Inquisição Nunca Mais
Pr Airton Evangelista da Costa
AOS LEITORES
Este trabalho é um esboço, um ensaio, um estudo, em que condensamos diversos
fatos relacionados com a INQUISIÇÃO. O assunto, de tão vasto, não se esgota
nestas páginas.
As dificuldades enfrentadas pela Igreja de Cristo através dos séculos devem
ser conhecidas por todos os cristãos. Os católicos precisam conhecer a história
negra de sua igreja. Os evangélicos não devem esquecer os heróis da fé, os
homens que, com ousadia, romperam com as tradições, com o poder eclesiástico
de sua época, e ajudaram na implantação de uma igreja reformada, livre do
poder papal, submissa a Jesus, e tendo a Bíblia Sagrada como única regra de fé
e prática.
Conhecer um pouco dos horrores dos tribunais eclesiástico é descobrir o quão
difícil foi a caminhada até os dias atuais. Os alicerces de nossa fé ficam
mais fortalecidos quando nos miramos no exemplo de nossos irmãos do passado,
"atribulados mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados,
perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos", pois
"BEM-AVENTURADOS SOIS VÓS, QUANDO VOS INJURIAREM E PERSEGUIREM E,
MENTINDO, DISSEREM TODO O MAL CONTRA VÓS POR MINHA CAUSA" (Mateus 5.11).
A lista dos mártires e perseguidos parece não ter fim. A Igreja Católica
estava disposta a vigiar e manter sob seu domínio todo o universo do pensamento
humano. Qualquer um que ousasse defender suas idéias - científicas,
religiosas, ou em qualquer área -, em desacordo com a interpretação do
Vaticano, era considerado um herético, e, por isso, por esse crime, julgado e
condenado. Era quase impossível aos hereges se livrarem da tortura e da
fogueira.
Pelo modo cruel como os protestantes foram massacrados; pela forma cruel com que
subjugaram alguns, sob tortura; em razão dos milhões que perderam a vida nas
Cruzadas, nas fogueiras ou de outras maneiras, e por muitas outras práticas
assassinas e injustas usadas no decorrer de vários séculos de INQUISIÇÃO, não
vacilamos em afirmar que esse monstruoso Santo Ofício foi UM CRIME CONTRA A
HUMANIDADE... todavia, um crime que não mais se repetirá, NUNCA MAIS. Louvado
seja nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
O AUTOR
INQUISIÇÃO: SIGNIFICADO E OBJETIVO
Também chamada de Santo Ofício, INQUISIÇÃO era a designação dada a um
tribunal eclesiástico, vigente na Idade Média e começos dos tempos modernos.
Esse Tribunal, instituído pela Igreja Católica Romana, tinha por meta prioritária
julgar e condenar os hereges. A palavra "herege" significa aquele que
escolhe, que professa doutrina contrária ao que foi definido pela Igreja como
sendo matéria de fé. Então, todos os que se rebelavam contra a autoridade
papal ou faziam qualquer espécie de crítica à Igreja de Roma eram
considerados hereges. INQUISIÇÃO é o ato de INQUIRIR: indagar, investigar,
pesquisar, perguntar, interrogar judicialmente. Os hereges seriam os "irmãos
separados", os "protestante", os "crentes", os
"evangélicos" de hoje.
Em suma, a INQUISIÇÃO foi um tribunal eclesiástico criado com a finalidade de
investigar e punir os crimes contra a fé católica. Da Enciclopédia BARSA, vol
7, pags. 286-287 extraímos o seguinte: " Heresia, no sentido geral é uma
atitude, crença ou doutrina, nascida de uma escolha pessoal, em oposição a um
sistema comumente aceito e acatado. É uma opinião firmemente defendida contra
uma doutrina estabelecida. A Igreja Católica, no seu Direito Canônico,
estabelece uma distinção entre heresia, apostasia e cisma. Assim diz este
documento: "Depois de recebido o batismo, se alguém, conservando o nome de
cristão, nega algumas das verdades que se devem crer com fé divina e católica
ou dela duvida, é HEREGE. Se afasta-se totalmente da fé cristã, é APÓSTATA.
Se recusa submeter-se ao Sumo Pontífice (o Papa) ou tratar com os membros da
Igreja aos quais está sujeito, é CISMÁTICO" (Direito Canônico 1.325, párag.
2). Então, por esse raciocínio e decreto de Roma, os milhões de crentes no
mundo são hereges e cismáticos porque negam muitas das "verdades" da
fé católica, não se submetem ao Sumo Pontífice, e só reconhecem Jesus
Cristo como autoridade máxima da Igreja.
De acordo com o que foi noticiado em janeiro/98 pelos jornais, a Igreja Católica
Romana resolveu abrir os arquivos do Santo Ofício ou Inquisição, colocando-os
à disposição dos pesquisadores. Nesses arquivos constam 4.500 obras sob fatos
e julgamentos de quatro séculos da Igreja Católica, conforme noticiado. A
abertura desses processos é de muita valia para os pesquisadores, historiadores
e interessados em conhecer um pouco mais do passado negro da Igreja de Roma. Nem
por isso a humanidade deixou de conhecer as crueldades, as chacinas, o extermínio,
as torturas que tiraram a vida de milhões de hereges. Os arquivos do Vaticano vão
mostrar, certamente, com mais detalhes, como foram conduzidos os processos sumários
e quais os métodos usados para obter confissões e retratações. Todavia, a
guarda a sete chaves dessas informações não impediu que o mundo tomasse
conhecimento dos crimes cometidos pelos tribunais inquisitórios. A História não
pode ser apagada.
O INÍCIO DAS PERSEGUIÇÕES
Embora a Inquisição tenha alcançado seu apogeu no século XIII, suas origens
remontam ao século IV:
OS MÉTODOS DE TORTURA
No seu "Livro
das Sentenças da Inquisição" (Liber Sententiarum Inquisitionis) o padre
dominicano Bernardo Guy (Bernardus Guidonis, 1261-1331), "um dos mais
completos teóricos da Inquisição", descreveu vários métodos para obter
confissões dos acusados, inclusive o enfraquecimento das forças físicas do
prisioneiro". Usava-se, dentre outros, os seguintes processos de tortura: a
manjedoura, para deslocar as juntas do corpo; arrancar unhas; ferro em brasa sob
várias partes do corpo; rolar o corpo sobre lâminas afiadas; uso das
"Botas Espanholas" para esmagar as pernas e os pés; a Virgem de
Ferro: um pequeno compartimento em forma humana, aparelhado com facas, que, ao
ser fechado, dilacerava o corpo da vítima; suspensão violenta do corpo,
amarrado pelos pés, provocando deslocamento das juntas; chumbo derretido no
ouvido e na boca; arrancar os olhos; açoites com crueldade; forçar os hereges
a pular de abismos, para cima de paus pontiagudos; engolir pedaços do próprio
corpo, excrementos e urina; a "roda do despedaçamento funcionou na
Inglaterra, Holanda e Alemanha, e destinava-se a triturar os corpos dos hereges;
o "balcão de estiramento" era usado para desmembrar o corpo das vítimas;
o "esmaga cabeça" era a máquina usada para esmagar lentamente a cabeça
do condenado, e outras formas de tortura.
Com a promessa de irem diretamente para o Céu, sem passagem pelo purgatório,
muitos homens eram exortados pelos inquisidores para guerrearem contra os
hereges. No ano de 1209, em Beziers (França), 60 mil foram martirizados; dois
anos depois, em Lauvau (França), o governador foi enforcado, sua mulher
apedrejada e 400 pessoas queimadas vivas. A carnificina se espalhou por outras
cidades e milhares foram mortos. Conta-se que num só dia 100.000 hereges foram
vitimados.
Depois de acusados, os hereges tinham pouca chance de sobrevivência. Geralmente
as vítimas não conheciam seus acusadores, que podiam ser homens, mulheres e até
crianças. O processo era sumário. Ou seja: rápido, sem formalidades, sem
direito de defesa. Ao réu a única alternativa era confessar e retratar-se,
renunciar sua fé e aceitar o domínio e a autoridade da Igreja Católica
Romana. Os direitos de liberdade e de livre escolha não eram respeitados. A
Igreja de Roma, sob o pretexto de que detinha as chaves dos céus e do inferno e
poderes para livrar as almas do purgatório e perdoar pecados, pretendia ser
UNIVERSAL, dominar as nações mediante pressão sob seus governantes e
estabelecer seus domínios por todo o Planeta.
CRUELDADE E MATANÇA
A seguir, um relato
sucinto do extermínio de hereges.
A matança dos valdenses - Um dos primeiros grupos organizados a serem
atormentados foram os valdenses. Valdenses eram chamados "os membros da
seita, também chamada Pobres de Lião, fundada pelo mercador Pedro Valdo por
volta de 1170, na França. Inspirada na pobreza evangélica, repudiava a riqueza
da Igreja Católica". O grupo organizado por Pedro Valdo, um rico
comerciante, cria que todos os homens tinham o direito de possuir a Bíblia
traduzida na sua própria língua. Acreditavam, também, que a Bíblia era a
autoridade final para a fé e para a vida. Os valdenses se vestiam com
simplicidade - contrapondo-se à luxúria dos sacerdotes católicos - ,
ministravam a Ceia do Senhor e o Batismo, e ordenavam leigos para a pregação e
ministração dos sacramentos. "O grupo tinha seu próprio clero, com
bispos, sacerdotes e diáconos". Tal liberdade não era admitida pela
Igreja Católica porque não havia submissão ao Papa e aos seus ensinos. Os
valdenses possuíam a Bíblia traduzida na sua língua materna, o que facilitou
a pregação da Palavra. Outros grupos sucumbiram diante das ameaças e castigos
impostos pelos romanistas. Os valdenses, todavia, resistiram. Na escuridão das
cavernas, cada versículo era copiado, lido e ensinado. Na Bíblia encontraram a
Luz - uma luz forte que inunda corpo, alma e espírito... uma luz chamada Jesus.
Os valdenses foram, certamente, os primeiros a se organizarem como igreja,
formar seu próprio clero e enviar missionários para outras regiões na França
e Itália. Tudo com muito sacrifício e sob implacável perseguição.
Essa liberdade de ação motivou os líderes romanos a adotarem medidas duras
contra a "seita". Uma bula papal classificou os valdenses como hereges
e, como tal, condenados à morte. A única acusação contra eles era a de que
"tinham uma aparência de piedade e santidade que seduzia as ovelhas do
verdadeiro aprisco". Uma cruzada foi organizada contra esse povo santo.
