COMO
CRISTO ME SALVOU,
Valdenira Nunes de
Menezes Silva, 2000
Rua Buarque, 198,
João Pessoa, PB, 58045-160. http://solascriptura-tt.org
Caro
amigo:
Fui
criada numa família espírita e, com toda a sinceridade que uma criança pode
ter, eu cria que estava seguindo a “religião certa”, pois minha avó, que
era uma pessoa muito boa e era uma médium de renome, “não podia mentir”.
Eu, minha mãe e meus seis irmãos íamos às sessões espíritas onde minha avó
recebia espíritos de parentes e amigos que já haviam falecido. Todos tinham a
oportunidade de conversar com seus “guias”, menos eu. Eu ficava triste,
pensando que Deus não gostava de mim. Procurava, então, fazer boas obras.
Muitas vezes, saía pelas ruas com uma sacola pedindo auxílio para as velhinhas
do Centro Espírita da minha cidade, mas... nada!!! Meu guia nunca vinha! (Hoje,
sei que Deus estava me guardando e dou graças a Ele! Sei também que minha avó
não estava mentindo quando recebia espíritos, porém eles não eram de
familiares mas sim de demônios).
Apesar
de eu ser espírita, estudei alguns anos em um colégio de freiras e assim
absorvi o catecismo católico, aumentando a minha cegueira com uma salada de
mais erros e vãs tradições contrárias à Bíblia. (Hoje, vejo que o inimigo
de nossas almas usou aquele lugar para tentar me fazer ignorar a verdadeira
Palavra de Deus que é a única que nos mostra o verdadeiro caminho da salvação
e nos livra do fogo eterno do inferno.) Mas, eu ainda era espírita!
Eu
sempre procurava fugir quando o Espírito de Deus procurava me alcançar.
Lembro-me de quando alguém (provavelmente alguma pessoa da minha família
materna, totalmente composta de evangélicos, com exceção de minha avó, seus
filhos e netos) me deu de presente um livro mostrando os erros do espiritismo.
Na verdade, eu não o li pois temia que me fosse provado que o espiritismo não
era a verdadeira religião e... eu não queria que isto acontecesse, pois minha
avó “não podia mentir”! (Hoje, a única explicação que vejo para eu agir
daquele modo – não lendo o livro, pois o normal é querermos descobrir a
verdade – era a influência maligna que vivia ao meu redor.)
Em 1965,
casei-me, numa igreja católica, com um rapaz que estava terminando Engenharia
Civil, muito inteligente, calmo, bom filho e além de tudo... bonito. Eu era espírita
e ele um católico não praticante. Vivíamos amando as coisas do mundo, sem nem
nos lembrarmos que Deus existia. Mas mesmo assim, sabemos hoje, Deus nos amava,
apesar de sermos pecadores perdidos e amantes do mundo. O Espírito Santo
procurava falar alto aos nossos corações mas nós procurávamos não ouvi-Lo.
Sabemos que Deus nos falava com muito amor porque isto é próprio da Sua
natureza. Mas, como eu era rebelde, procurava não ouvir o Seu chamado amoroso.
(Hoje, sei que Deus nos chamou através da dor por causa da nossa desobediência
e por muito nos amar.)
Tínhamos
3 filhos quando eu, já com problemas de saúde, engravidei do meu 4o
filho. Durante todos os 9 meses, sentia muitas dores pois estava com uma alta
infecção renal e não podia tomar antibióticos para combatê-la, porque isto
iria prejudicar o bebê. Havia mesmo risco de vida para mim e para a criança,
mas Deus estava controlando tudo. Consegui chegar aos 9 meses e tive, num parto
normal, meu filhinho que nasceu grande e pesando quase 5k! Era um bebê lindo.
Mas, depois de 24 horas, Deus decidiu levá-lo para o céu, deixando-nos a
chorar, pois já desde o ventre o amávamos. (Hoje, sei que foi a partir daí
que Deus começou a trabalhar em meu coração de pedra.)
