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Vilma Laudelino de Souza. evangelicos.com. Leia o conteúdo integral do livro
"Escalando o Abismo". O impressionante relato de uma ex-bruxa sobre o
seu envolvimento pessoal com Satanás, carregado de dramaticidade, faz deste
livro uma leitura cativante e indispensável àqueles que desejam conhecer mais
sobre o lado oculto da vida e da morte"... Divulgue este poderoso
testemunho, para seus irmãos e amigos.
30 de setembro de 1969.
Eram 23:30 aproximadamente quando terminei de escrever o último bilhete para as
pessoas que mais estimava.
Aquela
seria a minha última noite; ao amanhecer, eu saltaria de um viaduto, sobre a
via férrea, no momento em que o trem se aproximasse. Acertei o despertador e
recostei-me na cama, mas estava muito deprimida e não queria dormir; precisava
fazer uma retrospectiva de minha vida.
Aos vinte e dois anos,
sentia-me como se fosse uma anciã. Já não tinha razão para seguir. Vivi
tanto e tantas experiências amargas... Com 15 anos de idade, tentei o suicídio
tomando comprimidos. Anos depois, cortei os pulsos, mas a morte não veio.
Devido à minha maldade, até ela parecia me rejeitar. Desta vez, porém, não
haveria jeito.
Meu coração
amargurado questionava-se: "Para que serve a vida? Será que o homem nasce
apenas para morrer? Ou após a morte ele voltaria em outras reencarnações e
com características diferentes? Mas se não vale a pena viver o dia seguinte,
para que voltar?... Somente para sofrer a fazer sofrer?"
Vida, existência... Como
eram amargas para mim estas palavras. Vazias. Comecei a recordar o decorrer de
minha vida. Cedo conheci o lado mal do mundo. Era fruto de um lar onde meus pais
lutavam com dificuldades para alimentar seis filhos. Amor? Não havia tempo.
Minha irmã cuidava dos
irmãos como podia, enquanto minha mãe trabalhava, lavando roupas para várias
famílias, semana após semana. Vivíamos num bairro rico da cidade do Rio de
Janeiro, mas morávamos num parque proletário. A luta contra os fatores
negativos era constante.
Desnível
social, racial e cultural causavam atritos entre nós e as outras crianças, na
maioria filhos de homens com grande influência na sociedade. Estudei catecismo
e aprendi algo sobre Deus. Mas Ele estava muito distante de minha realidade.
Ensinaram-me que Deus castigava os maus e ajudava os bons.
Com
minha mente infantil tentava entender, ao mesmo tempo que me comparava com
minhas amigas: elas tinham cabelos lisos, pelo clara, moravam em casas luxuosas
e eram amadas por seus pais. Contribuíam sempre com donativos para as
festividades religiosas no bairro e davam esmolas com freqüência. Nós não tínhamos
como fazê-lo. Ao contrário, muitas vezes minha família era beneficiada com a
ajuda resultante destas festas.
Achava que os privilégios
das outras meninas eram resultado de suas bondades e generosidades para com a
comunidade. Logo concluí que Deus não me ajudava porque eu não era caridosa
como elas. Por isso, não quis mais saber dele. Fui para casa cheia de interrogações
e lá perguntei ao meu pai quem era Deus.
Ele, irritado, me
respondeu: - Deus é dinheiro no bolso. Você que não trabalhe pra ver se Deus
lhe dá alguma coisa – meu pai era ateu, mas naquele instante eu esperava uma
resposta que neutralizasse meu pensamento acerca de Deus. Porém, sua dura
afirmação me fez crer que Deus realmente não existia. Se existisse com
certeza não queria saber de mim, uma negra pobre.
O tempo foi passando e
tornei-me uma pessoa amarga e solitária. A vida acentuava agora seus desníveis.
Meu pai ficou desempregado e conheci a fome. Saía pelas ruas pedindo esmolas e
aprendi também a roubar para comer. Minha família sofreu algumas doenças que
nos obrigaram a ficar isolados. Isto agravou ainda mais a situação.
A amargura continuou a
tomar corpo dentro de mim. Queria entender o porquê de tantas desgraças. O
temor noturno e pesadelos me dominavam quase todas as noites. Ouvia ruídos,
passos e vozes de pessoas que haviam morrido há algum tempo. Objetos passavam
voando; sentia puxões nos cabelos quando estava deitada; as cobertas eram
arrancadas de cima de mim; meu corpo era suspenso da cama e atirado ao chão,
quando no meio da noite sentia minha cama balançando violentamente.
Eu contava estas inquietações
para minha mãe, que ouvia tudo arrepiada e de olhos arregalados, mas ao mesmo
tempo não dava muito crédito aos meus relatos.
Certa noite, com
aproximadamente quatro anos, vi quando minha mãe foi levada para o pronto
socorro passando mal. Tentando me consolar, minha irmã disse que ela voltaria
logo. Acreditando nela, fiquei acordada, com os olhos fixos na porta, esperando
a volta de mamãe. De repente a porta abriu e vi quando ela entrou.
Eu
disse: - Mãe, que bom que você voltou – ao estender minhas mãos para tocá-la,
senti seu corpo gelado e pegajoso. Logo falei: - Mamãe, você não é você.
Aquela figura foi se inclinando sobre mim e invadiu meu corpo já enrijecido.
Perdi os sentidos.
Na manhã seguinte acordei
com uma sensação estranha. Porém não me recordava bem de tudo. Ao perguntar
por mamãe, minha irmã mentiu outra vez. Fui para o quintal e encontrei o
cachorro dali, um policial preto. Subitamente, ele me falou:
- Sua mãe está no
hospital.
Voltei correndo para minha
irmã:
- Mamãe está no
hospital?
Ela
ficou perplexa e perguntou:
_Como você soube? – um
tanto confusa, respondi que o cachorro havia me contado. Ela ficou impressionada
e não podia acreditar. Mas ninguém havia estado comigo naqueles poucos minutos
(coisas estranhas como esta começaram a acontecer com certa freqüência. Às
vezes saía com minhas bonecas para o quintal e elas dançavam e gargalhavam.
Eu
jogava-as longe e elas voltavam gritando. Tais fatos me marcaram muito porque
assim começou a minha difícil trajetória). Minha mãe permaneceu internada
alguns dias, em conseqüência de um aborto hemorrágico. Logo que ficou
restabelecida levou-me a uma benzedeira, a qual recomendou que eu fosse levada a
um terreiro, porque era "médium de berço".
Mamãe confirmou isso,
contando que minha avó, uma feiticeira descendente de angolanos, havia sido sua
parteira. Nasci logo após o estrondo de um trovão e vovó entendeu que aquilo
era um sinal das entidades avisando que eu deveria sucedê-la. Então ela me
levantou e me consagrou aos orixás.
Assim, com sete anos fui
levada por minha mãe para ser "iniciada" na umbanda. Tínhamos
esperança de que esta atitude amenizaria as forças das entidades que dominavam
meu corpo frágil e acalmaria os pesadelos noturnos e manifestações
sobrenaturais que me perturbavam. Gastamos anos em uma peregrinação pelo Rio
de Janeiro para conhecer seitas espíritas.
Passei a participar dos
"trabalhos" assiduamente e durante algum tempo meu desenvolvimento
neles diminuiu o forte domínio daquelas forças sobre mim. Porém, à medida
que o tempo passou, tudo retornou e com mais intensidade. Algumas vezes era
arrancada de meu próprio corpo e levada a cemitérios em meio à noite,
caminhando entre as sepulturas, seguida por vultos negros que tinham os olhos
como brasas acesas.