Como incentivo, a Igreja prometia perdão de todos os pecados aos que matassem
um herege, "anulava todos os contratos feitos em favor deles (dos
valdenses), proibia a toda a pessoa dar-lhe qualquer auxílio, e era permitido
se apossar de suas propriedades por meio de violência". Não se sabe
quantos valdenses morreram nas Cruzadas. Sabemos, portanto, que esses obstinados
cristãos fincaram os alicerces da Reforma que viria séculos depois.
O MASSACRE DE SÃO
BARTOLOMEU - Os católicos franceses apelidavam de "huguenotes" os
protestantes. Uma designação depreciativa. Já fomos tratados de huguenotes,
hereges, heréticos, protestantes, cristãos novos, irmãos separados, crentes,
evangélicos, etc. Mas o Pai nos chama de FILHOS.
O massacre de São Bartolomeu ou a Noite de São Bartolomeu ficou conhecido como
"a mais horrível entre as ações diabólicas de todos os séculos".
Com a concordância do Papa Gregório XIII, o rei da França, Carlos IX,
eliminou em poucos dias milhares de huguenotes. A matança iniciou-se na noite
de 24.08.1572, em Paris, e se estendeu a todas as cidades onde se encontravam
protestantes. Segundo Ellen G. Write, em seu Livro "O GRANDE
CONFLITO", foram martirizados cerca de setenta mil nesse massacre.
"Quando a notícia do massacre chegou a Roma, a alegria do clero não teve
limites. O cardeal de Lorena recompensou o mensageiro com mil coroas; o canhão
de Santo Ângelo reboou em alegre salva; os sinos dobraram em todos os campanários;
e o Papa Gregório XIII, acompanhado dos cardeais e outros dignitários eclesiásticos,
foi, em longa procissão, à igreja de S.Luís, onde o cardeal de Lorena cantou
o Te Deum. Um sacerdote falou "daquele dia tão cheio de felicidade e
regozijo, em que o santíssimo padre recebeu a notícia e foi em aparato solene
dar graças a Deus e a S.Luís".
Para comemorar e perpetuar na memória dos povos esse horrendo massacre, por
ordem do Papa Gregório XIII foi cunhada uma moeda, onde se via a figura de um
anjo com a espada numa mão e, na outra, uma cruz, diante de um grupo de
horrorizados huguenotes. Nessa moeda comemorativa lia-se a seguinte inscrição:
"UGONOTTORUM STANGES, 1572" ("A MATANÇA DOS HUGUENOTES,
1572").
Em seu livro "OS PIORES ASSASSINOS E HEREGES DA HISTÓRIA", o
historiador e pesquisador cearense Jeovah Mendes, à pág. 238, assim registra a
fatídica Noite de S.Bartolomeu: "Papa Gregório XIII (Ugo Buoncompagni)
(1502-1585) - Em irreprimível ritmo acelerado recrudescia o ódio contra os
protestantes em rumo de um trágico desfecho. O cardeal de Lorena, com a aprovação
e bênção pontifícia de Gregório XIII, engendrou o mais horrível banho de
sangue por motivos religiosos em toda a História da França ou de qualquer nação
do mundo. Consumou-se o projeto assassino aos 24 de agosto de 1572, a inqualificável
NOITE DE S.BARTOLOMEU, sendo nesse macabro festival de sangue, morto o impetérrito
Coligny, mártir do Evangelho e honra de sua Pátria. Como troféu da bárbara
carnificina, a cabeça de Coligny fora remetida ao "sumo pontífice"
Gregório XIII (Maurício Lachatre, História dos Papas, vol. IV, pg. 68)".
O MASSACRE DOS ALBIGENSES - Albigenses eram os nascidos na cidade de Albi, sul da França. Em 1198, por iniciativa do Papa Inocêncio III, foram instituídos "Os Inquisidores da Fé contra os Albigenses". Esses franceses foram considerados "hereges" porque seus ensinos doutrinários não se alinhavam com os da Igreja de Roma. O extermínio começou no ano de 1209 e se estendeu por 20 anos, quando milhares de albigenses pereceram. Fala-se em mais de 20.000 mortos, entre homens, mulheres e crianças.
O MASSACRE DA ESPANHA - Tomás de Torquemada (1420-1498), espanhol, padre dominicano, nomeado para cargo de grande-inquisidor pelo Papa Sisto IV, dirigiu as operações do Tribunal do Santo Ofício durante 14 anos. "Celebrizou-se por seu fanatismo religioso e crueldade". De mãos dadas com os reis católicos, promoveu a expulsão dos judeus da Espanha por édito real de 31.03.1492, tendo estes o prazo reduzido de quatro meses para se retirarem do país sem levar dinheiro, ouro ou prata. É acusado de haver condenado à fogueira 10.220 pessoas, e cerca de 100.000 foram encarceradas, banidas ou perderam haveres e fazendas. Tudo em nome da fé católica e da honra de Jesus Cristo.
O MASSACRE DOS ANABATISTAS - Grupo religioso iniciado na Inglaterra no século XVI, que defendia o batismo somente de pessoa adulta. Por autorização do Papa Pio V (1566-1572), cem mil foram exterminados.
O MASSACRE EM PORTUGAL - Diante dos insistentes pedidos de D.
João III, o Papa Paulo III introduziu, por bula de 1536, o Tribunal do Santo Ofício
em Portugal. As perseguições foram de tal ordem que o comércio e a indústria
na Espanha e em Portugal ficaram praticamente paralisados. "As execuções
públicas eram conhecidas como autos-de-fé. No começo, funcionaram tribunais
da Inquisição nas diversas dioceses de Portugal, mas no século XVI ficaram
apenas os de Lisboa, Coimbra e Évora. Depois, somente o da capital do reino,
presidido pelo inquisidor-geral. Até 1732, em Portugal, o número de
sentenciados atingiu 23.068, dos quais 1.554 condenados à morte. Na torre do
Tombo, em Lisboa, estão registrados mais de 36.000 processos". Daí porque
os 4.500 processos constantes dos arquivos de terror do Vaticano - Os Arquivos
do Santo Ofício - recentemente liberados aos pesquisadores, não contam toda a
história da desumana Inquisição.
REFERÊNCIAS GERAIS SOBRE
A INQUISIÇÃO
A INQUISIÇÃO EM
CUBA - Não havia parte nenhuma no mundo onde os protestantes ou hereges
estivessem livres para o exercício de sua fé. Partindo da Europa, muitos
procuraram refúgio nas Américas do Sul e Central, o "Novo Mundo".
Mas para cá também vieram os inquisidores. A inquisição em Cuba iniciou-se
em 1516 sob o comando de dom Juan de Quevedo, bispo de Cuba, que, com requintes
de maldade, eliminou setenta e cinco "hereges".
A INQUISIÇÃO NO BRASIL - O
padre Antônio Vieira (1608-1697), pregador missionário e diplomata, defensor
dos indígenas, considerado a maior figura intelectual luso-brasileira do séc.
17 foi condenado por heresia pelo Santo Ofício, e mantido em prisão por cerca
de dois anos. O brasileiro Antônio José da Silva, poeta e comediólogo, foi um
dos supliciados em autos-da-fé.
A Inquisição se instalou no Brasil em três ocasiões: Em 09.06.1591, na
Bahia, por três anos; em Pernambuco, de 1593 a 1595; e novamente na Bahia, em
1618. Há notícia de que no século XVIII Inquisição atuou no Brasil. Segundo
o jornal "Mensageiro da Paz", número 1334, de maio/1998, "cento
e trinta e nove "pessoas foram queimadas vivas, no Brasil, entre os anos de
1721 e 1777. Todos os que confessavam não crer nos dogmas católicos eram
sentenciados. De acordo com os dados históricos, quase todos os cristãos-novos
presos no Brasil pela Inquisição, durante o século 18, eram brasileiros natos
e pertenciam a todas as camadas sociais. Praticamente a metade dos prisioneiros
brasileiros cristãos-novos no século 18 era mulheres. Na Paraíba, Guiomar
Nunes foi condenada à morte na fogueira em um processo julgado em Lisboa. A
Inquisição interferiu profundamente na vida colonial brasileira durante mais
de dois séculos. Um dos exemplos dessa interferência era a perseguição aos
descendentes de judeus. Os que estavam nessa condição podiam ser punidos com a
morte, confisco dos bens e na melhor das hipóteses ficavam impedidos de assumir
cargos públicos". A matéria do Mensageiro da Paz foi assinada por Regina
Coeli.
Do livro "BABILÔNIA: A RELIGIÃO DOS MISTÉRIOS" de Ralph Woodrow -
"As autoridades civis eram ordenadas pelos papas, sob pena de excomunhão,
a executarem as sentenças legais que condenavam os hereges impenitentes ao
poste. Deve-se notar que a excomunhão em si mesma não era uma coisa simples,
pois, se a pessoa excomungada não se livrasse da excomunhão dentro de um ano,
passava a ser considerada herética, e incorria em todas as penalidades que
afetavam a heresia" (pág. 110). "A intolerância religiosa que
incitou a Inquisição, causou guerras que envolveram cidades inteiras. Em 1209
a cidade de Beziers foi tomada por homens que tinham recebido a promessa do papa
de que entrando na cruzada contra os hereges, eles (os assassinos), ao morrerem,
passariam direto para o céu, desviando-se do purgatório. Reporta-se que
sessenta mil, nesta cidade, pereceram pela espada. Em Lavaur, em 1211, o
governador foi enforcado e a esposa lançada num poço e esmagada com pedras.
Quatrocentas pessoas foram queimadas vivas em Lavaur. Os cruzados assistiram à
missa solene pela manhã, em seguida passaram a tomar outras cidades da área.
Neste cerco estima-se que cem mil albigenses (protestantes) caíram em um só
dia. Seus corpos foram amontoados e queimados. No massacre de Merindol,
quinhentas mulheres foram trancadas em um celeiro ao qual atearam fogo. Se
qualquer uma pulasse das janelas seria recebida na ponta de lanças. Mulheres
foram ostensiva e dolorosamente violentadas. Crianças assassinadas diante de
seus pais. Algumas pessoas eram lançadas de abismos ou arrancavam suas roupas e
arrastavam-nas pelas ruas. Métodos semelhantes foram usados no massacre de
Orange em 1562. O exército italiano, enviado pelo Papa Pio IV, recebeu ordem e
matar homens, mulheres e crianças. A ordem foi seguida com terrível crueldade,
sendo o povo exposto a vergonha e tortura indescritíveis. Dez mil huguenotes
(protestantes) foram mortos no sangrento massacre em paris no "Dia de São
Bartolomeu", em 1572". (págs. 113-114).