Além
deste fato que muito marcou as vidas minha e de meu esposo, muitos problemas que
iam surgindo nos faziam lembrar mais de Deus. Finalmente, decidimos procurar uma
religião para educar nossos filhos no caminho do Senhor. Mas qual religião? Eu
torcia para que fosse a minha – Espiritismo. Mas Deus estava em controle de
tudo e colocou no meu coração e no do meu esposo que deveríamos ficar naquela
que estivesse mais de acordo com a Bíblia. Concordei, mas continuava torcendo
pela minha! Começamos a nossa caminhada em busca da verdade. Primeiramente,
fomos ao Centro Espírita do qual minha avó fazia parte. Deus já estava agindo
em meu coração, pois saí de lá desiludida com as palavras do dirigente ao
desprezar a Bíblia e achar que os “seus espíritos” eram mais importantes
que Deus e Sua Palavra! Ele não soube justificar alguns versículos que meu
esposo lhe mostrou, eles provavam quanto Deus condena extremamente a invocação
de espíritos e todas as mais variadas formas de espiritismo. Para ser sincera,
confesso que saí de lá não apenas desiludida mas “arrasada”. (Hoje, dou
graças a Deus por aquele sofrimento que, comparado ao sofrimento eterno no
inferno, não é nada.) Depois que Deus nos tirou a cegueira e fez cair a máscara
desta 1a “religião”, fomos para a 2a, que vive sob as
ordens papais – o catolicismo. Meu esposo e eu – ele principalmente –
passamos a semana pesquisando versículos que nos deixavam perplexos, pois nos
pareciam mostrar que a igreja católica também estava contra a Palavra de Deus
– imagens de escultura, procissões, cultos a santos e à virgem Maria (“mãe
de Deus”), e um sem número de tradições que não nos convenciam. O
“padre”, assim como o chefe espírita, não nos deu respostas bíblicas,
que eram as únicas que poderiam nos satisfazer. Mais uma “religião”
desmascarada!
Finalmente,
Deus colocou no nosso caminho um casal crente (Charles e Elsie) que aceitou nos
recebeu carinhosamente na casa deles, todos os sábados à tarde, por 6 meses,
para tentarmos derrubar a eles ou à própria Bíblia. Mas, a tudo que perguntávamos,
Charles respondia: “Por favor, leia aqui o que Deus diz, na Sua Palavra!” O
Senhor nos venceu não pelo cansaço mas pela Sua Palavra que “é viva e
eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à
divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para
discernir os pensamentos e intenções do coração.” (Heb 4:12). E foi
ali mesmo, em 20 de julho de 1974, na casa daquele casal que tanto aprendemos a
amar, que Deus quebrou nosso coração de pedra e tocou no mais profundo de
nossa alma, abrindo nossos olhos e nos mostrando que éramos pecadores miseráveis
merecedores do castigo eterno no inferno, mas que Ele nos dar e asseguraria a
vida eterna ao aceitarmos o sacrifício de Jesus na cruz, morrendo em nosso
lugar. Foi então que entendemos o grande milagre do amor de Deus e aceitamos
Jesus como nosso Senhor e Salvador. Hoje, agradeço a Deus pela nossa salvação
e pela salvação de cada filho que Ele nos deu. Agradeço também a Jesus pelo
Seu amor e pela certeza que temos de um dia encontrá-Lo na glória como também
a nossos filhos Airton que foi primeiro para junto dEle ainda bebê, e Mauro,
nosso filho amado que partiu há 3 anos e hoje está junto ao Senhor.
Meu versículo
preferido é Hebreus 9:27 “E, como aos homens está ordenado morrerem
uma vez, vindo depois disso o juízo,...”. Este foi o versículo que
me afastou para sempre do espiritismo, pois me mostrou que não existe reencarnação.
