Martinho Lutero - Sua História

MARTINHO LUTERO

SUA HISTÓRIA

Breve biografia.

Martinho Lutero nasceu a 10 de novembro de 1483 no centro da Alemanha, em Eisleben, Turíngia/Alemanha.  Seus pais, João e Margarida, eram pobres - João era mineiro e lenhador - porém não iletrado, de modo que puderam dar-lhe boa orientação educacional. Visando a melhorar a vida econômica, fixaram residência, em 1484, em Mansfeld, onde Martinho iniciou seus estudos. Terminando o curso da escola daquela localidade, então com 14 anos, deixou a casa paterna e ingressou na escola superior de Magdeburgo. Depois de um ano ali, teve que retornar à casa paterna acometido de grave enfermidade, indo por esta razão, no ano seguinte, estudar em Eisenach. Três anos cursou o colégio de Eisenach. Em 1501 ingressava na Universidade de Erfurt, cidade conhecida como "Roma Alemã" pelo número de suas igrejas emosteiros. Obteve ali os graus de Bacharel (1502) e Mestre em Arte (1505). No mesmo ano ingressou no curso de Direito.

Este, porém, foi interrompido visto que, a 02 de julho de 1505, regressando da casa paterna, teve sua vida seriamente ameaçada por uma tempestade que, por pouco, lhe tirara a vida. Fez, nesta oportunidade, um voto a Sant’ana que, se lhe fosse dado viver, ingressaria no mosteiro para tornar-se monge. No dia 17 de julho de 1505 as portas do convento da Ordem dos Agostinhos fechavam-se atrás dele.

Sacerdote

Em fevereiro de 1507 foi ordenado sacerdote. Vivia, no entanto, em completo desespero, buscando, dias e noites a fio, em tremendos tormentos espirituais, resposta à pergunta: "De que maneira conseguirei um Deus misericordioso?" Reconheceu muito logo que jamais seria possível obter certeza de sua salvação mediante boas obras, pela impossibilidade de saber se são suficientes, mormente em se tratando de uma alma de consciência extremamente sensível.

Professor

Por indicação do vigário da ordem, João de Staupitz, que reconhecia em Lutero urna erudição e inteligência incomuns, Lutero foi designado professor na Universidade de Wittenberg, fundada em 1502 por Frederico, o Sábio, duque da Saxônia e presidente dos sete eleitores civis que, juntamente com sete autoridades religiosas, elegiam o imperador do Sacro Império -Romano da Nação Alemã. Ocupou ali a cadeira de Teologia. Continuou também seus estudos, instruindo-se principalmente nas línguas gregas e hebraica. A 09 de março de 1509 obteve o grau de Baccalaureus Biblicus.

Viagem a Roma

Em 1511, então com 28 anos, foi enviado em missão diplomática a Roma, para solucionar uma divergência entre sete conventos de sua Ordem e o vigário geral da mesma. A corrupção, imoralidade, as zombarias, o desrespeito do clero e da cúpula da igreja para com as coisas sagradas marcaram nele uma profunda decepção. Embora profundamente entristecido, as esmagadoras desilusões sofridas não o levaram a descrer de sua igreja.

Doutor em Teologia

Em outubro de 1512, recebia, das mãos do decano da faculdade de Teologia, o grau de Doutor em Teologia. Assumiu, a seguir, a cadeira de Lectura in Bíblia lecionando, à base das línguas originais, o hebraico do Antigo Testamento e o grego do Novo Testamento, incorporando conquistas do humanismo na ciência da interpretação de textos. Ainda em 1512, foi eleito subprior do convento de Wittenberg. Em maio de 1515, o cabido geral reunido em Gotha o designava vigário do distrito, que compreendia onze conventos sob sua orientação e autoridade.

Preleções

As suas preleções eram tão concorridas que a elas acorriam estudantes de todas as partes e países vizinhos. Os professores assistentes também aumentavam. O reitor da Universidade chegou a declarar, como que em antevisão: "Este frade derrotará todos os doutores; introduzirá uma nova doutrina e reformará toda a igreja; pois ele se funda sobre a palavra de Cristo, e ninguém no mundo pode combater nem destruir esta Palavra..." (Melchior, Adam. Vita Lutheri, p. 104). Ocupando o púlpito, a capela logo não mais podia comportar os assistentes. O senado o convidou então a ocupar a igreja paroquial da cidade.

Justificação pela fé

Nos seus conflitos espirituais, o texto bíblico que lhe trouxe a luz da verdade e a paz de consciência veio a ser a célebre passagem da Epístola aos Romanos (1.17), em que o apóstolo cita o profeta Habacuque: "0 justo viverá por fé" Viu que São Paulo fazia do sacrifício de Cristo o centro da verdade em religião. Seus pecados, angústias, sofrimentos haviam caído sobre os ombros de Cristo na cruz; Cristo fizera o que ao pecador teria sido impossível fazer com suas penitências e méritos pessoais.

As Teses
        Em 1517, Lutero quis provocar um debate público sobre a venda de indulgências promovidas pelo Papa Leão X e o arcebispo Alberto de Mogúncia através da Ordem dos Dominicanos. Quando pregou à porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, em 31 de outubro de 1517, o pergaminho com as 95 teses em latim para serem debatidas entre os acadêmicos, conforme o costume da época, não desejava desencadear um movimento na história da igreja. Era o pároco que, com preocupado, via como as almas dos fiéis eram desnorteadas por um grande escândalo, descaradamente apregoado em nome da santa Igreja: a venda do perdão de Deus, como se fosse mercadoria, por meio de cartas de indulgência, cujo lucro se destinava ao término da basílica de São Pedro e à cruzada contra os turcos. Seu principal proclamador era o dominicano Tetzel. Eis algumas das teses apresentadas por Lutero: - Dizendo nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo: Arrependei-vos... etc., pretendia falar da vida interior do cristão que deveria ser um contínuo e ininterrupto arrependimento (Tese I) - Pregam futilidades humanas quantos alegam que no momento em que a moeda soa ao cair na caixa a alma se vai do purgatório (Tese 27) - Todo o cristão que se arrepende verdadeiramente dos seus pecados e sente pesar por ter pecado, tem pleno perdão da pena e da dívida, perdão esse que lhe pertence mesmo sem breve de indigência (Tese 36) - Esperar ser salvo mediante breves de indulgência é vaidade e mentira, mesmo se o comissário de indulgências e o próprio papa oferecessem sua alma como garantia (Tese 52) As proposições sobre as indulgências eram completadas por algumas outras, que continham o que viria a ser fundamental na doutrina luterana: - Aos olhos de Deus, não há na criatura senão concupiscências; - Ninguém se salva senão pela graça de Deus através da fé. O efeito dessas teses foi tão inesperado, que elas não ficaram entre os letrados; traduzidas ao alemão, em poucas semanas se espalharam por toda a Alemanha e outras partes da Europa, chegando ao conhecimento do povo em geral.

Reação de Roma

Em 1518, Roma tratou de liquidar o caso do monge de Wittenberg. Lutero foi chamado para responder processo em Roma, dentro de sessenta dias. Mas, por interferência de Frederico, o Sábio, Príncipe da Saxônia, o Papa consentiu que a questão fosse tratada em Augsburgo, pelo Cardeal Cajetano. Este exigia simplesmente que Lutero se retratasse, o que este, naturalmente, não fez. Tinha Lutero nessa época o apoio do capítulo da Ordem dos Agostinhos e do corpo docente da Universidade de Wittenberg. Cajetano declararia depois dos três encontros com Lutero: "Ele tem olhos que brilham, e raciocínio que esconcertam".

O Papa temia suscitar oposição cerrada entre os príncipes alemães. Valeu-se, para que isso não acontecesse, da diplomacia. Condecorou o protetor de Lutero, Frederico, o Sábio, com a "Ordem da Rosa Áurea da Virtude" para afastá-lo de Lutero, e enviou o conselheiro Karl von Miltitz. Este conseguiu, com brandura, queLutero escrevesse uma carta ao papa, declarando sua fiel submissão; mas reafirmou, também, sua doutrina da justificação pela fé somente, sem os méritos de obras. Expôs e defendeu sua posição num debate com o Dr. João Eck em Leipzig. O que precipitou o rumo das coisas foi sua declaração de que nem todas as doutrinas de João Hus (queimado como herege em Constança, em 1415) eram falsas, e que os concílios são passíveis de erros em suas decisões. Isto o colocou à margem da igreja papal, que se fundamentava sobre a infalibilidade do papa e dos concílios.

