A Irracionalidade da Fé

A Irracionalidade da Fé
(The Unreasonableness of Faith)

 

Por David Wilkerson
9 de junho de 2003

Quando Deus diz à humanidade: "Creia", Ele pede algo que está totalmente além da razão. A fé é inteiramente ilógica. A sua própria definição tem a ver com algo irracional. Pense nisso: a carta de Hebreus diz que a fé é a substância de algo que se espera, a prova que se não vê. Somos informados, em resumo, de que "inexiste uma substância tangível. Inexiste prova absolutamente alguma". Mesmo assim somos orientados a crer. Dá para você pensar numa exigência mais irracional do que essa? Ela diz simplesmente: "Aceite isso sem provas. Confie no invisível". Está totalmente além da lógica.

Estou focalizando esse assunto por uma razão importante. Nesse momento, por todo o mundo, multidões de crentes estão se dobrando ao desencorajamento. O povo de Deus está passando por provações, lutas, sofrimento, e todo tipo de caos. O fato é que todos continuaremos a enfrentar desencorajamentos nessa vida. Contudo, creio que se compreendermos a natureza da fé - a sua natureza ilógica e irracional, encontraremos a ajuda que precisamos para prosseguir.

Veja a fé que foi exigida de Noé. Ele viveu numa geração que havia se desgovernado inteiramente. Não dá nem para começar a se imaginar a malignidade dos tempos em que esse homem viveu: violência e assassinatos crescentes. Gigantes geraram homens "valentes". Uma impiedade indescritível havia se disseminado com licenciosidade. A situação dos humanos ficou tão terrível, que Deus não suportou mais. Finalmente, disse: "Chega! O homem está destruindo a si próprio. Isso tem de parar".

Ele disse a Noé: "Destruirei toda a carne. Mas preservarei a você e sua família. Então, quero que construa uma arca, Noé. E quero que você junte nela todas as espécies animais, em casais. Enquanto você estiver fazendo isso, darei aos habitantes da terra 120 anos de misericórdia. Aí então enviarei uma chuva que não parará por 40 dias e noites. Haverá um grande dilúvio, que eliminará todo ser vivente". Deus então prosseguiu dando a Noé as dimensões da grande arca - o comprimento, largura e profundidade - em grandes detalhes.

Imagine o assombro de Noé ao tentar entender isso. Deus iria enviar um cataclisma, que destruiria toda a terra. Ainda assim, tudo que foi dito para Noé em relação a tal assunto foram estas breves palavras dos céus. Ele simplesmente deveria aceitar isso pela fé, sem receber mais nenhuma orientação por 120 anos.

Pense no quê a fé estava exigindo de Noé. Ele recebeu a tarefa gigantesca de construir uma enorme arca. E enquanto isso, teria de viver num mundo violento e perigoso. Ele estava cercado de gigantes, criminosos, céticos, todos observando cada passo dele. Tenho certeza de que zombaram de Noé enquanto ele enfadonhamente trabalhava na arca ao longo dos anos. E, endurecidos pela violência, provavelmente ameaçaram matá-lo. Porém a fé exigia que Noé conservasse seu coração "temente a Deus" (v. Hebreus 11:7). Ele tinha de continuar crendo, enquanto o mundo todo ao redor dele dançava, farreava e mergulhava na sensualidade.

Basicamente, Deus havia dito a ele: "Você deve crer na Minha Palavra, Noé. Estou pedindo que Me obedeça, sem desculpas. Se em algum momento começar a duvidar, ou tiver vontade de desistir, você terá de confiar no que lhe disse. Não lhe darei nenhuma prova, apenas a Minha promessa. Você deve agir baseado unicamente nisso".

Um quadro totalmente ilógico. Certamente às vezes Noé se frustrava, tanto externa como interiormente. Quantos dias ficou desencorajado? De quanto em quanto tempo se perguntou "Isso é uma besteira. Como posso saber que era a voz de Deus?". Mas Noé fez como Deus mandou. Continuou confiando na palavra que recebeu, por mais de um século. E por sua obediência, dizem as escrituras, Noé "se tornou herdeiro da justiça que vem da fé" (v. Hebreus 11:7).

Veja Abraão. Deus disse a esse homem: "Levante-se, saia, e deixe a sua terra". Certamente ele ficou imaginando: "Mas para onde, Senhor?". Deus respondeu simplesmente: "Não vou dizer. Apenas vá".

Isso não era lógico. Era uma exigência totalmente não razoável para qualquer ser pensante. Vou ilustrar perguntando à qualquer esposa cristã: o que aconteceria se o seu marido chegasse em casa um dia, e dissesse: "Arrume as malas, amor - nós vamos mudar". É claro, você iria querer saber por que, ou para onde, ou como. Mas a única resposta que ele lhe dá é: "Não sei. Eu só sei que Deus mandou fazer isso". Inexiste correspondência racional a esse tipo de exigência. Ela simplesmente não é lógica.

Contudo essa foi exatamente a direção ilógica que Abraão seguiu. "Pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que devia receber por herança; e partiu sem saber aonde ia" (Hebreus 11:8). Abraão fez as malas da família e saiu, sem saber onde acabaria a viagem. A única coisa que sabia era a breve palavra que Deus havia lhe dado: " Vá, Abraão, e Eu estarei contigo. Nenhum mal chegará a ti". A fé exigia que Abraão agisse baseado em nada além desta promessa.

Em uma noite estrelada, Deus diz a Abraão: "Olhe para o céu. Está vendo as inúmeras estrelas? Conte-as se puder. Essa será a quantidade de descendentes que você terá" (v. Gênesis 15:5). Abraão deve ter abanado a cabeça diante disso. Ele era velho então, bem como sua esposa, Sara. Há muito havia passado o tempo da possibilidade de terem um filho. Contudo aqui ele recebe a promessa de que se tornaria o pai de muitas nações. E a única evidência que possuía para prosseguir era uma palavra dos céus: " Eu sou o Senhor" (Gênesis 15:7).

Mas Abraão obedeceu. E a Bíblia diz o mesmo em relação a ele que diz de Noé: "Ele creu no Senhor, e isso lhe foi imputado para justiça" (15:6). De novo, vemos uma cena ilógica. Mesmo assim a fé de um homemé traduzida para justiça.

Veja os filhos de Israel. Pense nas situações de provação às quais foram levados por Deus. Ele os livrou das garras do faraó no Egito só para se verem encurralados no mar Vermelho. Os israelitas ficaram cercados pelas montanhas por dois lados, com o exército do faraó rapidamente caindo sobre eles por trás. Era uma situação desesperadora, sem nenhuma saída humana. O coração do povo deve ter se agitado ao ouvir o ribombar dos carros do faraó, e vendo o pó levantado pelos cavalos.

Mesmo conhecendo o desdobramento desta cena, a minha carne quer argumentar com Deus: "Não parece justo, Senhor. Que tremendo trauma para as famílias e seus filhos. Eles ficaram presos lá, sem barcos ou jangadas, se perguntando o que fazer. Deus, uma noite o Senhor matou todos os primogênitos do Egito. Por que não matou todos esses soldados no deserto? É irracional, com todas aquelas crianças chorando, e os homens e mulheres tremendo de medo. Eles tinham Lhe obedecido - mesmo assim o Senhor permitiu que isso lhes sobreviesse. Por que levá-los a passar por isso?".

Não há como escapar deste fato: Deus os levou à essa situação. E a cena inteira é totalmente ilógica, completamente irracional. Deus simplesmente esperava que eles cressem na palavra que já havia lhes dado: "Vou pegá-los em meus braços e carregá-los através do deserto. Nenhum inimigo prosperará contra vocês, pois estarei consigo. Vocês simplesmente se aquietem e vejam a salvação do Senhor".

Eu lhe pergunto: quantos de nós hoje não ficaríamos lá com medo e chorando, como os israelitas fizeram? Se formos honestos, sabemos que é exatamente assim que reagimos agora, na maioria de nossas crises. A situação dos nossos corações não é similar a deles?

Simplificando, a fé é muito exigente. Ela exige que uma vez tendo ouvido a Palavra de Deus, a obedeçamos, sem nenhuma outra evidência ou prova para nos dirigir. Não importa o quão grandes os nossos obstáculos possam ser, o quanto as nossas circunstâncias sejam impossíveis. Devemos crer em Sua Palavra e agir baseados nela, sem nenhuma outra prova para ir em frente. Deus diz: "A única coisa que você necessita é da Minha promessa".

 



Creio Que Nada Mudou
Desde o Tempo em Que Estes Patriarcas Viveram


Tal como cada uma das gerações que nos antecederam, também nos perguntamos: "Senhor, por que estou enfrentando este teste? Está além da minha compreensão. O Senhor permitiu tantas coisas em minha vida que não fazem sentido. Por que não há explicação para o que estou enfrentando? Por que a minha alma está tão angustiada, cheia de provações tão grandes?".

Ouça-me mais uma vez: as exigências da fé são totalmente irracionaisà humanidade. Assim, como o Senhor responde aos nossos gritos? Ele envia a Sua Palavra, lembrando-nos de Suas promessas. E Ele diz: "Simplesmente Me obedeça. Confie na Minha Palavra para você". Ele não aceita nenhuma desculpa, nenhuma desobediência - não importa o quão impossível possam parecer as nossas circunstâncias.

