História do cristianismo

HISTÓRIA DO CRISTIANISMO

Segundo alguns historiadores o topo culminante que assinala, o ponto de partida do Cristianismo é o Monte das Oliveiras. Foi ali que Jesus Cristo o Nazareno, cerca do ano 30 da nossa era, ministrou seus últimos ensinamentos a cerca de 500 discípulos, antes de ascender aos céus, dos quais 120 permaneceram até o dia dos pentecostes.
No dia de Pentecostes o Espírito Santo desceu sobre aqueles 120 irmãos reunidos, estando ali também os 12 apóstolos, os quais sendo cheio do Espírito Santo, proclamaram oficialmente as boas nova do Cristianismo e deram impulso a este movimento começado por Cristo.
O cristianismo iniciou sua historia com um movimento de caráter mundial através do grande derramamento do Espírito Santo na primavera do ano 30 d.C. e esse avivamento serviu para iluminar a mente dos discípulos dando-lhes um novo conceito dp reino de Deus, fazendo com que ele compreendessem que aquele reino não era um império político, mas sim um reino espiritual para conquistar o mundo por amor de Cristo.
A principio o Cristianismo era constituído de três categorias de pessoas : Judeus, Gregos e Prosélitos. Os judeu eram classificados primeiro como Hebreus representados pelos judeus que não seguiram a dispersão, e sempre moraram na palestina, e segundo os Judeus-Helenistas, representados por aqueles que se dispensaram pelas nações e se misturaram com os gentios; os gregos eram considerados todos aqueles que não eram descendentes de Judeus, e os Prosélitos eram aqueles pagãos que haviam se convertido á lei Judaica.
A principio o Cristianismo estava limitado apenas á cidade de Jerusalém, porém com a perseguição a partir da morte de Estevão, os crentes da igreja de Jerusalém se espalharam por toda a parte do império, deixando o Cristianismo sem está restrito apenas ao povo Judeu, alcançando a Síria, Ásia menor, e outras regiões. Porém o grande triunfo do Cristianismo para a sua expansão foi a conversão de Paulo, e em toda a história do Cristianismo, nenhuma conversão a Cristo, trouxe resultados tão importantes e fecundos para o mundo inteiro, como trouxe a conversão do Apóstolo Paulo. Por decisão favorável dos Apóstolos no concílio de Jerusalém referente a evangelização de todos os povos, deu um grande impulso ao Cristianismo entre os Gentios. Ás viagens missionárias de Paulo incendiou todo o império Romano

AS PERSEGUIÇÕES IMPERIAIS

É bastante estranho observar essas perseguições ao Cristianismo dirigidas pelos imperadores Romanos, pelo fato dos Romanos possuírem uma vasta cultura na área jurídica da lei e do direito, perseguirem pessoas tão cidadãs e fieis ás autoridades como eram os cristãos; mas por outro lado haviam algumas coisas que despertavam, ciúmes, invejas e iras aos romanos e principais autoridades da época.
Uma dessas coisas eram que o Cristianismo considerava todos os homens iguais: um escravo poderia se eleito bispo da igreja, coisas que os nobreza não aceitavam, outra coisa era que os Cristãos não aceitavam fazer parte ao culto ao imperador, e outra questão principal, era que os Cristãos pregavam a vinda de um outro rei “Jesus”, e sim a Ele adoravam, enquanto que os romanos veneravam a Cezar; e uma das principais causas também era a ambição pretensiosa de alguns dos funcionários públicos de se apropriar das propriedades de alguns cristãos ricos, que morriam durante as perseguições . A perseguição mais fortes foi a que Nero liderou (66 a 68 d.C.), e Dominicano (90 a 95 d.C.) entretanto do ano 250 a 313 d.C. ás perseguições eram mais esporádicas. É tanto que do reinado de Trajano ao reinado Antônio Pio (98 a 161 d.C.) o cristianismo viveu sobre o domínio de cinco imperadores, chamados cinco imperadores bons, os quais foram: Nerva, Trajano, Adriano, Antônio Pio e marco Aurélio
Em suas épocas os cristãos não podiam ser presos sem culpa definida ou comprovada. Com exceção de algumas perseguições locais
Porém dos cincos Imperadores o melhor foi Marco Aurélio, eminente escritor de Ética, cujo reinado foi de 161 a 180 d.C. mas um pouco antes do seu reinado no ano 155, foi queimado vivo ao seus 86 anos de idade. Policarpo bispo de Esmirna, o qual na presença do governador depois de pedir-lhe para ele negar a Jesus, Policarpo respondeu: “ A oitenta e seis anos que sirvo a Jesus e Ele nunca me negou e eu também não o negarei” ; e assim foi queimado em praça publica por ordem do governador

No ano 166 Justino Mártir, eminente filósofo e maior ensinador da sua época foi martirizado em Roma. De 211 a 217d.C, o imperador Caracará, assinou um decreto confirmando a cidadania de todas as pessoas que não fossem escravas e assim indiretamente muitos cristãos foram favorecidos, porque quem era portador desse título, não podia ser crucificado nem lançado as feras.
E por ultimo a mais sistemática perseguição veio no ano 303 a 310 d.C no governo de Deocleciano. E enfim no ano 313 d.C , Constantino filho de Cosntâncio, sucessor de Deocleciano, assinou o memorável edito de tolerância. E assim por essa lei o Cristianismo foi oficialmente tornado livre aos seus seguidores, enquanto durou o império romano e mais tarde já no ano 380 d.C. o cristianismo foi declarado como religião oficial do império romano.
Neste período podemos também destacar o avanço cultural dentro do cristianismo com a existência três principais escolas teológicas: a primeira em Alexandria, a segunda na Ásia Menor e a terceira no norte da África. Onde muitos eruditos conhecidos como pais da Igreja de suas épocas estudaram e ensinaram nela.
A Alexandria foi fundada no ano de 180 d.C. por Panteno, sucedido por Clemente de Alexandria (150 a 212 d.C.) e depois sucedido por Orígenes (185 a 284 d.C.) o mais competente de sua época cujo os ensinamentos são conhecidos até hoje. Na escola da Ásia Menor se destacou Irineu e na escola do norte da áfrica, se destacou Tertuliano (160 a 220 d.C.) e também Cipriano.

