
Transforma-me, Senhor!
(Change Me, O Lord!)
Por David Wilkerson
6 de dezembro de 1999
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Ultimamente
tenho me sentido desencorajado com aquilo que nós cristãos chamamos de
aconselhamento. Atualmente há mais conselheiros competentes que em toda a história
da igreja. E há milhões de livros do tipo “Como aprender a...”, bem como
manuais que tratam de relacionamento, que oferecem conselhos espirituais para
todo assunto, desde casamento até preparo físico ou educação de filhos.
Porém, tragicamente, há
mais pessoas, casamentos e famílias da igreja com problemas, do que em qualquer
época anterior. Os transtornos nos lares cristãos de hoje são indescritíveis
-- e, amado, não deveria ser assim.
Permita que eu diga de
cara, que não sou contra aconselhamento cristão. Muitas pessoas respondem ao
aconselhamento que recebem, e estão tendo suas vidas, casamentos e lares
curados. Na verdade, aconselhamento se tornou um ministério importante na
igreja de Jesus Cristo. Quase todas grandes igrejas do país têm pelo menos um
conselheiro de tempo integral na equipe. Aqui na Igreja de Times Square temos
alguns conselheiros.
Mas vejo mais e mais cristãos
problemáticos que não respondem em absoluto a nenhum aconselhamento que
recebem. São atendidos por semanas, até meses, sem resultados. O pastor ou o
conselheiro pode levá-los passo a passo nas Escrituras, mostrando a verdade
clara da Palavra de Deus. Pode lhes dizer: “Aqui está o que Deus diz sobre o
seu problema. Ele diz que você deve fazer isso...” Ele os confronta com a
realidade de que se não abandonarem seu pecado, incorrerão no julgamento de
Deus.
Contudo, nada disso
funciona. Por que? Porque há um véu espiritual sobre os olhos destas pessoas.
Possuem uma terrível cegueira quanto à sua própria culpa, e à necessidade de
mudar.
Muitas famílias cristãs
estão se pegando à tapas, numa briga amarga. Alguns estão na verdade
processando o outro na Justiça, levando os parentes para o tribunal. Mães estão
se afastando das filhas, pais não falam com os filhos. Todos declaram amar a
Jesus -- mesmo assim, se entregam à raiva, à amargura e ao impropério. Vira
um caos.
Desde que comecei no
pastorado, já fui pego em meio à muitas rixas de família. E posso testemunhar
que poucas destas guerras se resolvem sem intervenção sobrenatural. Por que?
Porque todos querem que o outro mude.
Um diz: “Por que ele é
tão teimoso? É terrível. Ele precisa mudar.” Aí, ouço algo parecido vindo
do outro lado: “Como ela pode ter um coração tão duro? Ela sabe que estou
fazendo o melhor possível. É isso que eu recebo por ser bom para ela?”
A culpa é sempre da outra
pessoa; o outro é que precisa mudar. É por isso que eu acho que nenhum
aconselhamento terá impacto, até que o povo de Deus se decida a fazer uma
coisa. Todos nós temos de fazer nossa esta oração, diariamente e em
sinceridade: “Ó Deus -- transforma-me.”
Passamos muito tempo
orando: “Deus, transforme as minhas circunstâncias...mude os meus
colegas...mude a situação familiar...mude as condições da minha vida...”
Porém raramente fazemos a oração mais importante: “Transforma-me, Senhor. O
problema real não é o meu cônjuge, o meu irmão, o meu amigo. Quem precisa de
oração sou eu.”
Deus conduz os passos e as
vidas de todos os Seus filhos. Ele não permite que algo nos suceda simplesmente
por casualidade ou pelo destino. E isso significa que ele permitiu a nossa
crise. O que Ele está tentando lhe dizer através disso? Ele está dizendo que
você precisa mudar.
Queira ou não, todos
estamos no processo de mudança, de um jeito ou de outro. Dentro da área
espiritual, inexiste essa coisa de mero viver; estamos continuamente sendo
transformados, para o bem ou para o mal. Ou estamos nos tornando mais como o
nosso Senhor, ou mais como o mundo -- ou estamos crescendo em Cristo, ou nos
desviando.
E então, você está se
tornando de espírito mais brando, como Jesus? Você olha a cada dia para o
espelho em seriedade e ora: “Senhor, quero me amoldar à Tua imagem em todas
as áreas da minha vida”?