Primeiros Escritos

Em 1520 escreveu três livros fundamentais mostrando o antagonismo do sistema de salvação papal e o ensino bíblico: "À Sua Majestade Imperial e à Nobreza Cristã sobre a Renovação da Vida Cristã",- "Sobre a Escravidão Babilônica da Igreja" e "Da Liberdade Cristã" ' Alguns de seus pensamentos-chave aí registrados são estes: - "0 cristão é um livre senhor sobre todas as coisas e não submisso a ninguém - pela fé"; "o cristão é servidor de todas as coisas e submisso a todos - pelo amor". "Não fazem as boas obras um bom cristão, mas um bom cristão faz boas obras".

Excomunhão

A resposta do Papa foi a bula de excomunhão Exsurge Domine. Tinha ainda 60 dias para retratar-se do que havia escrito e ensinado. Em 03 de janeiro de 1521 esgotou-se o prazo dado na bula, sendo então proferido o anátema definitivo, pela bula Decet Romanum Pontificem.

Dieta de Worms

           Em 1521 reunia-se a primeira Dieta ou Assembléia do império, presidida pelo jovem imperador Carlos V, eleito em 1520, em sucessão a Maximiliano, para dirigir o reino "em que o sol não se punha". Lutero, intimado, compareceu diante da assembléia em 17 e I S de abril de 15 2 1. Perguntado se renunciava ao que tinha escrito, respondeu: "Não posso, nem quero retratar-me, a menos que seja convencido do erro por meio da palavra bíblica ou por outros argumentos claros. Aqui estou; não posso de outra maneira! Que Deus me ajude. Amém".
 

Tradução do Novo Testamento

          Proscrito pelo imperador, foi posto em segurança pelo duque Frederico, através de um seqüestro simulado de cavaleiros embuçados, durante sua viagem de retomo, e escondido no Castelo de Wartburgo, nas proximidades de Eisenach. Sua principal realização nesse período foi a tradução do Novo Testamento grego para um alemão fluente de grande aceitação popular. Os primeiros 5 mil exemplares esgotaram-se em 3 meses. Em cerca de dez anos houve 58 edições. Em 1522, com risco de vida, reassumiu as funções de professor em Wittenberg. Juntamente com Felipe Melanchthon (cognominado Praeceptor Germaniae - educador da Alemanha), seu grande amigo e colaborador, instruiu centenas de estudantes alemães, boêmios, poloneses, finlandeses, escandinavos.

        Guerra dos Camponeses
Marcou o ano de 1525 a Guerra dos Camponeses - uma revolução armada em que os camponeses, sob federação, reivindicaram mais liberdade aos latifundiários. Em seus objetivos políticos sociais idealizaram Martinho Lutero como chefe. Confundiram reivindicações políticas com aspirações religiosas. Lutero, embora compreendendo suas necessidades, viu-se forçado a distanciar-se do movimento porque não era política a missão dele. A carnificina, com batalha final em Frankenhausen, trouxe prejuízos ao movimento da Reforma. Mas esta, a despeito de todos os abusos praticados em seu nome, se expandia. Lutero procurava consolidar as igrejas e escolas que haviam aderido à Reforma em território alemão e países vizinhos. Neste mesmo ano (I 525) casou-se com uma ex-freira, Catarina
de Bora, de cujo casamento lhes nasceram 6 falhos

        Culto e Liturgia
De 1527 a 1529 esteve empenhado na organização da Igreja Evangélica. Compositor e poeta, compôs trinta e sete hinos. Cabe-lhe a celebridade de popularizar o Lied eclesiástico. Era também conhecido como o "Rouxinol de Wittenberg". Traduziu a ordem da missa para o alemão - Deutsche Messe 1526 - a partir do que os cultos passaram a ser celebra. dos na língua do povo, e não no latim que ninguém entendia.

        Os dois Catecismos
Em 1529 redigiu dois manuais de instrução, até hoje em uso nas igrejas luteranas: "Catecismo Menor" e "Catecismo Maior" Os dois volumes apresentam, em seis partes, um sumário da doutrina cristã. O primeiro é escrito, especialmente, para as crianças; o segundo, para os pais. Justificando, o Reformador afirma: "A lamentável e mísera necessidade experimentada recentemente, quando também fui visitador, é que me obrigou e impulsionou a preparar este Catecismo ou doutrina cristã nesta forma breve, simples e singela. Meu Deus, quanta miséria não vi! O homem comum simplesmente não sabe nada da doutrina cristã, especialmente nas aldeias". Numa outra oportunidade afirma: "Eu também sou doutor e pregador, e, na verdade, tenho de continuar diariamente a ler e estudar, e ainda assim não me saio como quisera, e devo permanecer criança e aluno do Catecismo".

        Somente a Escritura
No mesmo ano realizou-se, no mês de outubro, um encontro entre Ulrico Zwínglio e Lutero para um debate doutrinário, denominado Colóquio de Marburgo, urna controvérsia eucarística. O pregador Zwínglio, que vivia na Suíça, também reconhecera a apostasia da igreja romana, pregai)do a Palavra e testemunhando contra as indulgências. Diferia, no entanto, da doutrina de Lutero e a discrepância básica resumia-se na pergunta: Os artigos de fé devem basear-se exclusivamente na Palavra de Deus ou também na razão humana? Não chegaram a um acordo, visto que a resposta de Lutero não admitia dúvida: A Escritura, e nada além dela, é fonte de artigos de fé, como também, mais tarde, a Fórmula de Concórdia o expressa: "Cremos, ensinamos e confessamos que somente os escritos proféticos e apostólicos do Antigo e do Novo Testamento são a única regra e norma segundo a qual devem ser ajuizadas e julgadas igualmente todas as doutrinas e todos os mestres".

        Confissão de Augsburgo
Auxiliou o duque João Frederico a delinear sua estratégia em relação à Dieta de Augsburgo (l53O), convocada Pelo imperador para superar o cisma- Acompanhou a redação, por Felipe Melanchthon, duma defesa oficial, que veio a chamar-se Confissão de Augsburgo.

O documento - a primeira e mais notável das confissões evangélicas - foi lido em público à assembléia imperial, em nome de príncipes e cidades partidárias da Reforma, a 25 de junho de 1530. Era Composto o documento de duas partes: uma, dogmática; outra, apologética. Argumentavam na Confissão que, quanto à doutrina, continuavam fiéis ao que a igreja vinha ensinando à base das Escrituras Sagradas, conforme os Credos Apostólico e Niceno; com respeito ao culto, mantinham os ritos antigos consentâneos ao evangelho, cancelando apenas aqueles costumes, ritos e cerimônias que obscureciam a glória de Jesus Cristo como o único Mediador entre Deus e Os homens. Reivindicaram, por conseguinte, o direito de conviver em Paz com o papa e os bispos no seio da igreja do império. O imperador, ouvida a Confissão, determinou que os teólogos de Roma elaborassem a Confutação Católica à confissão de Augsburgo. A 03 de agosto fez-se a leitura desta. Não terminava ainda a apresentação de confissões religiosas, e Lutero e Melanchthon responderam à Confutação com a Apologia da Confissão de Augsburgo, de alto valor teológico, mas da qual a Dieta não quis tomar conhecimento. A Dieta lhes concedeu o prazo até 15 de abril de 1531 para voltarem ao seio da igreja romana e exigiu rigoroso cumprimento do Édito de Worms. Embora desaconselhados por Lutero, constituiu-se em fevereiro de 1531 uma poderosa agremiação política dos príncipes luteranos, denominada "Lida de Esmalcalde". Porém, em vista do perigo dos turcos às portas do império, em Viena, o imperador dependia do auxilio militar dos príncipes evangélicos; por isso, pela Paz de Nüremberg, para a qual Lutero muito contribuiu, em 1532, permitiu aos adeptos da Confissão de Augsburgo a persistirem nas suas doutrinas e concedia-lhes ainda outros privilégios. Essa tolerância seria dada até a realização de um concílio da igreja.

        Tradução do Antigo Testamento
Não houve, assim, apesar dos esforços, uma maneira de restabelecer a unidade na igreja e no império. Em 1534 Lutero terminava uma tarefa em que havia trabalhado mais de 10 anos: a tradução do Antigo Testamento para o alemão. No mesmo ano pode-se publicar, então, a Bíblia completa. Em 1536 Lutero redigiu, por solicitação do duque João da Saxônia, artigos para serem apresentados num "Concilio geral livre" convocado pelo Papa. Os Artigos de Esmalcalde, porém, não chegaram a ser apresentados. Os líderes evangélicos concluíram que o concilio não seria livre e se negaram a participar do Concílio de Trento (l545 - 1563), que desencadeou a contra-reforma, no pontificado de Paulo III.