Enciclopédia BARSA, vol. 8, pág. 30-31, edição 1977 - "Em 1229, no Concílio
de Tolouse, criou-se oficialmente a Inquisição ou Tribunal do Santo Ofício. A
partir deste momento, e sobretudo com o trabalho dos frades dominicanos, foi-se
precisando a legislação e jurisprudência da Inquisição. O processo era sumário.
O acusado podia ignorar o nome do acusador. Mulheres, crianças e escravos
podiam ser testemunhas na acusação, mas não na defesa. Num destes processos
consta o nome de uma testemunha de dez anos e idade. O padre dominicano Bernardo
Guy (Bernardus Guidonis, 1261-1331), um dos mais completos teóricos da Inquisição,
enumerou, no seu Liber Sententiarum Inquisitionis ("Livro das Sentenças da
Inquisição"), vários processos para a boa obtenção de confissões,
inclusive pelo enfraquecimento das forças físicas do prisioneiro."
Do livro "OS PIORES ASSASSINOS E HEREGES DA HISTÓRIA, DE CAIM A SADDAM HUSSEIN, do cearense Jeovah Mendes, edição 1997, págs 249-250.
"Em toda a sua calamitosa história, a Igreja Católica
nada mais tem feito que perseguir o homem, sob o sofisma de agir em nome de
Deus. Vejamos os morticínios que ela levou a efeito: As cruzadas à Terra Santa
custaram à humanidade o sacrifício de dois milhões de vítimas; de Leão X a
Clemente IX (papas) os sanguinários agentes do catolicismo, que dominavam a
França, a Holanda, a Alemanha, a Flandes e a Inglaterra, realizaram a tenebrosa
São Bartolomeu, de que já falamos, degolando, massacrando, queimando mais de
dois milhões de infiéis, enquanto a Companhia de Jesus, obra do abominável Inácio
de Loyola, cometia as maiores atrocidades, chegando mesmo a envenenar o Papa
Clemente XIV. O seu agente S. Francisco Xavier, em missão no Japão, imolava
cerca de quatrocentos mil nipônicos; as cruzadas levadas a efeito entre os indígenas
da América, segundo Las Casas, bispo espanhol e testemunha ocular de perseguição
e autos-de-fé, sacrificaram doze milhões de seres em holocausto ao seu Deus; a
guerra religiosa que se seguiu ao suplício do Padre João Huss e Jerônimo de
Praga, contou mais de cento e cinqüenta mil vidas imoladas à Igreja Romana; no
século XIV, o grande Cisma do Ocidente cobriu a Europa de cadáveres, dado que
nada menos de cinqüenta mil vidas foram o preço cobrado pela ira papal; as
cruzadas levadas a efeito a partir de Gregório VII (papa), roubaram à Europa
cerca de trezentos mil homens, assassinados com requintes de selvageria; nas
terras do Báltico, os frades cavaleiros, além de uma devastação e pilhagem
completa, ainda sacrificaram mais de cem mil vidas; a imperatriz Teodora, dando
cumprimento a uma penitência imposta pelo seu confessor, fez massacrar cento e
vinte mil maniqueus, no ano de 845; as disputas religiosas entre iconoclastas e
iconólatras devastaram muitas províncias, resultando ainda no sacrifício de
mais de sessenta mil cristãos degolados e queimados. A Santa Inquisição, na
sua longa e tenebrosa jornada, levou aos mais horrorosos suplícios, inclusive
às fogueiras, algumas centenas de milhares de pobres desgraçados; segundo o
Barão d´Holbach, a Igreja Católica Romana, pelos seus papas, bispos e padres,
é a responsável pelo sacrifício de cerca de dez milhões de vidas. Que mais
é preciso dizer"?
AS TENTATIVAS DE ALGEMAR
A PALAVRA DE DEUS
A história dos
massacres e perseguições perde-se no tempo. Quase impossível para os
historiadores é levantar o número exato ou aproximado de vítimas da Inquisição.
O banho de sangue começou na Europa, mais precisamente em França, e se
estendeu por países vizinhos. Havia, por parte da Igreja de Roma, uma preocupação
constante com a propagação do Evangelho, com o conhecimento da Palavra, com a
tradução da Bíblia em outras línguas. Preocupação no sentido de proibir. Só
pelo fato de um católico passar a ler as Escrituras estava sujeito a ser
considerado um herege e, como tal, ser excomungado e levado à fogueira. A Bíblia
era, assim, considerada um obstáculo às pretensões da Igreja de Roma, de
colocar todos os povos sob seus domínios.
Muitos meios foram usados para que a Bíblia ficasse restrita ao pequeno círculo
dos sacerdotes, dos padres, dos bispos e dos papas. Dentre as medidas para
conter o avanço da Palavra de Deus, estão as seguintes:
1) Em 1229, o Concílio de Tolouse (França), o mesmo que criou a diabólica Inquisição, determinou: "Proibimos os leigos de possuírem o Velho e o Novo Testamento... Proibimos ainda mais severamente que estes livros sejam possuídos no vernáculo popular. As casas, os mais humildes lugares de esconderijo, e mesmo os retiros subterrâneos de homens condenados por possuírem as Escrituras devem ser inteiramente destruídos. Tais homens devem ser perseguidos e caçados nas florestas e cavernas, e qualquer que os abrigar será severamente punido." (Concil. Tolosanum, Papa Gregório IX, Anno Chr. 1229, Canons 14:2). Foi este mesmo Concílio que decretou a Cruzada contra os albigenses. Em "Acts of Inquisition, Philip Van Limborch, History of the Inquisition, cap. 08, temos a seguinte declaração conciliar: "Essa peste (a Bíblia) assumiu tal extensão, que algumas pessoas indicaram sacerdotes por si próprias, e mesmo alguns evangélicos que distorcem e destruíram a verdade do evangelho e fizeram um evangelho para seus próprios propósitos... (elas sabem que) a pregação e explanação da Bíblia é absolutamente proibida aos membros leigos".(grifo nosso).
2) No Concílio e Constança, em 1415, o santo Wycliffe, protestante, foi postumamente condenado como "o pestilento canalha de abominável heresia, que inventou uma nova tradução das Escrituras em sua língua materna".
3) O Papa Pio IX, em sua encíclica "Quanta cura", em 8 de dezembro de 1866, emitiu uma lista de oito erros sob dez diferentes títulos. Sob o título IV ele diz: "Socialismo, comunismo, sociedades clandestinas, sociedades bíblicas... pestes estas devem ser destruídas através de todos os meios possíveis".
4) Em 1546 Roma decretou: "a Tradição tem autoridade igual à da Bíblia". Esse dogma está em voga até hoje, até porque existe o dogma da "infalibilidade papal". Ora, se os dogmas, bulas, decretos papais e resoluções outras possuem autoridade igual à das Sagradas Escrituras, os católicos não precisam buscar verdades na Palavra e Deus.
5) O Papa Júlio III,
preocupado com os rumos que sua Igreja estava tomando, ou seja, perdendo prestígio
e poder diante do número cada vez maior de "irmãos separados" ou
"'cristãos novos" ou "protestantes" (apesar dos massacres),
convocou três bispos, dos mais sábios, e lhes confiou a missão de estudarem
com cuidado o problema e apresentarem as sugestões cabíveis. Ao final dos
estudos, aqueles bispos apresentaram ao papa um documento intitulado "DIREÇÕES
CONCERNENTES AOS MÉTODOS ADEQUADOS A FORTIFICAR A IGREJA DE ROMA". Tal
documento está arquivado na Biblioteca Imperial de Paris, fólio B, número
1088, vol. 2, págs 641 a 650. O trecho final desse ofício é o seguinte:
"Finalmente (de todos os conselhos que bem nos pareceu dar a Vossa
Santidade, deixamos para o fim o mais necessário), nisto Vossa Santidade deve pôr
toda a atenção e cuidado de permitir o menos que seja possível a leitura do
Evangelho, especialmente na língua vulgar, em todos os países sob vossa
jurisdição. O pouco dele que se costuma ler na Missa, deve ser o suficiente;
mais do que isso não devia ser permitido a ninguém.
Enquanto os homens estiverem satisfeitos com esse pouco, os interesses de Vossa
Santidade prosperarão, mas quando eles desejarem mais, tais interesses declinarão.
Em suma, aquele livro (a Bíblia) mais do que qualquer outro tem levantado
contra nós esses torvelinhos e tempestades, dos quais meramente escapamos de
ser totalmente destruídos. De fato, se alguém o examinar cuidadosamente, logo
descobrirá o desacordo, e verá que a nossa doutrina é muitas vezes diferente
da doutrina dele, e em outras até contrária a ele; o que se o povo souber, não
deixará de clamar contra nós, e seremos objetos de escárnio e ódio geral.
Portanto, é necessário tirar esse livro das vistas do povo, mas com grande
cuidado, para não provocar tumultos" - Assinam Bolonie, 20 Octobis 1553 -
Vicentius De Durtantibus, Egidus Falceta, Gerardus Busdragus.
6) Além de tentar tapar a boca de Deus algemando a Sua Palavra, a Igreja de Roma modifica ou suprime trechos sagrados da Bíblia para justificar sua Tradição. Daremos dois exemplos: 1) acatou o livro apócrifo de Macabeus dentre outros, admitindo-o como divinamente inspirado, para justificar a oração pelos mortos. 2) suprimiu o SEGUNDO MANDAMENTO em seu Catecismo. No Catecismo da Primeira Eucaristia, 12ª edição, Paulinas, São Paulo, 1975, à pág. 70, lê-se: Mandamentos da lei de Deus: 1) amar a Deus sobre todas as coisas; 2) não tomar seu santo nome em vão; 3) guardar os domingos e festas; 4) honrar pai e mãe; 5) não matar; 6) não pecar contra a castidade; 7) não furtar; 8) não levantar falso testemunho; 9) não desejar a mulher do próximo; 10) não cobiçar as coisas alheias.