Ou a sua amargura já fez
raízes, levando à rebeldia e a um coração endurecido? Você aprendeu a se
defender da condenatória palavra de Deus e da voz do Espírito? Está agora
jogando pela boca, coisas que você antes achava que um cristão não seria
capaz de dizer? Você está se endurecendo para valer?
Se isso lhe descreve,
quero lhe dizer de maneira simples: você jamais receberá libertação a menos
que você mude. Sua vida vai ficar mais caótica, e a sua situação vai piorar.
Pare de criar caso, de apontar para os outros, de se justificar. Deus não o
encontrará até que você desperte e admita: “Nada vai mudar em mim, a menos
que eu mude.”
Clame em oração ao
Senhor com honestidade: “Transforma-me, ó Deus. Vá fundo no meu íntimo, e
mostre-me onde falhei e me desviei. Exponha o meu orgulho, a minha teimosia e o
meu pecado. Ajude-me a abandonar tudo isto.”
Quantos especialistas,
conselheiros, noites de solidão e esforço infrutífero você terá ainda de
suportar antes de despertar para a verdade? Se alguma cura ou restauração vai
acontecer, você necessita assumir a responsabilidade. O seu milagre depende da
sua mudança.
Se você deseja ser
transformado, a Palavra de Deus mostra claramente dois passos que você deve
dar. Preste atenção à esta palavra, e você vai experimentar mudança
duradoura:
1. Há um Véu Nos Seus Olhos, Lhe Cegando --
E Ele Precisa Ser Removido
Paulo descreve uma mudança
que deve ter lugar antes de qualquer outra mudança ser possível:
“Tendo, pois, tal
esperança, servimo-nos de muita ousadia no falar. E não somos como Moisés,
que punha véu sobre a face, para que os filhos de Israel não atentassem na
terminação do que se desvanecia. Mas os sentidos deles se embotaram. Pois até
ao dia de hoje, quando fazem a leitura da antiga aliança, o mesmo véu
permanece, não lhes sendo revelado que, em Cristo, é removido. Mas até hoje,
quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o coração deles.
“Quando, porém, algum
deles se converte ao Senhor, o véu lhe é retirado. Ora, o Senhor é o Espírito;
e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. E todos nós, com o
rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos
transformados, de glória em glória na sua própria imagem, como pelo Senhor, o
Espírito” (2 Coríntios 3:12-18).
Nesta passagem, Paulo está
falando primeiramente sobre a cegueira dos judeus quanto a Jesus como Messias.
Porém, está estabelecendo também um princípio que se aplica a todas as
pessoas, judeus ou gentios. Ele fala sobre a cegueira à verdade bíblica. Veja
o verso 14: “Mas os sentidos deles se embotaram. Pois até ao dia de hoje,
quando fazem a leitura da antiga aliança, o mesmo véu permanece, não lhes
sendo revelado que, em Cristo, é removido.”
Por favor entenda, as
pessoas à quem Paulo estava escrevendo eram sinceras. Fielmente estudavam os
livros de Moisés, a lei e os profetas, os Salmos de Davi. Reverenciavam a
Palavra de Deus, ensinando dela, citando-a livremente. Mas ainda havia um véu
nos céus olhos.
Ficamos pensando no véu
espiritual que cobre os olhos dos judeus, dos muçulmanos e outros, cegando-os
à verdade sobre Jesus. Porém também há um véu cobrindo os olhos de muitos
crentes. Lêem os avisos claros das escrituras, ouvem-nos sendo pregados com
poder -- contudo não são atingidos. Na verdade, continuam fazendo exatamente
as coisas às quais a Palavra de Deus manda que renunciemos. Veja estes
exemplos:
*
O próprio Jesus diz: “...se perdoardes aos homens as suas
ofensas,
também vosso
Pai
celestes vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos
homens
[as suas ofensas]
tampouco
vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas” (Mateus 6:14-15).
Será que Deus poderia ser
mais claro neste assunto de perdão? No entanto, muitos cristãos não abandonam
seus pensamentos de amargura e vingança. Afirmam: “Ah, já perdoei esta
pessoa” -- mas seu coração não está nestas palavras. E o Senhor sabe
disso.
Talvez este cristão tenha
sido maltratado ou usado com menosprezo por alguém -- pelo patrão, o cônjuge,
um colega de trabalho, um amigo. Agora ele acha que tem justificativa em se ater
à raiva e à falta de perdão. Porém as Escrituras dizem que se ele permitir
até uma pitada de ausência de perdão no coração, seus pecados se acumularão
contra ele.
