos de (seus inimigos)...E clamaram ao Senhor e disseram: Pecamos, pois
deixamos o Senhor...O Senhor enviou a Jerubaal, e a Baraque, e a Jefté, e a
Samuel; e vos livrou das mãos dos vossos inimigos em redor; e habitastes em
segurança" (I Samuel 12:9-11).
Tais servos tocados por Deus
tornaram-se instrumentos d'Ele para libertação. Eram capacitados para
discernir os tempos. E porque conheciam o coração de Deus, o Senhor os usou
como Seus oráculos. Eles declararam Sua palavra tanto para o Seu povo quanto
para as nações em redor.
Não há como duvidar do toque de
Deus sobre alguém que tenha sido escolhido e chamado. Tal pessoa se destaca dos
outras. E então, por que o Senhor tocou esses servos em particular? Por que
levantou Abraão, Moisés, Davi e alguns outros para trazer restauração ao Seu
povo e às nações? Deus teria visto algo de especial neles?
Não, esses personagens não eram súper-homens.
Vidas falhas demonstram isso. E nem foram simplesmente predeterminados a fazer
as coisas que fizeram. Toda pessoa tem livre arbítrio e vontade própria,
escolhendo seguir ou rejeitar o chamado de Deus.
Veja Saul: escolhido por Deus, tocado
por Sua mão, cheio com Seu Espírito. O Senhor tinha um plano maravilhoso para
a vida dele. Deus pretendia estabelecer para Saul um trono "eterno".
Contudo Saul abortou o chamado de Deus. A despeito da unção divina, ele se
rebelou contra o Senhor. Seu destino não foi determinado simplesmente por sua
eleição por parte de Deus.
Quando Deus escolhe alguém para ser
posto à parte para uma obra especial e de redenção, Ele dá a esse servo dois
chamamentos. E como o servo responde a esses chamamentos determina o poder e a
intensidade do toque de Deus em sua vida. Primeiro, há o chamado para
"subir". A seguir, há o chamado para "sair". A vida de Moisés
exemplifica estes dois chamados.
1. Deus Nos Chama Para Subir
Este chamado nos intima a sair dos negócios
desta vida, e a entrar numa desimpedida perseguição da presença de Deus. Veja
a experiência de Moisés. Quando ele se tornou líder de Israel, subitamente se
tornou um homem muito ocupado. Nenhuma igreja na história jamais foi tão
grande ou tão necessitada - um povo de Deus arrolado em milhões. A vida de
Moisés rapidamente se tornou agitada, ao julgar e ministrar ao povo da manhã
à noite.
Finalmente, o sogro de Moisés, Jetro,
interveio. Ele avisa que assim Moisés iria se desgastar e desgastar o povo.
Jetro aconselhou: "Representa o povo perante Deus... põe (homens dentre o
povo) para que julguem este povo em todo tempo...será assim mais fácil para
ti, e eles levarão a carga contigo" (Êxodo 18:19-22). Jetro em outras
palavras estava dizendo o seguinte: "Você é o pastor, Moisés. Você
precisa ficar a sós com Deus. Indique outros para a função de arbitrar e
aconselhar. Então, tranque-se com Deus. Busque Sua presença, receba a Sua
mente, receba a Sua palavra. Essa deve ser a sua prioridade máxima".
Moisés acatou esse sábio conselho.
Indicou outros para agirem como juízes e conselheiros. E se determinou a
aceitar o chamado de Deus para "subir". As escrituras dizem:
"Subiu Moisés a Deus" (19:3). "Descendo o Senhor para o cume do
monte Sinai, chamou o Senhor a Moisés para o cimo do monte. Moisés subiu"
(Êxodo 19:20).
Moisés prezava a presença de Deus em
sua vida. E isso determinou a intensidade do toque de Deus nela. Note como o
Senhor deixou Moisés afastado dos outros israelitas, para se aproximar dEle:
"O povo estava de longe, em pé; Moisés, porém, se chegou à nuvem escura
onde Deus estava" (20:21).
Moisés representa o homem abençoado
referido por Davi: "Bem-aventurado aquele a quem escolhes e aproximas de
ti, para que assista nos teus átrios" (Salmo 65:4). A palavra
"aproximas" aqui quer dizer "moves" (para Ti) - ato de Deus
em que insiste: "sobes".