7) Os mandamentos de Deus estão no livro de Êxodo. No capítulo 20, versos 4 e 5 assim está escrito: "NÃO FARÁS PARA TI IMAGEM DE ESCULTURA, NEM SEMELHANÇA ALGUMA DO QUE HÁ EM CIMA DOS CÉUS, NEM EM BAIXO NA TERRA, NEM NAS ÁGUAS DEBAIXO DA TERRA. NÃO TE ENCURVARÁS A ELAS NEM AS SERVIRÁS". Então, como se vê, a Igreja Romana suprimiu do seu Catecismo o Segundo Mandamento. Isto é grave para quem é temente a Deus. Muito grave. Por que suprimiu? Para que não houvesse o confronto de suas práticas idólatras com a Palavra de Deus?
Todos esses maléficos expedientes usados para eliminar,
alterar ou suprimir as Sagradas Escrituras não conseguiram êxito. A Bíblia é
o livro mais vendido e mais lido em todo o mundo e está traduzido para quase
2.000 línguas e dialetos. Só no Brasil são vendidos por ano mais de quatro
milhões de bíblias, afora uns 150 milhões de livros com pequenos trechos (bíblias
incompletas),
Os reflexos desses expedientes, ou seja, as tentativas de algemar a Palavra de
Deus, ainda hoje são sentidos. No Brasil são poucos os católicos que se
dedicam à leitura da Bíblia, embora os carismáticos estejam mais
desenvolvidos no particular. Regra geral, se contentam "com o pouco que
lhes são oferecido na missa", e enquanto se contentam com esse pouco (como
sugeriram aqueles bispos ao papa, item 5 retro) continuam errando. "ERRAIS,
NÃO CONHECENDO AS ESCRITURAS, NEM O PODER DE DEUS". (Mateus 22.29)
O SANGUE DOS MÁRTIRES
Não se pode separar
a Inquisição da Reforma, uma vez que as perseguições, e com elas os
inquisidores, surgiram em decorrência do protesto (advindo daí a alcunha de
protestantes) de homens inconformados com as doutrinas e práticas da Igreja de
Roma, cada vez mais se distanciando do Evangelho de Jesus Cristo. Wycliffe, John
Huss, Jerônimo e Lutero não se calaram diante da luxúria, da venda de indulgências,
do jogo de interesses e do baixo nível moral do clero romano. Esses
"reformadores" desejavam, em suma, criar condições favoráveis a que
a Igreja Católica Romana corrigisse seus erros. Apresentavam a Bíblia como única
regra de fé e prática; Jesus como único Sumo Sacerdote; defendiam a liberdade
de a Bíblia ser traduzida na língua de cada povo, de ser lida e interpretada
por qualquer cristão; combatiam a submissão dos governantes aos papas e a
espoliação do povo através de cobrança de impostos para os cofres de Roma.
"Pelo pagamento de dinheiro à igreja, o povo poderia livrar-se do pecado e
igualmente libertar as almas de amigos falecidos que estivessem confinadas às
chamas atormentadoras. Por esses meios Roma encheu os cofres e sustentou a
magnificência, luxo e vícios dos pretensos representantes dAquele que não
tinha onde reclinar a cabeça". Em vez de considerar os protestos e analisá-los
à luz da Palavra de Deus, e proceder as mudanças internas cabíveis, Roma
preferiu partir para o ataque. Criou a Inquisição para exterminar os
protestantes; proibiu a leitura da Bíblia e sua tradução em outras línguas;
classificou de heresia qualquer ensino ou crença contrários à fé católica;
sentenciou, torturou, degolou, exterminou, excomungou, massacrou um número
incalculável de santos. "ENTÃO, VOS HÃO DE ENTREGAR PARA SERDES
ATORMENTADOS E MATAR-VOS-ÃO. E SEREIS ODIADOS DE TODAS AS GENTES POR CAUSA DO
MEU NOME" (Mateus 24.9).
Muitos pagaram com a vida pelo desejo de reformar. Alcançaram a vitória porque
resolveram enfrentar a poderosa Igreja de Roma, os inquisidores, a fogueira, a
excomunhão e toda a espécie de vexames; enfrentaram acusações e ameaças mas
não dobraram seus joelhos diante dos papas. Vejamos alguns exemplos.
JOHN WYCLIFFE (1320 -
1384)
Wycliffe, teólogo
inglês, precursor da Reforma, pregava uma Igreja sem a direção papal, era
adversário das indulgências e combatia o excesso de bens materiais dos clérigos.
Foi doutor de Teologia, advogado eclesiástico a serviço da Coroa, e tornou-se
reitor de Lutterworth em 1374. Sua maior obra, contudo, foi a tradução das
Escrituras para o inglês. A partir daí a Palavra de Deus se fez conhecida na
Inglaterra.
Ousado e destemido, Wycliffe atacou de forma brilhante o clero romano,
acusando-o de explorar o povo e os governantes com a venda de indulgências; de
criar clima de tensão e horror ao ameaçar os fiéis com excomunhão; de tentar
conter a propagação da Palavra ao proibir a leitura da Bíblia e a sua tradução
para línguas conhecidas do povo. Chamado a retratar-se por ocasião de uma
enfermidade que muito o enfraqueceu, disse: "Não hei de morrer, mas viver
e denunciar novamente as más ações dos frades".
Tendo sido levado pela terceira vez ao tribunal eclesiástico, e acusado de
heresia, Wycliffe declarou: "Com que julgais estar a contender? Com um ancião
às bordas da sepultura? Não! Estais a contender com a Verdade, Verdade que é
mais forte do que vós e vos vencerá". Deus livrou Wycliffe da fogueira:
faleceu repentinamente após um ataque de paralisia. Sua voz silenciou, mas sua
fé em Jesus Cristo fez discípulos em todo o mundo.
JOHN HUSS (1369 - 1415)
Divulgador das idéias
do santo Wycliffe, natural da Boêmia, depois de completar o curso superior
ordenou-se sacerdote, havendo exercido o cargo de professor e mais tarde de
reitor da universidade de Praga. Huss, embora não estivesse de acordo com todos
os ensinos de Wycliffe, ficou bastante influenciado pelas idéias desse inglês,
e resolveu aprofundar-se mais no estudo da Bíblia. O segundo passo foi
denunciar o verdadeiro caráter do papado, o orgulho, a ambição e a corrupção
da hierarquia. Defendia a Bíblia como sendo a única regra de fé e prática do
cristão, e ensinava que a Palavra de Deus podia ser pregada por qualquer
pessoa.
Esse tipo de liberdade de pensamento não era admitido pela todo-poderosa Igreja
de Roma. A reação veio rápida. O santo Huss foi convocado a comparecer
perante o papa, em Roma. Apoiado pelos governantes e por uma parcela da população,
ele não atendeu ao chamado. Diante de tão grande afronta ao Sumo Pontífice,
Huss foi excomungado e a cidade de Praga interditada. Com a interdição, o povo
ficaria privado das bênçãos divinas, bênçãos que somente o papa, como
representante de Deus, tinha autoridade para ministrar. Era isso que ensinava a
Igreja era assim que pensavam muitos.
O período da Inquisição - uns 600 anos - foi um período negro na história
da Igreja de Roma. Muitos povos, muitos grupos, muitas nações se enchem de
orgulho e júbilo quando falam do seu passado. A Igreja Católica Romana não
tem do que se alegrar. A lista dos ANTIPAPAS compreende 39 sumos pontífices, no
período de 217 a 1449, abrangendo, portanto, um interregno de 1.200 anos,
conforme a Enciclopédia BARSA. O clímax da imoralidade papal deu-se no período
de 1378 a 1417, "durante o qual houve diversos papas ao mesmo tempo: a França
e seus aliados obedeciam ao Papa de Avignon, enquanto a Alemanha, a Itália e a
Inglaterra ao de Roma".
No caso do santo Huss, acusado de heresia, não se sabia a quem recorrer porque
a Igreja estava dividida. Daí porque a pedido do imperador Sigismundo, o Papa
João XXIII - um dos três papas rivais - convocou um concílio geral na cidade
de Constança, ao qual compareceram, como réus, o excomungado John Huss e o
Papa João XXIII, este acusado por vários crimes cometidos durante seu ministério
no período de 1410 a 1415: fornicação, adultério, incesto, sodomia, roubo,
simonia, assassinato. "Foi provado, por uma legião de testemunhas, que ele
havia seduzido e violado trezentas freiras, e que havia montado um harém em
Boulogne onde não menos de duzentas meninas tinham sido vítimas de sua
lubricidade". Condenaram-no por cinqüenta e quatro crimes. Deus colocou
num mesmo tribunal um "herege" e um papa. O único "crime"
do santo Huss fora o não se submeter à vontade de Roma. Por isso, foi
condenado à fogueira. Antes da fogueira, Huss foi preso e lançado numa
masmorra. Da prisão escreveu a um amigo: "Escrevo esta carta na prisão e
com as mãos algemadas, esperando a sentença de morte para manhã... Quando,
com o auxílio de Jesus Cristo, de novo nos encontrarmos na deliciosa paz da
vida futura, sabereis quão misericordioso Deus Se mostrou para comigo, quão
eficazmente me sustentou em meio de tentações e provas". Em outra carta
disse: "Que a glória de Deus e a salvação das almas ocupem a tua mente,
e não a posse de benefícios e bens. Acautela-te de adornar tua casa mais do
que a tua alma; e, acima de tudo, dá teu cuidado ao edifício espiritual. Sê
piedoso e humilde para com os pobres, e não consumas haveres em festas".
Antes de ser levado ao local da execução, deu-se a cerimônia da degradação:
as vestes sacerdotais do santo Huss foram arrancadas e sobre sua cabeça
colocaram uma carapuça de papel com a inscrição "Arqui-herege".
"Com muito prazer, disse Huss, "levarei sobre a cabeça esta coroa de
ignomínia por Teu amor ó Jesus, que por mim levaste uma coroa de espinhos.
Invoco a Deus para testemunhar que tudo que escrevi e preguei foi dito com o fim
de livrar almas do pecado e perdição; e, portanto, muito alegremente
confirmarei com meu sangue a verdade que escrevi e preguei". As chamas começaram
a tomar conta do seu corpo. Huss orou várias vezes até perder a voz:
"JESUS, FILHO DE DAVI, TEM MISERICÓRDIA DE MIM". O martírio do Santo
Huss se deu em 6 de julho de 1415, no mesmo dia de sua condenação. Naquele
mesmo dia o santo John Huss se encontrou com Jesus, no Paraíso.