Pense no terrível perigo
que este cristão está correndo. Dia após dia seus pecados se acumulam. Suas
orações não estão sendo ouvidas. Ele está totalmente só, em perigo, com a
alma aberta aos poderes demoníacos. E quando estiver diante de Deus no dia do
juízo, cada um dos seus pecados se levantará e o acusará. Nenhuma transgressão
terá sido perdoada -- porque ele não conseguia perdoar os outros.
Ele ouvirá o Senhor
dizendo: “Eu lhe preveni, lhe comuniquei, disse do modo mais simples que seria
possível -- mas você não quis ouvir. Pelo contrário, continuou sem perdoar.
E agora, Eu não lhe perdoarei.” Este é o resultado final da cegueira
espiritual.
*
“Porque o Senhor, Deus de Israel, diz que odeia o repúdio
[divórcio]...”
(Malaquias
2:16). As escrituras declaram de maneira muito
clara
que Deus odeia
o
divórcio. Contudo muitos cristãos atualmente dizem ao
pastor
ou aos amigos:
“Tenho
orado a respeito de me divorciar, e Deus me disse que
está
tudo bem.”
Não. Deus responde à
esta mentira diretamente no versículo seguinte: “Enfadais o Senhor com vossas
palavras; e ainda dizeis: Em que o enfadamos? Nisto, que pensais: Qualquer que
faz o mal passa por bom aos olhos do Senhor, e desses é que ele se agrada; ou:
Onde está o Deus do juízo?” (Malaquias 2:17).
Deus está dizendo em
outras palavras: “Vocês vão à igreja, Me louvam, e exibem um sorriso cristão.
Porém, traem as esposas - e tratam minha Palavra de maneira enganosa. Lhes
disse que odeio o divórcio, mas vocês continuam com isso. Até dizem que é
uma coisa boa, que Eu o aprovo. Mas vocês estão cegos; se recusam a acreditar
que vou julgar sua desobediência.”
O divórcio entre os cristãos
hoje aparece na mesma taxa que aparece entre os não crentes. Diga: será que a
Palavra de Deus é uma brincadeira? Será que Suas advertências podem ser
jogadas para o lado como mera sugestões, e não como mandamentos? Não, nunca.
Há um véu sobre os olhos da igreja. E Deus nos previne: “Não vai adiantar
fazer todo o aconselhamento que há no mundo, se você não obedecer meus
mandamentos. A minha Palavra tem de se tornar a autoridade absoluta da sua
vida.”
(Isso não é para jogar
acusação contra ninguém que seja divorciado. O divórcio é inevitável em
certas situações, como maltrato físico, adultério ou abandono por cônjuge
incrédulo.)
*
“Eu, porém, vos digo: amai a vossos inimigos, bendizei os que
vos
maldizem,
fazei
bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos
maltratam
e vos perseguem”
(Mateus
5:44).” “A palavra branda
desvia o furor”
(Provérbios
15:1). “Irai-vos
e
não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira”
(Efésios
4:26).
Mil conselheiros poderão
lhe dizer que você tem o direito de se zangar, de alimentar ressentimento, de
reter o perdão. Mas no final, as palavras deles não pesam. A Palavra de Deus
é a palavra final. E se você não a teme, se você não está preparado para
obedecer seus mandamentos em todas as áreas, não há esperança de libertação.
A Bíblia afirma
claramente a todos que querem obedecer o Senhor: “Você não pode ser
transformado se permanecer, de bom grado, cego à Palavra de Deus.”
2. O Véu Só Pode Ser Removido
Quando Há "Conversão" ao Senhor
Paulo diz que antes de
nossa cegueira ser removida, precisamos voltarmo-nos para o Senhor. “Quando,
porém, algum deles se converte ao Senhor, o véu lhe é retirado” (II Coríntios
3:16). Em grego a palavra converter aqui significa “tomar o sentido oposto do
curso”. Em resumo, Paulo está dizendo: “Você precisa admitir que o curso
que está tomando o levou ao vazio, à ruína, ao desespero.”
Se a sua vida está em
turbulência - se há algo de errado muito sério, e as coisas estão se
deteriorando -- você sabe que vai ter de mudar o curso. Você pode pensar: “É
o meu marido que está mal. Estou esperando que ele mude.” Ou, “A minha
mulher vai se arruinar a menos que ela mude.” Ou, “O meu patrão está
errado. Ele precisa mudar.”