Em outras ocasiões via-me
em regiões desérticas sendo perseguida por estes mesmos vultos; ou então
via-me em meio a um cortejo fúnebre, onde os vultos macabros levavam um caixão
aberto, do que me aproximava sorrateiramente para olhar quem estava dentro e,
horrorizada, via meu próprio cadáver.
As coisas se agravaram a
tal ponto que ao aproximar-se a noite, um desânimo tomava conta de mim.
"Daqui a pouco vai começar tudo de novo", pensava. Muitas vezes
tentava gritar por socorro, mas a voz não saía. Via que pessoas reais como
meus irmãos estavam por perto, tentava mover-me, mas um força incrível me
prendia na cama.
Queria
pedir-lhes que me tocassem e não deixassem que eu dormisse já que o sono me
levava a experiências macabras: via-me dentro de um túmulo, coberta de vermes
ou parecia estar sendo picada por milhões de formigas; caindo em um abismo sem
fim ou viajando em um trem onde era a única passageira; lutava contra um homem
enorme todo de negro, que tentava me matar e como eu não tinha forças contra
ele dava-lhe mordidas, mas com isso seu corpo enchia minha boca; tentava cuspir,
porém era inútil; então percebia que aquela carne pregada em minha boca era
de um cadáver.
Quando tinha treze anos
alguém garantiu à minha mãe que a solução era o candomblé. Seguindo aquela
orientação, fomos a um terreiro situado no alto de um monte. Ao chegarmos lá
o babalorixá (líder espiritual do terreiro) estava de costas. Pressentindo a
minha presença, voltou-se assustado e fez um gesto de reverência em minha direção.
Perdi os sentidos e só recuperei a lucidez na manhã seguinte. Minha mãe,
preocupada, perguntou:
- Você não está
sentindo nada?
- Não, por quê?
- Porque as entidades que
entraram em você beberam dois litros de aguardente e fumaram vários charutos.
Depois de passar a ser
dominada por estes "novos" espíritos, a deformação de meu caráter
tornou-se notória. O candomblé trabalha com todos os poderes da mente e me
aprofundei nele. Durante anos os espíritos lutaram pelo controle de minha
personalidade. Mesmo assim prossegui, porque na verdade buscava uma paz
verdadeira e duradoura. Entretanto, encontrei prazeres que me levaram a
envolvimento com vícios e satisfações carnais. Entrei em um processo
acelerado de degradação moral.
Tornei-me mais rebelde,
introvertida e passei a ser a garota de um grande bandido. Fiquei difamada ao
ponto de meus pais amaldiçoarem o dia em que nasci, dizendo: - Como pudemos
gerar uma pessoa de sua espécie? - meus irmãos pediam que eu não dissesse que
éramos da mesma família. Tudo isto me fazia ainda mais rebelde.
Aos vinte e um anos me
casei com alguém tão pervertido como eu e a "união" durou apenas
cinco meses. Estava gerando um criança e a ofereci a Iemanjá, que dizia ser
minha protetora. Nesta altura o candomblé já não me bastava.
Minha vida estava ameaçada, em função do que tinha feito até então, e, portanto, precisava de uma proteção mais forte. Então surgiu nova orientação: "Ali, em tal lugar, tem uma pessoa que é a única solução para você". Eu fui, disposta a achar esta solução e acreditando que a acharia.
II
Sexta-feira, meia noite,
luzes apagadas e todos de roupas negras. No meio da sala, uma vela negra e outra
vermelha. A mulher que comandava a sessão entrou num quarto escuro e se
preparou para receber o exu. Veio a ordem para que todos se prostrassem em círculo
ao redor das velas.
Durante a concentração,
ouvi passos, me voltei para a porta e vi entrar alguém todo de preto. O mesmo
espírito que se apresentava em meu quarto naquelas longas e terríveis noites
desde a infância. Ele foi em direção ao quarto e se incorporou na mulher.
Ela deu uma forte
gargalhada e saiu trajando uma capa vermelha e uma coroa de ouro, com um
tridente numa das mãos e um punhal na outra. O ambiente apavorava a todos, que
mantinham os olhos fixos na mulher. Ela veio em minha direção e falou com voz
grossa e cavernosa:
_Estou esperando você
aqui desde o dia em que nasceu - apresentou-se como "Sr. Lúcio" e
convidou-me para um pacto eterno, de sangue. Este pacto é "privilégio"
de poucos. Entretanto, é relativamente comum em pessoas que buscam sucesso e
riquezas no meio artísticos, cultural, político e empresarial.
Não é fácil recusar um
convite como este, mas dentro de mim sentia uma necessidade de protelar a
resposta ao máximo. Apesar do adiamento, desde aquela noite passei a fazer
parte do lugar secretariando1 aquele espírito que se autodenominava príncipe.
Fui me dando conta de
haver chegado ao cume da montanha do espiritismo: a Magia Negra, a porta mais
larga e fácil rumo ao sucesso imediato, à realização financeira, à satisfação
dos desejos carnais e ao poder, tão almejado pelo homem. Aqueles que a buscam,
no entanto, na maioria das vezes desconhecem as conseqüências da destruição
eterna que ela acarreta sobre eles próprios e seus familiares.
Certa noite, em meio a uma
sessão, uma mulher veio pedir a morte de uma vizinha. O espírito que estava
trabalhando, irritado, respondeu:
- Nesta eu não posso
tocar!
A mulher, furiosa,
insistiu: - Eu não posso suportá-la. Ela é "bíblia" e vive dizendo
que eu tenho que ir para a igreja dela e além disso ela não pára de cantar,
é uma fanática.
Mais uma vez o espírito
retrucou indignado:
- Eu já disse que não
posso com aquela mulher, ela vive de joelhos diante do seu Deus e possui um espírito
terrível. Contra aquela força eu não posso.
Em razão disso, deduzi
que os "bíblias" eram os maiores feiticeiros.
Em outra
sessão um homem veio encomendar a morte de seu sócio. Não é comum o espírito
questionar a morte de ninguém, mas naquela noite ele o fez:
-
Você quer matar uma pessoa que tem parte igual no negócio?
O outro, em sua ganância,
argumentou: - Sim, ele não tem família e quero ser dono sozinho.
A entidade que estava
trabalhando era o Sr. Lúcio, que deu o veredito:
- A mim é que não
importa. Pagando, eu mato qualquer um!
Era eu quem estava
secretariando e aquela resposta me fez refletir sobre a possibilidade de também
estar incluída naquele qualquer um. Interiormente indagava: "Também eu,
que o venho servindo há anos?". Sete dias depois todos festejavam de forma
macabra a destruição de mais uma vida.
O empresário havia
morrido em um trágico acidente de automóvel. O sócio estava ali, em seu carro
do ano cheio de oferendas para agradecer ao Sr. Lúcio. Olhando aquilo pensei: -
Nunca acreditei no inferno, mas se existir estou dentro dele.
Senti uma angústia enorme
e saí decidida a nunca mais voltar. Assim que cheguei em casa, me desfiz do
gongá2, dos aparatos de trabalho, das saias de diversas cores, guias, patuás,
imagens, etc. Minha mãe, aflita, pedia para eu não fazer isto, mas, decidida,
juntei tudo em diversas bolsas e despachei num rio, como é costume no
espiritismo.
Quando voltei para casa
minha mãe continuou a apelar desesperadamente dizendo que eu não poderia
largar tudo, pois havia nascido para isso. Permaneci firme no meu propósito e
pensava que agindo assim ficaria livre daqueles espíritos. Mas logo que entrei
em meu quarto "ele" chegou, chutando a porta, todo vestido de negro.