Por favor não me entenda mal. O nosso Deus é um Pai amoroso. E não permite que o Seu povo sofra indiscriminadamente, sem nenhuma razão. Sabemos que Ele tem ao Seu dispor o poder e a disposição para fazer com que todos os problemas e as dores sejam removidos. Ele pode simplesmente pronunciar uma palavra, e nos livrar de toda prova e luta.

Contudo, o fato é o seguinte: Deus não vai nos mostrar como ou quando irá cumprir as Suas promessas para conosco. Por que? Porque Ele não nos deve nenhuma explicação, uma vez já tendo nos dado a resposta. Ele nos deu tudo o que precisamos para vida e piedade em Seu Filho, Jesus Cristo. Ele é a única coisa que necessitamos para toda situação que a vida nos lança. E Deus vai se manter na Palavra que já revelou: "Você tem a Minha Palavra ao seu alcance. As Minhas promessas são sim e amém para todos os que crêem. Então, descanse na Minha palavra. Creia nela e a obedeça".

A Bíblia nos diz que Israel "provocou" a Deus dez vezes no deserto. O quê foram essas provocações? Foram dez situações quando os israelitas enfrentaram grandes provações. Vez após outra o povo foi colocado em circunstâncias que pareciam impossíveis. Talvez você às vezes tenha se perguntado, como eu, "Senhor, por que tantos testes?".

Em cada exemplo, Deus estava buscando promover em Seu povo um vislumbre de fé; estava procurando só uma pequena medida sobre a qual Ele pudesse edificar. Veja, o Senhor queria dar ao mundo um testemunho de Sua fidelidade ao Seu povo. E Israel era para ser esse testemunho. Deus estava dizendo, basicamente: "Quando levo o Meu povo à situações difíceis, espero que eles ajam baseados nas Minhas promessas para com eles. A Minha Palavra é vida a todo que crê. E quero essa mensagem pregada e demonstrada a um mundo perdido e que está à morte".

Essa Palavra já estava disponível a Israel. Deus lhes havia dito: "Vou lhes tirar da aflição, para uma terra onde jorra leite e mel. Ninguém conseguirá lhes enfrentar. O EU SOU estará com vocês. E nenhuma promessa Minha falhará". O mesmo se aplica ao povo de Deus hoje. Enquanto a terra existir, as Suas promessas permanecem as mesmas: "Eu lhes tirarei das aflições. Confiem no grande EU SOU".

É por isso que o Deus de extrema paciência não tem paciência com a incredulidade de Seus filhos. Hebreus diz: "Havendo-a alguns ouvido, o provocaram" (Heb. 3:16). O quê ouviram? Eles tinham ouvido a Palavra de Deus: promessas de proteção, orientação e bondade. Mas ao invés de confiarem nessa Palavra, se concentraram nas situações desesperadoras. E permitiram que a incredulidade se apossasse de seus corações. Deus respondeu dizendo: "Jurei na minha ira que não entrarão no meu repouso" (Heb. 3:11).

Essas pessoas queriam algo racional. Queriam se firmar em algo que pudessem ver, sentir e tocar. Queriam que Deus lhes detalhasse o trajeto que as aguardava à frente. Mas isso não é fé. Fé significa dizer: "Deus me fez uma promessa. E vou viver e morrer por essa promessa. Não importa o que será necessário para me apropriar dela. Estou arriscando tudo, toda a minha vida - por Sua Palavra para mim".

Hebreus pergunta: "Mas com quem se indignou por quarenta anos? Não foi porventura com os que pecaram, cujos corpos caíram no deserto? E a quem jurou que não entrariam no seu repouso, senão aos que foram desobedientes? E vemos que não puderam entrar por causa da sua incredulidade" (Heb. 3:17-19).

O fato é que todas as provações de Israel passaram. E Deus fielmente livrou-os de cada uma delas. Ainda assim os mesmos israelitas que experiementaram a bondade de Deus acabaram mortos no deserto. Por que? Toda vez que vinha uma luta, eles murmuravam reclamando - e se endureciam, recusando a crer.

E você? Você nesse instante está numa situação de terror como Israel estava? Você está sem esperança, vazio, despojado de tudo? A todos os que estiverem enfrentando uma luta angustiante, eu digo: as suas provações também passarão. Então, o que Deus espera de você agora, em meio a tudo que está acontecendo?

Talvez você esteja sofrendo, se angustiando com uma situação que parece não ter fim. Você está cabisbaixo, mais desencorajado do que jamais esteve na vida. Os seus amigos podem estar dizendo: "Não chore e não se lastime. Isso não é mostrar fé". Mas não é assim. A verdade é que se você tem fé, será capaz de chorar. Não dá para evitar a dor. Em verdade, há poder de cura em suas lágrimas. O seu lamento não tem nada a ver com ter ou não confiança na Palavra de Deus.

Às vezes, você pode se perguntar: "Senhor, o quê fiz de errado? Que pecado cometi? Será que isso é o Teu julgamento sobre mim?". Você pode até sentir vontade de confrontá-Lo, dizendo: "Por que o Senhor deixou isso acontecer? O que fiz para que o Senhor permitisse isso?". Posso lhe dizer: Deus lhe dá tempo para estes questionamentos. Ele permite que a sua carne tenha os seus acessos de raiva.

Aí, finalmente, o Senhor chega até você e diz: "Você teve o direito de sentir todas essas emoções. Mas não tem razão em Me acusar ou em duvidar de Mim. Eu lhe dei uma promessa. Na verdade, lhe dei tudo de que necessita. E você deve se apropriar dessa promessa agora. Se o fizer, a Minha Palavra se transformará em vida para você. Lhe trará cura maior do que a de qualquer remédio, mais poderosa do que qualquer mar de lágrimas".



Por Toda a Bíblia,
Encontramos Homens e Mulheres de Deus
Que Atravessaram Profundos Tremores na Alma e no Espírito


Vez após outra o salmista inquire: "Por que a minha alma está abatida? Me sinto inútil e abandonado. Há tanta inquietação dentro de mim. Por que, Senhor? Por que me sinto tão fraco na aflição?". Estas perguntas falam em nome de multidões de pessoas que têm amado e servido a Deus.

Veja o piedoso Elias, por exemplo. O vemos embaixo de uma árvore de zimbro, suplicando que Deus o mate. Ele está tão deprimido, que chega ao ponto de querer desistir da própria vida. Também encontramos o justo Jeremias afundado no desespero. O profeta grita: "Deus, o Senhor me enganou. Me mandou profetizar todas essas coisas, mas nenhuma delas aconteceu. Nada fiz toda a minha vida senão buscá-Lo. E é assim que o Senhor me paga? A partir de agora não mencionarei mais o Seu nome".

Cada um destes servos sofreu um ataque temporário de incredulidade. Mas o Senhor entendeu a sua condição nas horas de confusão e dúvida. E após um período, sempre lhes indicou uma saída. Em meio às suas aflições, o Espírito Santo acendeu luz para eles. E as escrituras registram as suas experiências para nós.

Veja o testemunho de Jeremias sobre como ele saiu do buraco: "Achando-se as tuas palavras, logo as comi, e a tua palavra foi para mim o gozo e alegria do meu coração" (Jeremias 15:16). Também Davi testifica: " Guardei a tua palavra". E Elias diz: "Veio a mim a tua palavra". Certa hora, todos esses servos recordaram-se da Palavra do Senhor. E ela se transformou na alegria e no júbilo de suas vidas, puxando-os para fora do abismo.e me coloquei no lugar do servo.

A verdade é que durante todo o tempo que estas pessoas estavam lutando, o Senhor estava sentado ao lado, aguardando. Ele ouviu o seu choro, a dor, suas angústias. E após ter passado um certo tempo, lhes disse: " Você já chorou. Já experimentou o sofrimento e a dúvida. Agora quero que confie em Mim. Poderia você voltar para a Minha Palavra? Poderia se apropriar da promessa que fiz para você? Se fizer isso, a Minha Palavra irá tomar conta de você".

Não importa como chegamos à nossa terrível situação. Algumas vezesé obra do Senhor, levando-nos ao nosso limite. Às vezes é o inimigo nos atacando, como fez com Jó. Às vezes é a nossa carne, seja através de tentação, ou por meio de sofrimento mental ou físico. O fato é que não importa como foi que chegamos àquela situação. O que importa é como saímos dela. E inexiste outro caminho senão pela Palavra de Deus.

O Espírito Santo é fiel em nos falar. Ele faz com que saibamos quando chega a hora de deixarmos de lado as nossas dúvidas e questionamentos. Se não fizermos isso - se nos recusarmos a voltar a confiar na Palavra de Deus, permitindo que as Suas promessas se tornem mais uma vez a alegria de nossas vidas - a incredulidade se instalará. E se solidificará como concreto. Chegando a esse ponto, cairemos num abismo do qual poderemos nunca sair. Então, cada um de nossos pensamentos em relação a Deus será de dureza e acusação, ao invés de confiança. E a Sua ira é contra todo aquele que abandona a confiança em Sua Palavra.



No Novo Testamento, Encontramos o Que Deve Ser a
Exigência Mais Irracional da Fé Que Deus Já Fez à Humanidade


Por séculos, os judeus haviam procurado o Messias que viria. Acreditavam que o Salvador de Israel seria um rei em majestade e poder para governar em Jerusalém. Seria um libertador poderoso, comandando um exército invencível. E romperia o jugo que Roma havia colocado sobre Israel. E então superaria qualquer outro poder sobre a face da terra.