Bem,
amigo, agradeço pela sua simpatia em ler a história do Deus maravilhoso
salvando mais um pecador. Agora, faço-lhe uma pergunta: Você quer crer e
receber Jesus como seu Salvador pessoal? Isso você pode fazer agora, aí onde
você está e como está. Abra o seu coração para Jesus e deixe-O entrar. Ele
morreu na cruz e ressuscitou dentre os mortos para lhe dar a salvação plena e
eterna, e o perdão de todos os seus pecados. Não olhe para os seus pecados,
nem para suas fraquezas. Creia somente em Jesus que é o único caminho para o céu.
(“Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê
naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas
passou da morte para a vida.” João 5:24).
Se Deus
usou este pequeno escrito e você recebeu o “pacote completo e definitivo”
da salvação (arrependendo-se, crendo, confiando, aceitando, recebendo,
dedicando a vida a Cristo, o Deus-Filho da Bíblia, como seu Salvador pessoal e
seu Senhor), entre em contato comigo, para que eu regozije também e talvez
possa lhe ajudar a tirar algumas dúvidas, etc.
Vodu
O termo tem origem
daomeana e tanto se refere às divindades boas quanto às más.O vodu é uma
religião muito popular praticada no Haiti. À semelhança do que aconteceu com
os escravos no Brasil e com a religião que veio com eles da África, os negros
que aportaram no Caribe também se viram obrigados a realizar um sincretismo
religioso entre suas divindades e as divindades cristãs aceitas na região.Foi
assim que, Olorum, a entidade máxima, o próprio criador dos deuses e dos
homens do vodu haitiano, foi rebatizado como o Bon Dieu.Obatalá, que para os
umbandistas e adeptos do candomblé é Oxalá, recebeu o nome de Virgem das Mercês.
Existem dois tipos de
ritos no vodu, sendo que um, o rada-canzo é baseado em parte no catolicismo e
em parte na magia branca, e tem como sacerdote o houngan.No outro rito, o petro,
ou magia negra , seu sacerdote é denominado bocorte é aceitável e comum a
realização de trabalhos com fins maléficos.Esse último rito, encerra uma série
de atividades e práticas através das quais a religião vodu é mais conhecida
e afamada em todo o mundo.O deuses do rito petro possuem um caráter agressivo e
bem marcante, que faz com que sejam invocados tanto para o bem como para o
mal.Durante o ritual de magia negra são invocados espíritos da destruição e
é comum o sacrifício de animais, que morrem simbolicamente em nome de quem se
quer prejudicar.Existe também as famosas paket, que são bonecos feitos em
madeira ou cera, representando as pessoas que se quer fazer mal, ou até mesmo
em certos casos, eliminar.A esses bonecos, costuma-se atear fogo ou então
espetar alfinetes enferrujados em regiões do corpo consideradas vitais, como
por exemplo, na área relacionada ao coração.
O vodu possui uma imensa
galeria de deuses aos quais denomina-se genericamente de loas, porque qualquer
um que em vida tenha demonstrado em vida qualidades especiais pode ter sua alma
incorporada às divindades haitianas.
É um culto afro-brasileiro.Há muitos tipos de candomblés, que perpetuam
tradições diferentes,graças à influência das diversas nações africanas,
representadas no Brasil pelos negros que aqui aportaram à época da
escravatura. Dentre todos os Candomblés existentes, o de Angola, de Caboclo, do
Congo, de Quêto e de Ewe, é o do rito Nagô que atualmente se destaca e
predomina dentre todos os outros e é por esse motivo que foi o escolhido para
ser abordado aqui.