- Se pensa que vai me
deixar assim, está enganada. Ninguém que me pertence me deixa assim. Eu sou o
Diabo, sou Lúcifer, meu nome é Satanás. Se tentar me deixar, levo-a agora
para o inferno.
Tentei lutar e dizer que não
queria mais voltar. Pensava que os poderes mentais que eu utilizava eram meus.
Entretanto o espírito se apoderou de meu corpo e eu perdi completamente o domínio.
Sentia meu corpo se
contorcendo como num ataque epilético. Tentava dizer que não queria mais
voltar a fazer o mal e me lembrei das muitas mortes, dos lares destruídos, das
vidas derrotadas e tantas outras maldades de que participei. Mas nada adiantava
porque o espírito me dominava completamente.
Ele me agarrou pelo pescoço
e me arrancou do meu corpo. A partir daí compreendi que o inferno era real e eu
estava a caminho dele. Logo eu, que nunca acreditara em inferno e diabo (achava
que inferno era a vida das pessoas pobres), tinha agora a prova cabal da existência
de ambos, ao mesmo tempo em que entendia como estava escravizada...
Ele foi me puxando por um
túnel escuro, escorregadio, tenebroso como um grande abismo, através do qual
eu mergulhava numa realidade eterna na qual até então não acreditava. Ele me
puxava pelo pescoço e gritava: - Vou levá-la agora! - em certo momento, ele
parou e disse: - Olhe lá o seu corpo. Amanhã ele irá para o cemitério e sua
alma estará eternamente comigo - eu podia ver meu cadáver estirado em cima da
cama e já sentia as indizíveis angústias do inferno se apoderando de mim.
Subitamente, numa fração
de segundos, um nome veio à minha mente: DEUS! Com o restante de minha força,
supliquei: - Se existir um Deus mais poderoso do que Lúcifer, salve-me agora e
eu serei sua escrava!
Vi numa fração de
segundos quando uma bola de fogo caiu do céu sobre mim. Era como um cometa,
enchendo-me de uma nova força, desconhecida! O Deus que jamais desampara aquele
que o busca, ainda que sejam suicidas, viciados, feiticeiros, prostitutas,
homossexuais, miseráveis, enviou dos céus o seu socorro para mim.
Aquela figura que
instantes atrás me controlava, agora tinha caído pesadamente sobre a terra.
Queria pisar e esmagar a cabeça dele e saí para fazê-lo, dizendo "sou
mais forte que você". Ele, recuperando-se em um salto, correu e disse: - Não
pude levá-la agora mas alguém vai morrer por esta causa. Você me paga!
Sete dias depois, minha
filha - que em minha ignorância oferecera a Iemanjá - morreu. Não posso
esquecer o assombro dos médicos diante da menina saudável, agora morta sem
nenhum motivo aparente. Seu olhar inquiridor me atravessava como um punhal
enquanto perguntavam: - Mãe, o que você fez para esta criança morrer assim? -
eu não podia responder. Eu a consagrar a Iemanjá e agora me dava conta de que
esta também fazia parte do principado de Lúcifer.
No espaço de um mês toda
minha família sofreu conseqüências. Certo dia, voltando de meu trabalho fui
informada de que minha mãe havia sofrido uma crise de hemoptise3 e estava
tuberculosa. Este foi o pior golpe. Eu estava em meu quarto e o invoquei. Ele
apareceu, escarnecendo: - Viu? Comigo ninguém pode! Fiz tudo isso com sua família
e agora vou destruir você também.
Supliquei que não tocasse
na minha mãe e ele ofereceu uma terrível troca:
- É a vida dela pela sua.
Tantas vezes pedi seu sangue e você não me deu. Agora quero que se jogue
debaixo de um trem. Quero seu sangue, seu corpo e sua alma. Eu a levarei para o
inferno comigo!
III
Esta foi a trajetória que
me levou àquela noite de 30 de setembro de 1969; ao que tudo indicava, a última
de minha vida. Perto da meia-noite, com todos os bilhetes de despedida escritos,
tudo estava pronto para obedecer ao príncipe Lúcio, o único que conhecia até
então.
Junto dos bilhetes deixei
o dinheiro para as despesas de meu enterro. Permaneci recostada esperando o relógio
tocar às cinco da manhã, horário em que me preparava para sair rumo ao
trabalho. Em breve estaria saindo para me jogar de um viaduto.
Já fazia 15 anos que
minha vida era dedicada ao espiritismo. Quanto sofrimento, mentira e ódio. Uma
feiticeira servindo a um senhor escuro e tenebroso. Por meio dele aprendi a
matar, roubar e destruir. Nada e ninguém me importava. Tornei-me alcoólatra e
perdi todo o propósito de viver. A ovelha negra da família. No decorrer destes
pensamentos sentia agulhadas na alma.
De repente, me veio à
mente aquele nome: Deus. Seria uma verdade ou apenas fábula de religiosos?
Neste instante, ouvi uma voz suave e audível que falava: - E se eu lhe disser
que Deus existe? - no primeiro momento reagi violentamente. Deixei transparecer
todo o meu ódio, minha revolta, respondendo:
- Se Deus existisse não
haveria tantas guerras, tanta pobreza, miséria e violência.
Pela segunda vez aquela
voz disse:
- E se eu lhe disser que
existe um Deus Todo Poderoso?
Bastante assustada e
consciente de toda a minha maldade, do pecado e de tudo que havia praticado de
mal, respondi debilmente:
- Se existe um Deus
certamente ele não quer saber de pessoas do meu tipo.
Em seguida, aquela voz
insistiu:
- Há um Deus Todo
Poderoso e que a ama assim como és!
Neste momento, eu só
conseguia chorar e chorar muito. Esta foi a maior e mais inesquecível declaração
de amor que ouvi em toda minha vida. Pensei "que bom se este Deus me
livrasse da morte e do inferno". Tapei os olhos com as mãos e no escuro vi
uma luz fortíssima e maravilhosa.
Verdadeiramente a promessa
das Escrituras, registrada no livro de Isaías, se cumpria: "o povo que
andava na escuridão viu uma forte luz; a luz brilhou sobre os que viviam nas
trevas".4 Queria olhar para a luz mas ela me cegava. Era muito clara, mais
brilhante do que o sol ao meio dia. Contudo, consegui distinguir no meio da luz
um grande trono branco e havia nele alguém assentado.
Tentei caminhar até ele
mas caí pesadamente por terra, enquanto os guias, orixás e todas as entidades
que governavam o meu corpo iam se incorporando um após o outro. Arrastava-me
como uma serpente. Ouvia sair de minha boca, grunhidos, palavrões, insultos e
blasfêmias contra aquela pessoa sentada no trono. Fui possuída por demônios,
espíritos inimigos daquele que estava se aproximando de mim. Chorando
interiormente, questionei:
- Deus, por que o Senhor
permitiu que eu nascesse? Para fazer e receber o mal e agora ser levada ao
inferno? Eu sofri na terra mais que teu filho!
Falava como uma louca, mas
Deus provou neste instante a grandeza do seu amor, tirando-me do chão e
conduzindo-me a um lugar onde contemplei a cena que mudou todos os rumos futuros
de minha vida.
Me vi andando por uma rua
estreita, de barro. As casas eram feitas de pedras. Alguma coisa anormal
acontecia ali. As pessoas trajavam túnicas longas e andavam apressadamente em
direção a uma grande praça. Corri também na mesma direção que os outros,
mas na verdade não entendia bem se estava vivendo aquela cena ou se havia
morrido. Porém, já não sentia medo.
Enquanto caminhava, pude
ver de longe um prédio com altas colunas, parecido com um palácio de justiça.