V. O CRISTIANISMO COMO RELIGIÃO OFICIAL DO IMPÉRIO.

Vamos estudar este período que vai do edito de Constantino em 313 d. C. até a queda do império Romano em 476 d. C. Este período é conhecido como período da vitória e triunfo de cristianismo sob todos os poderes contrários existentes.
Contra o cristianismo estavam todos os poderes do Estado e agora era o contrário, a favor do cristianismo estavam os poderes do Estado.

I. A conversão do primeiro imperador cristão.

Antes de Constantino assumir definitivamente o reinado em 323 d.C. ele infernou vários opositores, sendo o mais forte deles Mexencio que reuniu um grande exército contra Constantino.
Na época da guerra Constantino afirmou ter visto no céu uma inscrição que dizia: “In hok signo vinces” (Por este sinal vencera). E assim foi, Constantino venceu aquela guerra e em seguida adotou a cruz como emblema de seu exército e aboliu a crucificação.
Com a conversão de Constantino o cristianismo cada vez mais se expandia pelo vasto império romano, chegando até os templos pagãos se transformarem em templos de adoração a Deus. O próprio Constantino começou a reconstruir e reformar muitos templos que durante as perseguições eram destruídos. Mandou também construir em Jerusalém a Belém, colocando o nome nestes templos de Basílica.
No anfiteatro Romano foi proibida a matança de homens para o prazer de espectadores.
Os escravos passaram a ter um tratamento mais humano e outras mudanças importantes ocorreram. Contudo se o término das perseguições foi uma bênção, a oficialização do Cristianismo como religião de Estado foi uma maldição.
Todos queriam ser membro da igreja e continuarem no pecado e quase todos eram aceitos por questões políticas.
O nível de moral do cristianismo no poder era mais baixo do que os pagãos, os costumes, cerimônias pagãs foram aos poucos se infiltrando no meio da igreja. Algumas das festas pagãs eram introduzidas dentro da igreja, só mudavam os nomes.
Já no ano 405 d.C. as imagens dos Santos Mártires começaram a aparecer nos templos e serem reverenciados. A adoração a Maria simplesmente substituíram a adoração a Vênus e a Diana.
O cristianismo que deveria influenciar o paganismo, ao contrário, foi influenciado pelo paganismo.
Com a união da igreja com o Estado, o Estado passou a dominar a igreja de tal forma que até nomeava bispos. E era aceito na igreja quem o imperador quisesse, e a igreja perdeu todo o poder que possuía, e como vemos mais na frente a igreja foi se apoderando tanto do poder secular que o cristianismo deixou de ser cristianismo e passou a ser uma hierarquia corrompida que dimanava as nações da Europa fazendo da igreja uma máquina política.
Logo após o cristianismo ter sido elevado como a religião oficial do império, antes de entrar no paganismo, Constantino resolveu construir uma nova capital afirmando que Roma estava contaminada pelos templos pagãos e que na nova capital só iria construir templos cristãos, e o lugar escolhido foi Bizânico, cidade Grega que mais tarde foi batizada de Constantinopla, em homenagem a Constantino.
E na nova capital foi construído muitos templos, e o mais magnífico foi o de Sta. Sofia, conhecida como a catedral do cristianismo, e era tão importante que durou até 1453, quando a cidade foi tomada pelos turcos.
Constantino era tolerante por tanto por natureza como por motivo político acabou com o culto ao imperador, devido ás pessoas levarem oferendas á estátua do imperador. Mas, conservou o título de “ Potifix Máximas” (Sumo Pontífice). Título esse conservado por todos os Papas até hoje.
Como já sabemos Constantinopla passou a ser a nova capital, posição perdida por Roma. Porém com a morte de Constantino começou uma grande controvérsia.
Roma agora queria recuperar sua posição de capital e reclamava autoridade e trono que dizia ter sob todo mundo cristão, assim começou a grande rivalidade entre Constantinopla e Roma.
O bispo de Roma que já se chamava Papa, insistia em ser reconhecido como cabeça da igreja em toda Europa.
O bispo que dirigia igreja em cidades comuns eram chamados “Metropolitanos”, em Jerusalém, Antioquia, Alexandria, e Constantinopla eram chamados Patriarca, porém o bispo de Roma tomou o título de “pai” , que mais tarde foi modificado para “papa”.

2. Ascensão Papal e Queda do Império Romano Ocidental.

Roma reclamava para si autoridade apostólica, até que a tradição inventou que Pedro foi o primeiro Bispo de Roma, e portanto, o primeiro Papa de Roma.
Naquela época se reunia os concílios formados só por votação de bispos para resolver qualquer questão, e como os bispos de Roma eram em número maior, quando se reuniam no concílio de Calcedônia em 451 d.C. na Ásia menor, ficou decidido que Roma ocuparia o primeiro lugar e Constantinopla o segundo.
E foi assim que todo Ocidente passou a considerar o bispo de Roma como autoridade suprema de toda igreja, abrindo caminho para pretensões ambiciosas da parte de Roma de do Papa nos séculos futuros.
Vinte e cinco anos após a morte de Constantino os murros do Império Ocidental começaram a ser derrubados pelos bárbaros e o Império Romano que existia durante 1.000 anos caiu e deixou de existir, no ano 476 d.C. uma tribo Germânica conhecida como Herulos, dirigida por Odoacro, apoderou-se de Roma e destronou o pequeno Rômulo e tomou o título de rei da Itália. E desde este ano, o império Romano Ocidental deixou de existir e permaneceu ainda o Império Oriental, tendo como capital Constantinopla até o ano de 1453 d.C.
Podemos destacar neste período grandes dirigentes da igreja como Atanázio (296 a 373) Ambrozio de Milão (340 a 397) João Crisótomo considerado maior pregador deste período conhecido como “ boca de ouro” chegando a ser bispo de Constantinopla; Jerônimo (340 a 420) o mais erudito de sua época, e Agostinho (354 a 430) bispo de Hipona no Norte da África e o mais ilustre teólogo de sua época.