Dá para imaginar a expectativa que todo judeu tinha para a vinda deste Salvador? Ele iria acabar com todas as enfermidades, remover toda a dor, libertar os pobres da pobreza, e dar às pessoas tudo o que os seus corações desejavam. Ele tornaria Israel um grande povo e uma próspera nação. E faria tudo isso com incrível demonstração de força.

E então? Foi assim que o Messias chegou? Não, sabemos que não. Ele nasceu num estábulo, em meio a tantos lugares onde poderia ter nascido. E a história do Seu nascimento é o aspecto mais ilógico e irracional de todos. Esse Messias não teve pai terreno; foi concebido imaculadamente pelo Espírito Santo, e carregado no ventre de uma virgem. A Sua chegada não foi anunciada por trombetas poderosas, mas por um velho sacerdote e uma profetiza anciã. Eles simplesmente declararam: "Ele é o esperado de Israel. Creiam nEle, pois Ele é Deus".

De quem estavam falando, exatamente? De um humilde nazareno, um carpinteiro. Quando Jesus entrou em cena, as pessoas disseram: "Espere aí. Nós conhecemos os pais dEle". Alguém até poderia ter dito: "José uma vez O trouxe à nossa casa para ajudar a consertar a mesa". Como se poderia esperar que alguém cresse que um homem desses era o Messias? Isso seria totalmente irracional.

Jesus não anunciou o Seu senhorio com um poderoso exército. Ele apareceu só com doze discípulos iletrados, da classe trabalhadora. Estes não eram estudados na grande teologia. Eram pescadores, trabalhadores avulsos, gente do comércio. E Jesus não era diferente. Então, como alguém poderia aceitar que Ele fosse uma autoridade na palavra de Deus? Todos sabiam que os reais líderes de Israel assentavam-se aos pés de Gamaliel, prendendo com o mais proeminente intelectual da época . Enquanto isso, esse filho de carpinteiro ensinava nos desertos e à beira do mar. A Sua platéia era feita de viúvas, leprosos, prostitutas. E Ele dizia a todos eles: "Sou Deus na forma humana. Creiam em Mim".

Imagine a reação que todo líder religioso deve ter tido: " Esse homem chega às sinagogas declarando que é o Messias. Diz que foi enviado por Deus. Mas não tem nascimento e nem linhagem real. Não tem nem onde reclinar a cabeça. Invade o templo e expulsa todos os nossos comerciantes. E chama o templo de 'casa do Meu Pai'. Mas Ele não explica de onde recebe essa autoridade. Em verdade, sustenta que Ele é o templo de Deus. Diz que existia antes de Abraão."

"Ele diz que é a água viva, que é o pão dos céus, homem e Deus a mesmo tempo. E aí usa uma linguagem esquisita, dizendo para comermos do Seu corpo, e bebermos do Seu sangue. Diz que se O vemos, vemos o Pai. Mas que se não cremos nEle, então não cremos em Deus. Mas, que autoridade tem para sustentar tudo isso? É apenas a palavra dEle. Ele simplesmente chega e fala: 'Confiem em Mim'".

Imagine esses líderes ouvindo Jesus dizer: "Quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna" (Jo. 5:24). Eles protestaram, dizendo a Cristo: "Tu testificas de ti mesmo; o teu testemunho não é verdadeiro" (8:13). Jesus responde a eles com ainda uma outra explicação não razoável: "Está...escrito que o testemunho de dois homens é verdadeiro. Eu sou o que testifico de mim mesmo, e de mim testifica também o Pai que me enviou" (5:17-18).

Finalmente, Jesus coloca todo o assunto sob uma perspectiva. Ele lhes diz: "Por que não entendeis a minha linguagem? por não poderdes ouvir a minha palavra" (8:43). Ele estava dizendo: "Vocês não conseguem me compreender porque não ouvem a Minha Palavra". O mesmo é verdade em relação a todo crente de hoje. Tudo se resume a um ponto: confiar na Palavra de Deus. Unicamente a Sua Palavra é a nossa vida e esperança.



Até o Dia de Hoje
Deus Está Impaciente Com a Incredulidade do Seu Povo


Vivemos no perído da maior revelação do evangelho na história. Há mais pregadores, mais livros, mais saturação evangélica pela mídia do que nunca. Contudo nunca houve mais angústia, aflição e perturbação mental entre o povo de Deus. Os pastores de hoje programam os sermões só para pegar as pessoas, e ajudá-las a tratar do desespero. Pregam sobre o amor e a paciência de Deus. Lembram-nos que Ele compreende os nossos tempos de desencorajamento. Ouvimos: "Fique firme, forte. Até Jesus sentiu-se abandonado pelo Pai".

Não há nada errado nisso. Eu mesmo prego essas verdades. Contudo creio que existe ainda uma razão pela qual vemos tão pouca vitória e libertação: incredulidade. O fato é que Deus tem falado com grande clareza nestes últimos dias. E é isso o que tem dito: "Já lhes dei uma Palavra. Está terminada e completa. Agora, baseiem-se nela".

Que ninguém lhe diga que estamos experimentando fome da Palavra de Deus. A verdade é: estamos experimentando fome de ouvir a Palavra de Deus, e de obedecê-la. Por que? Fé é tão irracional. E a fé nunca nos vem pela lógica ou pela razão. Paulo declara simplesmente: "A fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus" (Rom. 10:17). Essa é a única maneira pela qual a verdadeira fé algum dia se elevará no coração de qualquer crente. Ela vem pelo ouvir - ou seja, crer, confiar e agir baseado em - a Palavra de Deus.

Quero encerrar com uma conversa imaginária entre o Senhor e um cristão desencorajado:

-O cristão: "Deus, estou afundado e sem coragem. O Senhor prometeu que não permitiria que eu carregasse qualquer carga que fosse pesada demais sem que me permitisse um escape. Mas nesse exato momento estou aniquilado. Que pelo menos o Senhor pudesse me dizer do que se trata tudo isso".

-O Senhor: "Eu te dou a Minha palavra". "Sendo assim, todo homem piedoso te fará súplicas...Com efeito, quando transbordarem muitas águas, não o atingirão. Tu és o meu esconderijo; tu me preservas da tribulação e me cercas de alegres cantos de livramento. Instruir-te-ei e te ensinarei o caminho que deves seguir; e, sob as minhas vistas, te darei conselho" (Salmo 32:6-8).

-O cristão: "Senhor, me sinto tão fraco. A minha força está quase no fim; a minha mente está inundada de medo e dúvidas. Não vejo saída. O futuro me parece sem chance".

-O Senhor: "Eu te dou a Minha palavra". "Eis que os olhos do Senhor estão sobre os que o temem, sobre os que esperam na sua misericórdia, para livrar-lhes a alma da morte, e, no tempo da fome, convervar-lhes a vida. Nossa alma espera no Senhor, nosso auxílio e escudo" (Salmo 33:18-20).

-O cristão: "Senhor, às vezes sinto que devo Lhe ter ofendido. Essa provação de agora seria então um tipo de julgamento? Será que algum dia isso vai acabar?".

-O Senhor: "Eu te dou a Minha palavra". "Clamou este aflito, e o Senhor o ouviu e o livrou de todas as suas tribulações. O anjo acampa-se ao redor dos que o temem e os livra. Oh! Provai e vede que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que nele se refugia..."

"Os olhos do Senhor repousam sobre os justos, e os seus ouvidos estão abertos ao seu clamor... Clamam os justos, e o Senhor os escuta e os livra de todas as suas tribulações... Mutas são as aflições do justo, mas o Senhor de todas os livra...O Senhor resgata a alma dos seus servos, e dos que nele confiam nenhum será condenado" (Salmo 34:6-8,15,17,19,22).

Em apenas três Salmos, recebemos o suficiente da Palavra de Deus para expulsar toda incredulidade. Insisto com você agora: ouça-a, confie nela, obedeça-a. E finalmente, repouse nela. Esse será o nosso testemunho do nosso fiel Deus, em meio à toda provação e aflição.

 

 

 

 

A Vida de Renúncia
(The Surrendered Life)

Por David Wilkerson
23 de Janeiro de 2004

Os cristãos atualmente ouvem muito a respeito da vida de renúncia. Mas o que isto significa exatamente? A vida de renúncia é o ato de devolver a Jesus a vida que Ele lhe concedeu. É abandonar o controle, os direitos, o poder, a direção, tudo o que você faz e diz. É entregar totalmente a vida em Suas mãos, para que Ele a conduza como quiser.

Eu me pergunto: onde estes santos conseguiram a autoridade espiritual e o vigor para fazerem tudo o que fizeram? Eles eram um outro tipo de gente, servos de um tipo totalmente diferente daquele que vemos hoje na igreja. Eu simplesmente não consigo me ver relacionado a eles, e ao seu caminhar. Sei que não sou totalmente do tipo deles. E não conheço um único cristão que seja.

O próprio Jesus viveu uma vida de renúncia: "Eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, mas a vontade daquele que me enviou" (João 6:38). "Eu não procuro a minha própria glória" (8:50). Cristo nunca fez algo da própria vontade. Ele nunca deu um passo, nem disse uma palavra, sem ser instruído pelo Pai. "Eu nada faço por mim mesmo; mas falo como o Pai me ensinou...porque faço sempre o que lhe agrada" (8:28-29).