Das centenas de Orixás
existentes inicialmente na África Negra, somente alguns subsistem hoje no
candomblé brasileiro:Oxalá, Nanã, Iemanjá, Xangô, Ogun, Iansã, Oxum, Obá,
Oxóssi, Oxumarê, Omolu-Obaluaiê, Euá, Iroko, Logunedé, Ossâim, Ibêji, Ifá,
Baiani e Exu, aos quais é dedicada, em datas específicas uma festa especial. A
primeira etapa da cerimônia em homenagem a um Orixá consiste do sacrifício.No
sacrifício, mata-se um animal de duas ou quatro patas, que pode ser galinha,
pombo, cabra, bode, carneiro, porco, galo, tatu, cágado, variando também a
cor, branco ou preto, dependendo da preferência do deus que está sendo
homenageado na cerimônia. A matança é realizada por um sacerdote denominado
de achôgun ou achégun, que, na verdade precisa sacrificar dois animais, já
que durante o ritual serão realizadas duas oferendas uma dedicada a Exú, e
outra ao santo celebrado na ocasião.
O achôgun precisa seguir
com meticulosidade e precisão determinados rituais, porque sem eles,o sacrifício
e a oferenda, etapa seguinte da festa, perderiam por completo seu valor, não
sendo aceito pelos deuses.A seguir, o animal sacrificado, vai ser preparado pela
cozinheira, iyá-bassê ou abassá que também preparará as outras iguarias
preferidas para os demais orixás que participarão da festa.
Dessa forma, a moela, fígado,
coração, pés, asas, cabeça e o sangue do animal sacrificado são destinados
ao santo da festa e, para xangô, o amalá, para Oxun, o xinxin de galinha, e
assim por diante.Os fetiches, que são as pedras sagradas, consideradas como
residência temporária dos deuses, precisam também receber oferendas e
alimentos para que a força dinâmica e o poder dos orixás possa ser neles
fixada.A esse processo de firmação das energias dos deuses dá-se o nome de
assentamento e é justamente com esse intuito que são depositados juntos aos
objetos mágicos a parte que restou do animal sacrificado e que não foi
utilizada no preparo para a oferenda dos deuses.A terceira etapa, o padê de Exú,
é sempre realizada à noite e coincide com o momento em que a cerimônia se
torna pública, pois até essa etapa do ritual somente alguns integrantes da
seita são autorizados a assistir.No padê pede-se a Exú, considerado um
mensageiro, um intermediário entre os deuses e os homens, que vá levar aos
orixás o chamado dos homens.É por esse motivo, que essa fase da cerimônia
também recebe o nome de Despacho de Exú onde além dos cantos e danças, é
realizada a oferenda a de um animal de duas patas que já foi morto e preparado
anteriormente.
Feito isso, se inicia o
toque dos tambores, rum, rumpi, e ié, que, juntamente com os cânticos característicos
de cada entidade, também denominados pontos de chamada, invoca os Orixás para
que desçam ao terreiro e incorporem nos médiuns, que no candomblé e na
umbanda recebem o nome de “cavalo”.Os Orixás descem obedecendo uma ordem
fixa e pré determinada denominada de xirê.A cerimônia prossegue com todas as
entidades reunidas, dançando e, eventualmente dando conselhos até que se
iniciam os cânticos de unló,isto é, os pontos que solicitam que os Orixás
desçam de seus cavalos e voltem para o mundo astral.O chefe do terreiro
chama-se Babalorixá se for homem e Ialorixá se for mulher.
A confraria do candomblé
é formada também pelos filhos de santo e pelos ekedy ou ogan.Estes se referem
à moça ou o rapaz que formam o conjunto de pessoas que participam das cerimônias
como auxiliares dos filhos de santo e que, portanto, não podem cair em transe.Já
os filhos de santo, são na maioria das vezes mulheres, também são chamadas de
iaô e têm a função de incorporar as entidades.Para se tornar uma iaô, é
necessário se submeter a um longo e complexo ritual de iniciação que começa
com a tiragem dos búzios para saber a que santo pertence a pessoa, passando
pela manifestação do orixá, raspagem dos cabelos, banho com as ervas do
santo, corte no alto da cabeça (cura), banho de sangue animal e outros
procedimentos que duram em torno de três meses.