JERÔNIMO DE PRAGA (1360
- 1416)
São Jerônimo,
embora consciente do risco que corria, apresentou-se ao Concílio de Constança
(sudoeste da Alemanha), ano de 1414, para defender os ensinos do seu amigo John
Huss, e dar testemunho de sua fé. Logo após haver confirmado suas idéias
"heréticas", foi encarcerado numa masmorra, alimentado a pão e água.
Doente, debilitado e abandonado por amigos, cedeu à pressão dos inquisidores e
declarou que retornaria à fé católica. Ainda assim, retornou à prisão e lá
permaneceu por trezentos e quarenta dias. Durante esse tempo, refletiu sobre a
sua fraqueza de fé e se sentiu envergonhado de haver cedido. Verificou que não
valia a pena negar as verdades bíblicas para salvar a pele. Novamente perante o
Concílio, Jerônimo falou: "Estou pronto para morrer. Não recuarei diante
dos tormentos que me estão preparados por meus inimigos e falsas testemunhas,
que um dia terão que prestar contas de suas imposturas diante do grande Deus, a
quem nada pode enganar. De todos os pecados que cometi desde minha juventude,
nenhum pesa tão gravemente em meu espírito e me acusa tão pungente remorso,
como aquele que cometi neste lugar fatídico, quando aprovei a iníqua sentença
dada contra Wycliffe e com o santo mártir John Huss, meu mestre e amigo".
E prosseguiu Jerônimo: "Confesso-o de todo o coração e declaro com
horror, que desgraçadamente fraquejei quando, por medo da morte, condenei suas
doutrinas. Portanto, suplico a Deus Todo-poderoso Se digne perdoar meus pecados,
e em particular este, O MAIS HEDIONDO DE TODOS. Provai-me pelas escrituras que
estou em erro, e o abjurarei. São as tradições dos homens mais dignas de fé
do que o Evangelho do nosso Salvador?"
São Jerônimo foi logo levado à fogueira. Quando as chamas começaram a
queimar seu corpo, orou ao Pai: "Senhor, Pai Todo-poderoso, tem piedade de
mim e perdoa os meus pecados; pois sabes que sempre amei Tua verdade".
JOANA D'ARC (1412 - 1431)
Uma das milhares de vítimas dos autos-de-fé do Santo Ofício. Dizendo-se
enviada por Deus, ela desejou e conseguiu, embora parcialmente, livrar sua Pátria,
a França, da dominação inglesa. A "heroína da França" não se
livrou das mãos dos inquisidores. Por causa de suas ousadas atitudes, foi
acusada de feiticeira, sortílega, bruxa, pseudo-profeta, invocadora de espíritos
malignos, idólatra maldita e amaldiçoada, escandalosa, sediciosa, perturbadora
da paz do País, incitadora de guerras, cruelmente sequiosa de sangue humano,
mentirosa, perniciosa, abusadora do povo, mágica, supersticiosa, cruel,
dissoluta, invocadora de diabos, apóstata, cismática e herege.
Joana d´Arc, vítima de uma traição, é feita prisioneira e entregue ao
Tribunal da Inquisição para julgamento espiritual. O inquérito é comandado
pelo Bispo Messire Pierre Cauchon, bispo de Beauvais, a quem coube intermediar o
resgate da donzela por dez mil escudos franceses, a fim de ser entregue ao Vigário
Geral da Inquisição da Fé no Reino de França. A alegação era a de que, por
ela, "Deus tinha sido ofendido sem medida, a Fé excessivamente afrontada,
e a Igreja desonrada".
O Tribunal da Inquisição funcionava assim: se o réu reconhece a culpa, há
esperança de ser reconduzido ao rebanho de Deus, e será condenado à prisão
perpétua; se não se retrata, será torturado uma vez. Como a tortura não
podia ser renovada, era apenas "interrompida" no caso de desmaio. A
nova sessão de tortura seria uma continuação, e não uma nova tortura.
Lembremos que o emprego da tortura foi permitido pelo Papa Inocêncio III.
Condenada a ser queimada viva como relapsa, herética e feiticeira, Joana d´Arc
foi supliciada publicamente na Praça do Mercado Velho, em Rouen (França), em
30 de maio 1431. Por ato do Papa Bento V, em 1920, a "maldita" donzela
foi canonizada. Aos olhos da Igreja Católica ela, agora, é uma santa. Aos
olhos de Deus, ela sempre foi uma santa, a Santa Joana d'Arc.
MARTINHO LUTERO (1483 -
1546)
Considerado o
fundador da doutrina protestante, o santo Lutero, de naturalidade alemã,
doutorou-se em Teologia pela Universidade de Wittenberg, e, por esse tempo, leu
pela primeira vez a Bíblia. Tendo sido tomado de um imenso desejo de ter uma
comunhão mais estreita com Deus, resolveu ser monge e entrou na Ordem dos
Agostinianos, no ano de 1505. Lutero levava uma vida de simplicidade, de jejum e
orações. A leitura da Bíblia lhe havia despertado a consciência. Foi tocado
pela luz do Evangelho e estava decidido em caminhar no Caminho chamado Jesus.
Em 1510, "esteve sete meses em Roma, a fim de tratar assuntos relacionados
com a Ordem, e voltou de lá impressionado com o que vira: luxo, pompa, casas
suntuosas para os monges que não raro de banqueteavam fartamente. E não apenas
isso. Ele se encheu de espanto ao ver a iniqüidade entre o clero,
"gracejos imorais dos prelados, profanidade durante a missa, desregramento
e libertinagem". "Ninguém pode imaginar", escreveu ele,
"que pecados e ações infames se cometem em Roma... Se há inferno, Roma
está construída sobre ele".
Ainda em Roma, quando fazia penitência subindo de joelhos a "escada de
Pilatos", ouviu uma voz dizendo: "O justo viverá pela fé" (Rm
1.17). Entendeu, então, que os homens não podem alcançar a salvação por
suas obras. As penitências exigidas pelo clero romano não tinham valor algum.
Seu afastamento de Roma se tornou cada vez maior.
Lutero se indignou com a venda de indulgências. Pecados cometidos, ou os que
porventura fossem praticados no futuro, eram perdoados pela Igreja, bastando que
o pecador pagasse certa quantia. Lutero pregava que somente o arrependimento e a
fé em Jesus Cristo poderiam salvar o pecador. O destemido sacerdote resolveu
tomar uma atitude extrema. Afixou na porta da igreja de Wittenberg noventa e
cinco teses contra as indulgências. Com base na Bíblia, mostrava que o Papa
nem qualquer homem pode perdoar pecados. "Mostrava que a graça de Deus é
livremente concedida a todos os que O buscam com arrependimento e fé".
Rapidamente os ensinos de Lutero se espalharam pela Europa, e as verdades bíblicas
começaram a se instalar nos corações. "ASSIM SERÁ A PALAVRA QUE SAIR DA
MINHA BOCA: ELA NÃO VOLTARÁ PARA MIM VAZIA, MAS FARÁ O QUE ME APRAZ, E
PROSPERARÁ NAQUILO PARA QUE A ENVIEI" (Isaias 55.11).
"Aquele que deseja proclamar a verdade de Cristo ao mundo, deve esperar a
morte a cada momento". Com esse pensamento Lutero se dirigiu a Augsburgo,
cidade alemã, onde se defrontaria com os representantes do Papa Leão X.
Convidado a retratar-se, Lutero não se dobrou diante de ameaças e confirmou
todas as verdades que dissera em seus escritos. Não poderia renunciar à
verdade. O prelado inquisidor, cheio de ódio, disse-lhe: "Retrate-se ou
mandá-lo-ei a Roma". Roma seria o fim do caminho, o caminho da morte, a
morte na fogueira, tal qual acontecera com seu amigo John Huss. Na madrugada do
dia seguinte, estando a cidade às escuras, Lutero conseguiu se evadir de
Augsburgo contando, para isso, com a ajuda de amigos. Escapou milagrosamente das
mãos do representante papal que intentara prendê-lo.
Embora diante de tantas dificuldades, já classificado de herege, excomungado e
condenado, Lutero não diminuiu suas severas críticas ao papado e às doutrinas
romanas. Disse: "Estou lendo os decretos do pontífice e... não sei de o
papa é o próprio anticristo, ou seu apóstolo...". Enquanto isso os papas
intensificavam o negócio das indulgências. O Papa Alexandre VI, predecessor de
Júlio II, foi quem instituiu a venda de indulgências, pois precisava de
dinheiro "para adornar com diamantes e pérolas a filha Lucrécia Bórgia".
Esse papa não só foi amante de sua própria filha, a célebre Lucrécia Bórgia,
como foi amante, também, da irmã de um cardeal que se tornou o papa seguinte,
Pio III, em 1503. Os papas Júlio II e Leão X, por sua vez, apelaram para o
rendoso comércio do perdão, aquele tendo em mira a construção da Basílica
de São Pedro e este para satisfazer seus gastos supérfluos.
Um dos encarregados da venda de indulgências, o frei João Tetzel, fazia-o com
voz forte nas feiras anuais, oferecendo a sua mercadoria. Dizia:
- Assim que o dinheiro tilinta na caixa, a alma salta fora do purgatório.
Ninguém mais se importava em pecar e a moralidade estava em baixa. Se algum
padre desejasse impor alguma penitência, os fiéis apresentavam o documento
comprovando a "compra" do perdão divino. Enquanto a Igreja de Roma
subtraía elevados recursos financeiros ao povo, com heresias, superstições e
ameaças, Lutero se aprofundava no estudo da Bíblia. Declarava abertamente que
não havia distinção entre pecado mortal e pecado venial - como dizia o
catolicismo - pois, afirmava, "pecado é pecado, sem gradação, e qualquer
pecado leva ao inferno, pois afasta o pecador de Deus". Boa parte de seus
sermões era destinada a protestar contra o comércio das indulgências, dizendo
que estas eram inúteis. E perguntava: "Se o Papa pode libertar as almas do
purgatório quando lhe dão dinheiro, por que não esvazia de uma vez o purgatório?"
Abrimos aqui um parêntese para perguntar: se as missas de sétimo dia podem
livrar as almas do purgatório, por que não se faz uma única missa (um missão)
em favor de todas as almas e as livra de uma só vez do fogo purificador?