        Paz de Augsburgo
A Paz de Augsburgo, em 1555, atendeu, de certa forma, aos reclamos dos evangélicos. Substituiu a tolerância religiosa nestes termos: os príncipes e cidadãos do império respeitariam a filiaçao religiosa de cada um, e o povo teria a opção de adotar a confissão religiosa do respectivo domínio ou de emigrar a território que tivesse a confissão desejada.

 Martinho Lutero faleceu aos 62 anos de idade, em 18 de fevereiro de 1546, em sua cidade natal, Eisleben, depois de solucionar um litígio entre os condes de Mansfeld. Com grande cortejo fúnebre e ao som de todos os sinos, Lutero foi sepultado sob as lajes da igreja do Castelo de Wittenberg, onde sempre pregava o evangelho.

        Contra-Reforma
A Contra-reforma, liderada pela ordem dos jesuítas, reconquistou vários territórios que tinham aderido à Reforma. Não obstante, a doutrina, o culto e a piedade preconizados por Lutero se enraizaram na Alemanha, nos países bálticos, nos países escandinavos e na Finlândia. Através doutros reformadores, foram acolhidos na França, Inglaterra, Escócia e Países ' Baixos. Em todos estes países, a Reforma ocasionou extraordinário desenvolvimento cultural, notadamente na educação, ciência, economia e política. Pela emigração, os "Luteranos" se espalharam por todos os continentes. Contam, hoje, cerca de 70 milhões. Frade, sacerdote, professor, doutor em Teologia, pregador considerado o primeiro de seu tempo, escritor vigoroso e de grande riqueza lexicografia, fixador da língua alemã, poeta e músico, Lutero abalou o mundo de seus dias e sobre ele se tem pronunciado. ciado o juízo dos séculos.

        Pronunciamentos sobre Lutero
O historiador Schaff diz que "este foi o maior homem que a Alemanha produziu e um dos maiores vultos da história". Goethe dá o seu testemunho nestes termos: 'Dificilmente compreendemos o que devemos a Lutero e à Reforma em geral. Ficamos livres dos grilhões da estreiteza espiritual (... ) compreendemos o cristianismo em sua pureza". .Heinrich -Heine, o poeta excelso, exclama: "Honra a Lutero, a quem devemos a reconquista dos nossos direitos mais sagrados, e de cujos benefícios vivemos hoje em dia. Através de Lutero adquirimos a liberdade religiosa. Criou a palavra para o pensamento. Criou a língua alemã, através da tradução da Bíblia": Dollinger, historiador católico liberal, diz: "Lutero deu aos alemães o que nenhum outro jamais dera a seu povo: a língua, a Bíblia, a hinologia..." É reconhecido c omo "pai da alfabetização". Dirigiu-se aos pais através de profusas publicações, encarecendo-lhe a escola e a educação dos filhos como necessidade inadiável, para a pátria e a igreja verem melhores dias. Um escritor moderno declarou: "A Lutero deve a Alemanha seu esplendido sistema educacional - em suas origens e concepções. Porque ele foi o primeiro a reclamar uma educação universal, uma educação do povo todo, sem consideração de classe". Deixou à posteridade, em sua fecundidade literária, dezenas de volumes contendo obras doutrinárias, apologéticas, exegéticas, homiléticas, pastorais e pedagógicas. Funck-Brentano, célebre historiador contemporâneo assim se expressa: "Qualquer que seja o julgamento formulado em torno da doutrina religiosa de Martinho Lutero, é preciso reconhecer nele uma das mais poderosas personalidades que o mundo conheceu. Sua energia, seu valor, sua poderosa ação - que decorriam em grande parte da intensidade de suas convicções - estão acima de todo elogio. Calculou-se que seriam precisos a um homem dez anos de vida para simples cópia das cartas, orações e inumeráveis escritos do reformador, e Lutero não só redigiu suas obras, mas pensou-as, deu-lhes estudo e reflexões, corrigiu-as, e isso entre ocupações múltiplas, quase sempre absorventes e das mais diversas, suas prédicas, sua atividade social e política, os cuidados e o tempo que consagrou aos antigos e à família" (Martim Lutero, pág. 22, Ed Veccki). Dezenas de testemunhos dessa natureza poder-se-ia acrescentar à sua pessoa. Os exemplos citados, porém, exemplificam o veredito sobre sua pesso e a obra deixada até os nossos dias atesta a sua grandiosidade.

Lutero e a Autoridade das Escrituras

Autor: Pr. Erroll Hulse * * *

Ao abordar o assunto de Lutero e a Bíblia, nós verificamos que ele conseguiu derrubar as confissões católico-romanas. A razão porque conseguiu fazer isso é que essas confissões de fé eram baseadas na tradição humana e não eram de acordo com as Sagradas Escrituras. É importante observarmos como a Bíblia tinha se perdido gradativamente e como a Igreja tinha adquirido grande pode e riqueza. Esse poder e riqueza tinham resultado em corrupção, assim como o papado e o clero se tornaram corruptos.

Vamos ver 8 escândalos que ilustram a corrupção a que chegara a igreja católica romana:

O escândalo do menino papa. Ele tinha 12 anos e acabou se revelando uma "besta maligna", vendendo o papado por uma oferta "gorda' em dinheiro (Sec. XI).

O papa Inocêncio VIII, no século XIII. Era pai de 16 filhos ilegítimos e ordenou a execução dos Valdenses que criam verdadeiramente na Bíblia.

O escândalo do Cisma Papal. Século XIV e XV. Três papas reivindicavam a autenticidade do seu papado. Onde fica a infalibilidade papal?

O escândalo da imoralidade. O celibato não funcionava de fato. Em I Tm.3:4 lemos que essa doutrina do celibato é do diabo. Todos sabiam que os sacerdotes eram imorais; era um escândalo dos maiores.

O escândalo da idolatria. Eles conferiam às relíquias um poder supersticiosamente grande e da mesma forma aos ídolos. Isso pode ser observado em catedrais e igrejas romanas ainda hoje. Pessoas indo de santo em santo, de ídolo em ídolo para rezar e dando homenagem especial à Maria.

O escândalo das guerras das Cruzadas. A maior relíquia era a cidade de Jerusalém que estava em poder dos muçulmanos e então foram organizadas guerras, que tiveram o nome de cruzadas onde milhares de pessoas foram exterminadas. Perguntamos: desde quando Jesus nos mandou sair matando pessoas? Isso era uma coisa sem precedentes. A população muçulmana ainda não se recuperou deste trauma. É uma mancha tremenda na história da Igreja.

O escândalo da Inquisição. Thomas Tacomado foi o chefe da Inquisição na Espanha e fez com que 10 mil pessoas fossem queimadas, presas a um poste. Procurava aliciar judeus sem nenhum escrúpulo, para se tornarem cristãos. Desde quando Jesus mandou que nós deveríamos forçar pessoas a se tornarem cristãs na base da espada? Será que Jesus sugeriu que nós deveríamos ameaçar as pessoas de serem queimadas vivas se não se tornassem cristãs? Isso foi algo terrível!

As Indulgências. A salvação comprada por dinheiro nos leva a Lutero e à Reforma. Ele sentiu-se ofendido com Tetzel e a venda de indulgências. Tetzel era o mais talentoso vendedor de indulgência. O dinheiro arrecadado era dividido com os banqueiros da época e com o papa, mas uma parte fica para o próprio Tetzel. Desta forma Lutero conseguiu ver que as almas estavam sendo enganadas quanto à salvação. Desde quando podemos comprar salvação com dinheiro? Isto foi o que proporcionou o pontapé inicial da Reforma.

Na Reforma nós encontramos 3 eventos principais:

As 95 teses de 1517. Foi o protesto contra as indulgências.

A queima das leis (bulas) católico-romanas. Isso aconteceu quando Lutero foi excomungado pelo papa em 1520.

A posição firme de Lutero diante do Rei Carlos V em 1521.

Se entendermos estes três eventos, vamos compreender a Reforma.