A Umbanda é uma religião resultante do sincretismo afro-católico-indígena
que foi fundada em Niterói, no Rio de Janeiro, em 1908 por Zélio
Fernandino de Moraes. Este, após curar-se de uma paralisia considerada
pelos médicos como irrecuperável, foi tomado por uma grande força espiritual,
resolvendo a partir de então instituir o culto. O Caboclo das Sete
Encruzilhadas, entidade que presidiu a primeira reunião, foi quem escolheu
o nome Allabanda, que modificado posteriormente para Aumbanda, que
em sânscrito significa “Deus ao nosso lado” ou “o lado de Deus”.
Foi somente tempos depois, provavelmente por um erro de grafia, que o nome
passou a Umbanda. Para esta religião, como em muitas outras, existe uma Santíssima
Trindade, constituída por Tupã, o Criador, Oxalá, o filho de
Deus e Iemanjá, a deusa do amor.Essas três entidades superiores são,
respectivamente, derivadas do sincretismo indígena, católico e africano.
A Umbanda trabalha com sete
linhas que são faixas de vibração espiritual a qual é representada e
chefiada por um orixá. Cada linha é subdividida em Falanges, que por
sua vez se subdivide em subfalanges, que se dividem em bandas.As
bandas se ramificam em sete legiões que se repartem em sete sublegiões
e estas, por fim se subdividem em sete povos. A primeira linha é
chefiada por Oxalá e também é denominada linha de Santo porque abrange
os santos da Igreja Católica em geral. A segunda é a linha de Iemanjá
que engloba as ondinas, caboclas do mar e outras entidades relacionadas à água.
A terceira, do Oriente ou de São João Batista, é formada por médicos,
sacerdotes, hindus, etc. A linha de Oxóssi é a composta de caboclos
e caboclas, ou seja índios, e é comandada por São Sebastião.
Na quinta linha, a de Xangô-Agodô, comandada por São Jerônimo,
trabalham Santa Bárbara, caboclos e pretos-velhos.A sexta linha
é a linha de Ogum ou São Jorge, que lidera caboclos, pretos-velhos e
soldados romanos.Por fim, a sétima linha é a linha Africana ou de São
Cipriano, onde trabalha todo o povo das Costa do Congo, de Angola e de
todo povo da África.
A Umbanda é uma religião
de culto material, baseada na mediunidade, na magia , com
seus rituais e liturgias próprias. Dentre estes destacam-se o ponto riscado
e o ponto cantado.O primeiro é a utilização de um desenho riscado com
giz denominado pemba pelos umbandistas, que dependendo da forma e da cor
serve para chamar determinada entidade ao mundo material. Já no segundo caso,
que é uma espécie de prece evocativa cantada, existem diversos tipos. Há os pontos
de louvor, utilizados apenas para homenagear determinada entidade ou abrir
os trabalhos, os pontos de descida, cantados para chamar os orixás para
que desçam para incorporar o médium, e os pontos de subida entoados
para a desincorporação. Os médiuns são também denominados “cavalos”
ou “aparelhos” e os cultos são realizados em Terreiros ou Centros
embora seja freqüente a realização de oferendas nas florestas, praias e
fontes de água.
A Umbanda obedece a
diversos rituais que além dos já citados incluem os banhos de ervas
consideradas sagradas, defumações com incensos, o uso de velas e de
bebidas alcoólicas e os famosos passes, onde o médium utiliza a
fumaça de seu charuto ou cachimbo e da imposição de suas mãos
nas costas, na frente no braços da pessoa, realizando movimentos de cima para
baixo, no intuito de neutralizar as más influências que porventura possa estar
sofrendo o indivíduo.