Martinho Lutero continuou derrubando uma a uma, com a Palavra, as doutrinas
romanas. A um enviado do Papa Leão X, que lhe propôs uma reconciliação e
alegou, como argumento, a autoridade do Papa, Lutero respondeu com firmeza:
"Só na Bíblia e não no Papa reside a autoridade". E continuou:
"O próprio Cristo é o chefe da Igreja e não o Papa. Não lhe é
permitido estabelecer um artigo de fé, sem base bíblica. "O papa é
soberano legítimo, não com direito divino, mas humano".
No dia 15 de junho de 1520, com a bula Exurge, o Papa Leão X "condenou
quarenta e uma proposições de Lutero, ameaçando-o de excomunhão, se não se
retratasse dentro de sessenta dias". Essa bula condenava, em suma, a
liberdade de consciência. O historiador Schaff assim definiu o documento:
"Podemos inferir daquele documento em que estado de servidão intelectual
estaria o mundo atualmente, se o poder de Roma houvesse conseguido esmagar a
Reforma. Difícil será avaliar quanto devemos a Martinho Lutero, no terreno da
liberdade e do progresso..." Num gesto memorável de audácia, destemor e
ousadia, Lutero queimou a bula papal em praça pública a 10 de dezembro de
1520.
Por mais de uma vez Lutero compareceu diante dos emissários de Roma.
Aconselhado a não se apresentar em razão do risco que corria, Lutero
respondeu: "Ainda que acendessem por todo o caminho de Worms a Wittenberg
uma fogueira... em nome do Senhor eu caminharia pelo meio dela; compareceria
perante eles... e confessaria o Senhor Jesus Cristo".
Na presença do imperador Carlos V, da Alemanha, de príncipes e delegados de
Roma, que esperavam uma retratação do excomungado herege, Lutero falou:
"visto que vossa sereníssima majestade e vossas nobres altezas exigem de
mim resposta clara, simples e precisa, dar-vo-la-ei, e é esta: não posso
submeter minha fé, quer ao papa, quer aos concílios, porque é claro como o
dia que eles têm freqüentemente errado e se contradito um ao outro. A menos
que eu seja convencido pelo testemunho das Escrituras... não posso retratar-me
e não me retratarei, pois é perigoso a um cristão falar contra a consciência.
Aqui permaneço, não posso fazer outra coisa; queira Deus ajudar-me. Amém".
As tentativas de reconciliação do sacerdote Martinho Lutero com o papado, ou
seja, os planos de fazê-lo voltar ao aprisco de Roma fracassaram todos:
"Consinto em que o imperador, os príncipes e mesmo o mais obscuro cristão,
examinem e julguem os meus livros; mas sob uma condição: que tomem a Palavra
de Deus como norma. Os homens nada têm a fazer senão obedecer-lhe. No tocante
à Palavra de Deus e à fé, todo cristão é juiz tão bom como pode ser o próprio
papa, embora apoiado por um milhão de concílios".
O Concílio em Worms não se deteve em examinar, pelas Escrituras, as verdades contidas nos pronunciamentos e escritos de Lutero. "Deus não quer - dizia ele - que o homem se submeta ao homem, pois tal submissão em assuntos espirituais é verdadeiro culto, e este deve ser prestado unicamente ao Criador. Alertado de que estava proibido de subir ao púlpito, recusou-se a obedecer: "Nunca me comprometi a acorrentar a Palavra de Deus, nem o farei".
LUTERO LIVRA-SE DA
FOGUEIRA
Tão logo expirasse
o prazo de um salvo-conduto que o imperador lhe concedera, Lutero, conforme
resolução do Concílio, deveria ser preso, todos os seus escritos destruídos;
a ninguém era permitido dar-lhe comida ou bebida, e os seus discípulos
sofreriam igual condenação. Isto, em outras palavras, significava FOGUEIRA. O
plano de Deus era outro. Para livrá-lo da fogueira um grupo de amigos "seqüestrou"
a Lutero e o transportou, através da floresta, para o castelo de Wartburgo,
construído nas montanhas, e de difícil acesso.
Lutero alguns anos depois saiu daquele castelo e continuou fazendo discípulos e
pregando o Evangelho da salvação. A Reforma estava implantada. A Luz alcançava
muitos países. Iluminou a Europa, as Américas, a América do Sul, o Brasil...
porque ninguém pode algemar a Palavra de Deus.
GALILEU GALILEI (1564 -
1642)
Físico italiano,
fez numerosas descobertas nos campos da Física e da Astronomia. Com seu telescópio
(luneta) descobriu as montanhas da Lua, os satélites de Júpiter, as manchas
solares, as fases de Vênus, os anéis de Saturno. Suas descobertas e ensinos
foram considerados uma heresia pelos censores romanos. Acabrunhado, doente,
preso em Roma, assinou sua retratação. Antes, os inquisidores lhe mostraram a
sala de tortura e os respectivos instrumentos. Combalido e ajoelhado diante dos
representantes do Papa Urbano VIII, leu e assinou sua retratação: "Eu,
Galileu Galilei, tendo sido trazido pessoalmente ao julgamento e ajoelhando-me
diante de vós, Eminentíssimos e Reverendíssimos Cardeais, Inquisidores Gerais
da Comunidade Cristã Universal contra a depravação herética... juro que
sempre acreditei em cada artigo que a sagrada Igreja Católica, Apostólica de
Roma, sustenta, ensina e prega.. Mas porque este Sagrado Ofício ordenou-me que
abandonasse completamente a falsa opinião, a qual sustenta que o Sol é o
centro do mundo e imóvel, e proíbe abraçar, defender ou ensinar de qualquer
modo a dita falsa doutrina... com sinceridade abjuro, maldigo e detesto os ditos
erros de heresia..."
A diabólica Inquisição não só condenou os ensinos de Galileu, mas também
os de Copérnico. O Tribunal Inquisitório assim se pronunciou: "A tese de
que o Sol é o centro do sistema e não se move ao redor da Terra, é néscia,
absurda, teologicamente falsa e herética, sendo frontalmente contrária às
Sagradas Escrituras..."
Galileu livrou-se da fogueira, mas passou vários meses sob prisão. Muito
doente e cego, veio a falecer no dia 8 de janeiro de 1642. E a Igreja de Roma
acabava de escrever mais um capítulo de terror em sua história. Em janeiro de
1998, o Papa João Paulo II, formalizou o tardio pedido de perdão ao notável
astrônomo Galileu.
Podemos imaginar quão constrangedor para esse notável homem foi ajoelhar-se
diante de uma corte devassa e negar anos e anos de estudo e observação. Dizem
que Galileu, antes de morrer, balbuciou: "a terra por si se move".
MÁRTIRES ANÔNIMOS
Wycliffe, Huss, Jerônimo
e Lutero foram citados apenas como exemplo. O caminho da fogueira foi trilhado
por milhares e milhares de mártires anônimos, gente simples, discípulos
fervorosos, pessoas indefesas e pobres, homens, mulheres, jovens, velhos e crianças,
vítimas da sanha assassina dos representantes da poderosa Igreja Católica
Romana, que, aliada ao poder das armas, teve a pretensão de ser universal e de
impor suas doutrinas aos seus súditos. Mártires anônimos foram os albigenses
e os valdenses; mártir quase desconhecido foi Luís de Berquin, que, apaixonado
pelo Evangelho, foi estrangulado e queimado em 1529 sem tempo para dar uma última
palavra; mártires anônimos foram muitos franceses queimados vivos com
requintes de crueldade, sem direito a defesa. A todos esses homens de fé e de
coragem, baluartes da defesa das Sagradas Escrituras como única fonte de
autoridade, a eles nossa homenagem póstuma, nossa gratidão, nossa admiração
pelo que fizeram em prol de um cristianismo livre de heresias, de idolatria, de
práticas pagãs.
UM CRIME CONTRA A
HUMANIDADE
Recuso-me a chamar a
INQUISIÇÃO de Santo Ofício ou de Santa Inquisição. Seria santa se inspirada
por Deus ou a Seu serviço. Não foi de inspiração divina porque Deus é amor.
Deus não gera o ódio nos corações dos homens. Ele não é a fonte do mal. Não
foi de inspiração divina a Inquisição porque Deus não iria perseguir,
torturar e executar homens e mulheres que defendiam as Escrituras Sagradas, ou
seja, a Palavra de Deus; não foi de inspiração divina porque muitos dos papas
que direta ou indiretamente comandaram os massacres - papas, frades, monges,
padres, cardeais (o clero romano) - não possuíam a direção do Espírito
Santo, pois foram chamados de "antipapas" em razão do baixo nível
moral em que viviam (adultério, imoralidade sexual, estupros, luxúria, etc).
Quem comandou a Inquisição ou os Tribunais Eclesiásticos foi o próprio Satanás".
O maior inimigo de Deus e do homem, ele, o Diabo, foi quem arquitetou esse plano
diabólico nos palácios de Roma, pois ele era e é o mais interessado em
algemar a Palavra de Deus; em não permitir a divulgação e propagação do
Evangelho; em cristianizar o paganismo ou paganizar o cristianismo. A Inquisição
teve, portanto, origem diabólica. O paradoxo é que esse crime contra a
humanidade foi urdido no seio de uma igreja que se declarou infalível e dona da
verdade.
Em nenhuma outra época se assistiu com tanta realidade o cumprimento da
profecia de Jesus:
-"Então vos hão de entregar para serdes atormentados, e vos matarão.
Sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome. Nesse tempo, muitos
se escandalizarão, trair-se-ão mutuamente e se odiarão uns aos outros. Surgirão
muitos falsos profetas, e enganarão a muitos... e este evangelho do reino será
pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações. Então virá o
fim". (Mateus 24.9-14).
O cumprimento dessa profecia
continua em andamento. Milhares de cristãos são mortos anualmente em todo o
mundo. Mas, por outro lado, o evangelho do reino continua sendo pregado
("será pregado em todo o mundo"), mudando a vida de milhões de
pessoas.
As Cruzadas e a Inquisição mataram mais gente do que o nazismo na Segunda
Guerra Mundial, na qual morreram seis milhões de judeus. Os massacres em nome
de Deus vitimaram um número bem superior de pessoas classificadas de
"hereges", acusadas de desenvolverem uma fé contrária à da Igreja
Católica, de não aceitarem a "infalível" autoridade papal e de
combaterem, ousadamente, a imoralidade, a ganância e a corrupção no clero
romano.