Primeiro Evento - Na venda das indulgências havia variedades de preços. Para se certificar de que tiraria dinheiro do bolso do povo, Tetzel criou um meio de atingir os ricos e os pobres. Quem era rico, dava mais, quem era pobre dava menos, porém todos davam. Lutero ficou enfurecido com isso e desenvolveu, à partir das Escrituras, 95 teses mostrando razões pelas quais essa prática era inaceitável. Mas as 95 teses também eram a respeito da salvação. Era como se fosse uma exposição bíblica do assunto. Ele pretendia que as 95 teses fossem uma plataforma para debate do assunto. Por isso pregou-as na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg. Estavam escritas em latim e constituíam um convite para um debate sobre o assunto. A imprensa escrita já havia sido inventada por Gutemberg e a esta altura já havia jornalistas nessa época. Cada um deles pegou uma cópia e a traduziu para o alemão moderno da época, vendendo-as a muitas pessoas. Em duas semanas estes escritos estavam espalhados por toda a Europa. Os alemães, especialmente, foram muito tocados por essas 95 teses e a venda de indulgências caiu tremendamente. Ora, se você acerta o bolso de um homem, realmente isso lhe dói bastante e profundamente.

 Os líderes católicos estavam muito preocupados e algo extraordinário havia acontecido. Lutero havia chamado a atenção das pessoas para as Escrituras, havia alertado as pessoas para a autoridade da Bíblia. As indulgências eram contra a Bíblia. Lutero havia puxado a corda do sino que acordara o mundo! Depois de mil anos a Igreja estava agora acordada para a realidade. De repente Lutero se tornou conhecido por toda a Europa e teria de responder por suas ações. Felizmente ele tinha um amigo, o príncipe Frederico, o qual tinha muita influência política. Dessa forma, na hora que se fazia necessário, ele vinha em defesa de Lutero. Porém, ainda assim, Lutero teve de prestar contas ao Cardeal. Ele achava que iria ser martirizado e que fariam com ele o mesmo que fizeram com John Huss, quando o queimaram vivo.

Como resultado dos debates, outros escritos surgiram. Quanto mais eles desafiavam o reformador, mais ele escrevia. Frederico, o príncipe, havia tido um sonho e nele viu um sacerdote que era Lutero. A caneta de Lutero ficava cada mais longa, de tal maneira que atingia Roma e tirava o chapéu do papa. Isso foi exatamente o que aconteceu. Os livros de Lutero começaram a se espalhar e espalhar o Evangelho. Ele começou a expor os abusos da igreja católica. Expôs a doutrina da justificação pela fé somente, e enfatizou o sacerdócio de todos os crentes. Essas publicações venderam muitos números e todo mundo queria adquirir um exemplar. Um livro leva a outro e todos eram expositivos no seu estilo.

Segundo Evento - O papa teve de tomar uma medida drástica e apelou para a excomunhão de Lutero. Isso nos leva ao segundo evento da Reforma. O fato de ser excomungado da igreja era uma coisa muito séria. Havia toda uma papelada necessária e que era muito grande, todas com o selo papal e uma oração que dizia: "Levanta-te Senhor contra este porco que invadiu Tua vinha". Essa linguagem irritou a Lutero que ficou ainda mais irado. A excomunhão fazia também com que ninguém tivesse o direito de ler os livros de Lutero e todos que os lessem corriam o risco de vida. A excomunhão de Lutero foi projetada de forma que as pessoas não mais lessem seus livros. Mas havia um pequeno espaço de tempo de "misericórdia", pois teria 60 dias para se arrepender de tudo. Ele criam que nesse prazo Lutero voltaria arrependido. Foi um grande erro deles, porque a cada dia que se passava Lutero ficava mais irritado.

No 60º dia Lutero organizou um evento grandioso. Juntou todos os professores da Universidade, os alunos e todos os amigo e anunciou que haveria uma cerimônia de "queima" de alguma coisa. Na cidade de Wittenberg havia um portão através do qual saía todo o lixo da cidade. Lutero pediu que fosse construída uma grande fogueira do lado de fora da cidade. Os professores e alunos e todos que estavam ali fizeram como que uma procissão cerimonial e juntaram todas a leis da igreja católica, leis papais, bulas papais que havia se acumulado durante séculos. Leis que amarravam e amarram as consciências dos homens. Todo aquele ensino católico romano que era destinado a fazer com que os homens ficassem escravizados àquelas leis. Todos estes livros foram levados por aqueles que estavam à frente da procissão, atravessaram o portão da cidade e chegaram à fogueira. Lutero ordenou que todos estes livros fossem jogados à fogueira, um após o outros e que dessa forma representavam as leis e tradições que haviam se acumulado através dos séculos, mantendo as pessoas escravas. Quando estes livros estavam na fogueira, Lutero tirou do seu hábito o decreto papal, o documento da excomunhão, jogou-o na fogueira e disse: "Já que vocês destruíram a verdade de Deus, que o Senhor consuma vocês nestas chamas". Foi um ato de muita coragem, preparado para que as pessoas tivessem ousadia e coragem. Dessa forma Lutero se tornou corajoso e povo também. Assim, quando o papa mandou emissários para impor nova excomunhão a Lutero, esse povo os expulsou. Foi um quadro muito interessante ver os emissários do papa fugindo. Foram recebidos com paus e pedras o que serviu de "prato cheio" para os chargistas da época. No entanto temos de ver um princípio importante aqui. Lutero estava usando a autoridade das Escrituras para destruir a tradição.

Nós precisamos nos lembrar o que Jesus disse aos fariseus: vocês destruíram a Palavra de Deus com as suas tradições. Isso foi exatamente o que Lutero disse. A Palavra de Deus é a verdade e precisamos destruir a tradição humana libertando as pessoas. Então um movimento grandioso se espalhou. A igreja fez de tudo para tentar amarrar Lutero, mas a cada tentativa de fazê-lo retroceder, havia fracasso. Só havia um método que faltava e a igreja católica apelou para ele, o poder político de Carlos V que era o imperador e na realidade representava o poder civil e a igreja. Então ele recebeu ordens para comparecer diante de Carlos V e isso foi organizado na cidade de Worms, onde seria Lutero julgado diante do Imperador. Eles tinham certeza de que Lutero iria fraquejar diante do imperador, pois pensavam que seu sistema nervoso não suportaria a pressão.

Terceiro Evento - Aqui chegamos ao terceiro evento da Reforma: Lutero diante do imperador. Ele pensou que jamais sobreviveria a tudo aquilo. Viajou com alguns amigos para a cidade de Worms e quando chegou à cidade, mais de 2.000 simpatizantes vieram encorajá-lo. Ele chegou e ficou diante do Imperador. Todos ficaram surpresos, pois Lutero disse que precisava de mais tempo para pensar e considerar as questões colocadas diante dele. Alguns pensaram que ele estava começando a fraquejar. Lutero deveria comparecer no outro ia diante do imperador. Havia tanta gente interessada neste evento que eles tiveram de ocupar o auditório mais amplo que havia na cidade. No dia seguinte, Lutero apareceu. Sobre a mesa estavam todos os seus livros e exigiam dele que tirasse todos aqueles livros dali e os renegasse a todos. O homem que o interrogava chamava-se John Eck e era um homem muito eloqüente. Ele perguntou a Lutero como ousava desafiar toda a igreja e como podia concluir o único certo e todos os demais errados; como todos os papas podiam estar errados, todos os cardeais, toda a história da igreja? Será que Lutero podia desafiar a todos eles? Não seria a hora de Lutero negar todos aqueles escritos e confessar que estava errado?

Mas Lutero tinha uma capacidade muito grande de argumentar e colocar a sua defesa. Ele disse que não conseguia encontrar nada em seus livros que fossem de encontro à Bíblia. Lutero disse que achava Ter dito algumas palavras duras a respeito de algumas pessoas, alguns líderes, mas que havia boas razões para ter feito aquilo e mesmo isso não ia de encontro à Bíblia. "Por que tenho de negar estes livros e retirá-los?" , perguntou Lutero. Então John Eck disse-lhe: "Se seus primeiros livros foram ruins, os últimos são piores ainda. Você precisa renunciar agora a sua heresia. Você é a mesma coisa que Wycliffe e Huss; agora, será que você, sem muitas desculpas, nega os seus livros e os retira? É o momento de sua última chance de renunciar aos seus erros. Negue estes livros!". Lutero se dirige ao Imperador e a todos aqueles líderes que estavam ali e responde: "Não vou usar de mais argumentos e a menos que seja convencido pela Bíblia, não aceito a autoridade papal, nem os concílios de tradição católicos. Todos eles se contradizem. Minha consciência está cativa à Palavra de Deus. Tudo que posso fazer é não negar os meus livros, pois não posso ir de encontro a minha consciência. Ajuda-me Senhor Deus! Amém."