A submissão total de Jesus ao Pai é um exemplo de como todos nós deveríamos viver. Você pode dizer: "Jesus era Deus na forma humana. Sua vida estava entregue antes mesmo de vir à Terra". Mas a vida de renúncia não é imposta a ninguém, incluindo Jesus.

Cristo pronunciou estas palavras sendo um homem de carne e osso. Afinal, Ele veio ao mundo não para viver como Deus, mas como ser humano. Ele viveu a vida do mesmo modo que nós. E, como nós, tinha vontade própria. Ele optou por entregar esta vontade totalmente ao Pai: "Por isso o Pai me ama, porque dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou. Tenho autoridade para a entregar, e também para reavê-la" (João 10:17-18).

Jesus estava nos dizendo: "Não se enganem. Este ato de auto-entrega está totalmente sob a Minha vontade. Estou optando por dar a Minha vida. E não estou fazendo isto porque alguém Me disse para fazê-lo. Ninguém está tomando a Minha vida de Mim. Meu Pai Me deu o direito e o privilégio de entregá-la. Ele também deu a opção de Eu passar de Mim este cálice e evitar a cruz. Mas escolho fazê-lo, por amor e completa submissão a Ele".

Nosso Pai celeste deu a todos nós este mesmo direito: o privilégio de escolhermos uma vida de renúncia. Ninguém é forçado a abrir mão de sua vida para Deus. Nosso Senhor não nos faz sacrificar nossa vontade, devolvendo-Lhe nossas vidas. Ele nos oferece livremente uma terra prometida, cheia de leite, mel e frutas. Mas podemos optar por não entrar neste lugar de plenitude.

A verdade é que podemos ter tanto de Cristo quanto quisermos. Podemos nos aprofundar nEle o quanto optarmos, vivendo plenamente segundo Sua palavra e direção. O apóstolo Paulo sabia disso. E escolheu seguir o exemplo de Jesus - o de uma vida de submissão total.

Paulo tinha sido no passado uma pessoa que odiava Jesus, um perseguidor de cristãos convencido da própria justiça. Ele mesmo afirmou que literalmente respirava ódio contra os seguidores de Cristo. Também era um homem muito obstinado e ambicioso. Paulo era bem instruído, tendo sido ensinado pelos melhores mestres da época. E era fariseu, entre os mais zelosos líderes religiosos judeus.

Desde o princípio Paulo estava em ascensão, a caminho do sucesso. Ele tinha a aceitação da ordem religiosa da época. E tinha uma clara missão, com recomendações de seus superiores. Na verdade, ele tinha sua vida toda planejada, sabendo exatamente aonde estava indo. Paulo estava confiante de estar fazendo a vontade de Deus.

Mas o Senhor tomou este homem que venceu por si próprio, obstinado, independente - e o transformou num ardente exemplo da vida de renúncia. Paulo tornou-se uma das pessoas mais dependentes, plenas e conduzidas por Deus de toda a história. Em verdade, Paulo declara que a sua vida é um modelo para todos que quiserem viver inteiramente entregues a Cristo: "Mas, por esta mesma razão, me foi concedida misericórdia, para que, em mim, o principal, evidenciasse Jesus Cristo a sua completa longanimidade, e servisse eu de modelo a quantos hão de crer nele para a vida eterna" (1 Timóteo 1:16).

O apóstolo estava dizendo: "Se você quer saber quanto custa viver uma vida de renúncia, veja a minha. Você determinou em seu coração ir mais a fundo com Jesus? Aqui está o que você poderá ter que suportar". Paulo sabia que poucos estariam dispostos a seguir seu exemplo. Mas a sua vida é um modelo para todos que escolherem a vida de renúncia integral.


1. O Caminho da Renúncia Começa com Deus nos Levando à Uma Sensação de Total Fragilidade.


Deus inicia o processo nos fazendo cair do alto do cavalo. Para Paulo isto aconteceu literalmente. Ele estava indo seguro de si em direção a Damasco, quando uma luz ofuscante veio do céu. Paulo foi derrubado ao chão, trêmulo. Então uma voz falou do céu, dizendo: "Saulo, Saulo, por que me persegues?" (Atos 9:4)

As palavras levaram Paulo de volta a um evento de meses atrás. De repente este justo fariseu compreendeu porque sua consciência estava irrequieta. Paulo tinha suportado longas noites de agitação, atormentado por inquietação e confusão - pois tinha visto algo que o abalara até o âmago.

Paulo tinha acompanhado o apedrejamento do apóstolo Estevão. Creio que Paulo lembrou do olhar na face de Estevão diante da morte. Estevão tinha uma expressão celestial, uma presença santa em torno de si. E suas palavras tinham tanto poder. Eram penetrantes e cheias de poder de convencimento. Este homem humilde não se importava nem um pouco com a aprovação do mundo; ele não estava impressionado com as autoridades religiosas. E não tinha medo da morte.

Tudo isto expunha o vazio da vida de Paulo. Este fariseu dos mais devotos percebeu que Estevão tinha algo que ele não possuía. Paulo tinha tido contato face à face com um homem totalmente submisso a Deus, e isto o tornou infeliz. Provavelmente ele pensou: "Eu me preparei durante anos lendo as escrituras. Mas este homem sem estudos proclama a palavra de Deus com autoridade. Eu tive sede de Deus toda a minha vida. Mas Estevão tem o próprio poder do céu, mesmo ao morrer. Ele claramente conhece Deus, como jamais encontrei outra pessoa. Todavia todo esse tempo, estive perseguindo a ele e aos seus companheiros".

Paulo sabia que estava faltando algo em sua vida. Ele tinha conhecimento de Deus, mas nenhuma revelação própria, como Estevão. Agora, de joelhos e tremendo, ele ouve estas palavras do céu: "Eu sou Jesus, a quem tu persegues" (Atos 9:5). Foi uma revelação sobrenatural. E as palavras viraram o mundo de Paulo de cabeça para baixo. Creio que à estas alturas, ele deve ter ficado durante horas sobre sua face, chorando, como que dizendo:

"Eu estava totalmente enganado. Gastei todos estes anos com educação e estudo, praticando boas obras. Mas o tempo todo, eu estava no caminho errado. Jesus é o Messias. Ele veio, mas eu não O conheci. Todas aquelas passagens em Isaías fazem sentido agora. Eram a respeito de Jesus. Agora entendo o que Estevão possuía. Ele tinha um conhecimento íntimo de Cristo".

A escritura diz: "Trêmulo e assustado (Paulo) disse: Senhor, que queres que eu faça?" (Atos 9:6). A conversão de Paulo foi uma obra dramática do Espírito Santo. E que convertido incomum foi este homem. Ele era o perseguidor do povo de Deus. Seu testemunho seria uma evidência poderosa e irrefutável para o evangelho de Jesus Cristo. Certamente Deus iria usar Paulo de maneiras incríveis. "Levanta-te e entra na cidade, onde te dirão o que te convém fazer" (9:6).

Tente imaginar Paulo então. Este fariseu com alto grau de escolaridade estava agora emudecido e cego. Ele teve de ser conduzido à cidade pelos amigos. Parecia que tudo na sua vida tinha desmoronado. Mas a realidade é a seguinte: Paulo estava sendo conduzido pelo Espírito Santo à uma vida de renúncia. Quando ele pergunta: "Senhor, que queres que eu faça?", seu coração estava clamando: "Jesus, como posso servir-Te? Como posso Te conhecer e agradar? Nada mais importa. Tudo que tenho realizado na minha carne é estrume. Tu és tudo para mim agora".

Paulo passou os tres dias seguintes jejuando e orando. Todavia nenhuma palavra veio do céu. Ele tinha ensinado e pregado a outros, mas nenhum dos seus conhecimentos podia ajudá-lo agora. Ele estava totalmente fragilizado. Ele deve ter orado: "Ó Deus, Tu me destes um desejo tão grande em conhecer-Te. Por favor, mostra-me o que fazer. Estou tão cego e confuso, nada faz sentido".

Digo a todo seguidor consagrado a Jesus: preste atenção à esta cena. Aqui está o modelo para a vida de renúncia. Quando você decidir a se aprofundar em Cristo, Deus colocará um Estevão no seu caminho. Ele o confrontará com alguém cujo semblante tem o brilho de Jesus. Esta pessoa não está interessada nas coisas do mundo; não se preocupa com os aplausos dos homens. Ela se preocupa apenas em agradar ao Senhor. E a vida dela vai expor a complacência e as concessões que você tem feito, condenando-o seriamente.

Assim como Paulo, você sentirá repentinamente a sua falência. Perceberá que independente de quantas boas obras tenha procurado realizar, você não encontrou Jesus. E terminará num beco sem saída: confuso, desorientado, incapaz de dar um sentido à toda a revelação anterior. Mas será tudo um agir de Deus. Ele o levará a este estado de total desamparo.


2. O caminho da Renúncia Leva a Muito Sofrimento.


"Este é para mim um instrumento escolhido, para levar o meu nome perante os gentios, os reis e os filhos de Israel; pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome" (Atos 9:15-16). Paulo recebeu a promessa de um ministério frutífero. Mas teria que suportar grandes sofrimentos para realizá-lo.