Não se tem notícia de que os assassinos da Inquisição tenham se submetido a
um tribunal internacional para responder por seus crimes. Um ou outro papa foi
preso e condenado, como no caso do Papa João XXIII (1410-1415) julgado e
condenado pelo Concílio de Constança por cinqüenta e quatro crimes da pior
espécie. A História condena a todos, mas a justiça maior virá do céu: o Rei
dos reis e Senhor dos senhores, o Justo Juiz, quando voltar, derramará seus juízos
sobre a Terra, e os criminosos que morreram sem arrependimento e conversão
receberão o merecido castigo. O sangue dos mártires estará sempre na lembrança
dos homens. As perseguições e os massacres foram contra o próprio Jesus.
Vejam o que disse Jesus a Saulo, este que perseguia os cristãos (Atos 9.4-5):
- Saulo, Saulo, por que me persegues?
- Eu sou Jesus, a quem tu persegues.
PALAVRAS FINAIS
O que relatamos neste estudo
representa apenas uma pequena parcela do que realmente foi a diabólica Inquisição
e o que ela representou de negativo para toda a humanidade. Os representantes
papais nunca agiam sozinhos. A igreja Católica estava atrelada de tal forma aos
imperadores, reis e governos que, por vezes, não se sabia o que pesava mais num
massacre: se o motivo religioso, em que Roma defendia seus altos interesses, ou
o político, sob manobra dos governantes. O certo é que a parceria
Igreja-Estado fabricou uma arma mortífera: A Inquisição. O sangüinário
Hitler tentou purificar a raça ariana executando o povo judeu. Os sangüinários
inquisidores tentaram purificar a fé católica matando os "hereges".
Uma pergunta que devemos fazer é a seguinte: a Igreja Católica, apostólica e
romana, foi realmente guiada desde sua instituição pelo Espírito Santo? Se a
resposta for negativa, então a criação da Inquisição está plenamente
justificada. Se positiva a resposta, isto é, se aceitarmos a versão de que o
Espírito de Deus guiou essa Igreja desde o seu nascedouro, teremos que fazer
outra indagação: O Espírito Santo errou ao escolher homens sanguinários para
dirigir a Igreja de Cristo? O Espírito de Deus erra?
Quando lemos o livro de Atos, deparamo-nos com o Senhor Jesus orientando,
exortando e guiando Sua Igreja e até comissionando obreiros. Vejamos alguns
exemplos:
1) " O anjo do Senhor disse a Filipe: Levanta-te, e vai para a região do
sul, ao caminho que desce de Jerusalém para Gaza, que está deserta" (Atos
8.26).
2) "Disse o Senhor a Ananias, numa visão: Levanta-te, e vai à rua chamada
Direita, e pergunta em casa de Judas por um homem de Tarso, chamado Saulo, pois
ele está orando... vai, ele é para mim um vaso escolhido para levar o meu nome
perante os gentios, os reis e os filhos de Israel" (Atos 9.10-15).
3) "Disse o Espírito Santo: Apartai-vos a Barnabé e a Saulo para a obra a
que os tenho chamado" (Atos 13.1-2).
4) "Passando (Paulo e Timóteo) pela Frígia e pela província da Galácia,
foram impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a palavra na Ásia. Quando
chegaram à Misia, tentavam ir para a Bitínia. MAS O ESPÍRITO DE JESUS NÃO
LHO PERMITIU" (Atos 16.6-7)
Assim, em muitas ocasiões o
Espírito de Deus conduziu os destinos da Igreja de Cristo. Em nenhum momento vê-se
aqueles santos cometerem qualquer deslize, qualquer ato reprovável. Não
alimentavam o desejo de exterminar as pessoas que não aceitavam o Evangelho ou
não se convertiam.
Para justificar os crimes cometidos pelos inquisidores a Igreja de Roma põe a
culpa no Diabo. O Espírito Santo permitiu que forças demoníacas se
instalassem na sede dessa Igreja, em Roma, donde saíram as bulas e decretos
papais autorizando ou consentindo as Cruzadas, os massacres, as perseguições?
Proibindo a tradução da Bíblia em outras línguas? Proibindo aos leigos a
leitura das Sagradas Escrituras? Autorizando a venda de perdão (indulgências)
como se fora uma mercadoria? Impedindo a livre manifestação do pensamento?
Não, não foi o Espírito de Deus que comandou essa carnificina chamada Inquisição.
Quem armou essa trama foi o mesmo espírito que enganou a Eva; o mesmo que
tentou a Jesus no deserto, e o mesmo que encarnou em Hitler. Foi ele mesmo, o
Diabo, que assumiu o comando em Roma e dirigiu o banho de sangue na Europa e em
outras partes do mundo. A igreja Católica perdeu uma das melhores oportunidades
de sua história de voltar-se à Palavra de Deus, remover os empecilhos, rever
suas doutrinas, ouvir os reformadores, humilhar-se, arrepender-se e suplicar a
misericórdia do Senhor. Somente assim a influência maligna seria contida.
Por mais que desejemos fazer reflexões com serenidade, não conseguimos conter
nossa perplexidade diante de tantos desatinos promovidos por homens que se
diziam, "Vigários de Cristo" e "infalíveis". Os crimes
cometidos em nome da fé católica, quer nas Cruzadas, quer nos Tribunais de
Inquisição, são crimes inqualificáveis, crimes contra a humanidade, e como
tal devem ser lembrados por todos os séculos.
Jesus afirmou que "AS PORTAS DO INFERNO NÃO PREVALECERÃO CONTRA A SUA
IGREJA" (Mateus 16.18). Não prevaleceram. A Igreja de Cristo, que parecia
aterrada diante do poder de Roma, saiu-se vitoriosa. As muralhas de Jericó
foram derrubadas. De nada valeram as perseguições, as humilhações e a matança.
A luz do Evangelho se espalhou por todo o mundo.
Não houve como impedir a propagação do Evangelho do nosso Salvador. Mais uma
vez o inimigo foi derrotado. Acossados em determinada cidade ou região os
crentes procuravam refúgio nas cavernas, nos guetos ou em outras nações. Mas
por onde passavam davam testemunho de sua fé. Por toda a parte a fé bíblica
era aceita com alegria, em substituição à fé católica.
A Igreja de Roma viu cair por terra seu intento de ser universal. A palavra
"católica" quer dizer universal. Nas regiões onde o protestantismo
prevaleceu, a Igreja romana foi substituída por uma série de igrejas evangélicas
autônomas, completamente desligadas do poder papal. O sangue dos justos serviu
para regar a Palavra plantada. A Inquisição não impediu o crescimento numérico
e qualitativo dos protestantes, que, submissos a Deus e à Sua Palavra,
desprezam tradições e dogmas não alinhados com a Bíblia Sagrada.
Louvado, engrandecido e exaltado seja o nome do nosso Senhor e Salvador Jesus
Cristo. Eis aí apenas um esboço do que foi a diabólica INQUISIÇÃO, que
tantos malefícios causou à humanidade. Muito longe estamos de conhecer todos
os labirintos dos tribunais inquisitórios. O atual representante da Igreja de
Roma (estamos em agosto/98) tem ensaiado pedidos de perdão, como no caso de
Galileu Galilei. Mas pergunto: pedido de perdão a quem? A Deus? À Humanidade?
Às famílias das vítimas? Ora, não se pode pedir perdão a Deus em nome de um
pecador. Ademais, não é o caso de pedido de perdão em nome da entidade
religiosa, porque não será a Igreja Romana que receberá o castigo eterno. O
castigo será individual. Cada um receberá pessoalmente a sentença do Justo
Juiz. Logo, o pedido de perdão formulado pela Igreja Católica, através de seu
líder, é na verdade um gesto elogiável, uma manifestação de humildade, mas,
por si só, não apaga o pecado dos algozes da Inquisição. Sem arrependimento
não há perdão e sem perdão não há salvação. Todos os envolvidos nos
massacres - papas, cardeais, frades, monges, reis e rainhas - se não se
arrependeram de seus crimes e não rogaram o perdão de Deus, ou seja, se não
se converteram ao Senhor Jesus antes de morrerem, certamente estão num lugar de
TORMENTOS, e ali aguardarão a plenitude dos tempos para serem lançados no
GEENA. É assim que ensina a Palavra de Deus:
"Mas, quanto aos medrosos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos HOMICIDAS, e aos adúlteros, a aos feiticeiros, e aos idólatras, e a todos os mentirosos, a sua parte será NO LAGO QUE ARDE COM FOGO E ENXOFRE, que é a segunda morte" (Apocalipse 21.8).
INQUISIÇÃO NUNCA MAIS - Católicos e protestantes hoje
vivem em paz. A Igreja Católica não mais classifica os protestantes de
"hereges". Hoje, chama-os de "irmãos separados". Exceção
feita às escaramuças na Irlanda do Norte, que duram 30 anos, crentes e católicos
não se defrontam, não se enfrentam no corpo a corpo. O Vaticano, não se pode
negar, empenha-se pela paz entre as nações. A Igreja Católica reconhece seus
erros e, humilde, pede perdão à Humanidade. Devemos perdoá-la... mas não
podemos apagar a História. A verdade é que as fogueiras do Santo Ofício não
mais se acenderão. Nunca mais Inquisição. Graças a Deus.
GLOSSÁRIO
ABJURAR - Renunciar
solenemente a uma crença ou religião.Desdizer-se ou retratar-se.
ALBIGENSES - Membros de uma seita religiosa no sul da França, nos séc. XII e XIII. Negavam a realidade da encarnação de Jesus Cristo e condenavam a procriação.
ANTIPAPAS - São considerados os falsos papas. Chefe de igrejas locais, geralmente bispo, que pretendeu, por oposição ao Romano Pontífice, governar toda a Igreja Católica. Hipólito foi o primeiro antipapa de 217 a 235, nascido em Roma, eleito pelo povo.
APÓSTATA - Aquele que
renuncia à fé cristã.
AUGSBURGO - Cidade da Alemanha.
AUTOS-DE-FÉ - Cerimônias em que se executavam as sentenças da Inquisição.
Passou a chamar-se assim, principalmente, o suplício dos penitentes pelo fogo.
CLÉRIGO - Aquele que
pertence à classe eclesiástica. Sacerdote cristão.
CLERO - A corporação dos sacerdotes. Classe eclesiástica.