Em frente a ele, milhares de pessoas se aglomeravam e gritavam freneticamente
levantando os punhos. Cheguei o mais perto que pude. Alguém estava sendo
julgado por um homem. À minha frente via muitos soldados, trajados como os
romanos da Idade Antiga, formando um cordão de isolamento. O homem que julgava
apontou para o jovem amarrado numa das colunas e perguntou:
- Que farei de Jesus de
Nazaré?
Esforcei-me para vê-lo
mas seus cabelos cobriam o rosto levemente inclinado e os muitos soldados ao
redor impediam uma visão melhor. Após ouvir a pergunta, a multidão começou a
gritar:
- Crucifique, crucifique!
Para minha surpresa, me vi
gritando a mesma coisa e ao olhar em redor para ver quem mais fazia parte
daquela cena, reconheci todos os meus amigos de farra, de macumba, candomblé,
espiritismo, rodas de samba, terreiros, bailes, bebedices, além de pessoas de
todos os tipos, raças, povos e nações. Eu não compreendia nada.
Queria enxergar o homem
que estava sendo julgado mas só consegui ver que ele usava uma roupa comprida e
muito branca. Novamente o juiz indagou: - Que farei de Jesus de Nazaré? - ao
que todos nós, de punhos cerrados, respondíamos: - Crucifique, crucifique! -
aquele homem lavou as mão e entregou o acusado aos soldados, que o levaram para
dentro do prédio.
Eles desceram as roupas
brancas do réu até a cintura e o amarraram a uma coluna do interior do pátio.
Um soldado ergueu o chicote, feito com vários fios de couro e um pedaço de
metal na ponta de cada fio. Começaram a golpeá-lo. A cada golpe abriam-se
profundo sulcos rasgando sua carne e o sangue escorria abundantemente. A multidão
aplaudia, gritava, assobiava, divertindo-se com aquele espetáculo.
O único a permanecer em
silêncio, de olhos fechados, era o próprio jovem sofredor. Seu corpo
estremecia pela dureza dos golpes, uma indescritível expressão de dor
transtornava seu rosto mas seus lábios se moviam silenciosamente. Ele estava
orando!
Nunca antes ouvira falar
sobre este Homem-Deus. Jamais conheci a Bíblia, onde estes fatos são
relatados. Nunca me haviam falado de Jesus, mas eu conheci através de sua própria,
indecifrável e singular revelação de amor. Não acreditava nele, da mesma
forma que descria do inferno e do diabo, ao qual no entanto, servia por ignorância,
até que ele mesmo se revelou para mim.
Passaram-se algumas horas
e aqueles soldados afastaram-se, depois de entregar o réu à turba enfurecida.
A multidão continuava a gritar, assobiar e zombar daquele homem, cuspindo no
seu rosto, batendo e esmurrando. O sangue do seu nariz e boca escorriam. Havia
hematomas nos olhos. Eu assistia petrificada àquela covardia. Muitas pessoas se
revezavam nos golpes.
Os soldados retornaram,
trazendo sobre uma almofada uma coroa feita de espinhos. Ergueram com
brutalidade a cabeça daquele homem e debaixo de aplausos cravaram-lhe a coroa
na cabeça, forçando-a com um pedaço de pau. Seu rosto se encolheu num gesto
de dor, que o fez apertar com força os olhos e os lábios. O sangue jorrava
pelas têmporas, transformando o corpo em uma massa ferida e ensangüentada. Ele
era uma ferida só. Não suportando mais a cena, comecei a gritar:
- Parem, parem. Não façam
isto. Este é o Filho de Deus. Ele não merece tal sofrimento. Eu sim, que sou
uma feiticeira e miserável suicida.
Todos olharam para mim,
admirados. Não sei de onde retirei estas afirmações, pois nunca havia
conhecido o Evangelho ou acreditado em Jesus. Ele também voltou os olhos para
mim pela primeira vez no decorrer daquela cena e me olhou diretamente nos olhos.
Cheguei a pensar que
estava com ódio de mim, mas foi totalmente o contrário. Em toda minha vida
nunca vi um olhar tão cheio de amor, de bondade, compaixão e misericórdia
como o olhar de Jesus de Nazaré. Por instantes nossos olhares fixaram-se e ele
falou:
Não, minha filha Vilma.
Ninguém suportaria tal sofrimento - ele apontava seu corpo dilacerado e ensangüentado,
enquanto sua voz dulcíssima prosseguia, em meio às lágrimas que jorravam pela
minha face: - Somente eu o fiz por amor de ti, para salvar e libertar tua vida.
Não compreendia como alguém
podia amar tanto, sofrer e morrer por uma pecadora, ovelha negra da família,
como eu. Entretanto, minha alma foi invadida por um gozo indescritível e
entendi que Jesus é uma pessoa real. Ali estava ele, todo ensangüentado, a
viva expressão do sofrimento, mas real e tratando-me como filha.
Estendi minhas mãos para
ele, mas o despertador retiniu, avisando-me sobre a hora em que deveria me
suicidar, realizando assim a ordem do príncipe das trevas.
Caí de joelhos e chorei,
amargamente arrependida. Minha alma desabafava o peso do pecado e ao mesmo tempo
uma grande paz enchia meu ser. Me dirigi ao Deus que até poucos instantes era
ignorado por mim, orando:
- Ó Deus, toda minha vida
está destruída, mas reconheço minha maldade. Creio agora que teu filho sofreu
e morreu por mim. Por isso quero entregar totalmente minha vida nas tuas mãos
para que faças dela o que tu quiseres.
Hoje, pela graça de Deus,
sou uma testemunha viva do Evangelho e do grande poder de Jesus Cristo. Ele tem
toda força. Todo Poder e amor pelas almas perdidas. Ele pode perfeitamente
salvar, curar e libertar o mais miserável ser humano, como diz o evangelho de
João: "e conhecerão a verdade e a verdade os libertará. Se o filho os
libertar vocês serão de fato livres" (João 8:32 e 36).
Ele veio em minha vida e
foi como uma fonte que brotou no meio de um deserto. Desde aquela sublime manhã,
nunca mais os demônios se apoderaram do meu corpo. Desde aquele profundo olhar
eu fui salva e liberta, recebendo a paz que tanto procurei. O Senhor Jesus
salvou meus pais, curou minha mãe e assim fomos todos feitos filhos de Deus.
Após ter feito minha
primeira oração com lágrimas de gratidão a Deus, caminhei até a cozinha,
onde estava minha mãe tossindo forte. Ela preparava o café. Eu podia sentir
algo glorioso no ar. Logo me dirigi a ela:
- Mãe, Deus existe, eu o
encontrei! Jesus sofreu e morreu por mim.
Acho que este foi o maior
sermão da minha vida. Minha mãe reagiu com espanto: - Você está ficando
louca? - porém espanto maior ainda foi ver sua cura repentina. Quinze dias
depois, uma nova radiografia atestou o desaparecimento de qualquer vestígio da
tuberculose. Ela não atribuiu sua cura a nenhum milagre de Deus, mas eu sabia
que esta era a explicação.
Naquela manhã, saí para
mais um dia de trabalho, totalmente livre das garras de Lúcio e da idéia de
suicídio. Como estava lindo aquele dia! O céu me parecia de uma beleza jamais
vista, possuía um azul diferente. A beleza dos montes me encantava.
Algo me dizia que tudo
aquilo era obra das mãos de Deus, o mesmo Deus que se apresentou a mim
pessoalmente. Sentia vontade de cantar, dançar, contar para todos sobre a
transformação que eu estava experimentando.