Fica tão claro para a
gente enxergar os erros e as injustiças dos outros. Porém estamos cegos para a
necessidade de nossa própria mudança. Necessitamos de uma parada para cair na
real - para admitir diante de Deus: “É comigo, Senhor. Sou eu que precisa
mudar. Por favor, Deus - mostre onde eu errei.”
Como podemos mudar um
curso? Como podemos nos voltar para o Senhor e ter o véu removido? Cá está a
receita que Ele nos dá para a transformação:
1. Mudança é obra
exclusiva do Espírito Santo. “Como não será de maior glória o ministério
do Espírito!” (2 Coríntios 3:8). Simplesmente não conseguimos transformar a
nós próprios. Unicamente o Espírito de Deus pode nos amoldar à gloriosa
imagem de Cristo. Todos já ouvimos a frase: “Quando uma pessoa se converte ao
Senhor, Deus tira o véu dos seus olhos.” Isso é obra apenas do Espírito.
Também lemos: “Ora, o
Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade”
(verso 17). A palavra “liberdade” aqui significa “ausência de escravidão;
isenção de dívida; livre, remoção das correntes.” Isto descreve a
liberdade que vem quando nossos olhos estão abertos. Subitamente, enxergamos as
coisas sob uma nova luz. Somente o Espírito Santo pode romper a visão que
tivemos a vida toda, nos fazer virar ao contrário e nos colocar na verdadeira
direção.
Em resumo, a conversão de
que Paulo fala aqui significa confiança absoluta no Espírito de Deus. Também
quer dizer se afastar de todo aconselhamento não bíblico, se afastar de suas
próprias idéias e planos, e invocar unicamente o Espírito Santo para lhe
orientar e guiar.
Paulo experimentou este
tipo de conversão. Em Atos 9, quando ainda era conhecido como Saulo, ele estava
no caminho errado. Por falar em ter um véu sobre os olhos: ele estava indo para
Damasco para perseguir os cristãos. Saulo realmente acreditava estar fazendo um
favor a Deus por prender os crentes e lançá-los na cadeia.
Mas o Senhor interceptou
este homem e criou uma crise na vida dele. Quando Jesus encontrou Saulo na
estrada de Damasco, este foi atingido por uma luz tão poderosa que ficou
literalmente cego. Saulo teve de ser levado cego à uma casa em Damasco, onde
ficou até que o piedoso Ananias chegasse. Ananias lhe disse:
“...Saulo, irmão, o
Senhor me enviou, a saber, o próprio Jesus que te apareceu no caminho por onde
vinhas, para que recuperes a vista e fique cheio do Espírito Santo.
Imediatamente, lhe caíram dos olhos como que umas escamas, e tornou a ver”
(Atos 9:17-18).
Saulo rendeu o seu
passado, o seu futuro, tudo para o Espírito Santo -- e o véu foi imediatamente
removido dos seus olhos.
2. Mudança também exige
o que Paulo chama de rosto descoberto. Ele escreve: “Mas todos nós, com o
rosto descoberto, refletindo a glória do Senhor...”(2 Coríntios 3:18). A
raiz grega para “rosto descoberto” aqui tem uma definição impressionante.
Quer dizer estar totalmente resolvido a permitir que Deus exponha tudo que está
escondido no seu coração -- com o objetivo de ficar liberto de tudo isso.
Este tipo de rosto
descoberto clama: “Prova-me, Senhor -- e vê se há em mim algum caminho mau.
Mostre onde estou vivendo contrário à Tua Palavra. Quero ser libertado de tudo
que não for de Ti. Leve o meu orgulho, as minhas ambições, o meu intelecto
egoísta, as minhas justificativas. Sei que não consigo resolver esta situação.
Santo Espírito, preciso de Teu poder e de Tua sabedoria. Desisto de qualquer
possibilidade de resolver as coisas à minha maneira.”
Para muitos crentes, isso
é uma coisa muito difícil de fazer; eles sobreviveram toda sua vida cristã à
base de seus talentos e sabedoria. E agora ter de concordar em jogar tudo para
cima, e ter de ceder o controle, é muito duro.