Houve um tremendo silêncio naquele lugar. Lutero havia ido de encontro a mil anos de tradição da igreja, contra os papas e desafiava até o Imperador. Eles o deixaram livre. Os italianos que ali estavam começaram a ranger os dentes pois o odiavam, mas à medida que saía daquele lugar, os alemães batiam palmas para ele. Antes que Lutero saísse, aqueles líderes exigiram que ele fizesse sua defesa em latim e ele o fez repetindo cada palavra em latim. Dessa forma havia uma dupla ênfase sobre a verdade defendida. Certo autor tem dito que essa, talvez, tenha sido a hora mais brilhante na história da raça humana. Talvez seja um exagero, mas fica próximo da verdade. Foi realmente um evento memorável.

Quando Lutero ia chegando àquela cidade de Worms, ele disse: "Mesmo que todas as telhas dos telhados da cidade fossem demônios, ainda assim, eu iria àquela cidade".

Porém, nós precisamos fazer aplicação destas verdades para nós mesmos. Vejo três áreas de aplicação aqui:

A Bíblia e o desafio de Roma.

A Bíblia e o desafio das novas revelações.

A Bíblia e o desafio do modernismo.

·  Primeiro vemos que a igreja católica continua em nosso meio e tem na América Latina seu grande campo de evangelização. Mas nós temos a Palavra de Deus como nossa arma poderosa, nossa espada de dois gumes que é apta para fazer em pedaços todas as tradições humanas. Nós precisamos fazer como os reformadores, que tinham ousadia e coragem. É possível que o Brasil possa ser libertado de toda espécie de tradições católicas. Vamos ver algumas tradições católicas que foram adicionadas e se acumularam ao longo dos séculos, mas continuam presentes ainda hoje, isso porque a igreja católica não nega nenhuma delas.

Ano 300 - Orações pelos mortos; ano 375 - Veneração de imagens; ano 593 - Doutrina do Purgatório; ano 600 - Reza à Maria, aos santos que já morreram e aos anjos; ano 1050 - Sacrifício da missa; ano 1079 - Doutrina maligna do celibato obrigatório; ano 1190 - Venda de indulgências; ano 1215 - Doutrina da transsubstanciação; ano 1414 - O cálice da eucaristia foi tirado do povo e este não mais o tomava; ano 1546 - Adição de livros apócrifos (depois de 2000 anos, como podiam fazer qualquer adição às Escrituras?); ano 1870 - Infalibilidade papal; ano 1950 - Ascensão corporal de Maria.

A igreja católica jamais negou estas tradições. Mesmo assim mudou alguma coisa. Em 1964 houve uma mudança dramática, pois agora ela é pluralista. As pessoas podem ser salvas através de várias religiões diferentes. Isso trouxe um pânico dentro da igreja católica, pois até então ela achava que você só poderia ser salvo se fizesse parte dela, os demais estariam perdidos. Mas, o que a Bíblia ensina sobre isso? Somente aquilo que estão em Cristo podem ser salvos, não há salvação em nenhum outro nome, senão o de Cristo Jesus. Nunca a Bíblia limita a Sua Igreja à uma denominação, nem tão pouco indica outro caminho para o homem ser salvo senão Cristo. Esta mudança na igreja católica vem provar que ela não é infalível e transforma esta idéia de infalibilidade em uma completa loucura.

Segundo, temos que considerar a Bíblia e o desafio das novas revelações. Depois de ser julgado pelo imperador, Lutero voltou para casa. Porém, para protegê-lo de ser morto na sua viagem de volta, houve um "seqüestro amigável" quando o levaram para um lugar secreto onde foi guardado em segurança - o Castelo de Wartburg. Assim não o matariam. Neste lugar Lutero faz a tradução da Bíblia para o alemão.

Havia muita encrenca em Wittenberg, pois alguns "profetas carismáticos" haviam chegado e estavam gerando confusão entre os líderes e o povo da cidade. Havia três líderes este movimento e por isso Lutero teve de voltar. Eles diziam Ter revelações especiais de Deus, uma espécie de "linha telefônica direta" com deus. Esta tem sido hoje a forma de muitos reivindicarem autoridade para si: "Deus me falou e eu posso transmitir para você o que Ele está dizendo porque é só pegar o telefone".

Estes homens geraram muita divisão e introduziram doutrinas fanáticas entre o povo. Lutero teve de voltar e pregar a Palavra de Deus dizendo do fanatismo destes homens e afirmar que a reforma tinha de se estabelecer, se estabilizar. Nós temos os mesmos problemas hoje! E a forma que se tem achado para se obter crédito é dizer: "O senhor me disse". É o caso de um jovem crente apaixonado por uma descrente. Então ele diz: "Deus me disse que eu posso casar com ela." Ora, isso é o oposto do que a Bíblia diz. Dessa forma você pode ir fazendo acréscimos como quiser.

Mas nós cremos que a palavra de Deus é completa e o final da época apostólica é o final da revelação. As pessoas nos desafiam a provar isso através da Bíblia e eu vejo duas passagens no V.T. que dizem que as revelações cessaram: Daniel 9:24 e Zacarias 13: 1-5. É algo dado no contexto messiânico e a verdade é dita que com a vinda do messias isso trará ao final a revelação. O Pai disse amém a tudo o que o Filho Jesus fez. Nós não precisamos de nenhuma revelação extra. Estas revelações têm o propósito de nos desviar da Palavra de deus e onde se começa a dar ouvidos a estas revelações extra-bíblicas, o interesse pela palavra diminui. Hoje em dia muitos cristãos se firmam na base de sensações. Soube até de batistas na Argentina que organizaram uma conferência onde o tema era "BÍBLIA OU EXPERIÊNCIA? " e chegaram a conclusão que a experiência está em primeiro lugar e a Bíblia em segundo. Ë uma tremenda falta de bom senso pois toda experiência deve estar abaixo da Bíblia, sob o crivo da Palavra. Nós não estamos negando o lugar da experiência, mas ela precisa ser testada pela Palavra. A verdade é que quando as sensações chegam, as pessoas são logo atraídas por elas. Nesse caso, seu amor não é pela Palavra mas a mente fica cativa às sensações.

Isso enfraquece tremendamente a Igreja e arruina a vida familiar também. A Bíblia nos ensina como devemos viver em amor e paz uns com os outros. Os maridos devem lembrar todos os dias a amarem suas esposas, mas eles não poderão fazer isso se estiverem só correndo atrás de novas sensações. Lutero experimentou a mesma coisa que temos hoje em dia, mas ele usou a Bíblia para derrubar a tradição católica e também os falsos carismáticos e restaurar a ordem à cidade de Wittenberg.

Chegamos a terceira aplicação. A Bíblia e o desafio do modernismo e da incredulidade. A Igreja tem sofrido muito nos últimos cem anos por causa da reivindicação da ciência. A tendência moderna é negar o sobrenatural, tudo é racionalista na mente humana, mas a Bíblia é um registro dos atos sobrenaturais de Deus. O remover do povo de Israel do Egito foi um ato sobrenatural; a inscrição dos dez mandamentos naquelas tábuas de pedra foi um ato sobrenatural; a encarnação do senhor Jesus Cristo foi um ato sobrenatural; Suas obras poderosas e sua ressurreição foram atos sobrenaturais. É o poder todo poderoso do nosso Deus. Temos de reconhecer que Deus criou tudo pelo poder da Sua Palavra. Mas agora nós temos o ensino da teoria da evolução e muitos crentes fraquejam neste ponto pela pressão da sociedade que exige a evolução como metodologia. Agora está sendo reconhecida como não ciência, sendo apenas uma teoria e os cientistas estão tendo de corrigir algumas coisas que eles já disseram. Mas Deus não tem nada a corrigir. O que Ele disse é a verdade e por isso temos de ficar com a autoridade das Escrituras. Se os cientistas dizem que a Bíblia está errada, nós mandamos eles de volta para seus laboratórios, pois precisam pesquisar mais e muitas vezes chegam a mudar de idéia e no tempo certo acertam o que erraram antes.

Aqueles cientistas que hoje já rejeitam a evolução, que não crêem em Deus, fazem a sugestão de que certos pingos vieram do céu, fórmulas de DNA que vieram através do céu e misteriosamente caíram na terra. Isto é conto de fada. Vamos permanecer com a Palavra de Deus pois Ele é coerente, consistente. Não é apenas o Gênesis que nos fala da criação. O salmo 33 também nos fala e o próprio Jesus confirma a criação; o apóstolo Paulo em Romanos 5 fala sobre Adão, o primeiro homem. A Bíblia é completamente coerente com tudo isso, com todos estes assuntos. Nós não devemos permitir que a pressão nos assuste e com as Escrituras vamos ensinar a todas as nações e enchê-las das verdades bíblicas. Há promessas na Bíblia de que a terra será cheia da verdade; isso será na medida que tivermos confiança na Bíblia. Que confiança maravilhosa! Lutero tinha a Bíblia e com ela pôde empurrar e derrubar toda a força dos papas da igreja católica. Por isso tenhamos coragem também para evangelizar e sempre que nos depararmos com material antibíblico temos que usar a Palavra da Verdade, pois nela há poder.