Posso fazer minhas as
palavras do salmista Davi: "Tirou-me de um cova perigosa, de um poço de
lama. Ele me pôs seguro em cima de uma rocha e firmou os meus passos. Ele me
ensinou a cantar uma nova canção, um hino de louvor ao nosso Deus. Quando
virem isso, muitos temerão ao Deus Eterno e aprenderão a confiar nele".
(Salmo 40:2,3).
Não podia imaginar por
quantos processos teria ainda que passar até conhecer profundamente o
"caminho estreito"5 porém glorioso.
IV
Como já disse, nunca
recebera explicações sobre Deus, Jesus e o Evangelho. Logo, passei a viver de
acordo com o que eu via as pessoas fazerem. Comecei a dar esmolas, ajudar aos
pobres e buscar formas de agradar a Deus. Sei que Deus contemplava meu coração
sincero. Contudo o plano dele para minha vida era muito superior. Aprendi a amar
e respeitar a Deus através de Jesus Cristo.
Como uma recém-nascida na
fé, alimentava-me das descobertas que eu mesma ia fazendo. Entrei num novo
estilo de vida, pois encontrara a razão de viver. Meu objetivo agora era
agradar a Deus. Queria retribuir o seu inexplicável amor por mim, precisava
servi-lo, oferecer e dedicar a Ele tudo que eu era, fazia e possuía; tinha a
necessidade de demonstrar minha gratidão, afinal encontrara a paz e o amor tão
desejados, o amigo fiel em quem podia confiar.
Porém na minha falta de
conhecimento achei que a melhor maneira de agradá-lo seria entrar para um
convento. Após diversas tentativas fui recebida por uma madre superiora. Contei
minha experiência e meu desejo de me dedicar a Deus, mas ela me garantiu que eu
jamais seria aceita num convento, porque fui casada e tinha me
"contaminado" com homem.
A resposta me frustrou,
mas o entusiasmo era tanto que insisti, querendo saber de que outra forma
poderia agradar a Deus. Ela então me deu a alternativa de assistir
gratuitamente a um orfanato, pois ajudando as crianças eu estaria agradando a
Deus.
Procurei um orfanato e fui
recebida por uma freira, a qual friamente me respondeu que não estava
precisando de ninguém. Tentei argumentar, mas ela recusou minha ajuda com
rispidez. Minha frustração aumentou por achar que era muito difícil servir a
Deus. Todavia este desejo era enorme e não saía do meu coração.
A princípio ficava
abalada, porém logo algo me impulsionava a prosseguir. Continuei dando esmolas
e ajudando a todos que eu podia, fazendo tudo que entendia como agradável a
Deus. Isto incluía oferecer para ele as músicas das quais gostava, umas
populares, outras clássicas; vivia cantando e, certa vez, ao entrar no refeitório
do meu trabalho, cantarolando e cheia de alegria, uma colega comentou:
- Está feliz, hein?
Expliquei que o motivo de
minha alegria era Jesus e ela deu uma gargalhada:
- Não vê
que Deus não vai aceitar nada de pessoas como você? Ele tem suas próprias músicas.
Fiquei
muito sentida com aquelas palavras. Foi decepcionante descobrir posteriormente
que aquela moça era evangélica. Ela poderia ter sido um instrumento de Deus
para me guiar ao perfeito conhecimento da verdade, quando estava no início da
caminhada cristã.
Mas, ao contrário, não
compreendendo minha falta de entendimento, quase me destruiu. Nunca falou de
Jesus para mim e suas palavras vieram como setas envenenadas rumo ao coração.
Satanás começou a me provocar:
- Estúpida! Pensa que
depois de tanto pecar agora pode cantar essas besteiras e ainda achar que Deus
vai dar atenção?
Minha mente, estimulada
pelo Acusador relembrou todos os meus pecados. Sentia um misto de vergonha e
amargura por haver pecado tanto ao ponto de ser desprezada até por Deus.
Afinal, aquela jovem tinha me dito claramente que ela sim, servia a Deus, sabia
do que ele gostava e certamente não era "deste cantorzinho mundano".
Voltei ao buraco negro da
depressão e de uma forma muito pior, porque havia posto em Jesus minha última
esperança. Fui rejeitada no convento e no orfanato e agora a única maneira que
tinha encontrado de agradar a Deus também fora desprezada. Como aquela tarde
demorou a passar! Comecei a achar que as pessoas passavam por mim pensando:
"Olha a pecadora querendo cantar para Deus!".
No caminho de casa,
passando em frente ao bar, Satanás me aconselhou: - Entre, tome um gole, compre
uns cigarros. Você está tão infeliz! - relutei, porque desde que Jesus tinha
olhado para mim, passei a sentir repugnância por essas coisas.
Corri para casa, fui para
o meu quarto, sentei em minha cama consciente, quando senti meu corpo
escorregar. Tentei tatear e me segurar em alguma coisa, mas não havia nada.
Apenas um grande e escorregadio abismo de trevas no qual eu ia caindo num lodo.
Não queria mais aquilo e de tanto lutar contra aquela queda senti um profundo
cansaço. Gemi.
- Ó Deus, não suporto
mais as trevas... não quero mais... mostra-me tua luz!
Parei de cair e pude mais
uma vez contemplar aquela luz, que vinha do alto, fortíssima, envolvendo-me
numa agradável temperatura. Quis olhar na direção dela e não consegui. Porém
pude escutar uma maravilhosa voz, firme e suave, dizendo:
- Venham a mim, todos vocês
que estão cansados de carregar as suas pesadas cargas, e eu lhes darei
descanso.
Nunca
escutara estas palavras e não entendi claramente seu significado. Imaginei que
um "guia de luz" estava se comunicando comigo.
- Qual o seu nome?
- Eu sou o caminho, a
verdade e a vida.
Continuei
sem entender e repeti a pergunta, recebendo a mesma resposta. Mudei a forma de
perguntar:
- Em que terreiro posso
encontrá-lo?
- Examine as Escrituras.
Você vai me encontrar nelas.
- Escrituras? O que é
isso?
- Procure-me na igreja dos
bíblias. Você vai me encontrar lá. Tenho uma grande obra para fazer com você.
- Obra? Nunca trabalhei em
obra. Meu pai já foi pedreiro mas eu não sei nada sobre isso.
A voz despediu-se
insistindo:
- Eu sou o caminho, a
verdade e a vida. Procure-me na igreja dos bíblias. Falarei com você lá.
Fiquei pensando, tentando
descobrir que espírito era aquele. No outro dia, cedo, perguntei à minha mãe
qual dos "guias" declarou ser o caminho, a verdade e a vida, pois
queria servi-lo. Ela nunca tinha ouvido falar neste "caminho". Assim,
fui para o trabalho com a mesma dúvida.
"Eu sou o caminho, a
verdade e a vida, Eu sou o caminho, a verdade e a vida..." Durante uma
semana estas palavras martelaram minha cabeça até que lembrei de um fato
ocorrido poucos anos antes, quando saía com um bando de colegas desordeiras
lideradas por mim. Batíamos nas portas das casas, tocávamos a campainha,
apedrejávamos os telhados.
Nisso, chegamos a uma casa
humilde, de porta aberta. Havia um grupo de pessoas ajoelhadas que gritavam em
alta voz. Entramos e começamos a gritar também. Elas começaram a correr um
homem deu a volta por trás da casa para nos surpreender pela entrada. Todas as
amigas escaparam, menos eu. O homem me pegou pelo braço e pensei que ia me
bater.
No lugar disso ele
gentilmente me convidou para assistir à reunião. A casa era um igreja evangélica
e aquele era o pastor. Envergonhada de minha atitude, fiquei observando o
ambiente. Pairava uma paz sobre o lugar. Havia quadros na parede e um deles me
chamou a atenção. Estava escrito Eu sou o caminho, a verdade e a vida.