Muitos cristãos experimentaram esse
chamado, essa insistência divina para que mantenham comunhão com o Senhor. O
Espírito Santo os chama ao monte da intimidade com freqüência, dizendo:
"Desejo te mudar, te dar maior unção. Quero te levar mais para dentro de
Mim, que te expandas mais em Mim. Quero revelar os Meus caminhos, como nunca fiz
antes".
Contudo, nem todos que são chamados
respondem. Como resultado, Deus não os toca com Seu fogo e Sua unção. No início
podem responder: "Senhor, não Te desapontarei. Continuamente buscarei a
Tua face". E durante um período, eles se trancam em oração. Mas não
dispõem o coração para irem em oração até o fim. Depois de algum tempo,
ignoram a voz de Deus, e seguem seus próprios caminhos. Pegam um atalho para
subir onde Ele está.
A Maioria dos Chamados e Escolhidos
Pára na Metade da Subida ao Monte
Meio do caminho é onde muitos crentes
acabam. A Bíblia diz: "Disse...Deus a Moisés: Sobe ao Senhor, tu, e Arão,
e Nadabe, e Abiú, e setenta dos anciãos de Israel; e adorai de longe. Só Moisés
chegará ao Senhor; os outros não se chegarão, nem o povo subirá com
ele" (Êxodo 24:1-2).
Deus havia escolhido um grupo de
homens que Ele queria tocar. Ele tinha planos maravilhosos para esses homens,
especialmente para Arão e seus filhos. Eles deveriam ser os líderes
sacerdotais de Israel. O Senhor diz a Moisés: "Consagrarei a tenda da
congregação e o altar; também santificarei Arão e seus filhos, para que me
oficiem como sacerdotes" (29:44). Igualmente, o Senhor diz aos anciãos:
"Vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa" (19:6).
Então, por que Deus diz diretamente a
estes homens "Me adorem de longe. Não se aproximem de Mim; só Moisés
subirá até Mim no topo da montanha" (v. 24:1-2)? A verdade é que Deus
sabia dos pecados que fermentavam no coração desses homens; e era preciso
tratar disso. Ele queria tocar suas vidas. Mas não poderia fazê-lo enquanto
estivessem escondendo pecado.
Então, Deus só permitiu que
chegassem até à metade da subida ao monte. Contudo, mesmo assim, Ele apareceu
a eles de modo sobrenatural, como uma nuvem de escuridão: "E viram o Deus
de Israel, sob cujos pés havia uma como pavimentação de pedras de safira, que
se parecia com o céu na sua claridade" (24:10). Tais homens agora na incrível
e revelatória presença de Deus; até comeram e beberam lá, numa mesa em Sua
presença. Mas ainda estavam "longe" dEle.
Os anciãos de Israel estavam sendo
expostos à absoluta e perturbadora santidade de Deus. É como se Ele estivesse
dizendo: "O pecado prendeu seus corações. E isso os impede de receber a
plena revelação que desejo lhes dar. Um pecado que os assedia está lhes
roubando a comunhão íntima comigo. Vocês não poderão ser íntimos Meus,
enquanto tiverem pecado oculto".
Tente visualizar esses homens ao
ouvirem essa palavra:
* Arão tinha ouvido de Deus:
"Vou lhe santificar como sumo-sacerdote. Lhe vestirei de púrpura e de
ouro; e lhe porei diante de Israel como exemplo". Porém o coração de Arão
estava manchado por inveja de Moisés. Também tinha um traço de personalidade
sensual, e temia aos homens mais do que a Deus.
* Deus havia dito a Nadabe e a Abiú
que lhes revelaria a Sua santidade. Porém estes dois homens estavam endurecidos
no vício do adultério. Não tinham um grama do temor de Deus. Agora o Senhor
está lhes dizendo: "Sou um Deus de misericórdia. O Meu desejo é que ao
entrarem na Minha presença, vocês se permitam ser quebrados".
* Deus havia dito aos setenta anciãos
que desejava exaltá-los diante do mundo. Porém estes mesmos homens
recusavam-se a estar sob qualquer autoridade. Consideravam-se tão dotados e
santos quanto Moisés. (Isso seria mais tarde manifesto num levante rebelde.)
Mas Deus estava insistindo em levá-los à Sua presença. Ele queria tratar com
seu orgulho mortal.
Deus Estava Avisando Estes Escolhidos,
Dando-Lhes um Chamado Misericordioso
Deus desejava tanto usar estes homens.