VI. O CRISTIANISMO NO PERÍODO MEDIEVAL.

Este período compreende da queda de Roma 476d.C. até a Queda de Constantinopla em 1453d.C.

Crescimento do Poder Papal.
O fato mais importante nos dez séculos da idade média foi o desenvolvimento do poder Papal e, como afirmamos anteriormente o Papa de Roma afirmava ser “Bispo Universal” e “Chefe da igreja”. Este desenvolvimento Papal teve três períodos: Crescimento, Culminância e Decadência.
O período de crescimento do poder Papal começou a fortificar-se no período de Gregório I, “O Grande”, e teve a culminância no tempo de Gregório VI, também conhecido como Hildebrando. É bom lembrar que cada papa mudava de nome ao assumir o cargo Gregório I. Aumentou a rivalidade entre Constantinopla e Roma, resistiu ao patriarca de Constantinopla e tornou a igreja uma máquina política governando Roma e suas províncias. Desenvolveu algumas doutrinas na igreja, como a adoração de imagens, o purgatório e muitas outras heresias. Com a queda do Império Romano Ocidental, como já estudamos, os governadores Europeus se enfraqueciam cada vez mais.
Enquanto que o papa se fortalecia cada vez mais, transformando a igreja num império fortalecido de riquezas materiais e força humana. Os governos das províncias Européias, enfraquecidos passaram a recorrer sempre a Roma, ficando sempre dependentes do papa. Com isto surgiram as pretensões ambiciosas do Papa, a ponto de inventarem muitos documentos falsos, no intuito de se apoderar definitivamente do domínio da Europa. Um destes documentos tinha o título de “Doação de Constantino” , que dizia que o primeiro imperador cristão Constantino, havia dado ao bispo de Roma Silvestre I (314-335), autoridade suprema sobre todas as províncias Européias. Outro documento falso foi chamado “Decretos Pseudo-Isidorianos” publicado no ano 850 d.C. Ao qual afirmava que existia decisões adotadas pelos bispos primitivos de Roma, desde os Apóstolos, reivindicando autoridade suprema do Papa, independência da igreja do Estado e ainda dizia que nenhum tribunal do estado poderia interferir ou violar as decisões do Clero em todos os seus aspectos.
E, como não existia a crítica nesta época de tanta ignorância ninguém se atrevia a examinar a exatidão ou não destes documentos, os quais só vieram á ser declaradas como falsificados já no século 16 com o despertar da Reforma. Também assim como havia imperadores fracos e imperadores fortes, também havia Papas fracos e perversos, principalmente entre o ano 850-1050 d.C. Quando um príncipe governante era forte se apunha ao Papa, mas quando era fraco ficava debaixo dos pés do Papa.
Na última etapa do século oitavo levantou-se Carlos Magno (742-814), um dos maiores homens políticos de todos os países da Europa, a ponto do próprio Papa Leão III respeitá-lo e no 800, foi coroado pelo Papa com o título de “Carlos Augusto”, pelo seu potencial, eram facilmente dominados pelos Papas, e quando não queriam obedecer as ordens papais, o próprio Papa incentiva guerras da população contra o imperador.

A Separação Definitiva da Igreja Latina da Igreja Grega.

Já no século XI, a igreja latina representada pela cidade de Roma se separou definitivamente da igreja grega, representada pela cidade de Constantinopla, e finalmente no ano 1.054, o mensageiro do Papa colocou sobre o altar da Catedral de Santa Sofia em Constantinopla o Decreto de Excomunhão e a partir daí passou a haver durante séculos muitas controvérsias e até perseguições entre ambas. Roma prosseguiu seu próprio caminho na direção dos Papas e a igreja Grega de Constantinopla prosseguiu na direção de seus patriarcas.

Início da Reforma Religiosa.

Neste período vamos ver muitos movimentos Pró-Reforma. A favor da libertação do domínio do poder de Roma e do Papa , um destes movimentos foi iniciado pelos “Albigenses ou Cataristas”, (da cidade de Albi) conseguiram proeminência no sul da França, cerca do ano 1170. Eles rejeitavam a autoridade da tradição, distribuíam o Novo Testamento e opunha-se ás doutrinas romanas do purgatório, á adoração de imagens e ás pretensões sacerdotais. O credo era uma estranha mistura de Cristianismo e idéias religiosas orientais, e rejeitavam o Antigo Testamento. O Papa Inocêncio III, em 1208, mobilizou uma cruzada contra eles, e a seita foi dissolvida com o assassínio de quase toda a população da região, tanto a católica como a herege.
Outro movimento pró-reforma foi o dos Valdenses que apareceram ao mesmo tempo em 1170, um negociante de Lyon, chamado Pedro Valdo, começou a distribuir seu dinheiro com os pobres e tornou-se pregador ambulante do Evangelho. Viajavam pelo centro e sul da França, ganhando adeptos. Ao fim da idade Média já encontramos os Valdenses completamente organizados e espalhados por toda a Europa Ocidental; Apesar de constantemente caçados pela Inquisição, eram intensamente ativos no ensino do Evangelho e na distribuição de partes manuscritas da Bíblia na língua do povo.
Outro movimento começou em 1375 na Inglaterra por João Wycliff em favor da libertação do domínio do poder romano e da reforma da igreja. Wycliff famoso e considerado o homem mais culto da Universidade de Oxford. Atacava os frades mendicantes e o sistema monacato. Recusava-se a reconhecer a autoridade do papa e opunha-se a ela na Inglaterra. Denunciou o papado em toda a organização clerical, sustentando a tese de que não deveria haver distinções de classes dentro do clero. Indo além, chegou a negar fundamento bíblico á doutrina da religião medieval, a transubstanciação. Conseguiu também traduzir o Novo Testamento para o inglês em 1380 d.C., favorecendo uma excelente contribuição para a reforma da igreja. Seus auxiliares, outros homens cultos de Oxford, abriram a Bíblia ao povo da Inglaterra pela primeira vez e seguiram espalhando pela Inglaterra os seus ensinos, a maioria constituído pelos membros de sua paróquia. Wycliff foi condenado por um concílio eclesiástico da igreja romana, mesmo assim, sua posição já era forte na Inglaterra. As autoridades nada fizeram contra ele mais do que classifica-lo de herege. Foi assim que morreu em paz na sua paróquia, em 1384.
João Huss, da Boêmia nasceu em 1369, influenciado pelos ensinos de Wycliff, pregava contra as mordomias do Papa, em contraste com a humildade de Cristo. Homem muito respeitado pelo povo muito culto e exercia influência na Universidade de Praga além de sacerdote, pelo que foi escolhido para um lugar destaque. Mas apesar de suas influências nacional e de suas eloqüentes pregações foi condenado pelo concílio de Constança e sacrificado em fogueira em 1415.Porém sua história trouxe elementos favoráveis que influenciaram a Boêmia para reforma.
Outro grande movimento reformador foi dirigido por Jerônimo Savonarola, de Florença na Itália, conhecido como o Percursor da reforma. Pregava também contra os males sociais, eclesiásticos e políticos de seu tempo. Multidões ansiosas reuniam para ouvir seus ensinos. Finalmente excomungado pelo papa Jerônimo, Savonarola foi martirizado, sendo enforcado e queimado em praça pública. Seu martírio deu-se 19 anos antes de Martinho Lutero, dando maior impulso á Reforma.