Sofrimento é um assunto amplo, incluindo muitos tipos diferentes de dor: agonia física, angústia mental, aflição emocional, dor espiritual. De acordo com as escrituras, Paulo experimentou cada uma delas. Ele sofreu um espinho na carne, naufrágios, apedrejamentos, açoites, roubos; enfrentou rejeição, zombaria, mexericos maliciosos; suportou perseguições de todos os tipos. E às vezes sentiu-se perdido, confuso, incapaz de ouvir algo de Deus.

Este modelo de sofrimento da vida de Paulo não será experimentado por todos que buscam a vida de renúncia. Mas de alguma maneira, todo crente consagrado irá se defrontar com a dor. E há um propósito atrás de tudo isso. Veja, sofrimento é uma área da vida sobre a qual não temos controle. É a área na qual aprendemos a nos render à vontade de Deus.

Eu chamo este sofrimento de escola da renúncia. É um local de treinamento onde, como Paulo, caímos sobre nossas faces e terminamos clamando: "Senhor, não dá para agüentar issso". Ele responde: "Bom. Deixe comigo. Entregue tudo a Mim, corpo, alma, mente, coração, tudo. Confie plenamente em Mim".

Se você tomar o caminho da renúncia, da submissão completa, sofrerá muito mais do que o cristão mediano, complacente. Se um crente que faz concessões sofre, é apenas para o seu benefício. O Senhor pode estar usando a dor para desabituá-lo de algum pecado particular. E ninguém mais vai aprender com as suas lições. Mas se você deseja a vida de renúncia, o seu sofrimento eventualmente se tornará um grande conforto para outros. Paulo afirma:

"Bendito seja o Deus...o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação. É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus. Porque, assim como os sofrimentos de Cristo se manifestam em grande medida a nosso favor, assim também a nossa consolação transborda por meio de Cristo. Mas, se somos atribulados, é para o vosso conforto e salvação; se somos confortados, é também para o vosso conforto, o qual se torna eficaz, suportando vós com paciência os mesmos sofrimentos que nós também padecemos" (2 Coríntios 1:3-6).

Paulo está falando aqui de sofrimentos que são permitidos por Cristo. Nosso Senhor permite estas dores nas nossas vidas, para nos tornar testemunhas da Sua fidelidade, diante dos outros. Ele quer confirmar que é o "Deus de toda consolação" (1:3). O objetivo do nosso sofrimento não é apenas nos levar à uma completa entrega à Sua vontade. Também é para "vossa (dos outros) consolação e salvação" (1:6). Resumindo, os maiores ministérios de consolação são fruto dos nossos maiores sofrimentos.


3. O Caminho da Renúcia Leva à Uma Única Ambição.


Paulo não tinha outra ambição, outra força que o impulsionava na vida, do que esta: "Que possa ganhar a Cristo" (Filipenses 3:8).

Conheço um jovem pregador, homem de Deus, que tem amizade com muitos outros pregadores jovens pelo país inteiro. Perguntei-lhe qual ele considerava ser o maior problema entre seus companheiros. Ele disse: "A pressão para ser bem sucedido". Sua resposta me espantou. Eu sabia que a busca do sucesso é comum na sociedade secular. Então também é uma praga na igreja? Ele explicou: "Ministros jovens acham que precisam produzir grandes números na sua igreja imediatamente. Eles sentem uma forte pressão para apresentar crescimento da noite para o dia".

Isto também é um problema para ministros mais antigos. Eles vêm trabalhando árduamente durante anos, esperando ver sua igreja crescer. Quando então uma nova igreja, de um pastor jovem, começa a crescer, os mais velhos se sentem pressionados a conseguir o mesmo. Eles correm para conferências sobre crescimento de igrejas, procurando técnicas para aumentar seus números.

Já perdi a conta de quantas cartas tenho recebido, que dizem basicamente o seguinte: "Nosso pastor acaba de retornar de uma conferência, animado com uma 'nova fórmula de sucesso'. Diz que nossos cultos precisam ser mais amigáveis com pecadores. Então ele alterou completamente o louvor, bem como os sermões. É um lugar diferente agora. Alguns meses atrás o Espírito Santo se movia poderosamente aqui. Mas agora as pessoas estão saindo, porque o Espírito foi embora".

Um pastor ficou perplexo diante do conselho de um especialista em crescimento de igrejas. Este lhe disse: "Sua igreja não pode crescer se Jesus é tudo o que você oferece". Este "especialista" omitiu Cristo! A resposta a qualquer problema da igreja está prontamente disponível, mas este homem não a conheceu. Como? Ele se afastou justamente da ambição que Paulo diz ser necessária: ganhar a Cristo.

Pelos padrões atuais de sucesso, Paulo foi um fracasso total. Ele não construiu nenhum prédio. Ele não tinha uma organização. E os métodos que ele usava eram desprezados por outros líderes. Na verdade, a mensagem que Paulo pregava ofendia muitos de seus ouvintes. Às vezes foi até apedrejado por isso. Seu assunto? A cruz.

Jovens ministros tem dito: "Irmão David, você é um sucesso. Você tem um ministério pelo mundo todo. Você pastoreia uma mega-igreja. Até escreveu um best-seller. A sua reputação é para a vida toda. Bem, e eu? Por que não posso ir pelo mesmo caminho?".

Às vezes tenho me sentido tentado a responder: "Mas eu paguei um preço. Você não conhece os sofrimentos que passei nesta caminhada". Não, esta não é a resposta. O fato é que conheço homens bem mais piedosos que eu, que sofreram bem mais do que poderia sequer imaginar. Foram fiéis e consagrados, suportando terríveis sofrimentos, alguns até à morte. Todavia os nomes destes homens não são conhecidos pelo mundo afora.

Esta não é absolutamente a questão. Quando todos estivermos diante de Deus no julgamento, não seremos julgados segundo nossos ministérios, nossas realizações ou o número de convertidos. Haverá apenas uma medida para o sucesso neste dia: nossos corações estavam totalmente entregues a Deus? Pusemos de lado as nossas próprias vontades e prioridades, para aceitar as dEle? Sucumbimos à pressão dos outros e seguimos a multidão, ou buscamos apenas a Ele para nos guiar? Corremos de um curso para outro procurando um objetivo na vida, ou encontramos a nossa realização nEle?

Eu tive o chamado para pregar a palavra de Deus desde os oito anos de idade. E posso dizer honestamente que, durante toda a vida, a minha maior alegria tem sido ouvir o Senhor. Eu sei que quando estou diante das pessoas para pregar, estou divulgando uma mensagem que Deus me deu. E esta mensagem precisa trabalhar na minha própria alma, antes de me atrever a pregá-la a outros. Deleito-me em esperar no Senhor, para ouvir: "Este é o caminho, ande por ele".

Agora, aos setenta anos, tenho apenas uma ambição: aprender mais e mais a dizer apenas as coisas que o Pai me dá. Nada que digo ou faço de mim mesmo vale alguma coisa. Quero poder afirmar: "Sei que meu Pai está comigo, pois faço apenas a Sua vontade".


4. O Caminho da Renúncia Traz Contentamento Onde Quer que Você Esteja, e Com o quê For que Possua


Muitos cristãos vivem descontentes continuamente. Nunca estão satisfeitos com o que têm. Estão sempre olhando para o futuro, pensando: "Se conseguir pelo menos fazer isto, ou ter aquilo, estarei feliz." Mas sua realização nunca chega.

Contentamento foi um enorme teste na vida de Paulo. Afinal, Deus disse que o usaria poderosamente: "Este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome perante os gentios, os reis e os filhos de Israel" (Atos 9:15). Quando Paulo inicialmente recebeu esta comissão, "logo, nas sinagogas, pregava que Jesus era o Filho de Deus" (9:20). O apóstolo ficava mais ousado a cada sermão: "Saulo, porém, se fortalecia cada vez mais e confundia os judeus que habitavam em Damasco, provando que Jesus era o Cristo" (9:22).

O que aconteceu em seguida? "Os judeus deliberaram entre si matá-lo" (9:23). Seria o fim - ao chamamento a Paulo para pregar aos filhos de Israel. Eles não só rejeitaram sua mensagem, mas tramaram sua morte. Que início desastroso para um ministério que Deus disse seria poderoso.

Paulo então decidiu ir a Jerusalém, para se encontrar com os discípulos remanescentes de Jesus. "Mas todos o temiam, não acreditando que fosse discípulo" (9:26). Agora Paulo enfrentava uma rejeição ainda pior. Seus próprios irmãos em Cristo o rejeitavam.

Finalmente, Paulo raciocinou assim: "Ao menos posso alcançar os gentios". Todavia, quando um proeminente gentio, Cornélio, procurou um pregador para compartilhar o evangelho, ele não pediu a Paulo. Em vez disso, se dirigiu a Pedro. Sem dúvida, Paulo ouviu as notícias gloriosas vindas da casa de Cornélio: "O Espírito Santo desceu sobre os gentios. O Senhor revelou Cristo a eles!".

Posteriormente, na conferência de Jerusalém, Paulo teve de ouvir Pedro declarando: "Irmãos, bem sabeis que já há muito tempo Deus me elegeu dentre vós, para que os gentios ouvissem da minha boca a palavra do evangelho e cressem" (Atos 15:7). Aparentemente, Deus tinha determinado que o avivamento entre os gentios viria através de outra pessoa. Pelo que Paulo percebia, ele estaria de fora, observando as coisas acontecerem.