Agora Deus me fazia
recordar aquele episódio. Precisava voltar ali, pois certamente me explicariam
o significado da frase e me diriam quem era o autor. Fui até lá. A igreja não
estava aberta mas à noite haveria uma reunião para a qual me convidaram.
Passei horas escolhendo uma roupa, pensando que o lugar era como um clube. Acabei chegando atrasada, com uma roupa extravagante. Quando vi as pessoas vestidas com muita simplicidade, sem nenhuma maquiagem, fiquei indagando se estavam desgostosas com a vida.
Olhando
melhor, notei que no rosto de cada uma havia paz. Gostei disso e passe a sentir
uma estranha sensação. Tentava compreender o lugar, as roupas e os costumes
daquela gente.
O mesmo homem que havia me
segurado pelo braço anos antes tomou um livro preto nas mãos e anunciou que
iriam fazer a leitura oficial da noite: Mateus 11:28, palavras de Jesus: Venham
a mim, todos vocês que estão cansados de carregar as suas pesadas cargas, e eu
lhes darei descanso.
Quase desmaiei de susto.
Em seguida o pastor pediu que abrissem outro texto, que serviria de base para a
meditação, localizado no evangelho de João, capítulo 14, versículo 6: Disse
Jesus: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Não pude conter as lágrimas.
Jesus estava tentando se comunicar comigo.
Os olhos do meu
entendimento começavam a se abrir e os acontecimentos iam fazendo sentido. Eram
palavras de Jesus; aquela bola de fogo, aquela força que veio e não deixou
Satanás me destruir completamente naquela noite... o olhar de Jesus... que
alegria!
Durante a reunião, as
mulheres, entre lágrimas, falavam em outro idioma6 e clamavam por um nome de
mulher:
- Ó Glória! Glória a Deus!
Elas estavam glorificando
a Deus. Eu não entendia isso e olhava para a porta, pensando que entraria uma
mulher chamada Glória Deus, que julguei ser alguém muito importante para elas.
Ninguém me notava. Mesmo usando mini-saia os homens não olhavam para mim.
Somente choravam, chamando também a tal Glória Deus.
Enquanto isso, o pregador
falava coisas profundas sobre o meu passado, coisas que ninguém mais sabia.
Fiquei alarmada. Nunca estive num lugar como aquele. Lágrimas começaram a
correr de meus olhos, após descobrir que fora Jesus quem falara comigo em meu
quarto. Olhei ao redor para ver como as outras pessoas reagiam, mas elas estavam
com os olhos fechados e oravam enquanto o pastor tornava pública minha vida.
Ele falava acerca da
infelicidade do ser humano sem Deus. Mas Satanás, sem perder tempo, entrou em
cena e sentou-se ao meu lado.
- Deixe de ser idiota.
Este homem está falando de sua vida em público. Não vê que ele quer
envergonhar você? E essas mulheres horríveis? Este ambiente não é o seu.
Saia, levante. Xingue todos e vá embora.
Esperei uma oportunidade e
saí dali correndo. Mas Deus não desistiu. Para onde eu ia, aquelas palavras me
"seguiam": Disse Jesus: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Quando
lembrava que Jesus, filho do Deus Altíssimo havia falado pessoalmente com uma
pecadora como eu, não conseguia conter as lágrimas. Na semana seguinte voltei
à igreja. Novamente senti aquele ambiente de paz, as pessoas cantavam alegres e
aquilo me contagiou.
Novamente o pastor -
posteriormente vim a saber que se chamava Milton Bengaly - abriu o livro preto:
"Hoje estou deixando que vocês escolham entre o bem e o mal, entre a vida
e a morte. Se vocês obedecerem aos mandamentos do Eterno, o nosso Deus, que
hoje eu estou dando a vocês, e o amarem e andarem no caminho que ele mostra e
cumprirem todas as suas leis e todos os seus mandamentos, vocês viverão muito
tempo na terra que vão invadir e que vai ser de vocês.
E Deus os abençoará e
lhes dará muitos descendentes. Porém eu lhes afirmo hoje mesmo que, se
abandonarem a Deus e não quiserem obedecer e se caírem na tentação de adorar
e servir outros deuses, neste caso vocês serão completamente destruídos e não
viverão muito tempo na terra que estão para possuir no outro lado do rio Jordão.
Neste dia chamo o céu e a
terra como testemunhas contra vocês. Eu lhes dou a oportunidade de escolherem
entre a vida e a morte, entre a benção e a maldição. Escolham a vida, para
que vocês e os seus descendentes vivam muitos anos. Amem o Eterno, o nosso
Deus, obedeçam ao que ele manda e fiquem ligados com ele. Assim vocês
continuarão a viver e viverão muitos anos na terra que o Deus Eterno jurou que
daria aos nossos antepassados Abraão, Isaque e Jacó."7
Logo após a leitura do
livro, ele o apresentou como sendo as Escrituras. Aquele era o livro do qual
Deus havia me falado e que tanto buscava descobrir! Ele disse ainda que as
Escrituras são a palavra de Deus, palavra que ele tinha para me entregar aquela
noite. Rios de lágrimas começaram a correr pelo meu rosto e pude compreender
tudo.
O Deus Todo-Poderoso me
amava, me aceitava do jeito que eu era e estava me chamando através daquelas
palavras. Ele estava me fazendo uma proposta de vida, quando já havia recebido
tantas outras para a morte. As palavras saíam dos lábios daquele pregador como
fogo e queimavam o meu coração. Ele começou a descrever minha vida na área
espiritual.
Falou sobre o plano de
Satanás para me destruir e sobre o plano perfeito de salvação de Deus para
mim. Aquelas palavras bombardeavam minha alma. Penetravam em meus ouvidos e
chegavam ao coração. Chorava muito. Entretanto via novos horizontes se abrindo
no meu entendimento. Interiormente comecei a manifestar o desejo de querer o
Deus acima de todas as coisas. Olhei ao redor e senti um amor incrível por toda
aquela gente.
O homem parou de falar e
pediu a todos que orassem para que Satanás não impedisse a operação de vida
que Deus queria fazer numa pessoa ali presente. Percebi então que muitos começaram
a orar e a falar aquele estranho idioma. Ao ficar de pé, Satanás, furioso,
falou ao meu ouvido:
- Saia depressa desse
lugar, senão vai ficar como estas mulheres horríveis. Estas pessoas fazem você
chorar. Você não está bem aqui.
Eu tentava responder e
dizer que ao contrário, eu me sentia bem, o ambiente era saudável, um refrigério
para minha alma. Porém Satanás insistia: - Saia depressa, este não é o seu
lugar! - já ia saindo quando uma jovem, proferindo palavras naquele idioma
estranho, caminhou de olhos fechados até a porta, abriu os braços e fechou o
caminho.
Parei, indecisa. O diabo
sugeriu que eu lhe desse um soco. Cerrei o punho, disposta a acatar a sugestão,
mas minha mão não conseguiu atingir o rosto daquela jovem. Algo como uma
parede invisível a protegia. Tentei outra vez e aconteceu o mesmo. De repente
ouvi todos ali dizerem "AMÉM". Permaneci pateticamente parada no meio
da igreja. O dirigente daquela reunião apontou para mim e disse com autoridade:
- Jovem, o Senhor Jesus
Cristo a trouxe aqui esta noite porque ele tem uma grande obra a realizar através
da sua vida.
Obra? Novamente esta
palavra sem sentido.