A Queda de Constantinopla.

A queda de Constantinopla em 1453d.C, marcou o início da idade Moderna e pôs fim ao período do Cristianismo Medieval. Naquele ano os Turcos invadiram Constantinopla sob as ordens de Maomé II, o templo de Santa Sofia, considerado na época de Constantino como a catedral do Cristianismo, em um só dia foi transformado em mesquita. Durante este período que acabamos de estudar, podemos destacar alguns homens importantes: Pedro Abelardo (1079-1142), eminente filósofo e teólogo da Idade Média; Anselmo (1033-1109), grande erudito de sua época e Tomás de Aquino (1225-1274), considerado a maior mentalidade da idade média, chamado de Doutor “Universal, Doutor Angélico e príncipe da Escolástica”.

VII. CRISTIANISMO DA IGREJA REFORMADA

A reforma em outros países.

A reforma foi ganhando impulso por toda Europa. Na Suíça, quem liderou a reforma foi Ulrico Zuínglio, o qual em 1517, atacou “a remissão de pecados”, que muitos procuravam por meio de peregrinações a um altar da Virgem de Einsieldn. No ano de 1522, Zuínglio rompeu definitivamente com Roma. A reforma foi então formalmente estabelecida em Zurique, e dentro em breve tornou-se um movimento mais radical do que na Alemanha. Entretanto, o progresso desse movimento foi prejudicado por uma guerra civil entre cantões Católico-Romanos e protestantes, na qual Zuínglio morreu em 1531.
Não muito depois da morte de Zuínglio surgiu um líder ainda maior para tomar a direção do protestantismo na Suíça. João Calvino (1509-1564) nasceu vinte e seis anos depois de Lutero de modo que pertencia à segunda geração da reforma. Declarou-se protestante em 1533, sendo influenciado pelos estudos de Lutero, surgiu repentinamente, acompanhado de uma grande renovação de sua vida espiritual.Logo, se transformou no maior teólogo da reforma ou o maior teólogo da igreja, depois de Agostinho. Teve de fugir para Paris em virtude de uma inesperada e feroz perseguição. Apesar de sua vida inquieta esteve três anos em Basiléia e ali aos vinte e seis anos, publicou um livro que lhe permitiu ganhar a posição de um dos líderes do protestantismo. Esse livro foi o seu famoso “Instituições da Religião Cristã”, publicada em 1536, quando Calvino tinha apenas vinte e sete anos. Na primeira edição o livro era pequeno, não era ainda o tratado de teologia que veio a ser depois; apenas uma declaração sistemática da verdade Cristã sustentada e defendida pelos protestantes e destinado ao uso popular.
Desde seus escritos e a sua vida, Calvino trouxe grande contribuição para o progresso da Reforma. Durante seu ministério, de vinte e três anos, ele viu que seus ideais por onde passou, mesmo com perseguições, e lugares que suas idéias tiveram pouco êxito, viu na cidade de Genebra o resultado do seu trabalho. Aquela cidade dantes turbulenta e dissoluta tornou-se notável por sua ordem, por sua cultura, por seu Cristianismo ardoroso e pelas condições morais excelentes. Estes resultados não foram alcançados por Calvino e seus colaboradores sem dificuldades. Surgiu muita oposição por causa da estrita disciplina do consistório. Ouve mesmo um tempo quando a obra de Calvino parecia arruinar-se, mas sua persistência e coragem férrea não falharam. Sua vitória final foi devida parcialmente a muitos protestante refugiados de perseguições, vindos de outros países, que se tornaram Cidadãos de Genebra. Nos últimos nove anos da sua vida ele o governa dor da cidade.
Pelo êxito da reforma por Calvino em Genebra, a cidade serviu de refúgio para muitos perseguidos por causa da Reforma em outros países.Os refugiados encontraram nela um lar apropriado, encontraram nela um lar apropriado. Foi também um lugar de preparo sólido para os líderes do protestantismo. Posteriormente, muitos refugiados voltaram aos seus países de origem, fortalecidos por sua estada em Genebra e por seu contato com Calvino. Um deles foi João Knox.
João Knox foi o líder da Reforma na Escócia. Lá o progresso da Reforma foi lento pois a igreja e o Estado eram governados pela mão férrea do cardeal Beaton e pela rainha Maria de Guise, mãe da rainha Maria da Escócia. O cardeal foi assassinado, a rainha morreu, e logo em seguida João Knox, em 1559, assumiu a direção do movimento reformador. Começou a pregar constantemente com extraordinária eloqüência, fortalecendo a causa reformada com seus argumentos poderosos. Knox pôde fazer desaparecer todos os vestígios da antiga religião, e levar a Reforma muito longe, do que da Inglaterra. A Igreja Presbiteriana, segundo foi planejado por João Knox, veio ser a igreja da Escócia.
Na Inglaterra, João Tyndale liderou a Reforma e conseguiu traduzir o Testamento na língua “mater”, a primeira versão em inglês depois da invenção da imprensa; essa tradução, mais do que outra qualquer, modelou todas as traduções, a partir daí. Tyndale foi martirizado em Antuérpia, no ano de 1536, Posteriormente, outros líderes reformadores deram continuidade, e tornaram a Inglaterra protestante.
Enquanto que Dinamarca, Suécia e Noruega, receberam prontamente a Reforma, a Holanda se tornara protestante, e assim a reforma ganhou campo por todas as partes.