O que você acha que passou pela cabeça de Paulo ao vivenciar estas coisas? A verdade é que através de tudo isso - o desapontamento, a dor, as ameaças à sua vida - Deus estava ensinando ao seu servo uma coisa crucial: Paulo estava aprendendo a ter contentamento, gradualmente, passo a passo.

Mais tarde, quando Paulo pregou na Antioquia, sua mensagem foi contestada pelos líderes judeus. Então Paulo declarou: "Eis que nos voltamos para os gentios" (Atos 13:46). Paulo pregou lá aos não judeus, e muitos se converteram; "e divulgava-se a palavra do Senhor por toda aquela região" (13:49). Mas antes que pudesse saborear a vitória, "os judeus incitaram as mulheres devotas de alta posição...e levantaram uma perseguição contra Paulo e Barnabé, e os lançaram fora da sua região" (13:50).

Em seguida Paulo voltou sua atenção para Icônio. Ao pregar lá, mais uma vez "creu uma grande multidão, tanto de judeus como de gregos" (14:1). Um avivamento caiu sobre a cidade. Mas, novamente "houve um motim tanto dos gentios como dos judeus, juntamente com as suas autoridades, para os ultrajarem e apedrejarem" (14:5).

Você pode imaginar a confusão e o desencorajamento de Paulo? A cada movimento, o seu chamado parecia frustrado. Deus lhe tinha prometido um ministério de evangelização com muitos frutos. Mas cada vez que pregava, ele era amaldiçoado, rejeitado, agredido, apedrejado. Como ele respondia? "Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação" (Filipenses 4:11).

Paulo não questionava, nem reclamava. Ele não buscava saber quando chegaria a pregar a reis e governadores. Ele dizia, basicamente: "Posso não estar vendo agora o que o Senhor me prometeu. Mas estou avançando pela fé, pois estou contente em ter Jesus. Por causa dEle, posso viver cada dia - ao máximo".


O Contentamento de Paulo em Qualquer Circunstância Era o Resultado de uma Vida Submissa.


Paulo não tinha pressa de ver tudo cumprido na sua vida. Ele sabia que tinha uma pétrea promessa de Deus, e se apegou à ela. No momento ele estava contente em poder ministrar em qualquer lugar que estivesse: testemunhando a um carcereiro, a um marinheiro, a algumas mulheres na beira do rio. Este homem tinha uma missão de âmbito mundial, no entanto era fiel no testemunhar de um em um.

Paulo também não tinha ciúmes de pessoas mais jovens que pareciam deixá-lo para trás. Enquanto eles viajavam o mundo, ganhando judeus e gentios para Cristo, Paulo estava na prisão. Era obrigado a ouvir notícias a respeito de grandes multidões sendo convertidas por homens - com os quais ele tinha discutido sobre o evangelho da graça. Mas Paulo não os invejava. Ele sabia que uma pessoa entregue a Cristo pode viver tanto na escassez quanto na abundância: "Grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento... tendo, porém, alimento e com que nos vestir, estejamos contentes" (1 Timóteo 6:6-8).

O mundo hoje poderia dizer a Paulo: "Você está no fim da vida agora. Todavia não tem economias, nem investimentos. Tudo que tem é uma muda de roupa". Eu sei qual seria a resposta de Paulo: "Ah, mas eu ganhei a Cristo. De fato tenho a verdadeira vida".

"Mas o diabo está te importunando continuamente, Paulo. Você vive em dor constante. Na verdade, você sofre mais que qualquer outro que conheço. Como pode ser isto?"

Paulo responderia: "Eu me glorio nas minhas aflições. Quando estou fraco, aí é que na verdade estou mais forte. Não meço minha força pelos padrões do mundo, mas pelos do Senhor."

"E quanto a seu rival, Apolo? Ele tem a atenção das massas. Mas você ministra apenas a pequenos grupos, ou mesmo uma pessoa. Apolo é um orador eloqüente, mas a sua fala é desprezível, Paulo."

Paulo diria: "Nada disso me incomoda. Eu não busco a glória nesta vida. Tenho uma revelação da glória que me aguarda".

"E quanto a promessa que Deus lhe deu? Ele disse que você testemunharia diante de reis. A única vez que o fez, estava acorrentado. Você teve de pregar enquanto estava preso. Onde está o cumprimento da promessa de Deus em sua vida?"

Paulo diria: "Meu Senhor manteve Sua palavra a mim. Não foi do modo que eu esperava, mas do jeito dEle. Indiferente às minhas correntes, preguei Cristo em plenitude. E olha, aqueles dirigentes foram tocados. Quando terminei a pregação eles tremiam. O Senhor me foi favorável, da Sua maneira".

"Paulo, você acabou sendo um tolo. Todos na Ásia se voltaram contra você. Quanto mais você ama outros, menos é amado. Você trabalhou todo esse tempo para construir a igreja de Deus, mesmo fazendo tarefas humildes. Mas ninguém valoriza isso. Mesmo os pastores que você instruiu, agora zombam de si. Alguns até lhe baniram dos seus púlpitos. Por que você continua neste ministério? Você não tem sido sucesso em nenhum sentido da palavra."

E Paulo: "Eu já deixei este mundo, com todas as suas ambições e bajulações. Não necessito dos louvores dos homens. Veja, eu fui arrebatado ao paraíso. Ouvi palavras inefáveis, palavras que não são lícitas ao homem proferir. Portanto você pode ter toda a competição deste mundo, com todas as suas rivalidades. Eu decidi nada saber entre vós, senão a Cristo, e Este crucificado.

Posso lhe dizer, eu sou vencedor. Eu achei a pérola de grande valor. Jesus me concedeu o poder de entregar tudo, e de tomar novamente. Bem, eu entreguei tudo, e agora uma coroa me aguarda. Tenho apenas um objetivo nesta vida: ver meu Jesus face a face. Todos os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a alegria que me aguarda".

Que os nossos corações possam ser como o de Paulo, enquanto buscamos a vida de renúncia.

 

 

 

O Testemunho do Senhor às Nações!
(The Lord's Testimony To the Nations!)

Por David Wilkerson
31 de maio de 1999

“E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim” (Mateus 24:14).

Muitos na igreja atual tentam determinar a proximidade da volta de Cristo lendo os sinais dos tempos. Vemos tais sinais em acontecimentos específicos - por exemplo, o regresso dos judeus a Israel. No entanto, uma das declarações mais claras que Jesus fêz acerca da segunda vinda está contida no versículo acima: o fim virá somente depois que o evangelho for pregado à todas as nações - como testemunho.

A palavra que Jesus usa para “testemunho” no versículo é aquela do original grego. Significa literalmente, “prova do fato”. Cristo está falando aqui em não apenas pregar o evangelho, mas em apresentá-lo como testemunho. Resumindo, Ele diz: o evangelho que pregamos é eficiente somente se apoiado em uma vida que testifica sua realidade.

Você pode achar que nos Estados Unidos, uma nação repleta de milhares de igrejas evangélicas, haja um forte testemunho do evangelho. Somente em uma grande cidade do sul, há mais de 2000 igrejas evangélicas, uma delas com mais de quinze mil membros.

Mas muitas destas igrejas comprometeram o verdadeiro evangelho de Cristo. O divórcio está desenfreado em suas congregações. E muitos dos jovens solteiros levam vidas permissivas, ativas sexualmente. Como pode ser isto? você perguntaria. O fato é que, mesmo com toda pregação evangélica em muitas destas mega-igrejas, há muito pouco testemunho do senhorio de Cristo na vida das pessoas para respaldá-lo. Não são verdadeiras testemunhas para a cidade ou para a nação.

Claro, há exceções. Na cidade em particular na qual estou pensando, sei de um punhado de jovens ministros que começaram a passar muito do seu tempo com seus rostos no chão, diante do Senhor. Agora, quando trazem a palavra de Deus, falam com poder e autoridade. O evangelho que pregam está respaldado por um testemunho de intimidade com Cristo e um caminhar santo. E estão começando a presenciar diferenças nas vidas dos congregados.

Também penso em um pastor batista que certa vez planejou construir um enorme edifício paroquial. A congregação estava se expandindo rapidamente, e ele começou a estudar o movimento de crescimento da igreja. Mas sua esposa foi movida a orar e buscar o Senhor, e logo o pastor estava fazendo o mesmo. Rapidamente acabou deixando seus sonhos de grandes números, e começou a ser um testemunho daquilo que pregava.

Em um recente sermão, o pastor preparou uma grande tela na frente da igreja. Disse à congregação, “o Espírito de Deus tem me falado acerca dos pecados desta igreja. E hoje vamos vê-los diante dos nossos próprios olhos!”.

Então o pastor mostrou na tela pecado após pecado - fornicação, adultério, alcoolismo, uso de drogas, pornografia. E aí começou o sermão: “Não vamos ainda começar a construir uma grande igreja. Temos que consertar o tabernáculo vivo de Cristo antes de fazermos qualquer outra coisa. Temos que primeiro viver este evangelho!”.

Hoje o Espírito de Deus está se movendo poderosamente nessa igreja. As pessoas estão afluindo em massa ao Senhor, endireitando suas vidas - porque estão ouvindo um evangelho com um testemunho que o respalda!