Queria que fossem quebrados, para que pudesse levá-los mais para o alto. Então
lhes fez um incrível chamamento de misericórdia, para subirem.
Saul recebeu o mesmo tipo de chamado
de misericórdia. O coração deste homem estava preso por fortalezas demoníacas.
Ele havia marchado a Ramá buscando matar Davi. Mas o Espírito Santo moveu-Se
sobre Saul. A noite toda, o rei ficou prostrado na presença de Deus, ferido.
Porém nem mesmo essa intervenção misericordiosa e sobrenatural mudou o coração
de Saul.
Agora os líderes de Israel estavam
numa encruzilhada semelhante. Eles estavam a meio caminho da subida ao monte, a
meio caminho do toque de Deus, a meio caminho de Sua presença consumidora.
"E subiram Moisés, e Arão, e Nadabe, e Abiú, e setenta dos anciãos de
Israel...Ele (Deus) não estendeu a mão sobre os escolhidos dos filhos de
Israel" (Êxodo 24:9-11). Note o último versículo: o Senhor não os
julgou. Em verdade, tais homens mereciam ser exterminados, devido ao pecado. Mas
o único desejo de Deus era redimi-los.
A seguir lemos, "Levantou-se Moisés
com Josué, seu servidor; e, subindo Moisés ao monte de Deus, disse aos anciãos:
Esperai-nos aqui até que voltemos a vós outros" (24:13-14). Os anciãos
deveriam permanecer e aguardar o retorno de Moisés. Mas quase imediatamente,
seus corações foram atraídos pelo acampamento israelita lá embaixo. Logo não
quiseram mais esperar pelo Senhor.
Vejo o quadro de Nadabe e Abiú como
os primeiros a descer do meio do caminho. Estavam loucos para voltar junto à
multidão agitada, entregue aos desejos imorais. Então seguiram a atração da
carne. A despeito da aparição de Deus a eles na nuvem escura, a despeito de
lhes ter sido permitido comer e beber na Sua presença, eles deixaram aquele
lugar intocados.
Esses dois homens representam líderes
cristãos de hoje que livremente se entregam à luxúria, à pornografia, ao
adultério. Estão tão endurecidos pelo pecado, que nada os atinge. Eles
rejeitam todo chamado misericordioso do Espírito Santo, toda mensagem que lhes
possa convencer trazida por profetas, todo encontro com o próprio Senhor. Eles
abortam todas Suas tentativas para livrá-los.
Os próximos homens a serem tentados
foram Arão e outros líderes piedosos. Um após o outro cochichavam: "Não
sabemos o que aconteceu com Moisés. Vai ver que eles nos abandonou". Logo
todo o corpo de anciãos repetia essa falação de incredulidade. Esses homens
eram pessoas que haviam sido chamadas por Deus à uma vida de oração e comunhão.
Mas agora, um a um, saíam de Sua presença intocados. Não se arrependeram e
nem se renderam à Sua santidade. Antes, dirigiram-se à religiosidade abominável
da carne.
Contudo, mais acima sobre o monte,
Moisés experimentava o toque de Deus de maneira plena. Como? Ele foi obediente
à voz do Senhor. Ele havia seguido Seu chamado para subir: "Disse o Senhor
a Moisés: Sobe a mim, ao monte, e fica lá" (24:12). Deus estava dizendo
em outras palavras: "Venha à Minha presença. Simplesmente permaneça lá
para Mim".
Por seis dias, Moisés aguardou fora
da nuvem de glória. Creio que foi durante estes seis dias que os anciãos foram
embora a meio do caminho. Estavam convencidos que Deus não tinha nada mais a
lhes dizer. Mas Moisés obedeceu o Senhor aguardando. Então lemos: "Ao sétimo
dia, do meio da nuvem chamou o Senhor a Moisés...E Moisés, entrando pelo meio
da nuvem... lá permaneceu quarenta dias e quarenta noites" (24:16-18).
Moisés recebeu uma incrível revelação
de Deus durante estes quarenta dias. E exatamente como Deus chamou Moisés na época,
Ele está chamando Seus servos ao monte hoje. O Seu Espírito nos preme a subir
à uma dimensão mais elevada e mais profunda nEle, à uma posição que nunca
conhecemos antes. Ele está nos chamando à comunhão, à intimidade, a
conversar com Ele face a face, como Moisés fez.