A Contra Reforma

Sabemos que a decadência do poder papal, já havia começado, desde o fim da idade moderna, antes do ano de 1198-1216, Inocêncio III, tinha assumido o cargo tentando recuperar o terreno que tinha começado a perder, e afirmou no dia da sua posse que “em tua mão havia sido entregue não somente a igreja, mas, também o mundo inteiro, com o direito de depor finalmente a coroa do imperador, e todas as outras coroas”.
No ano de 1303, o papa Bonifácio VIII, ao assumir o cargo que queria mandar nos imperadores, como mandava os seus antecessores, porém se deu mal quando Bonifácio, procurou questão com o imperador Felipo, rei da França este lhe declarou guerra e, ainda lançou o papa Bonifácio no cárcere, depois de soltá-lo em 1305, morreu de tristeza. De 1305 à 1307 o rei da França transferiu a sede da igreja de Roma, para o Sul da França, as ordens do Papa já não eram obedecidas, sua excomunhão já não eram levadas a sério. Porém no ano 1377, o Papa Gregório XI, transferiu novamente para Roma a sede do papa, e desde esta época os papas residem em Roma.
Agora já no século XVI, período da Reforma, o poder papal, estava cada vez mais enfraquecido, sabendo que perderia muito terreno para o protestantismo, iniciou um movimento para acabar com a fé protestante, chamado na época de “Contra-Reforma”. E já no ano de 1545, o Papa Paulo III convocou todos os Bispos e Abades da igreja Católica no Concílio do Trento, para fazerem uma reformulação dentro da própria igreja Católica. E dentre as decisões. CONTINUA...

A REFORMA DE MARTINHO LUTERO

Martinho Lutero (1483-1546) nasceu em Eisleben, na Saxônia, sendo filho de um empreiteiro de minas que atingiu certa prosperidade econômica. Influenciado pelo pai, ingressou em 1501 na Universidade de Erfurt, para estudar direito, mas seu temperamento inclinava-o à vida religiosa, Em 1505, após quase ter morrido em uma violenta tempestade, ingressou na Ordem dos Monges Agostinianos, cumprindo promessa feita a Santa Ana.
Estudioso sério, metódico e aplicado, Lutero conquistou prestígio intelectual, tornando-se, em 1508, professor da Universidade de Wittenberg. Em 1510, viajou a Roma, de onde regressou decepcionado com o clima de corrupção que percebera no alto clero, Nos anos de 1511 a 1513, aprofundou-se nos estudos teológicos, ate que começaram a amadurecer em seu espirito as idéias para a criação de uma nova doutrina religiosa. Nas epístolas de São Paulo, encontrou uma frase que lhe paraceu fundamental: "o justo se salvará pela fé". Concluiu Lutero que o homem, corrompido em razão do pecado original, só poderia salvar-se pela fé incondicional em Deus. Somente a fé, e não as obras praticadas, seria o único instrumento capaz de justificar os pecados e de conduzir à salvação, graças à misericórdia divina. Em 1517, eclodiu o incidente que provocaria o rompimento entre Lutero e a Igreja Católica, girando em torno do episódio conhecido como venda de indulgências. Tendo como o objetivo arrecadar fundos para financiar a reconstrução da Basílica de São Pedro, o Papa Leão X permitiu que se concedem indulgências (perdão dos pecados) a todos os fieis que contribuíssem financeiramente com a Igreja. Escandalizado com essa salvação comprada a dinheiro, Lutero afixou na porta da Igreja de Wittenberg um manifesto público ( as 95 teses), em que protestava contra a atitude do Papa e expunha os elementos de sua doutrina. Iniciava-se, então, uma longa discussão entre Lutero e as autoridades eclesiáticas, culminando com sua excomunhão pelo Papa, em 1520. Demonstrando descaso e revolta diante da Igreja, Lutero queimou em praça pública a bula Papal Exsurge dimine, que o condenava.

A DOUTRINA LUTERANA
Vejamos, rapidamente, uma síntese dos principais pontos da doutrina luterana:
.Igreja: proclamava a criação de Igrejas nacionais autônomas. O trabalho religioso poderia ser feito por pessoas não obrigadas ao celibato sacerdotal (obrigação de casar). Lutero aceitava a dependência da Igreja ao Estado. O idioma das cerimônias religiosas deveria ser aquele de cada nação e não o latim, que era o idioma oficial das cerimônias católicas.
.Rito Religioso: a cerimônia religiosa deveria obedecer a ritos mais simples, reduzindo a pompa existente nos cultos católicos. Santos e imagens foram abolidos.
.Livro Sagrado: A Bíblia era o livro sagrado do Luteranismo, representando a única fonte da fé. Sua leitura e interpretação deveriam se feitas por todos os cristãos. Lutero, em 1534, traduziu para o alemão um original grego da Bíblia.
.Salvação Humana: O homem salva-se pela fé em Deu e não pelas obras que pratica.
.Sacramentos: preservaram-se como sacramento básicos o batismo e a eucaristia.