Irmãos, vamos nos levantar com a Palavra de Deus e espalhar a Sua verdade por toda parte para GLÓRIA DE DEUS E DO SENHOR JESUS CRISTO. Amém!
 

Nota: Texto transcrito do jornal "Os Puritanos"(Ano II, Nº.4) que tomou por base palestra proferida na conferência da Editora FIEL em Águas de Lindóia no ano de 1993.

ESTUDO SOBRE A PALESTINA

PARTE I

1. NOME

O nome Palestina figura por quatro vezes na Bíblia: Êx. 15:13; Is. 14:29, 31 e Joel 3:4. Essa designação geográfica é de origem bastante tardia. Deriva-se dos filisteus, um povo não-semita, proveniente da região do mar Egeu, que veio a estabelecer-se em grande número ao longo das planícies costeirasdo Mediterrâneo oriental, durante o reinado de Ramsés III, do Egito (cerca de 1.191 a.C.). Essa região mais tarde veio a ser conhecida pelo nome de Filístia pelo que esses dois termos, Palestina e Filístia, sem dúvida, são cognato.

No latim, a região chamava-se Palestina. Porém, foi somente já no século II d.C., que o nome da Palestina tornou-se a designação oficial da área; mas até mesmo então também indicava a planície a sudoeste da Fenícia. E daí, passou finalmente a designar a totalidade da região que hoje se conhece como Palestina. O nome mais antigo dessa região era terra de Canaã. Esse último nome parece derivar-se do vocábulo hurriano que significa “ pertencente à terra da púrpura vermelha ”. Esse termo, continuou sendo usado até o século XIV a.C., sem dúvida com referência aos cananeus ou fenícios, que comerciavam com corantes púrpura-avermelhado, fabricados a partir das conchas do Murex, das costas do Mediterrâneo. Tanto as cartas de Tell el Amarna quanto os egípcios chamavam por esse nome toda e região a oeste da Síria. 

Um outro nome eminentemente bíblico é Terra Santa. Talvez seja esse seu apelativo mais comum, hoje em dia. Nos tempos helenísticos, Judéia era usado para indicar a área inteira, visto que para ali voltaram os judeus (mormente da tribo de Judá), após o cativeiro babilônico, ao passo que outros hebreus, em virtude do anterior cativeiro assírio, há muito havia sido espalhados entre as nações pagãs, perdendo para sempre a sua identidade. Na verdade, as reivindicações de judeus modernos de que procedem de outras tribos, que não as de Judá, Benjamim e Levi, não podem ser comprovadas. Um outro nome para essa região é Terra de Israel, oumais simplesmente ainda Israel.

Costuma-se falar sobre a Terra Prometida, que se tornou símbolo de todas as coisas e aspirações boas e celestes. O título Terra Santa foi muito comum durante a Idade Média.

2.GEOGRAFIA E TOPOGRAFIA

É motivo de admiração verificar quão pequeno é o território da Palestina, levando-se em conta o gigantesco impacto histórico e cultural que o mesmo tem exercido sobre a civilização. Em números redondos, a Palestina tem 150 Km. de norte a sul, e uns 70 Km. de largura, em média. Conforme é fácil de calcular, a Palestina é bem menor que o estado brasileiro de São Paulo. Seu comprimento, de norte a sul, tornou-se proverbial dentro da frase “ de Dã a Berseba ”, lugares esses que assinalavam seus extremos norte e sul, respectivamente. Foi durante os governos de Davi e Salomão que Israel atingiu suas maiores proporções territoriais. Então as suas fronteiras estendiam-se até às margens do Eufrates, e até às fronteiras com o Egito, embora isso incluísse povos tributários. Na época, a populaçãonão ultrapassaria a casa dos dois milhões de habitantes, incluindo somente os israelitas; e talvez chegasse aos três milhões, se fossem contados os povos tributários.

A Palestina é dividida em duas partes iguais, de norte a sul, por uma linha de colinas que, na verdade, consiste na continuação dos montes do Líbano, da Síria-Líbano. No seu extremo norte, essa cadeia montanhosa tem alguns poucos picos que se aproximam dos mil metros de altitude. Ao descer para o sul, já no distrito da Galiléia, essa serra é intercalada por várias planícies. Entre essas está a famosa planície de Esdrelom, ou Jezreel. Tambémhá colinas, mais baixas, mais ao sul, já dentro dos distritos da Judéia e da Iduméia. 

Em Jerusalém, a altitude é de cerca de 760m., pois a cidade encontra-se em um platô, no alto das colinas da região. Também há colinas na área de Samaria, embora mais baixas, com vales espaçosos. Da extremidadenorte das colinas da Samaria, segue um espigão na direção noroeste, está a planície costeira de Sarom, com seu ponto culminante no monte Carmelo, cujo sopé é banhado pelas águas do Mar Mediterrâneo. A parte oriental da Palestina consiste em um longo platô, que vai desde o monte Hermom, ao norte, até o monte Hor, em Edom, ao sul.

Quatro Áreas Distintas

1.Planície Marítima: Essa planície vai desde o rio Leontes, ao norte, a oito quilômetros ao norte, de Tiro, até o deserto para além de Gaza, ao sul. O monte Carmelo, entretanto, interrompe esse vale. Apartir do Carmelo, para o sul, até Jope, a região é conhecida como planície de Sarom; e então como Sefelá , desde Jope até o ribeiro de Gaza, na direçãosul. Mais ao sul ainda, fica a área conhecida como planície da Filístia.

2.Cadeia Central:Conforme foi dito acima, as montanhas do Líbano internam-se Palestina adentro; e nos distritos da Galiléia, da Samaria e da Judéia há extensões mais baixas dessa cadeia. A Alta Galiléia dispõe de certo número de colinas, algumas das quais entre 600 e 900 m. de altura, ou mesmo pouco mais, e outras chegando até os 1.200 m. de altitude.

A Baixa Galiléia forma um triângulo malfeito, limitado pelo mar da Galiléia e pelo rio Jordão, até Bete-Seã, a leste, e pela planície de Esdrelom, a sudeste. Colinas mais baixas são encontradas ali.

3.O Vale do Rio Jordão:Na verdade esse vale é uma profunda e longa garganta. Desde a altitude de 518m., no monte Hermom, vai descendo rapidamente na direção do mar Morto, que já fica a 375 m. abaixo do nível do mar. E o mar Morto, propriamente dito, é bastante profundo; seu fundo fica a 396m. abaixo de duas superfície, tornando esse o lugar mais baixo à face do planeta. Na verdade, tudo isso faz parte da falha geológica que percorre daí até o mar Vermelho e entra na parte oriental daÁfrica.

4.A Palestina Oriental:Temos aí um extenso platô, a maior parte do qual mantém-se a uma altitude de mais de 900m. Essa área incluía localidades como Basã, Gileade e Moabe. Está dividida por quatro rios: o Iarmuque, o Jaboque, o Arnom e o Zerede. Os dois primeiros são tributários do Jordão. Mas o Arnom e o Zerede deságuam diretamente no mar Morto. Ao sul do mar Morto, fica a Arabá, rica em cobre, que se espraia até Eziom-Geber, no extremo norte do mar Vermelho.

Elevações de Alguns Picos e Locais Notáveis:

- Monte Hermom, 3050 m.;

- Monte Catarina, no Sinai, 2460 m.;

- Jebel Mousa, no Sinai, 2145 m.;

- Jebel et-Tyh, no Sinai, 1312 m.;

- Jebel er-Ramah, 915 m.;

- Hebrom, 824 m.;

- Monte das Oliveiras, 774 m.;

- Safete, 762 m.;

- Monte Gerizim, 732 m.;

- Damasco, 667 m.;

- Tabor, 533 m.;

- Passo de Zefate, 438 m.;

- Deserto de et-Tyh, 427 m.;

- Nazaré, 250 m.;

- Planície de Esdrelom, 140 m.;

- Lago de Tiberíades, 26 m. abaixo do nível do mar;

- Arabá, em Cades, 28 m. abaixo do nível do mar;

- Mar Morto, 375 m. abaixo do nível do mar;

- O fundo do Mar Morto, 771 m. abaixo do nível do mar.