São divindades originárias da região de Yorubá, África
Ocidental, que atuam como intermediárias entre Olórun, o Deus Supremo dos
iorubá e os homens.Na África eram em número superior a 200, mas no candomblé
ficaram reduzidos a 16 e na Umbanda a cerca de 8.Dentre eles, destacam-se Oxalá,
Iemanjá, Nanã, Xangô, Iansã, Oxum, Ogum e Oxóssi. Oxalá é o deus da vida,
uma das divindades superiores que compõe a Santíssima Trindade como filho do
Criador, Olórum, o Deus supremo.Nesse sentido, é também denominado Obatalá.Rei
dos Orixás, preside a regeneração, a transformação e o aperfeiçoamento.Sincretizado
como o Sr do Bonfim, este Orixá é representado em duas formas:Oxalufan e
Oxaguian.Oxalufan é o Oxalá velho, bondoso, que o peso dos anos fez com que
suas costas se curvassem.Oxaguian é o Oxalá guerreiro,cheio de vitalidade, símbolo
da mocidade, às vezes sincretizado como Menino Jesus.Sua indumentária é saia
e blusa branca, coroa de rei, corações prateados pendurados na cintura.Sua
comida é ebô de milho branco e acaçá insossos, pois este Orixá não come
sal.Seu dia é a sexta-feira, seu dia de festa, 29 de junho e sua saudação Epa
Babá.
Iemanjá, cujo nome significa “mãe cujos filhos são peixes ” é a rainha
das águas.É conhecida também pelos nomes de Janaína, Sereia do Mar e
Princesa de Aiucá. Orixá de rios e correntes, é considerada também como
responsável pela gestação e procriação.É uma das três divindades da Santíssima
Trindade da Umbanda.Devido ao sincretismo, foi associada a N.S. da Conceição e
N.S. da Glória, entre outras, e o dia consagrado a ela é 8 de dezembro, se está
sincretizada com a primeira santa, ou 15 de agosto, se está associada à
segunda santa. Entretanto, na umbanda também é costume homenagear Iemanjá na
virada de ano, sobretudo nas cidades à beira mar como Rio de Janeiro e Santos e
Niterói.Sua saudação é Odôiá.É representada com saia azul e blusa branca
com coroa na cabeça.Sua comida preferida é o ebô de milho branco com mel,
arroz, angu, peixes brancos, etc.
Nanã é também conhecida pelo nome de Nanã Burukê.É a Orixá mais velha,
que, dentre as orixás femininas é a mais respeitada e a de maior conhecimento.É
relacionada à chuva, à lama, mantando também associações com a
morte.Saudada com a expressão Salubá, seu dia da semana é terça feira e seu
dia de festa é 26 de julho, pois sincretiza-se com Sant’Ana.É representada
com indumentária branco e azul escuro ou roxo e sua comida preferida é o anderé,
milho branco, inhame, arroz, etc.
Xangô é um dos filhos de Iemanjá e marido de Iansã, Obá e Oxum. Orixá
forte e poderoso, é viril e atrevido e, como é sincretizado como São Jerônimo,
amante da justiça.Governa o raio e o trovão e talvez seja por isso que a
indumentária que o representa seja feita nas cores vermelho e branco.Além
disso, leva na mão um machado de cobre denominado oxê.Seu dia de festa é o
dia de São Jerônimo, 30 de setembro, seu dia da semana é quarta-feira, e sua
comida favorita, caruru.É saudado pela expressão Kauô Kabiecile.
Iansã divindade feminina de temperamento dominador e apaixonado é considerada
guerreira por causa de sua grande coragem.Uma das esposas de Xangô é rainha
dos ventos, dos raios, dos trovões e do fogo. É o único orixá capaz de
enfrentar e dominar os eguns, ou seja, os espíritos e almas dos mortos que
voltam à Terra em determinadas circunstâncias.É representada vestida de saia
vermelha ou vermelha e branco com muitos acessórios e adereços vermelhos além
de espada de cobre, sua comida é o carajé, amalá, arroz, milho branco e feijão
fradinho.Seu dia da semana é quarta-feira, sua saudação Epahei!.Considera-se
o 4 de dezembro como o seu dia de festa de Iansã que foi sincretizada com Santa
Bárbara.