Fico assombrado e perplexo com a quantidade de ministros, jovens e velhos, que percorrem o mundo todo buscando estratégias para produzir crescimento nas igrejas. Hoje, muitos pregadores assistem a cursos, convenções e “depósitos de idéias”, onde jovens profissionais de ministério usam gráficos e pesquisas para mostrar como construir igrejas grandes. Outros ministros participam de “campanhas de avivamento”, esperando aprender novos métodos de como fazer com que o Espírito Santo caia sobre suas congregações.

Agora mesmo, associações missionárias estão enviando mais obreiros do que nunca. O clamor desses grupos passou a ser: “Temos que conseguir mais mão-de-obra no campo missionário! São necessários mais homens e mulheres qualificados para ganhar nações para Cristo”.

Mas muitos dos missionários enviados acabam regressando em poucos anos. Vencidos, desanimados, abatidos pelas forças demoníacas das nações estrangeiras. Por que? Porque suas vidas não se encaixavam com o evangelho que pregavam! Nunca desenvolveram, por experiência própria, o conhecimento do senhorio de Cristo ou da plenitude do Espírito Santo.

Amado, são necessárias mais que novas idéias ou estratégias para alcançar as nações para Cristo. Todos os nossos planos são em vão se Jesus não está no trono de cada área de nossas vidas!


Isto é Uma Tragédia
Num Tempo Em que as Forças do Anticristo Estão Alcançando
Tamanho Poder !


 

Nunca na história houve tamanha investida selvagem dos espíritos demoníacos, jorrando das entranhas do inferno. A injustiça varre a terra, com nação levantando-se contra nação. E tudo está acontecendo porque Satanás liberou suas hordas demoníacas numa guerra final contra os santos!

Contudo, Deus nunca é pego desprevinido em nada que se passa em nosso mundo. Ele não está surpreso com a terrível calamidade das drogas, ou com o banho de sangue dos abortos. Assim, qual é a reação dEle neste tempo de desordem e depravação? O quê Ele propõe como antídoto à apostasia e ao poder demoníaco crescente? O quê Deus vai fazer nessa hora de tanta ruína?

Sua resposta é a mesma de sempre - produzir a vitória de Cristo de uma maneira renovada. Deus sempre respondeu levantando um remanescente vigoroso de homens e mulheres que serão um testemunho puro de Seu poder salvador e santificador. E o mesmo é verdade para os nossos dias. Seu plano é trazer a esse cenário de atividade do anticristo um corpo de vencedores separados, cheios de Cristo - homens e mulheres piedosos que viverão em total submissão ao Seu governo e senhorio!


Vemos Esse Padrão por Toda a Extensão da Bíblia !


 

Considere a situação ruim de Israel no Egito. A nação de Deus estava numa ruína inacreditável, com apostasia disseminada. Satanás tinha Israel sob o calcanhar, manipulando os poderes políticos da época para fazerem leis contra os judeus e persegui-los. O inimigo estava ridicularizando e zombando do testemunho de Deus na terra.

Era um momento de trevas na história de Israel. E com o passar do tempo o desânimo cresceu no meio do povo. Começaram a se desviar, entregando-se aos prazeres e à sensualidade do Egito. A idolatria e a fornicação se tornaram abusivas. A situação de Israel parecia sem esperança. A fé da nação estava morrendo lentamente.

Qual foi a resposta de Deus a este poder crescente das trevas? Levantou Ele os impérios vizinhos para agirem como Sua vara contra o Egito? Incitou uma guerra civil entre os egípcios? Enviou anjos vingadores? Não - Deus não fez isso. Ele tinha um plano totalmente diferente. Ao contrário, impôs Sua mão sobre um único homem, levantando Moisés!

Moisés era um homem de oração, totalmente entregue a Deus. Disse não aos prazeres, ao conforto e às tentações do Egito, vivendo, ao invés, sob o total controle do Espírito Santo. Não tinha nenhum projeto pessoal, ou ambição para si próprio. Despojou-se de toda a habilidade humana, confiando no grande EU SOU como sua única provisão e fonte de recursos. E retornou do solo santo com visão, por experiência própria - da santidade de Deus.

Então, na hora mais negra da história de Israel, quando parecia que o povo de Deus sucumbiria ao inimigo, o Senhor levantou, em meio a tudo isso, um homem que atuaria como testemunho. E este homem derrubou uma nação inteira enquanto levantava outra. Deus fez tudo através de um único homem!


Vemos Este Mesmo Plano
Personificado em Samuel


 

Vemos aqui uma outra geração apóstata, depravada e desviada. Na época, a arca (da lei) tinha sido levada de Israel. Eli, o sumo sacerdote da nação, era preguiçoso e complacente, permitindo que seus filhos corrompessem o sacerdócio. Sob a liderança deles, o adultério e a fornicação estavam desenfreados no templo. Mas Eli estava tão acostumado à sua vida de comodidade, que não fazia nada para detê-los.

Em um dado momento, o Senhor escreveu a palavra “Ichabode” sobre todo o sistema religioso significando que, “o Espírito do Senhor tinha se afastado”. Mais uma vez as forças satânicas haviam se levantado com grande poder. E numa visão comum, a obra de Deus tinha perdido tanto terreno, que a possibilidade de recuperação parecia improvável.

Mas o Senhor tinha um homem escolhido desde o começo - um menino chamado Samuel. Enquanto todos os ministros ao seu redor cediam à fornicação e à gulodice, Samuel estava aprendendo a ouvir a voz de Deus. E na medida em que se tornava mais e mais íntimo com Deus, o Espírito Santo o enchia com a palavra profética. Ele se tornou um testemunho - uma prova viva do poder de Deus!

A escritura diz que enquanto Samuel crescia, nenhuma de suas palavras caia por terra - significando que, de modo consistente, falava com poder e autoridade. E por causa de sua autoridade divina, nenhuma nação foi capaz de levantar a mão contra Israel por mais de quarenta anos.

Novamente, o Senhor levantou um único homem como testemunho à uma nação inteira. Deus não precisou de exército, de nenhuma organização humana, de nenhuma “novidade”. Tudo o que precisou foi de um homem justo -- alguém cujo ministério estivesse totalmente comprometido com Seus santos caminhos!


Vemos Este Mesmo Modelo nos Tempos de Neemias


 

Nos dias de Neemias, os muros de Jerusalém estavam em ruínas, a cidade era literalmente um monturo de pedras. E a igreja estava totalmente desviada, não sobrando nenhuma testemunha. Os poderes malignos ao redor de Israel lhe perseguiam severamente, escarnecendo de todo trabalho que tentavam empreender.

Como Deus respondeu nesta época de ruína? Será que enviou um exército bem treinado de Shushan para lhes ajudar? Será que enviou um guarda do palácio para golpear os preeminentes inimigos? Não - novamente Deus levantou um único homem - Neemias.

Eis um homem com a responsabilidade de Deus no coração. Neemias passava o seu tempo orando, jejuando e lamentando, porque se encontrava quebrantado pela situação de Israel. Ele também estudava contínua e arduamente a palavra de Deus, agarrando-se à profecia e movendo-se no Espírito.

Embora Neemias servisse na corte do rei Artaxerxes como copeiro, ele se manteve separado de toda a iniqüidade que o rodeava. Em meio à toda sensualidade, imoralidade e impiedade que ocorria em Israel, ele manteve um caminhar santo com o Senhor. E, por outro lado, todos os que ouviam sua pregação eram purificados na alma.

Logo um reavivamento de santidade varreu a terra. “E purificaram-se os sacerdotes e os levitas; e logo purificaram o povo, e as portas, e o muro” (Neemias 12:30). A casa de Deus também foi purificada, com todas as coisas da carne sendo expulsas. Neemias enviou trabalhadores ao templo, dizendo-lhes, “Quero cada pedaço de imundície fora daqui. Não deixem nada que tenha a ver com idolatria ou sensualidade. Tirem tudo daqui e queimem-no!”.

Amado, este é o conceito de avivamento para Deus! É varrer dos nossos corações tudo que é impuro e não santificado. Ele não quer que sobre nada escuro!

Aonde Neemias obteve tal autoridade espiritual, que fazia tremer os contemporizadores, e que devolveu o temor piedoso ao templo? Não foi dada pelo rei. Nem por nenhum bispo da igreja. Não aprendeu a tê-la em nenhuma escola bíblica.

Não, Neemias conseguiu autoridade sobre seus joelhos - chorando, quebrantando-se, querendo conhecer o coração de Deus. E porque era um homem de oração, pôde confessar os pecados da nação inteira: “...para ouvires a oração do teu servo, que eu hoje faço perante ti, de dia e de noite...e faço confissão pelos pecados dos filhos de Israel...também eu e a casa de meu pai pecamos. De todo nos corrompemos contra ti e não guardamos os mandamentos...” (Neemias 1:6-7)


Há um Relato Chocante de Apostasia e Decadência
no Tempo de Ezequiel --
E em Tais Épocas, Deus Busca Alguém Que Se Torne Sua Testemunha !


 

Israel nos dias de Ezequiel era obsceno e orgulhoso. Os homens cometiam abominações com as esposas dos vizinhos, e até corrompiam suas noras. Os profetas, que no passado eram santos, se desviavam, tornando-se amantes do dinheiro - e já não discerniam entre o santo e o profano. E os líderes da nação tornaram-se lobos vorazes, buscando lucros desonestos, derramando sangue, falando mentiras e humilhando os pobres. Tudo isto soa tão familiar com os nossos tempos!