- Deus irá usá-la para
ganhar almas, orar pelos enfermos e oprimidos. Não saia daqui esta noite sem
antes fazer uma decisão pública por Jesus. Aceite-o como seu salvador e saiba
que se assim não o fizer, Satanás está à espera lá fora para destruí-la.
Olhei para fora e lá pude de fato vê-lo, no meio da rua, todo de preto e
desesperado, acenando para que eu saísse. Dentro de mim havia uma tremenda
batalha. A igreja começou a cantar um hino:
Ao findar o labor desta
vida
Quando a morte a teu lado
chegar
Que destino há de ter a
tua alma
Qual será no futuro o teu
lar?
Meu amigo, hoje tu tens a
escolha
Vida ou morte, qual vais
aceitar?
Amanhã pode ser muito
tarde
Hoje Cristo quer te
libertar
Em meu interior
questionava: "para que levantar as mãos, se eu já creio em Jesus?".
Hoje sei que Jesus disse: "A todos os que afirmarem publicamente que são
meus, eu farei o mesmo por eles diante do meu Pai que está no céu".8
Tentei levantar as mão
mas elas pesavam como chumbo. Todos oravam fervorosamente. A jovem a quem eu
tinha tentado agredir aproximou-se oferecendo ajuda. Constrangida, aceitei e
quando ela tocou minhas mãos elas ficaram livres. Levantei-as e minha alma
cansada e oprimida finalmente se rendeu publicamente ao bendito e verdadeiro
Deus, Todo-Poderoso, Criador dos céus, da terra e tudo que neles há.
Quando levantei a primeira
mão, pensei: - Uma é pouco para Deus - levantei as duas, mas sentindo que
ainda não estava bom, dobrei os joelhos. Isto não me pareceu suficiente e então
me curvei prostrada até o chão diante dele.
Neste instante, Jesus
dominou completamente minha vida. Foi feita uma oração e no seu final as
senhoras me abraçaram e pude sentir um grande amor da parte delas. Todos me
saudavam com um "bem-vinda ao reino dos céus". Uma senhora meiga,
esposa do pastor, carinhosamente me ofereceu um livro.
Um tanto desajeitada e
constrangida perguntei a ela sobre a tal "Escrituras". Sorrindo, ela
apontou para o livro que estava em minha mãos e disse: - É esse que eu acabei
de dar a você. É a Bíblia Sagrada, que contém a palavra viva de Deus. Nela
estão os evangelhos, que contam sobre a vida e o ministério de Jesus.
Saí daquele lugar
radiante de felicidade. Tinha a sensação de estar carregando muitos brilhantes
em minhas mãos. Ria e chorava ao mesmo tempo, abraçada àquele tesouro. Assim
eu voltava para casa com a vida totalmente nova.
V
Minha vida continuou a ser
transformada em todos os aspectos. Meu ex-marido (pai de minha filhinha que
havia morrido) costumava me procurar e algum tempo depois da minha conversão,
voltou a fazê-lo. Expliquei a ele sobre minha nova vida e ele aceitou ir à
igreja, onde também encontrou a salvação, o que tornou possível a reconstrução
do nosso casamento.
Todas estas transformações
pareciam estar causando efeitos negativos em minha mãe. Revoltada com minha
escolha, ela começou a se envolver cada dia mais com o espiritismo, por
acreditar que a minha escolha era responsável por todo mal que viesse a
acontecer com a família. Acabou trocando o candomblé pela magia negra, tal
como eu fizera no passado.
Certa vez, ela chegou a
afirmar que preferia a morte a ser crente, mas graças à grande misericórdia
de Deus ela foi alcançada a tempo e poupada da condenação por suas próprias
palavras, de acordo com o que está escrito no capítulo 12, versículos 36 e 37
do evangelho de Mateus: Eu afirmo que no Dia do Juízo cada um vai prestar
contas de toda palavra inútil que falou. Porque as suas palavras vão servir
para julgar se você é inocente ou culpado.
Seu encontro com Deus
deu-se através de um novo problema de saúde. Ela contraiu uma pneumonia, o que
era gravíssimo, devido à sua tuberculose anterior. Buscamos uma internação,
mas não foi possível. Logo, esperávamos pelo pior. Contudo, ela mesma
suplicou, desesperada, que eu pedisse a Jesus para curá-la. Não perdi tempo:
- Mãe, se você for
curada aceitará a Jesus como seu salvador pessoal?
- Sim, minha filha.
Orei por ela e saí,
acreditando que Deus faria o restante. No dia seguinte, bem cedo, ela chegou em
minha casa e me saudou, ante meu olhar arregalado de surpresa:
- Irmã Vilma! A paz do
Senhor! - contou-me que logo após minha saída ela sentira que algo diferente
estava acontecendo e amanheceu completamente restabelecida. Bendito seja o
grande Deus!
Meu pai, que tinha o coração
endurecido pelo ateísmo, também foi liberto e salvo, numa ocasião da qual me
lembro como se fosse hoje. Foi numa véspera de Natal e naquele ano ele estava
sem dinheiro, ou seja, abandonado pelo deus dele. Ele sempre gostou de dar
presentes para os filhos mas desta vez não podia. Quando fui visitá-lo ele
mostrou os bolsos vazios.
- Minha filha, este ano
papai não pode dar nada a você.
- Papai, você gostaria de
me dar um presente mais precioso do que um anel de brilhantes?
Como ele afirmou que sim,
convidei-o para me acompanhar ao culto de Natal e ele foi, para me fazer feliz.
Havia uma apresentação de crianças e fiquei preocupada com isso, porque
queria que naquela noite estivesse presente o melhor pregador do mundo para que
o coração duro de meu pai fosse tocado através dele.
De vez em quando olhava
para meu pai e o encontrava assistindo a tudo com muita seriedade e atenção.
De fato, os pensamentos de Deus não são como os nossos e tampouco seus
caminhos iguais aos nossos.9 A Bíblia declara: "Deus ensinou as crianças
e as criancinhas a oferecerem o louvor perfeito".10 No final da reunião o
dirigente saudou o meu pai e o convidou a aceitar Jesus como salvador. Fechei os
olhos para não ver a reação dele, mas ao ouvir alguns "aleluias"11,
olhei e o vi com as duas mãos levantadas.
Meu pai partiu para a
eternidade olhando firme para Jesus. Foi acometido de uma diabete que durou
quatro anos. Chegou a perder uma das pernas, mas nunca murmurou nem blasfemou
por causa desta situação. Sempre que alguém o interrogava recebia a seguinte
resposta:
- Deus sabe o que faz. O
importante é a minha alma estar salva e é melhor entrar no Reino de Deus com
um perna do que com as duas ser lançado no Inferno.
Antes de morrer ele me
aconselhou: - Filha, nunca deixe este Deus maravilhoso que nos salvou -
glorifico a Deus pela salvação de meu pai e por ter visto a alegria e segurança
dele nos últimos dias.
***
Por causa das grandes
motivações do início de minha trajetória cristã, o desejo de servir a Deus
e agradá-lo crescia mais e mais. Ele mesmo, meu Rei, Senhor e Amigo, foi me
encaminhando para servi-lo nos lugares certos, no centro de sua vontade
perfeita.
Certo dia veio em minha
igreja um missionário chamado Paulo Roberto. Ele relatou sua conversão e seu
ministério entre os índios e no final da reunião fez um apelo missionário,
chamando à frente quem sentisse o seu coração tocado para servir a Deus da
mesma forma. Meu coração ardia e eu pensava que se era possível ter aquele
privilégio, então eu o queria.
O missionário continuava:
- Quem aqui se sente motivado a dar sua vida por esta causa? - levantei
imediatamente e saí depressa em direção ao púlpito onde ele estava falando.