Em verdade, Deus nos deu o mesmo
mandamento para esperarmos nEle: "Tu és o Deus...em quem eu espero todo o
dia" (Salmo 25:5). "Os que esperam no Senhor renovam as suas forças"
(Isaías 40:31). "Sou o Senhor e...os que esperam em mim não serão
envergonhados" (Isaías 49:23). Passagens e mais passagens nos chamam a
esperar em Deus. No entanto, quantos de nós rapidamente voltamos aos nossos
antigos caminhos? Quantos de nós são puxados pela carne à uma forma morta de
religião?
O Espírito Santo diz o seguinte ao
meu coração: "David, os que esperam na Minha presença, Me alimentam. A
adoração silente, a espera para ouvir Minha voz, são o Meu alimento".
Tais servos que foram tocados por Deus resolveram: "Vou esperar no Senhor.
Não aceitarei nada menor que uma comunhão face à face com Ele. Não importa o
quê os outros façam em seu caminhar. Quero que Deus me leve à dimensões nEle
onde os outros se recusam a ir".
2. Deus Nos Chama Para Sair.
"Ora, Moisés costumava tomar a
tenda e armá-la para si, fora, bem longe do arraial; e lhe chamava a tenda da
congregação. Todo...que buscava ao Senhor saía à tenda da congregação"
(Êxodo 33:7).
Esse não se tratava do tabernáculo
do deserto; ele não havia sido construído ainda. Antes, esse tabernáculo era
a "tenda de reunião". Ele servia como lugar de oração para Moisés
quando saía para encontrar-se com o Senhor. Então, por que Moisés o armava
longe do arraial? Ele fazia isso porque Israel havia se profanado. Havia
rejeitado a autoridade de Deus. Ao invés, voltou-se à prática de todos os
tipos de grosseira pecaminosidade: idolatria, sensualidade, adultério, nudismo.
Deus finalmente teve de remover Sua
presença de Israel. Ele declara: "Não posso andar em meio a um povo
profano. Vocês têm dura cerviz, que deve ser destruída. Então, removam todos
seus ornamentos e parem de se pavonear. Vou decidir o que fazer com vocês"
(v. 33:5).
Uma manta de morte pairava sobre o
arraial. Deus tinha removido a coluna de fogo, e não se podia encontrar a Sua
presença. Igualmente hoje, uma atmosfera de morte paira sobre igrejas de onde
Deus removeu Sua presença. Não importa se a congregação canta alto, ou se há
um novo método de adoração, ou se o pastor se esforça para trabalhar com a
emoção das pessoas. O lugar está morto, desprovido da presença de Deus. Os
sermões não têm vida, falta convencimento. E as ovelhas são deixadas
famintas e desejosas.
Moisés sabia que só a presença de
Deus traz vida. Por isso ia à tenda de reuniões continuamente, orando:
"Senhor, uma única coisa torna Israel diferente das outras nações: a Tua
presença. Sem Ti em nosso meio, não somos melhores do que os ímpios. Não
temos forças contra nossos inimigos. Se não tivermos Tua presença, não
teremos razão de existir. Podemos parar agora mesmo. Eu não prosseguirei sem
Ti".
O Senhor diz a Moisés que não
voltaria ao arraial profano. Mas concordou em enviar um anjo para guiar Israel:
"Vai, pois, agora, e conduze o povo para onde te disse...eis que o meu Anjo
irá adiante de ti" (32:34). E então promete: "Enviarei o Anjo
adiante de ti; lançarei fora (seus inimigos)...sobe para uma terra que mana
leite e mel; (mas) eu não subirei no meio de ti" (33:3).
Tive de reler este último versículo
várias vezes antes de entender o quê Deus estava dizendo. Em resumo Ele dizia
ao Seu povo: "Vão em frente, avancem, façam suas guerras. Vocês derrotarão
os inimigos; e obterão as casas, os vinhedos e as propriedades deles. Manterei
todas as Minhas promessas; mas a Minha presença não estará com vocês".
Essa passagem explica muito do que
aconteceu com a igreja de Deus em nossos dias. Uma número incontável de
pastores e igrejas tem se movido sem a presença de Deus. Estão construindo
enormes igrejas, mostrando elevados números, produzindo riqueza de fundos.
Alguns até expulsam demônios ou curam enfermos. Mas o Senhor não está em seu
meio. A manifesta presença de Cristo não é encontrada entre eles.