CONCÍLIO - Reunião de bispos da Igreja Católica, convocados para estudar
assuntos de interesse eclesiástico.
CONSTANÇA - Cidade da Romênia.
CONTRA-REFORMA - Movimento restaurador iniciado pela Igreja Católica, com
vistas a superar as dificuldades surgidas com a Reforma. O Concílio de Trento
(1545 - 1563) concretizou esses esforços.
CRUZADAS - Expedições militares de caráter religioso que se faziam na Idade Média, contra hereges ou infiéis.
EXCOMUNGAR - Separar da Igreja Católica qualquer dos seus membros. Expulsar, tornar maldito, condenar.
GUETO - Rua ou bairro onde são isoladas pessoas ou grupos por imposição econômica, racial ou religiosa.
HEREGE - Pessoa que professa doutrina contrária ao que foi definida pela Igreja como sendo matéria de fé. Eram chamados os que se opunham às doutrinas da Igreja Romana.
HUGUENOTE - Designação depreciativa que os católicos franceses deram aos protestantes, especialmente os calvinistas, e que estes adotaram.
ICONOCLASTA - Indivíduo que não reverencia imagens ou obras de arte. Que as destrói.
ICONÓLATRA - Diz-se do indivíduo que adora ou venera imagens, ídolos ou obras de arte.
IGNOMÍNIA - Grande desonra.
Infâmia.
IMPETÉRRITO - Destemido, impávido, sem temor.
INCESTO - União sexual ilícita entre parentes consangüíneos, afins ou
adotivos.
INDULGÊNCIA - Graça concedida pela Igreja Católica aos seus membros, perdoando total ou parcialmente a pena devida a um pecado. Perdão de pecados. A venda de indulgências pelo Papado foi a principal causa da Reforma.
INQUISIÇÃO - Nome dado a
um tribunal eclesiástico criado oficialmente em 1229, no Concílio de Toulouse,
também chamado Tribunal do Santo Ofício, com poderes para julgar, condenar à
morte ou prender pessoas suspeitas de não professarem a fé católica.
INQUISIDOR - Juiz do Tribunal da Inquisição.
LUBRICIDADE - Qualidade de lúbrico: lascivo, sensual, devasso.
MANIQUEU - Adepto ou membro do maniqueísmo, seita que teve simpatizantes na Índia,
China, África, Itália e sul da Espanha, segundo a qual o Universo foi criado e
é dominado por dois princípios antagônicos e irredutíveis: Deus ou o bem
absoluto, e o mal absoluto ou o Diabo.
MÁRTIR - Pessoa que sofreu tormentos, torturas, perseguições ou a morte por sustentar a fé cristã.
MONGE - Religioso que vive em mosteiros e está sujeito a uma regra comum.
NOITE DE SÃO BARTOLOMEU - Designação dada à matança de huguenotes que se iniciou em Paris na noite de S. Bartolomeu (em 24 de agosto de 1572) e se estendeu por toda a França, e até 3 de outubro daquele ano o número de mortos elevou-se a 50.000.
PAPA - Título dado ao chefe da Igreja Católica Apostólica Romana. Também chamado Sumo Pontífice Romano.
PROCESSO SUMÁRIO - Objetivo, resumido, sem formalidades, rápido, sem apelação para a instância superior, sem direito a defesa.
PROTESTANTES - Nome dado aos partidários do protestantismo que, no séc. XVI, compreendia uma crença contrária à fé católica e à autoridade suprema do papa.
REFORMA - Movimento religioso e político que, no princípio do séc. XVI, quebrou a unidade católica, dividindo a Igreja em dois campos: o católico e o protestante.
SEGUNDA GUERRA MUNDIAL -
Conflito iniciado no dia 1º de setembro de 1939 e terminado em 2 de setembro de
1945. Iniciou-se com
a invasão da polônia pelos alemães. A Inglaterra e a França declararam
guerra à Alemanha poucos dias depois. A maioria dos países do mundo participou
dessa guerra, inclusive o Brasil. O conflito terminou com a derrota dos alemães.
SIMONIA - Tráfico de coisas sagradas ou espirituais, tais como sacramentos, dignidades, benefícios espirituais.
SODOMIA - Relação sexual
anal entre homem e mulher, ou entre homossexuais masculinos.
SÚDITOS - Aqueles que estão submetidos à vontade e outra pessoa. Vassalos.
TE DEUM - Expressão de origem latina que significa "A ti Deus". Cântico da Igreja Católica em ação de graças, que principia por essas palavras.
TOULOUSE - Cidade do sudoeste da França.
VALDENSES - Nome pelo qual são conhecidos os membros de um grupo protestante
fundado na região francesa de Vaud (hoje cantão da Suíça), no séc. XII.
REFERÊNCIAS BIOGRÁFICAS
ALEXANDRE IV - Papa
de 1254 a 1261. Autorizou a instalação do Tribunal Inquisitório em França.
BONIFÁCIO VIII - Papa de 1294 a 1303. Sobre ele diz a The Catholic
Encyclopedia: "Dificilmente qualquer possível crime foi omitido -
infidelidade, heresia, simonia, grosseira e inatural imoralidade, idolatria, mágica,
perda da Terra Santa, morte de Celestino V, etc. Historiadores protestantes e até
mesmo modernos escritores católicos classificam-no entre os papas iníquos,
como ambicioso, arrogante e impiedoso, enganador e traiçoeiro. O poeta Dante
visitou Roma e descreveu o Vaticano como um "esgoto de corrupção".
Uma das frases desse Papa: "Gozar e deitar-me carnalmente com mulheres ou
com meninos não é mais pecado do que esfregar as mãos".
GALILEU GALILEI - (1564 - 1642) - Italiano nascido em Pisa. Introduziu o método
experimental como o mais importante dos métodos das ciências naturais. Fez
numerosas descobertas e invenções, a exemplo da luneta (mais tarde telescópio)
com que desvendou alguns mistérios dos astros. Defendeu a tese de que a Terra e
os demais planetas se moviam em torno do Sol, sendo este o centro do Sistema. A
Igreja Católica prestou um desserviço à Ciência ao julgar, condenar e
prender um dos mais fecundos investigadores da época.
GREGÓRIO XIII - Papa no período de 1572 a 1585. Aprovou a Cruzada contra os
huguenotes, cujo desfecho se deu a 24 de agosto de 1572, "Noite de S.
Bartolomeu". Como troféu, recebeu a cabeça de Gaspar de Coligny.
INOCÊNCIO III - Papa no período de 1198 a 1216. Autorizou a Cruzada contra os
albigenses, sul da França, em 1208.
JERÔNIMO DE PRAGA - Religioso tcheco, discípulo do reformador João Huss;
acusado de ataques às autoridades eclesiásticas, foi condenado à fogueira
pelo Concílio de Constança em 1416. Nasceu em 1360.
JOANA D´ARC - (1412 - 1431) - Heroína francesa também chamada a "Virgem
de Orleans". À frente de um pequeno exército que lhe confiara o Rei
Carlos VII, venceu aos ingleses em Orleans e Patay (1429). Considerada herética,
foi condenada à fogueira em 1431 e canonizada em 1920.
JOHN HUSS - Nascido em 1369 e queimado vivo na fogueira em 1415. Teólogo e
reformador religioso tcheco, natural de Husinec, Boêmia. Acusado de heresia e
condenado à morte por não abjurar suas idéias.
JOHN WYCLIFFE - Nasceu em 1320 e faleceu em 1384. Teólogo inglês, precursor da
Reforma, natural e Hipswell. Pregava uma Igreja sem a direção papal, era
adversário das indulgências e combatia o excesso de bens materiais dos clérigos.
Suas doutrinas foram condenadas no concílio de Constança.
JOSÉ JEOVAH MENDES - Nasceu em Itapiúna (Ce), a 24 de maio de 1955. Na década
de 60 ingressou na Escola Apostólica de Baturité - Ce, dos padres jesuítas,
para dar curso à sua vocação sacerdotal. Alguns anos depois desligou-se dessa
Ordem e ingressou no Convento dos Franciscanos, em Canindé (Ce), onde
permaneceu até 1976. Autor do livro "OS PIORES ASSASSINOS E HEREGES DA
HISTÓRIA", onde faz duríssimas críticas à Igreja Católica Apostólica
Romana.
LEÃO X - Papa no período de 1513 a 1521. Nasceu em Florença (Itália).
Excomungou formalmente a Lutero em 1521. Seu nome civil: Giovanni de Médicis.
Seus recursos financeiros garantiram rápida ascensão na Igreja: aos oito anos
de idade já era arcebispo, e aos treze foi cardeal. A The Catholic Encyclopedia
relata que Leão X "entregou-se sem restrições aos divertimentos... possuído
por um amor insaciável ao prazer... gostava de dar banquetes e divertimentos
caros, acompanhados por orgia e bebedeira".
MARTINHO LUTERO - Nascido em 1483, natural de Eisleben, Saxônia, fundador da
doutrina protestante, em oposição ao catolicismo. Doutorou-se em Teologia pela
Universidade de Wittenberg. Em 1517 submeteu suas teses a debate. Em 1520 foi
excomungado como herege pelo Papa Leão X. faleceu em 1546.
TOMÁS DE TORQUEMADA - (1420 - 1498) - Sacerdote espanhol da Ordem dos
Dominicanos, inquisidor-geral da Espanha por muitos anos, responsável pela
morte de 10.200 cristãos não católicos na fogueira, afora cerca de cem mil
pessoas encarceradas ou expulsas do país.
BIBLIOGRAFIA
ALMEIDA - Bíblia de estudo pentecostal. Revista e corrigida. Sociedade Bíblica
do Brasil.
CAIRNS, Earle E. O cristianismo através dos séculos.
ENCICLOPÉDIA BARSA. Enciclopaedia Britannica Ltda. 15 volumes, edição 1977.
MENDES, Jeovah. Os piores assassinos e hereges da história. 1997.
VIDAS ILUSTRES. Coleção - Volumes VI (os cientistas) e IX (líderes
religiosos).
WHITE, Ellen G. O grande conflito. Edição condensada; Tradução de Hélio L.
Grellmann; 1992.
WOODROW, Ralph. Babilônia: a religião dos mistérios.
Airton Evangelista da Costa,
Pastor da Assembléia de Deus Palavra da Verdade, em Aquiraz (CE)
E-Mail: aecosta@secrel.com.br