3.ESBOÇO DE INFORMES HISTÓRICOS

Por razões geográficas, a terra da Palestina servia como caminho obrigatório para os povos que passavam do ocidente para o sul; e as forças militares em expansão, naturalmente escolhiam essa rota. Assim sendo, grande parte de sua história é uma indeterminável crônica de invasões e conquistas. No entanto, foi em meio a essa situação sempre perigosa que o propósito divino levou a Palestina a desempenhar um papel tão crucial na história. Por muitas e muitas vezes, os habitantes da Palestina, além do fluxo de fronteiras causado por conflitos intensos, têm sido sujeitados às imposições de potências estrangeiras, algumas distantes dos estreitos limites da região. 

1.Antes da Idade de Bronze. 

Desde os tempos neolíticos, houve povoados representando um período cru e de baixa cultura. O décimo capítulo do livro de Gênesis informa-nos que Canaã descendia de Cão; e esse é o primeiro informe bíblico acerca da Palestina (ou terra de Canaã). Canaã era filho de Sidom, o que nos mostra que havia aí sangue fenício. 

2.Idade do Bronze Antiga. 

Esse período foi marcado por sucessivas invasões de povos semíticos, que ocuparam a região da Palestina. Em cerca de 1.900 a.C.

Abraão representaria uma migração semítica para essa área. Tutmés III, do Egito (cerca de 1.408 a.C.) veio a dominar esta área. Esse domínio foi interrompido pelas invasões dos nômades habiru da Mesopotâmia, como também pelos poderes dominantes sucessivos dos amorreus, vindos do Líbano, e dos hititas, daAnatólia. A XIX Dinastia egípcia, porém, reconquistou a Palestina. 

Os filisteusum dos povos do mar Egeu, tomaram conta das costas marítimas da Palestina. Os arameus estabeleceram-se na Palestina, vindos do deserto da Síria, que lhe fica ao norte. E o povo de Israel, ao libertar-se da servidão egípcia, fez uma grande excursão na Palestina, tornando-se então o povo predominante. Os estudiosos datam a conquista israelita entre 1500 a 1225 a.C., o mais tardar. 

3.O Período dos Juízes. 

Esse período tem sido datado entre 1400 até 1150 a.C., o mais tardar. Na época, os ganhos territoriais de Israel foram alternadamente desafiados e confirmados, enquanto os israelitas procuravam dominar os povos por eles conquistados, mas que se rebelavam. A fé dos hebreus consolidou-se em torno da adoração a Yahweh, embora com períodos de apostasia. Emergiu daí uma notável fé monoteísta, que estava destinada a exercer efeitos duradouros sobre a espiritualidade do mundo. 

4.Os Reis de Israel. 

O período dos juízes cedeu lugar aos reis, a começar por Saul. A monarquia adquiriu maior ímpeto com Davi e atingiu seu ponto culminante de glória com Salomão. A partir de então as datas podem ser fixadas com exatidão. A era áurea de Salomão fica entre 961 a 922 a.C. Nesse tempo, Israel atingiu o máximo de extensão territorial, e Salomão desfrutou de um período pacífico e próspero, que ele usou para impressionar os países em derredor. No entanto, após a sua morte, a unidade da viu-se quebrada, e o norte e o sul tornaram-se países distintos: Israel e Judá. Os artigos sobre Israel e Judá expõem detalhes completo sobre essa questão e sobre a história de ambas nações, até o final das mesmas. O tempo dos reis cobre as Idades do Ferro I, II e III. Depois disso, temos o período helenístico. 

5.O Cativeiro Assírio. 

A naçãodo norte, Israel (cuja capital era Samaria), chegou ao seu fim quando os assírios, sob as ordens de Sargão II, destruíram praticamente tudo ali, levando os sobreviventes para a Assíria. Isso ocorreu em cercade 721 a.C. Esse foi o fim da história do reino do norte, Israel. A moderna nação de Israel compõe-se, essencialmente de Judá, embora com os vetígios de todas as outras tribos. Senaqueribe, sucessor de Sargão, assaltou e reduziu Judá; mas aos babilônioscoube terminar a tarefa. 

6.O Cativeiro Babilônico. 

Nabucodonosor, rei da Babilônia, destruiu tudo quanto pôde em Judá, e deportou os sobreviventes para a Babilônia. Isso teve lugar em cerca de 587 a.C. 

7.O Retorno de Judá e Jerusalém. 

Um pequeno remanescente voltou a Jerusalém, começando cerca de cinqüenta anos depois da deportação para a Babilônia. Isso sucedeu quando a Pérsia controlava a região, pois os babilônios tinham sido derrotados definitivamente pelos persas. Ciro, o Grande, conquistara e anexara ao seu império tanto a Babilônia quanto a Palestina, ao seu já gigantesco império, em cerca de 539 a.C. Nos dias de Esdras e Neemias, a cidade de Jerusalém foi reconstruída e aadoração a Yahweh foi renovada. Um novo templo veio à existência, e o judaísmo conseguiu reequilibrar-se, após ter sido quase extinto. 

8.Alexandre, o Grande, e os Monarcas Selêucidas. 

Alexandre conquistou grande parte do mundo então conhecido e deixou que seus generais governassem as terras do império macedônico, após a sua morte. Foi ele quem expulsou os persas da Palestina, a qual, depois, passou a ser governada pelos ptolomeus, do Egito até198 a.C., e então pelos selêucida, da Mesopotâmia e do sul da Anatólia. 

9.A Revolta dos Macabeus. 

Em 168 a.C., Judas Macabeu e seus irmãos revoltaram-se contra o poder dos selêucidas. Antíoco IV Epifânio havia tentado helenizar o judaísmo, e isso criou mais agitação do que alguém seria capaz de controlar. A liberdade religiosa dos judeus foi obtida, após muito derramamento de sangue, em 164 a.C. Mas essa independência foi mantida apenas pelo espaço de setenta e nove anos. 

10.A Era Romana. 

As coisas desintegraram-se perigosamente sob os governantes macabeus, na Judéia. É que os macabeus haviam perdido a visão dos propósitos originais da revolução. E os romanos intervieram para impor a sua ordem. Pompeu ocupou a Palestina, em 63 a.C., e esta tornou-se um protetorado romano. 

11.Herodes, o Grande. 

Ele era um rei vassalo nativo, responsável diante do senado romano pela sua administração. Foi em sua época que nasceu o Senhor Jesus. E foi por causa de suas ameaças que a santa família precisou descer do Egito. Ele reinou sobre a Judéia de 37 a.C. a 4 d.C. 

12.Os Procuradores Romanos. 

Dificuldades administrativas logo tornaram necessário Roma governar a Palestina, mediante governadores ou procuradores. Isso significa que, doravante, Roma estaria governando a região diretamente. Os judeus, entretanto, ressentiam-se diante de qualquer forma de governo estrangeiro, sobretudo diante de um governo direto. E a revolta, que ocultava nos corações de todos os judeus, acabou vindo à tona. Os zelotes, desempenhavam um papel liderante nisso. 

13.A Destruição do Ano 70 d.C. 

Finalmente, foi mister que os romanos fizessem intervenção militar, a fim de controlar a rebelião. Sob as ordens de Tito ( que mais tarde veio a tornar-se imperador de Roma ), os exércitos romanos invadiram Jerusalém, executarama milhares de judeus e arrasaram até o nível do chão o magnificente templo de Herodes. 

14.Destruição e Deportação. 

Os rebeldes judeus conseguiram recuperar-se, e a rebelião ferveu de novo. Dessa vez, o imperador reinante, Adriano, precisou pôr fim definitivo à questão. Isso ocorreu em 132 d.C. Então ele começou a esvaziar a Palestina de judeus, dando início à Grande Dispersão, que se estendeu de 135 a 1920 d.C., quase dezoito séculos !!! A Jerusalém foi um nome pagão, Aelia Capitolina, e tornou-se uma colônia romana. Aos judeus foi proibido de se aproximarem da cidade da cidade, exceto em suas peregrinações. Os centros judaicos de erudição e cultura foram transferidos para lugares como a Galiléia, a Babilônia, a colônia norte-africana de Cairuan e a Península Ibérica.

15.Influência Bizantina-Cristã. 