Jesus predisse que tais coisas
aconteceriam nos últimos dias. Ministros movidos pela carne fariam grandes
obras, despreocupados quanto à presença do Senhor com eles. Eles só se
preocupam em pagar as contas, e em que milhares de pessoas juntem-se à igreja.
Alguns pastores na verdade temem a presença de Deus - eles não permitem que
ministros visitantes preguem, com medo de que uma mensagem com convencimento
possa afugentar os paroquianos.
Deus está dizendo a eles nestas
passagens: "Vão em frente; consigam a prosperidade. Mas estejam preparados
para que a Minha ira irrompa a qualquer momento. Suas atividades através da
carne e a profanação removeram Minha presença de vocês".
Um verdadeiro pastor de Deus, contudo,
tem uma preocupação primordial: "Será que o Senhor está entre nós? Sua
presença está aqui em nosso meio?".
Moisés Sabia o que Seria Necessário
Para Trazer de Volta a Presença de Deus
A presença de Deus não voltará à
nenhuma igreja enquanto o ministro e os membros não abandonarem a impureza.
Eles devem deixar a luxúria e se separar numa posição de pureza de coração.
Israel havia se corrompido totalmente,
incluindo Arão e os sacerdotes. Então, Moisés deixou o acampamento e
isolou-se com o Senhor. Imediatamente Deus encheu a tenda de reuniões com Sua
presença: "Uma vez dentro Moisés da tenda, descia a coluna de nuvem e
punha-se à porta da tenda; e o Senhor falava com Moisés...Falava o Senhor a
Moisés face a face, como qualquer fala a seu amigo" (Êxodo 33:9-11).
Moisés brilha como exemplo do que é
preciso para trazer de volta à igreja a manifesta presença de Cristo.
Primeiro, o ministro precisa separar-se para Deus e amarrar-se a Ele em
intercessão. A seguir um remanescente santo deve seguir o pastor, abandonando o
quê é profano. Um espírito de arrependimento penetrará o novo arraial. Logo
brotará adoração pura. E as pessoas saberão que o Senhor retornou.
Essa é a única maneira de trazer de
volta a presença de Deus: recusar-se ficar na sujeira. Alguém poderá dizer:
"Mas isso é teologia do Velho Testamento. Não dá pra aplicar isso nos
dias do Novo Testamento". Mas Paulo previne claramente: "Não sabeis
que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém
destruir (profanar) o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque o santuário
de Deus, que sóis vós, é sagrado" (I Cor. 3:16,17).
Em resumo, Deus está dizendo:
"Remova de si toda a lascívia: pornografia, desejos, adultério. Afaste-se
da amargura que cresce dentro de você. Separe-se do profano". Essa
conversa de separação pode não soar como cristianismo "normal". Um
caminhar normal com Jesus atualmente significa ler um capítulo da Bíblia, orar
no caminho para o trabalho, ir à igreja no domingo. Mas, amado, não estamos
vivendo em tempor normais. Hoje Deus está convocando o Seu povo para um
cristianismo radical.
Agora mesmo, milhares e milhares de muçulmanos
se alinham suplicando: "Quero morrer por minha fé". Rezam com devoção
seis vezes por dia. No entanto, o tempo todo, dezenas de milhares de cristãos
nesse país sentam-se preguiçosamente na frente da TV, absorvendo sujeira. Como
mencionei antes, a nossa sociedade está sentada no limiar, aguardando mais
destruição. Trememos ao pensar nos próximos ataques terroristas. No entanto,
a cristandade que o mundo vê é fraca, sem poder, saturada pela carne; uma
cristandade que não ora.
Vai ser preciso uma infusão
sobrenatural da presença de Deus para que Sua igreja volte a viver novamente. E
isso significa medidas radicais no meio do Seu povo. Deus não está lhe pedindo
para orar seis vezes por dia, ou para jejuar durante semanas seguidas. Ele
simplesmente deseja comunhão.
O Senhor está pedindo que você O
encontre na montanha. Ele quer que você suba, que saia da impureza. O Seu
grande desejo é levá-lo de maneira cada vez mais profunda e ampla ao Seu coração.
É assim que Ele responde a um mundo em crise. Ele faz com que Seus servos O
levem a sério mais do que nunca. E os enche com Sua presença. Então as multidões
do mundo verão e saberão que Jesus Cristo é Senhor.