Israel se esqueceu tanto dos caminhos de Deus, que o Senhor lhes disse, “a casa de Israel chegou a ser como escória para mim!”. A nação ficou tão fragilizada, mundana e impotente que Deus a tornou motivo de riso no mundo secular. Ele disse, “...por isso eu te fiz o opróbrio das nações e o escárnio de todas as terras” (Ezequiel 22:4).

Que acusação marcante! Deus estava dizendo a Israel, “Vocês desprezaram tanto as coisas santas, se entregaram tanto à luxúria, que lhes despojarei do seu testemunho!”.

O profeta Ezequiel era um ancião neste tempo, prestes a sair de cena. Assim, como Deus tratou da situação? Disse a Ezequiel, “busquei dentre eles um homem que estivesse tapando o muro, e estivesse na brecha perante mim por esta terra, para que eu não a destruísse; porém a ninguém achei” (v.30)

Imagine - o destino de Israel dependia de Deus encontrar pelo menos um homem justo do qual dependeria. Ainda assim, diz a Ezequiel, “...porém a ninguém achei. Por isso eu derramei sobre eles a minha indignação” (vs.30-31).

Deus disse o mesmo ao profeta Jeremias. “Percorram as ruas de Jerusalém... procurem... vejam se encontram um homem que pratique a justiça ou busque a verdade; e eu lhe perdoarei" (Jeremias 5:1). Deus disse ao profeta, “Perdoarei a nação inteira se Eu encontrar um único homem que se coloque na brecha. Tudo o que preciso é de uma alma totalmente rendida à Minha vontade!”.

Amado, hoje ouvimos uma Babel de vozes na igreja clamando por meios mais significativos e contemporâneos de se alcançar o mundo. E tantos programas bizarros e carnais têm sido experimentados. Mas em meus muitos anos de ministério, tenho visto estes tipos de programas virem e irem. Sustentam-se totalmente na busca de tranqüilidade para a carne; nada têm a ver com a cruz. As multidões que atraem vivem vidas vazias e sem preenchimento, nunca tendo sido expostas ao evangelho da separação do mundo e de suas cobiças. O mundo ridiculariza estes programas, reconhecendo-os todos como simples tolices.

Qualquer ministro ou promotor de eventos pode desenvolver essa brincadeira. Uma pessoa pode até viver como um demônio, e implementar programações aparentemente piedosas. Em verdade, só se precisa de uma mente brilhante e das estratégias de uma diretoria para se construir uma mega-igreja. No entanto, se isso for feito à parte de Deus -- sem a Sua justiça ou santidade -- será apenas mau cheiro às Suas narinas. Será um evangelho não respaldado por testemunho real. Não terá poder!

Também tenho notado com o passar dos anos que quanto mais desviado se torna um pastor, mais ele se volta para o evangelho de entretenimento e "novas obras" para trazer as multidões. E confia em números e nas finanças para julgar o próprio sucesso. Mas inexiste um testemunho acompanhando essas obras - porque elas são de um outro evangelho, um outro Jesus!

Um pastor verdadeiramente piedoso tem um só alvo no ministério: não dar descanso à alma enquanto não coroar Jesus como Senhor de todas as áreas de sua vida -- e levar a si próprio e as suas ovelhas à submissão à autoridade do Espírito Santo!


Toda Pessoa Cuja Vida é um Testemunho
do Poder Guardador do Evangelho
Se Tornará Alvo Prioritário da Ira de Satanás !


Se você tem fome e sede da plenitude de Cristo, Satanás lhe declarará guerra total. Quando ele vir provas de que a sua entrega é real - o seu cuidado com a oração, a sua negação de si próprio - ele usará todas as armas do inferno para tentar destruir o seu testemunho. Por que? Porque esse testemunho é a resposta de Deus à apostasia e à ruína!

É disso que trata a fornalha de fogo - da história de Daniel. Satanás elaborou um plano para destruir o único testemunho do poder de Deus que havia sobrado na Babilônia. Culminou num forno que chegava a brilhar de tanto calor, programado para matar toda prova viva da verdade do evangelho de Deus.

Três jovens israelitas piedosos trabalhavam em altos postos do governo na Babilônia -- homens que eram testemunhos visíveis do evangelho que pregavam. Haviam se separado do estilo de vida sensual de Babilônia, entregando-se à oração. Estes três jovens não eram profetas ou sacerdotes, mas meros leigos. E permaneceram fiéis a Deus e puros de coração em meio às multidões idólatras.

É claro que isso despertou a ira de Satanás, e ele entrou no coração do corrompido rei da Babilônia. Imediatamente este erigiu uma enorme estátua de ouro e a declarou deusa oficial da nação, um objeto de adoração. Ele então convocou os oficiais e servos de todos os países que estavam sob o poder de Babilônia, para lhes apresentar a nova religião. Quando a música cerimonial começasse, todos deveriam se curvar à essa nova deusa.

Satanás também incitou o rei a erigir uma enorme fornalha, e a alimentá-la a ponto de as chamas brilhantes serem vistas por todos. Eu lhe pergunto -- por que Satanás fez isso? É claro que ele sabia que não havia nenhum governador, juíz ou delegado em qualquer lugar na Babilônia que resistiria ao decreto. Estes não precisavam ser seduzidos ou ameaçados.

Na verdade, todos eles devem ter ficado quietinhos, pensando: "Opa, quem vai querer complicar? Até aqui tudo tem sido ótimo -- a gente tem prosperidade, comida, bebida, vida boa. E essa religião nova é moleza para a alma. Quem vai querer perder tudo isso?".

Então, por que a fornalha ardente? Foi tudo obra de Satanás - uma manipulação dirigida por ele para destruir os três jovens leigos. Ele queria matar o único testemunho remanescente de Deus na Babilônia!

O diabo chegou ao ponto de corromper um rei e todo um governo só para chegar aos três homens. Ele criou uma situação tão séria, um perigo tão intenso, que ninguém em sua capacidade humana - nem mesmo os piedosos jovens - poderia enfrentar isso sem se desmanchar em pedaços.

Mesmo assim aos primeiros sons da música, eles não se curvaram. Satanás ficou injuriado com isso! Aí, da boca do rei vieram estas terríveis palavras, "E quem é o deus que vos poderá livrar das minhas mãos?" (Daniel 3:15). "...ordenou que se acendesse a fornalha sete vezes mais do que se costumava" (v.19).

Agora o diabo tinha os servos de Deus nas mãos, e ameaçava: "Quem vocês pensam que são, que podem escapar do destino que preparei para vocês? Vou lhes derrubar, e destruirei completamente o seu testemunho!".

Igualmente hoje, o calor que enfrentamos é muitas vezes mais quente do que era uma geração atrás. Por exemplo, Satanás manipula inteiramente a tecnologia do nosso tempo -- corrompendo-a com sedução, sensualidade, lascívia e tentação. Por que enfrentamos tamanha fornalha ardente de tentações hoje? Por que a luxúria e o sexo estão sendo usados para vender todo e qualquer tipo de produto que se possa imaginar? Por que há centenas de sites pornô na Internet? Quem é o alvo desse dilúvio de imundície?

Certamente não são as multidões dos ímpios -- os que já são filhos de Satanás, segundo as escrituras. Não é o mundo secular, que já foi seduzido. Não, o alvo de Satanás não é nenhum desses. Pelo contrário, ele tem manipulado a mídia para enlaçar o coração dos cristãos triunfantes. Ele quer enfraquecer e destruir o testemunho do evangelho!

Nesse momento a fornalha está sendo aquecida numa intensidade sete vezes maior na vida de muitos crentes. Satanás tem criado situações nos lares, em seus trabalhos e em seus relacionamentos, que são mais intensas do que nunca. E muitos cristãos antes valorosos estão desistindo, abandonando Deus. Eles pararam de orar pedindo socorro. Em vez disso, pensam, "A luta é muito forte para eu sobreviver!".


Louvado Seja Deus,
Os Três Homens Mantiveram Seu Testemunho
e Esmagaram o Plano de Satanás !


Deus tornou o esquema do diabo uma oportunidade de expor toda a nação da Babilônia a Seu testemunho. Porque os três jovens leigos não se curvaram, o Senhor os livrou. E eles trouxeram à nação uma manifestação clara do Senhor Jesus Cristo!

O rei da Babilônia testifica, "...Não lançamos nós três homens atados dentro do fogo?...Eu, porém, vejo quatro homens soltos, que andam passeando dentro do fogo, sem nenhum dano; e o aspecto do quarto é semelhante a um filho dos deuses" (Daniel 3:24-25).

Subitamente, o rei anula o primeiro decreto de adoração do ídolo. E rapidamente institui esse novo: "Portanto, faço um decreto pelo qual todo povo, nação e língua que disser blasfêmia contra o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego seja despedaçado, e as suas casas sejam feitas em monturo; porque não há outro Deus que possa livrar como este" (v.29).

Amado, tudo aconteceu por causa do testemunho dos três homens - homens justos e apaixonados por Deus que estavam dispostos a oferecer suas vidas em fé. Estes três humildes trabalhadores foram responsáveis pela mudança das leis da terra!

Sim, as coisas vão se esquentar economicamente, fisicamente, mentalmente, espiritualmente e em todos os demais sentidos. Mas Deus já pôs Suas mãos sobre homens e mulheres piedosos, separados - em todos os lugares. E o Seu evangelho será pregado como testemunho.

Então o Senhor virá!