O Senhor teve de me despir
do orgulho nesta área alguns anos atrás. Agora, graças a Deus eu com muita
liberdade reconheço toda vez que estrago as coisas. Minha oração constante é:
“Senhor, eu faço tanta coisa boba. Cometo erros tão sérios, entro em
problemas terríveis. Por favor, Senhor - resolva isso para mim. Eu não
consigo. Só o Senhor pode.” É com gratidão que digo que Deus se deleita em
resolver nossos problemas quando buscamos cumprir Sua vontade.
Nesta passagem Paulo se
refere a espelho. E, amado, o nosso espelho é a Palavra de Deus. Só ela pode
com acurácia refletir para nós a nossa condição. Paulo está dizendo: “Vá
ao espelho da verdade de Deus, e contemple a sua vida. Diga para o Senhor que
você está no caminho errado, e que deseja ser transformado. Peça que o Seu
Espírito o humilhe, e descerre a Sua palavra para você. Deixe outros
conselhos, suas próprias idéias, suas invenções. Antes, volte-se para o Espírito
Santo em confiança plena. Creia no que Ele diz para você.”
Se você depender
exclusivamente do Espírito Santo, afastando-se dos outros tipos de ajuda, Ele
irá tirar o véu dos seus olhos. Ele também enviará ajudadores guiados pelo
Espírito para a sua vida -- e você vai começar a mudar neste exato instante.
3. Paulo conclui que somos
transformados na semelhança de Cristo pouco a pouco. Este processo não
acontece simplesmente da noite para o dia. Ele ocorre lentamente...passo a
passo...à medida que O buscamos e obedecemos à Sua Palavra: “...somos
transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do
Senhor” (2 Coríntios 3:18).
Você pode não sentir,
mas você é transformado cada vez que abre as escrituras e lê Sua palavra com
o coração aberto, toda vez que se ajoelha e cria um tempo com qualidade para
Ele, toda vez que invoca o Espírito Santo para lhe guiar e ensinar. Você pode
achar que não está fazendo nenhum progresso -- mas você está.
Paulo Delineia Três Maravilhosas Evidências
de Mudanças Operadas em Nós pelo Espírito Santo
O Espírito busca produzir
em nós estas três maravilhosas mudanças:
1. A primeira mudança é
um conhecimento progressivo de que Deus vai ser misericordioso conosco o tempo
todo de nosso sofrimento. “Pelo que, tendo este ministério, segundo a misericórdia
que nos foi feita, não desfalecemos” (2 Coríntios 4:1).
Cá está o misericordioso
ministério que recebemos do Espírito Santo. Ele abre os nossos olhos para as
ternas misericórdias de Cristo por nós. Ele implanta em nós um conhecimento
íntimo de que o Senhor está do nosso lado, de que Ele é por nós. E nos
mostra como Deus está envolvido em evitar que caiamos -- o quanto Ele mostra de
compaixão em relação a tudo que enfrentamos, o quanto Ele é tocado ao sentir
nossas enfermidades.
Agora mesmo você pode
estar sentindo-se maltratado e não amado. O diabo quer que você acredite que
Deus o abandonou à sua própria sorte -- que você merece sofrer, que está
tudo acabado, que não há esperança. Amado, isso são mentiras do inferno.
Deus deseja mais do que qualquer outra coisa livrá-lo do conceito pervertido
que tem dEle. Ele o ama ternamente -- e já marcou a hora para lhe conceder
todas as Suas misericórdias.
Davi chorou amargamente ao
ser ver premido na situação que estava: “Ferido como a erva, secou-se o meu
coração; até me esqueço de comer o meu pão...Não durmo e sou como o
passarinho solitário nos telhados. Os meus inimigos me insultam a toda
hora...tenho...misturado com lágrimas a minha bebida...Como a sombra que
declina, assim os meus dias...” (Salmo 102:4, 7-9, 10). Ele gemia: “Estou
numa situação terrível, física, mental e espiritualmente.”
Porém foi exatamente esta
a hora que Deus havia marcado para libertar Davi. E o Senhor chegou rapidamente
com misericórdia, ajuda e consolação. Davi testifica: “Levantar-te-ás e
terás piedade de Sião; é tempo de te compadeceres dela, e já é vinda a sua
hora.” (Salmo 102:13).
A hora marcada por Deus
para o livrar, foi no pior momento de Davi -- quando ele pensava “Fui reduzido
a nada.” Igualmente hoje, Deus marcou uma hora para nos livrar e enviar sobre
nós o Seu favor -- e isso geralmente chega no pior momento de nossa luta. É na
hora em que paramos de brigar para fazer as coisas à nossa moda. Pelo contrário,
admitimos: “Senhor, eu não consigo - está tudo muito enrolado. Entrego tudo
para Ti.”