Oxum é Orixá feminina das águas doces, uma das esposas de Xangô.Exerce o
poder da fecundidade e é responsável pelo sucesso ou não dos
empreendimentos.As mulheres costumam invocá-la para resolver suas questões sob
o apelido de “Minha Mãe Feiticeira”.É vaidosa, ciumenta e gosta de ser
presenteada com perfumes e bijuterias.Sua festa depende do santo sob o qual é
sincretizada:N. S. Das Candeias, na Bahia o dia é no 2 de fevereiro e N. S
Conceição, no Rio de Janeiro é no dia 8 de dezembro.Suas vestes são da cor
amarelo e branca, com pano amarelo às costas, segurando nas mãos uma espada e
um abebé de latão.Seu dia é sábado, sua comida favorita o omolucum e sua
saudação Eri ierê ô.
Ogum é um Orixá masculino, que governa a guerra, as armas, as demandas e os
metais.Sincretizou-se com São Jorge no Rio, onde é festejado no dia 23 de
abril e com Santo Antônio na Bahia, sendo ali sua festa realizada em 13 de
junho.Veste calça e saia azul escuro, capacete e espada de metal, seu dia da
semana é quinta-feira.Adora feijões preto e fradinho, inhame e acarajé.É
recebido pela expressão Ogunhê.
Oxóssi é o orixá da caça que chefia a linha de caboclos e caboclas, entre
eles Urubatá, Araribóia, Caboclo das Sete Encruzilhadas, Cabocla Jurema,
etc.Ele é símbolo da vegetação, protetor das causas difíceis, guardião dos
alimentos e remédios.No Rio de Janeiro e Porto Alegre é sincretizado com S.
Sebastião e festejado por isso em 20 de janeiro;na Bahia é sincretizado com S.
Jorge, cujo dia de festa é 23 de abril.Seu dia da semana é quinta feira, sua
comida predileta o axoxó, feijão fradinho torrado, inhame e arroz.Sua roupa é
azul e verde no candomblé e na Umbanda verde.Usa ainda um capacete de metal
prateado, couraça prateada e na mão leva um arco e flecha denominado ofá além
de um iruquerê, espécie de cabo de madeira, osso ou metal com uma cauda de
cavalo presa.É saudado com a expressão Okê.
QUIMBANDA
(MACUMBA)
A Quimbanda,
também conhecida pelos leigos como macumba, é uma ramificação da
Umbanda que pratica a magia negra . Embora cultuem os mesmos Orixás
e as mesmas entidades, se sirvam das mesmas indumentárias, e tenham em
seus terreiros semelhanças muito marcantes tais como a presença de gongá
repleto de imagens dos santos católicos simbolizando os orixás, caboclos e
pretos velhos, existem entre as duas religiões diferenças fundamentais e
decisivas. Uma delas é que na Quimbanda são realizados despachos com
animais como galos e galinhas pretas por exemplo, pólvora, objetos da
pessoa a quem se quer prejudicar, dentes, unhas ou cabelo de pessoas
ou animais. Estes despachos costumam-se realizar à meia-noite em locais como encruzilhadas
e cemitérios. Outra prática bastante freqüente que também se encontra
presente no vodu haitiano sob o nome de paket é o envultamento.
Este, diz respeito à construção de um boneco de pano ou qualquer outro
material, desde que pertencente à pessoa a quem quer se prejudicar, e a seguir alfinetes
ou pregos são utilizados para transpassar o corpo da imagem.
Os quimbandeiros têm
como ponto principal de seu culto a invocação de Exus que na Quimbanda
são considerados espíritos das trevas, uns já em estado de evolução, e
outros, denominados quiumbas, espíritos atrasadíssimos e que por isso
também são chamados obsessores. Existem muitos Exus: Exu das Almas,
Exu Caveira, Exu das Matas, Exu Tranca Rua. Existem de igual forma, Exus
femininos, como é o caso de Maria Padilha, Pombagira Mulambo, Cigana,
entre outras. Uma das práticas mais conhecidas da Quimbanda é a Gira dos
Exus, ou Enjira dos Exus, cerimônia realizada, via de regra à meia
noite, na qual diversos Exus incorporam nos médiuns e passam a dançar, beber,
fumar, utilizando-se de uma linguagem bastante grosseira.