A EXPANSÃO DO LUTERANISMO
Paralelamente aos problemas meramente religiosos, houve uma série de fatores sociais e econômicos que favoreceram a difusão das idéias de Lutero na Alemanha. Destacam-se, entre eles, o fato de grande parte das terras alemãs pertencerem à Igreja Católica, havendo grande interesse da nobreza em apossar-se dessas terras.
Nessa época, o que chamamos de Alemanha nada mais era do que um conjunto de principados e de cidades autônomas, não havendo, portanto, um país unificado, com autêntica unidade política. A região fazia parte dos domínios do Sacro Império Romano Germânico, controlado pela Dinastia dos Habsburgs, cujo imperador ficava na Espanha. O imperador era aliado do Papa e procurava, com isso, preservar certa unidade e poder sobre os príncipes alemães.
Com sede de poder e de riqueza, as classes elevadas (nobreza e burguesia) mostravam-se descontentes em relação à Igreja e ao comando do imperador. Por outro lado, as classes sociais menos favorecidas (camponeses e artesãos urbanos) também responsabilizavam a Igreja pela situação de miséria e de exploração de que eram vítimas. Havia, portanto, um certo consenso entre as diversas classes sociais contra a Igreja.
Liderados por Thomas Münzer, os camponeses, a partir de 1524, organizaram uma série de revoltas contra sacerdotes ricos e nobres, donos de grandes propriedades de terra. De forma violenta, os camponeses lutavam pela posse de terra e pelo fim de exploração. As classes dominantes, então, uniram-se para dominar a revolta camponesa, contando com o apoio de Lutero, que publicou um manifesto cujo título trazia as seguintes palavras "Contra os bandos camponeses assassinos e ladrões...". Confrontos com os poderosos, os camponeses foram esmagados: morreram mais de cem mil e o líder Thomas Munzer foi decapitado.
Em troca de seu apoio às classes dominantes, Lutero conseguiu poderosos aliados entre a nobreza e a alta burguesia, que o auxiliaram a difundir sua doutrina religiosa pelo norte da Alemanha, pela Suécia, pela Dinamarca e pela Noruega. Foram esses aliados que, em 1529, protestaram contra a preservação das medidas tomadas pelo imperador contra Lutero, que impediam cada Estado de adotar sua própria religião. A partir desse protesto é que se difundiu o nome protestante para designar os cristãos não católicos.
Não sendo ouvidos pelo imperador, o grupo dos príncipais protestantes formou, em 1531, um liga político-militar (Liga de Smalkalde) para lutar contra as forças católicas ligadas ao imperador Carlos V. Somente em 1555 o imperador aceitou a existência oficial das Igrejas Luteranas, assinando com os protestantes a Paz de Augsburg. Era o reconhecimento jurídico final da separação religiosa do mundo cristão.

A REFORMA NO BRASIL

Em 1517, um monge agostiniano alemão chamado Martinho Luthero, revoltado com muitas práticas anti-bíblicas que estavam sendo inseridas na igreja cristã, afixou na porta da Catedral de Wittenberg (onde costumeiramente eram colocados assuntos para discussão) uma lista de 95 teses de práticas da igreja jamais aprovadas ou citadas pelas Escrituras Sagradas pelas quais a mesma igreja dizia ser regida.
Seu objetivo era apenas reformar a única igreja na qual ele acreditava, porém as coisas tiveram uma repercussão muito maior. O estopim que levou Lutero a escrever as 95 teses foi a cobrança exagerada de indulgências em sua cidade por um homem chamado Tetzel, mas as teses consistiam em uma completa exposição bíblica sobre salvação e suficiência das Escrituras, um ataque aberto a muitas da práticas correntes da igreja.
O texto estava escrito em latim, pois destinava-se aos teólogos. Como já existia a imprensa e jornalistas porém, o texto foi traduzido em várias línguas espelhando-se por toda a Europa. Tudo isso desencadeou na excomunhão de Lutero da Igreja, mas não fez com ele voltasse atrás. Levantando-se contra séculos de tradição, firmado somente na Palavra de Deus, Lutero afirmava que jamais poderia ir contra a sua consciência, a menos que fosse provado na Bíblia que ele estava errado. Era o início da Reforma Protestante na Europa. Os reformadores ficaram conhecidos como "os protestantes". Seu Slogan era Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide, Soli Deo Gloria, Solo Christi (Somente as Escrituras, Somente a Graça, Somente a Fé, Só a Deus dai gloria, Cristo somente).
Espalhando-se pela Europa a reforma chegou à Escócia com John Knox e o francês John Calvino(que aos 27 anos, em 1535 publicou As Institutas da religião Cristã - o escopo do pensamento reformado) sob o nome de presbiterianismo. Na França estes mesmos presbiterianos foram chamados de Huguenotes.
A Igreja Católica então iniciou a contra-reforma, perseguindo, excomungando e matando os protestantes ou qualquer que lesse ou possuísse seus escritos.
Perseguidos pela Igreja Católica na França, os Huguenotes fugiram para as Américas - novo e recém descoberto mundo.
Em 1557, quarenta anos após o primeiro ato de Lutero, chegou ao Rio de janeiro um grupo de Huguenotes com o objetivo de fundar aqui uma colônia chamada França Antártica, que deveria se caracterizar pela tolerância religiosa. Eram os primeiros Protestantes a pisar em terras .
Três pastores protestantes lideravam o grupo. Nesse grupo havia um homem, Villegaignon. Ao aportarem no Rio esse homem os entregou às autoridades contra-reformistas. Alguns conseguiram escapar, mas quatro deles Jean du Bourdel, Matthieu Verneuil, Pierre Bourdon e André la Fon, foram presos e condenados à morte. Eles foram presos não somente por aportarem no país que era colônia portuguesa, mas por estarem difundindo o Evangelho da Graça, que contrariava as doutrina Romana de salvação por fé e obras(o poder de Deus necessitaria da ajuda do homem no processo de salvação), agarrando-se à doutrina Bíblica defendida por Lutero - Somente pela fé.
Antes de serem executados porém, os protestantes eram obrigados a confessar sua crença uma vez mais, era um direito do governador exigir dos súditos uma confissão de fé. Era como uma última chance de renegar suas "heresias", ou para que pudessem ser indiscutivelmente condenados. Foi-lhes dado um prazo de 12 horas para que escrevessem num documento tudo quanto criam.
Em doze horas aqueles quatro homens, com ajuda apenas de suas Bíblias (pois não dispunham de outros livros com eles) escreveram o que seria a primeira confissão de fé das Américas, mostrando aos clérigos jesuítas tudo aquilo no que criam. Foi uma espécie de Credo, e eles sabiam que com ele estavam assinando sua sentença de morte.
No momento da execução o carrasco, por conhecer a vida piedosa daqueles homens, recusou-se a executá-los. Impaciente, o padre que os acompanhava, José de Anchieta, afastou o carrasco e ele mesmo pôs fim à vida daqueles homens. Era uma manhã de sexta-feira, 9 de fevereiro de 1558. Era aparentemente o fim do Protestantismo em terras portuguesas.
Só em agosto de 1859 um Americano presbiteriano Ashbel Gree Simonton, de 26 anos, aportou no Rio e, após se tronar um conhecedor da língua portuguesa, iniciou em 22 de abril de 1860, aos domingos de manhã, uma escola Bíblica. O primeiro brasileiro a se converter à fé reformada foi Serafim Pinto Ribeiro, a 22 de junho de 1862. Assim sendo a história do protestantismo no Brasil está intimamente ligada à história do presbiterianismo reformado.