2. A segunda mudança que
ocorre é que não ficamos mais importunados pelo pensamento de desistir:
“...segundo a misericórdia que nos foi feita, não desfalecemos” (2 Corínt.
4:1).
Deus quer que desviemos o
olhar das circunstâncias em que vivemos, e deixemos de nos concentrar na
gravidade das coisas. A verdade é que nossas circunstâncias desastrosas podem
não acabar logo. Na verdade, podem piorar. E Ele sabe que se nos concentrarmos
em mudarmos a nossa situação, apenas iremos nos afundar ainda mais na
ansiedade e na depressão. Vamos nos esgotar e desfalecer, sem esperança.
Porém à medida que o
Senhor revela Sua misericórdia para nós, nossa fase de fragilidade começa a
desaparecer. Logo possuímos a crescente garantia de que Deus está operando em
nós. E nada satisfaz mais o nosso homem interior do que saber: “Deus tem Sua
mão sobre mim. Ainda não cheguei -- mas sei que estou indo na direção certa.
Estou indo na direção ao Senhor.”
Dia após dia você se
fortalecerá na fé. Ele plantará Sua paz e Seu descanso em você. E você será
colocado tão acima das circunstâncias, que nada será capaz de lhe arrastar
outra vez ao desespero.
3. A terceira mudança a
ocorrer em nós é uma renúncia total à todas nossas coisas ocultas e à
desonestidade. “...rejeitamos as cousas que, por vergonhosas, se ocultam, não
andando com astúcia, nem adulterando a palavra de Deus; antes, nos recomendamos
à consciência de todo homem, na presença de Deus...” (2 Coríntios 4:2).
Isso quer dizer que deixamos de buscar as Escrituras para tentar justificar o
nosso pecado. Deixamos de procurar desculpas para o erro.
Deus quer que nossa vida
seja um livro aberto. Logo, Ele anseia por nos livrar de todo pecado escondido
-- da desonestidade, da malandragem, do engano, da mentira, da fraude. É por
isso que o Espírito Santo sonda em nós tudo que não é de Cristo. E se
verdadeiramente quisermos mudar, nos abriremos para a Sua ação.
Você pode esquecer
aconselhamento, auto-ajuda ou restauração de relacionamentos enquanto não
experimentar a transformação de Deus em cada uma destas áreas. Deixe tudo
isso mais para frente, até que esteja pronto para renunciar a todo pecado
oculto.
Quando estiver submisso à
Palavra de Deus, e ao poder transformador do Seu Espírito, você não terá de
convencer aos outros de que mudou. Ao andar na Sua verdade, o Espírito Santo o
recomendará à consciência de todos em torno de você. “...nos recomendamos
à consciência de todo homem, na presença de Deus, pela manifestação da
verdade.”
Aqui a palavra
“recomendamos” em grego quer dizer: “aprovação de Deus”. Paulo diz:
“Você não vai ter de impressionar a ninguém para mostrar que mudou. Deus
vai mover suas consciências, falando ao seu íntimo: ‘Esta pessoa tem a minha
bênção e a minha aprovação.’”
Nenhum argumento pode
refutar a evidência interior que Deus coloca em você. Na verdade, a sua mudança
irá atrair os outros, ou então se tornar uma repreensão para eles. A aura de
Cristo emanando de você atingirá o âmago de suas consciências. E é aí que
você encontrará o poder para influenciar os outros -- através das transformações
ocorridas em você. Você verá relacionamentos sendo restaurados. E recuperará
a autoridade espiritual dentro do seu lar.
Você vai deixar de
insistir em mudanças que precisam acontecer nos outros. Antes, ficará tão
encorajado pelas transformações que Deus está produzindo em você, que
concordará, “Senhor, sei que tudo está em Tuas mãos. Submeto-me à Tua
vontade. Faça então em mim o que tem de ser feito.”
Agora é a hora para
depositar todas as circunstâncias nas Suas mãos. Esqueça isso de tentar se
livrar da crise. Antes, concentre-se na transformação que Deus produz em você,
tornando-o um vitorioso. Permaneça na Sua Palavra. Invoque com diligência o
Seu nome. Confie no Espírito Santo. E faça deste, o clamor constante do seu
coração: “Transforma-me Senhor.”