Etimologicamente, a palavra deriva do vocábulo grego eisothéo, cujo sentido é “faço entrar”, e esoterikós, “dentro”, “oculto”. O termo era utilizado para designar as lições de uma doutrina secreta que certos filósofos antigos transmitiam somente a alguns iniciados. Os mestres da antiguidade tinham por hábito reservar certos conhecimentos e destinar seu ensinamento somente a alguns poucos discípulos eleitos. Juntamente com exotérico, seu antônimo, a expressão era utilizada com freqüência nas Escolas de Platão e Pitágoras. Este último tinha o hábito de dividir sua escola em dois grupos: num deles, ficavam os alunos propriamente ditos a quem eles denominava esotéricos e no outro, os que pretendiam fazer parte do primeiro grupo, os exotéricos. Com relação à Platão, esotérico se referia aos ensinamentos do mestre, que dividia seus ensinamentos em dois tipos. A parte mais complexa e difícil de suas teorias as ensinava apenas aos melhores alunos, dotados de inteligência acima da média. A parte de sua doutrina que ele considerava mais vulgar, ele a transmitia através de escritos. Foi somente posteriormente que o esoterismo se revelou como uma forma de conhecimento secreto, adquirido através de faculdades além do raciocínio baseadas na intuição e na transcendência. Com isso buscava-se chegar à Philosophia Perennis, cujos conhecimentos são imutáveis, independentemente do contexto cultural ou época.
A prática da magia é universal e quase é possível
afirmar que existe desde que o Homem existe. Pode se manifestar através da
magia branca e da magia negra, também denominada magia preta. Esta última, se
utiliza da invocação e conseqüentemente intervenção de espíritos
inferiores para a execução de feitiços dedicados à execução do mal. A
distinção entre ambas tem como ponto de partida uma motivação ética
derivada do conceito principal fundamental de uma antiga doutrina da Pérsia,
fundada por Mani no século III. Segundo ele, o Universo era formado por dois
princípios supremos, o do Bem e o do Mal, os quais eram capazes de produzir,
respectivamente, a felicidade e as calamidades do mundo. A magia negra, por isso
é definida como sendo maléfica tanto na sua intenção, quanto na sua execução
pois tenta produzir resultados maus. Para isso se utiliza de métodos tais como
maldições, pactos satânicos, aliança com maus espíritos e feitiçaria que
inclui sacrifícios de animais e a destruição de bonecos construídos com a
finalidade de representar a pessoa a quem se quer prejudicar.
Ela é constantemente associada à bruxaria. Já a magia branca, por sua vez,
pretende uma atividade benéfica, procurando, através de sua ação o bem estar
próprio e dos outros, buscando desfazer as maldições lançadas pela magia
negra. Entretanto, muitas vezes, a magia negra e a magia branca se confundem,
pois os conceitos de bondade e maldade nem sempre são muito fáceis de
distinguir. Algumas regras têm sido propostas para tornar a separação entre
os dois tipos de magia mais acessível e coerente. Assim, por exemplo, foi
proposto por alguns umbandistas, que quando o lugar escolhido para se realizar
determinados rituais forem as florestas, as pedreiras, as encruzilhadas, as
praias, os cemitérios ou as casas de Exú, isso por si só já será um indício
forte de que se trata de magia negra. Além disso foi proposto que a prática de
sacrifício de animais também serviria de indicação sumária da realização
de práticas de bruxaria. A Quimbanda , uma das religiões afro-brasileiras,
caracteriza-se pela prática da magia negra e pela invocação de Exus,
associado comumente ao Diabo dos cristãos. Também o Catimbó, mesmo tendo
sofrido larga influência do catolicismo e do espiritismo tem entre suas práticas
certos rituais de magia negra realizados pela intervenção de diversos Exus.