Fonte bibliográfica: http://www.geocities.com/Athens/Delphi/7162/


A soteriologia dos reformadores

Emílio Antonio Nunez

Sem dúvida a data de 31 de outubro de 1517 é de grande transcendência na história universal. A Reforma exaltou verdades bíblicas que formam o sustentáculo de nossa evangelização. De uma maneira e outra, todos os cristãos evangélicos são herdeiros da Reforma. Embora tenha sido um movimento de profundas repercussões culturais, sociais e políticas, é de bom alvitre agarrarmo-nos nesta mensagem aos seus fundamentos teológicos e, de maneira particular, à soteriologia dos reformadores. Para cumprir esse propósito, recorreremos a quatro grandes postulados da Reforma: Sola Gratia, Solo Christus, Sola Fide e Sola Scriptura.

Só a graça

Ensinam os reformadores que o pecador é justificado unicamente pela graça de Deus, mediante a fé em Jesus Cristo. Neste caso, a graça é o favor divino que o homem não merece, mas que, em sua soberania e bondade, Deus quer dar-lhe. A salvação é obra de Deus, não do homem. Paulo diz: "Pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto [a salvação] não vem de vós, é dom de Deus; não [vem] de obras, para que ninguém se glorie" (Ef 2.8-9). Em outra Epístola, o apóstolo explica: "Se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça" (Rm 11.6). O homem estende a mão vazia para receber, não a mão cheia para oferecer. Não tem nada a oferecer em troca de sua salvação. Tão pouco pode cooperar com a graça divina para salvar-se. Está morto em seus delitos e pecados. Somente se dispõe a receber o favor de Deus.
O conceito de só pela graça é um golpe mui severo ao orgulho humano. Aqui não há lugar para a auto-suficiência, nem para a arrogância do que pretende salvar-se a si mesmo e a outros, mesmo por meio de esforços que aos olhos da sociedade parecem mui nobres e heróicos.
Deus é sempre ‘o Deus de toda a graça’(1 Pe 5.10). A salvação sempre foi, é e sempre será pela graça. Mas esta graça vem em plenitude na pessoa de Jesus Cristo (Jo 1.17). Cristo é o dom inefável de Deus ao mundo. O homem pode salvar-se em Cristo, não à parte de Cristo.

Obs, James Pinheiro da Silva
Se a salvação fosse pelas obras, seria fácil; um cara igual o Osama bin laden, ou o Sergio Naia, que construiu o Palace dois que desabou, ou todos os políticos corruptos, poderiam comprar umas duas mil cestas básicas, e mandar distribuir nas favelas que estariam salvos, talvez um cristão pobre em toda sua vida não faria nem a metade dessa obras; as boas obras não salvam, elas são reflexos, são os frutos de quem é salvo, de quem tem Deus em seu coração.

Só Cristo

A mensagem dos reformadores era cristológica e cristocêntrica. Assim deve ser a nossa. Jesus declarou: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim" (Jo 14.6). E, segundo o apóstolo Pedro, "não há salvação em nenhum outro, porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos" (At 4.12).
Compete-nos escutar de novo estas declarações que se opõem radicalmente a todo intento sincretista ou universalista. Gostemos ou não, o evangelho neotestamentário é inclusivo e exclusivo. Inclui todos que recebem a Jesus Cristo como único mediador entre Deus e os homens, e exclui todos que resistem à graça de Deus. Não nos cabe incluir o que Deus não incluiu, nem excluir o que Ele não excluiu.
Só Cristo salva. Mas, qual Cristo? Definitivamente não se trata aqui do Cristo dos dogmas de feitura puramente humana, nem do Cristo da imaginação antiga e moderna, nem do Cristo do folclore latino-americano, nem do Cristo superstar das sociedades opulentas do norte, nem do Cristo dos poderosos interesses econômico-sociais em nosso continente, nem do Cristo dos ideólogos de última hora. O Cristo que salva é senão aquele que é revelado nas Escrituras.
O Cristo revelado nas Escrituras é o Cristo Deus — o Logos eterno, associado eternamente com o Pai e com o Espírito, criador e sustentador dos céus e da terra, o Senhor da vida e da história, o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o "que é, que era e que há de vir", o Todo-poderoso Senhor.
O Cristo revelado nas Escrituras é o Cristo histórico — manifestado no tempo e no espaço, em data precisa do calendário de Deus, na plenitude da história humana, no contexto de uma geografia, de um povo, de uma cultura, de uma sociedade.
O Cristo revelado nas Escrituras é o Cristo humano — engendrado pelo Espírito, concebido pela virgem Maria, participante de carne e sangue, "feito carne", identificado plenamente com a humanidade.
O Cristo revelado nas Escrituras é o Cristo profeta — o arauto de Deus Pai, intérprete da Divindade, revelador da vontade divina para seu povo e para toda a humanidade.
O Cristo revelado nas Escrituras é o Cristo sacerdote — o que está sentado à direita da Majestade nas alturas e "também pode salvar totalmente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles" (Hb 7.25).
O Cristo revelado nas Escrituras é o Cristo rei, que está para vir — o Juiz de vivos e de mortos, o Rei dos reis e Senhor dos senhores, o Cristo da renovação total.