Pensava que o primeiro a chegar seria escolhido. Esperei um pouco e olhei para
trás, para ver quantas pessoas estavam comigo, mas só havia eu. Aquele jovem
olhou admirado para mim e disse:
- Irmã, esteja preparada,
porque no tempo certo Jesus vai enviá-la por lugares que nunca imaginou pisar.
Ao longo dos anos esta
palavra se cumpriu e Deus me concedeu oportunidades que eram impossíveis para
mim. Visitei diversas cidades e estados diferentes e também países
estrangeiros. Saí por toda parte anunciando as virtudes daquele que nos chamou
das trevas para a sua maravilhosa luz. Vi muitas almas se renderem aos pés do
Senhor Jesus e através de algumas delas minha fé foi estimulada e firmada.
Uma ocasião que jamais
esquecerei foi uma certa tarde muitos anos depois de minha entrega a Jesus,
quando nós já tínhamos três dos nossos cinco filhos. Fomos descansar depois
do almoço, quando ouvi nitidamente uma voz dizer: - Levante-se e vá para São
Paulo! - a princípio achei que era coisa de meu pensamento, mas ao tentar pegar
no sono outra vez ouvi com clareza a mesma coisa.
Levantei-me e fui até a
sala, pensando que alguém estava fazendo uma brincadeira. Não havia ninguém.
Voltei para a cama e mais uma vez aquela voz ordenava que eu me levantasse. Então
cedi. Todavia, para dar segmento àquele chamado precisaria vencer algumas
barreiras. A primeira e maior delas era meu marido estar de folga naquela ocasião.
Perguntei a ele se estaria
disposto a ir comigo para São Paulo, pois Deus me ordenara que o fizesse. Ele
disse que sim, porém não tinha dinheiro. Pedi a orientação de Deus, pois a
barreira maior estava vencida. Mas as passagens... Deus então mandou que fôssemos
para a Rodoviária e assim fizemos. Lá esperamos um bom tempo e nada aconteceu.
Meu marido perguntava: -
Vilma, onde estão as passagens? - eu simplesmente respondia que Deus iria
providenciá-las. Permanecemos ali durante umas duas horas. Finalmente, meu
esposo se colocou em pé e disse: - Vamos para casa - só que neste mesmo
instante um homem se aproximou dele sorrindo:
- Lourival, lembra-se de
mim? - era um amigo de meu marido. Perguntou para onde estávamos indo, pois ele
iria guiando um ônibus para Goiânia via São Paulo e estava com o carro vazio.
Glorificamos a Deus pela providência.
Chegamos a São Paulo de
noite e um novo problema se apresentava: onde dormir? Estávamos em frente a uma
garagem e o gerente dali nos concedeu pousada durante aquela noite. Saímos pela
manhã e paramos em frente a um ponto de ônibus. Para onde ir agora?
Tinha certeza de que Deus
nos guiaria. De repente um senhor se aproximou, saudou-nos com "A paz do
Senhor" e perguntou se estávamos indo para a reunião de consagração da
irmã Iracy. Mais que depressa respondemos que sim e fomos com ele. Ao chegar no
local já podíamos sentir que o ambiente estava cheio da glória de Deus.
Ficamos durante todo o dia
com aqueles irmãos. Convidaram-nos para jantar com eles e em seguida irmos a um
culto. Fizemos isso, mas a temperatura estava muito baixa e não tínhamos
levado agasalhos. Suplicava a Deus forças para suportarmos o frio.
O pastor me chamou ao púlpito
para que eu contasse minha história. Durante a preleção, aqueles irmãos, em
prantos, glorificavam a Deus. Repentinamente entrou no recinto um jovem com as mãos
levantadas, manifestando que aceitava a Jesus.
Toda a igreja pulava e
adorava a Deus falando línguas desconhecidas, porque o tal homem era dono do
estabelecimento comercial que funcionava em frente à igreja e havia jurado fechá-la,
porque não gostava de crentes. Mas Deus o tocara enquanto eu falava e agora ele
estava ali se rendendo àquele que é o dono da chave que abre portas e ninguém
fecha.
Após este feliz episódio
o pastor perguntou se eu era missionária. Minha resposta foi negativa. Ele
disse para mim: - O Espírito Santo12 diz que sim e manda que você se ajoelhe,
porque nós vamos impor as mãos sobre sua cabeça e consagrá-la agora. Deus
nos ordena que façamos isso - ajoelhei e comece a chorar dando graças a Deus
por aquele privilégio.
Logo entendi o propósito
que Deus tinha para esta viagem tão repentina. Em seguida aquele mesmo pastor
falou que Deus estava mandando que ele tirasse uma oferta de amor para mim. O
valor arrecadado foi exatamente igual a duas passagens para o Rio de Janeiro.
Enfrentei dificuldades
para aceitar plenamente as obras do Espírito Santo. Para mim era um tanto
confuso receber o Espírito Santo, uma vez que estive envolvida com toda espécie
de espíritos malignos. De certa forma resistia, por receio de confundir as
coisas.
Mas Deus foi pacientemente
trabalhando em meu coração porque ele tinha um glorioso ministério a
realizar. O plano dele, de me encher com o Espírito Santo, não ficou para trás.
Em um Encontro de Jovens, cujo tema era Enchei-vos do Espírito, ouvi
atentamente o pregador falar a respeito da promessa do Espírito Santo, desde o
tempo dos apóstolos até os dias de hoje.
No final da preleção ele
convidou todos os que criam na promessa e desejavam ser cheios do Espírito a
irem à frente. Corri e repeti junto do pastor aquela oração inesquecível: -
Senhor, eu não mereço, mas eu preciso.
Enquanto clamava, senti
minha total incapacidade de fazer a obra do Senhor. Então pedi com mais
intimidade, até ouvir minha própria voz dizendo palavras desconhecidas para
mim. Eu falava o mesmo idioma daquelas mulheres da igreja onde aceitei Jesus!
Quando abri meus olhos,
todos já haviam sentado e apenas eu permanecia de pé. Senti que a partir deste
precioso momento meu ministério ficou mais completo. O Espírito Santo agora não
só flui, mas transborda dentro de mim.
***
Amado leitor, ao publicar
esta história, minha ardente expectativa e oração é que você possa
encontrar o caminho, como eu encontrei, o único e verdadeiro caminho: Jesus
Cristo, que pode perfeitamente salvar, curar e libertar.
Não importa quão
profundo seja o abismo ao qual você tenha descido; ou se a solidão já chegou
a tal ponto que você pensa que é o único no mundo; Jesus é o Príncipe da
Paz. Ele tem poder para lhe dar a paz que excede todo entendimento. Ou talvez
você não tenha descido tanto quanto eu, mas a declaração da Bíblia, no
livro de Romanos capítulo 3 versículo 23 é: Todos pecaram e precisam da glória
de Deus.
Hoje, dois mil anos
depois, ainda se pode ouvir o ecoar da voz meiga de Jesus dizendo: - Venham a
mim, todos vocês que estão cansados de carregar as suas pesadas cargas, e eu
lhes darei descanso.
Oro ardentemente para que
este testemunho atinja seu coração, fazendo-o derramar-se perante o Trono da
Graça. Que você seja despertado para fazer sua decisão mais importante, para
que tenha vida com abundância e eterna ao lado do Rei dos Reis e Senhor dos
Senhores. Aceite a Jesus Cristo como único Salvador da sua vida e siga este
caminho estreito porém maravilhoso, sob as bênçãos e vitórias dadas por
Deus.
No amor do Príncipe
Jesus, a quem consagro este livro.
Vilma L. de Souza