Quando o império romano metamorfoseou-se no império bizantino, e depois que Constantinopla tornou-se a sua nova capital (cristã), em 330 d.C., automaticamente a Palestina transformou-se em uma importante província cristã-bizantina, uma espécie de posto avançado da Igreja Católica oriental. Os patriarcas cristãos que então dominavam o cristianismo organizado eram Roma, Alexandria, Constantinopla, Antioquia e Jerusalém. Somente Roma ficava na parte ocidental do império; os outros quatro centros ficavam na porção desse império. 

16.Assaltos Persas. 

Em 614 d.C., Jerusalém foi saqueada pelos persas, e quase todos os habitantes dacidade foram deportados. Mas o imperador Heráclio encabeçou uma cruzada contra os persas e restaurou na Palestina o domínio cristão, em 628 d.C. 

17.Assaltos Islâmicos. 

A Palestina não conseguia descansar da guerra, e as invasões árabes se processaramdurante um longo período. O califa Omar I, conseguiu tomar Jerusalém, em 638 d.C., e a Palestina e a Síria viram-se separadas por longos séculosdo governo do império romano-bizantino. Foi edificada primeiramente a mesquita de el-Aksa, em Jerusalém; e então, no século VII, no local onde estivera o famoso templo de Jerusalém, foi construída a mesquita de Omar. Desde então, Jerusalém tem sido uma cidade sagrada para os judeus, para os cristãos e para os árabes. 

18.O Domínio Muçulmano.

Esse domínio, foi representado por diversas dinastias, entre os séculos VII e XVI de nossa era. Várias cruzadas cristãs foram efetuadas entre os séculos XI e XIII d.C., na tentativa de recapturar Jerusalém. E o poder trocou de mãos por várias vezes, entre cristãos e islamitas.

19.Os TurcosOtomanos.

Pelos fins do século XVI, os turcos otomanos haviam conquistado todas as terras possuídas pelos árabes, no Oriente Próximo e Médio, incluindo a Palestina, que passaram a fazer parte do enorme império otomano.

Naturalmente, os turcos otomanos acabaram convertendo-se ao islamismo, o que significa que surgiu um novo estado islâmico composto por outra etnia. E quando os turcos otomanos capturaram o Egito, em 1517, eles também obtiveram o controle sobre Jerusalém, bem como sobre as cidades santas islâmicas de Meca e Medina. Durante quatro séculos, a Palestina permaneceusendo uma província de importância apenas relativa do império otomano. Napoleão tentou alterar essa situação em 1799, mas não obteve êxito.

20.Dos Fins do Século XIX à Primeira Grande Guerra.

Um movimento nacionalista árabe começou a tomar forma nas províncias árabes do império otomano, com extensões pela Síria-Líbano. Uma força opositora foi o Movimento Sionista Mundial, encabeçado por judeus, cuja finalidade era pôr novamente Israel na Palestina.

21.Durante a Primeira Grande Guerra.

Árabes e judeus colaboraram com os aliados, com o propósito de liberar a Palestina dos turcos. Em uma das pouquíssimas vezes que assim aconteceu na história, árabes e judeus estiveram combatendo lado a lado. Terminada a guerra, as forças aliadas, Inglaterra e França, foram as potências encarregadas de decidir o que fazer com a Palestina e as áreas adjacentes. Muitas promessas conflitantes foram feitas. Na porção costeira na Síria, a França sentiu-se na liberdade de estabelecer um centro administrativo que, finalmente,haveria de determinar seu estado. A Grã-Bretanha cabia exercer autoridade similar em outras áreas. Em novembro de 1917, um mês antes de Jerusalém capitular diante do Gen. Edmund Allenby, foi publicada a Declaração de Balfour, em Londres. Essa declaração prometia, da parte dos ingleses,( prometia um lar nacional para o povo judeu)na Palestina. Essa declaração incluía uma vaga previsão de que os direitos de outros povos interessados seriam salvaguardados. A vitória sobre o turcos foi alcançada no outono de 1917, e foi assinado um armistício, a 30 de outubro de 1918. Houve ainda mais combates, mas, finalmente, o mês de setembro de 1918 viu o fim do poder turco sobre a Palestina, ficando os ingleses encarregados de pôr o lugar em ordem. A parte estranha em tudo isso foi que os exércitos árabes mostraram ser aliados denodadose eficazes dos britânicos, nessas campanhas militares. Naturalmente, eles pensavamque a Palestina ficaria nas mãos deles. Os ingleses passaram a exercer o controle sobre a Palestina mediante um mandato da Liga das Nações. E os conflitos árabes-judeuscomeçaram terminada a Primeira Grande Guerra. A divisãodas terras palestinas entre árabes e judeus não deixouninguém feliz, provocando a contenda.

22. Imigrações Judaicas.

Os judeus começaram a retornar a sua terra, em cumprimento de antigas profecias bíblicas. Em 1935, mais de sessenta mil judeus voltaram à Terra Prometida. E os árabes começaram a agitar-se, pois viam o que estava acontecendo. Os judeus continuavam chegando de várias partes do mundo. Entre 1939 a1944, cem mil judeus chegaram à Palestina.

23.Segunda Guerra Mundial.

Foi durante esse período que o povo de Israel sofreu uma prova mais cruciante, desde os dias do cativeiro babilônico, especialmente na Europa, devido às perseguições nazistas, que ceifaram cerca de seis milhões de judeus, na mais séria tentativa moderna de extermínio de uma raça. Terminada a Segunda Guerra Mundial, porém, passado o pesadelo, grande massas de judeus retornaram à Palestina. Os conflitos continuaram, entretanto, em torno da problemática questão de como dividir as terras entre judeus e árabes palestinos. A influência norte-americana tem sido crítica; mas a questão parece estar longe de ser solucionada. 

24.Estados Árabe e Judeu Independentes.

O mandato britânico chegou ao fim , e, a 14 de maio de 1948, as Nações Unidas aceitaram a declaração de independência do estado de Israel. Um grande acontecimento havia tido lugar, mais do que muitos políticos seculares ousaram perceber. Mas estou certo de que o presidente norte-americano, Harry Truman, um bom evangélico batista, sabia exatamente o que estava sucedendo. Israel era novamente, uma nação oficial, independente, e no seu próprio território da Palestina!!

A dispersão iniciada em 135 d.C., havia sido revertida. Os estudiososda Bíblia, ao redor do mundo, saltaram de alegria e admiração.Durante algum tempo, a Igreja cristã foi varrida em todas as direções por um zelo profético. Os clamores dos céticos, que diziam que os judeus haviam produzido em auto cumprimento das profecias,soavam ridículos. Os judeus praticamente não haviam exercido controle sobre os poderes em entrechoque, que tornaram tudo aquilo possível exceto que eles se agitavam por detrás dos bastidores. E foi o exército britânico quem armou o palco para essa vitória!

Entretanto, as atividades terroristas dos árabes palestinos nunca cessaram. Forças das Nações Unidas foram enviadas ao local dos conflitos, tentando controlar a situação, mas parece que coisa alguma se tem mostrado eficaz.

25.Guerra dos Seis Dias.

Tal como nos dias da antiguidade, várias nações circunvizinhas aliaram-se contra Israel. Mas, a 5 de junho de 1967, Israel atacou seus adversários; e em apenas seis dias foi capaz de esmagar as forças combinadas do Egito, da Jordânia e da Síria. Isso deu a Israel a oportunidade de tomar conta da parte antiga de Jerusalém, com a área do templo, juntamente com outros territórios, aumentando substancialmente os territórios ocupados por Israel na Palestina. Aqueles dias são inesquecíveispara este co-autor e tradutor, pois poucas semanas antes recebera um poderoso derramamentodo Espírito Santo, depois de ter passado um ano e meio vendendo literatura evangélica entre judeus da cidade do Riol de Janeiro, Brasil!

26.Uma Previsão Profética.

Finalmente, Israel haverá de triunfar em sua luta. Porém, dias negríssimos estão à sua espera. A Terceira Guerra Mundial verá a Rússia e seus satélites invadirem Israel, somente para serem derrotados pelas forças aliadas do Ocidente. Quando a sobrevivência de Israel estiver muito ameaçada, Jesus será visto em forma corpórea entre as forças de Israel, e a maré virará ao contrário. A intervenção divina terá lugar, e Israel proclamar-se-á uma nação cristã. Uma outra guerra mundial (a quarta), terá de ferir-se. A China será o poder opositor, e os Estados Unidos da América e a União Soviética novamente se aliarão. Nessa quarta guerra o mundo será reduzido a cinzas, e então a Fênix-Israel levantará a cabeça entre as nações. Seguir-se á o milênio.Então, Jerusalém tornar-se-á a capital religiosa e política do mundo, e um novo cristianismo produzirá.