Só a fé

A grande descoberta do frade Martin Lutero nas Escrituras foi que "o justo viverá por fé" (Rm 1.17). Essa verdade bíblica chegou a ser um grito de batalha na Reforma.
A fé é a mão que recebe a dádiva de Deus em Jesus Cristo. Certamente para o evangelista João, receber a Cristo parece ser um equivalente de crer nele (Jo 1.12). Por meio da fé fazemos nossos os benefícios de Cristo crucificado e ressuscitado. É nesses benefícios que descansa nossa segurança eterna de salvação.
A fé mediante a qual somos justificados não é cega, não é mera credulidade. Tampouco é a fé um mero assentimento à verdade revelada. É muito mais que um mero exercício intelectual. Ter fé é confiar, é abandonar-se nas mãos de Jesus Cristo, reconhecendo a enormidade de nossa culpa e a totalidade de nossa incapacidade para libertar-nos por nós mesmos do pecado. É admitir que os méritos humanos são inúteis para fins de justificação. É lançar mão do valor infinito da pessoa e obra do Filho de Deus. Ter fé em Jesus Cristo é deixar-se salvar por Ele.
A fé implica também obediência. Quando o homem crê que o Evangelho é a verdade, sente-se na obrigação de obedecê-lo. Segundo a doutrina da Reforma, o pecador é justificado só pela fé, mas a fé que justifica não permanece só. Não é uma fé estéril, muito menos morta. O ensino de Tiago (2.14-26) se harmoniza plenamente com o ensino de Paulo, o qual afirma que não somos salvos por obras, mas sim, para obras que Deus "de antemão preparou para que andássemos nelas" (Ef 2.10). Estas boas obras são o fruto da salvação, não a causa dela.
Crer em Jesus Cristo significa, além do mais, entrar em sério compromisso com Ele, com sua Igreja e com a sociedade. Não aceitamos Jesus Cristo para evadir nossas responsabilidades morais e viver como nos agrada, depois de haver adquirido uma apólice de seguro para a eternidade. No Evangelho há reclamos de caráter ético.
Jesus teve o cuidado de advertir as multidões sobre as dificuldades do caminho que Ele lhes propunha. Não guardou silêncio sobre as exigências do discipulado. Ninguém poderia queixar-se de que Ele lhes enganara com a oferta de uma "graça barata". Seu interesse estava na qualidade, não na quantidade de seus seguidores.

Só a Escritura

Aceitaram os paladinos da Reforma a autoridade suprema das Escrituras, não só no que diz respeito à doutrina da justificação pela fé. Eles determinaram submeter sua fé e sua vida ao ditame final do cânon bíblico, e não a outra autoridade, fosse a do magistério eclesiástico, ou a da razão natural, ou a dos impulsos do coração. Aceitaram e proclamaram as Escrituras como sua norma objetiva e final. Foi fundamentalmente por essa declaração que os reformadores e a Igreja oficial daqueles tempos dividiram seus caminhos.
Nessa transcendental decisão, os reformadores não fizeram mais do que continuar uma longa tradição que vem desde os tempos do Velho Testamento e desde os dias de Cristo e seus apóstolos. Os profetas apelaram para a lei escrita como sua autoridade final. Cristo autenticou seu ministério ante o povo com a lei de Moisés, os profetas e os Salmos (Lc 24.44). Os apóstolos também se apoiaram na autoridade do Antigo Testamento. A Igreja antiga aceitou ambos os Testamentos e teve assim um cânon mais extenso ao qual apelar para suas decisões de fé e prática. Os reformadores fizeram que o "Assim diz o Senhor" e o "Está escrito" ressonassem poderosamente no âmbito da cristandade ocidental.
Através dos séculos o princípio da Sola Scriptura tem sido ameaçado e desafiado pela razão natural, pelo sentimentalismo pietista, pela pressão eclesial (católica e protestante), ou pela presunção de líderes que se crêem superdotados para impor ao povo de Deus seu sistema privado de interpretação.
Os reformadores advogaram não a livre interpretação, mas o livre exame das Escrituras. O sacerdócio universal dos crentes — outra das grandes doutrinas exaltadas pela Reforma — não autoriza a ninguém torcer e retorcer o texto bíblico.
Se não acatarmos a norma objetiva das Escrituras, se não nos submetermos ao senhorio de Cristo, se não estivermos em sintonia com o Espírito Santo, se nos distanciarmos da comunidade da fé — seremos presa fácil do subjetivismo, ou do relativismo, ou poderemos cair ingenuamente na trama de uma ideologia, não importa de que cor seja ela.
(Condensação da mensagem pregada na abertura do Segundo Congresso Latino-americano de Evangelização — Clade II — no dia 31 de outubro de 1979, por ocasião do 462º aniversário da Reforma Religiosa do Século XVI.
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Emilio Antonio Nuñez é um dos mais conhecidos teólogos da América Latina. Nascido em El Salvador, reside há muitos anos na Guatemala. O discurso inteiro acha-se na edição de março de 1980 da revista Ultimato.)